Na minha caminhada de ontem, encontrei uma grande novidade. Não só uma novidade, mas uma saudável e agradável companhia invisível, que me...

Vida que sempre muda

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Na minha caminhada de ontem, encontrei uma grande novidade. Não só uma novidade, mas uma saudável e agradável companhia invisível, que me fez pensar em muita coisa naquele passeio matinal. Não pensem que foi um espírito, que também nos faz companhia e é invisível. A novidade a que me refiro foi a presença do vento.

Ele assanhou os cabelos das pessoas, mexeu com as árvores, movimentou embarcações, varreu o chão, fez as folhas das árvores dançarem, expulsou tristezas e acariciou o nosso rosto.

Inimigo da rotina, da mesmice, da ociosidade, do conservadorismo inócuo, ele está sempre nos advertindo que é preciso mudar sempre, que a vida não pode ficar parada, porque tudo que pára cria ferrugem, mofo e morre. É ele que anima a paisagem, que transporta a vida, a vida que está imobilizada no pólen das plantas. Onde ele está, tudo se renova, tudo muda.

Liberdade, entusiasmo, alegria, renovação, eis os ensimentos que o vento nos dava. Até as folhas mortas no asfalto criaram vida, saíram dançando pela avenida afora. Até as nuvens ensaiaram um balé na passarela azul do firmamento. Até os pássaros voaram mais leves. Mas será que todos os que caminhavam, ontem, deram pela sua presença? Vivemos tão mergulhados nos nossos problemas, nas nossas mesquinhas e prosaicas ocupações e preocupações, que esquecemos ou ignoramos a grande lição das coisas que nos rodeiam. A lição muda da vida que sempre muda...
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