Cá entre nós, um pai que põe o nome da filha de Emengarda não tem Jesus no coração. Não pode ter. A infeliz vai arrastar esse padecimento até o final de seus dias. Foi o caso que repasso para estas linhas.
Já mocetona, nossa amiga teve dificuldades na hora de concretizar um namoro, pois, quando se apresentava ao pretendente: "Meu nome é Emengarda", a outra parte logo pegava o beco, desistia. Tanto que a penitente em questão só trocou
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Emengarda e Porfírio tiveram em comum o destino de amargurar uma mesma síndrome, a tal da SNE (Síndrome do Nome Estranho). Não é fácil enfrentar uma parada como essa. Só quem está nessa luta sabe o que é. Mas foi o que os levou ao cartório.
Foram tendo uma vidinha discreta de aperreios e bonança. Nada que os afligisse, nada que os levasse à euforia. Chamavam um ao outro de Benzão. Era uma tal de Benzão para cá, Benzão para lá, e evitavam os próprios nomes.
Como quem casa quer casa, estavam em dia com esse quesito. Mas e os filhos? Dona Benzão já um pouco passada dos anos, e Seu Benzão também. Tentavam, tentavam... Quando o Benzão marido não falhava, era ela que não estava nos dias propícios. Com medo de a menopausa chegar e de que a garrucha do Benzão negasse fogo de uma vez por todas, resolveram
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Então, para cumprir o compromisso, antes de cada refeição Dona Emengarda fazia sua reza com toda a devoção de que era capaz:
"Ó gloriosa Santa Isabel, escolhida por Deus para ser mãe de João Batista, concedei-me essa graça: a bênção da maternidade, se esta for a vontade do Senhor, Pai de todos nós. Intercedei por mim, para que eu receba este dom com saúde, paz e fé. Amém."
Deu certo. Com pouco mais de um mês, pegou bucho e, com quarenta e uma semanas de gestação, veio ao mundo uma maricotinha que era a coisa mais linda do mundo.
Então chegou a hora de escolher o nome da cabritinha. Mas qual? Queriam um nome comum, sem ípsilons e outras extravagâncias. Escolheram Helena.
A menina passou a infância e a adolescência em céu de brigadeiro. Na hora certa foi para o balé e a natação. Quando a aritmética quis causar algum embaraço,
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Dona Emengarda até andava esquecida do padecimento que o nome lhe causava. Seu Porfírio também. Certa vez, conversando com o marido, conjecturou:
— Benzão, Deus nos castigou com esses nomes que só nos fizeram passar vergonha, mas nos compensou com essa filha maravilhosa.
— Verdade, Benzão. Ela não vai arrastar essa penitência... É bonita, inteligente, há de um dia formar uma boa família e nos dar netos lindos como ela.
Assim aconteceu. Lá no auge dos encantos, Heleninha encontrou Alcides; aliás, Doutor Alcides, ilustre causídico da área criminal. Passados uns quatro meses do casório, Heleninha veio com a notícia:
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Que alegria! Nem um mês depois, a notícia se estendeu...
— Mãe, pai, vão ser trigêmeos.
E foram. Três machinhos muito fofos. Dona Emengarda estava curiosa.
— Helena, já escolheu o nome dos bacuris? — perguntou ao ver aqueles pimpolhos gorduchinhos.
— Sim, mãe. Vão se chamar Osmarison, Luarlindo e Parkison.
Dona Emengarda respirou fundo e começou a chorar copiosamente.
— Brincadeira, mãezinha...
Dona Emengarda enxugou as lágrimas, respirou:
— Filha, não faça isso com sua mãe.
Só se chamando Emengarda para avaliar o susto que a moça pregou em Dona Benzão. Acreditem!











