Há alguns meses, recebi o convite do jornalista André Cananéa para participar de um programa da Rádio Parahyba FM, E com vocês . Uma ...

As músicas da minha vida

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Há alguns meses, recebi o convite do jornalista André Cananéa para participar de um programa da Rádio Parahyba FM, E com vocês. Uma alegria! Ainda mais quando vi os nomes dos outros convidados: Ney Matogrosso, Everaldo Pontes, Marília Arnaud, meu amigo Nelson Barros, entre tantos. Tinha feito notas para escrever algo, mas o cotidiano engoliu minhas ideias, e o tempo foi passando até que li o texto de Nelson, “Música, sempre ela”, na edição de A União de 19/06. Senti-me representada, mas também desafiada a escrever uma crônica de uma trilha toda minha.

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Nelson Barros
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André Cananea
André me pediu cinco músicas: uma que tivesse marcado minha infância, uma a adolescência, uma a vida adulta, uma que me deixasse triste e uma que me levasse à felicidade. Uma trilha sonora da vida. E disse que o programa seria um passeio pela minha vida. Não pensei muito. Tentei fazer um brainstorming; de supetão, o que viesse à cabeça. E o primeiro desafio estava dado. Escolher uma lista de dez para mim já é difícil; imagine de uma só. Choveram músicas. E a escolha foi pelo requisito não do que eu gostasse mais, mas do que me surgiu primeiro à cabeça e que tivesse me marcado por alguma razão, principalmente pelo sentimento.

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GD'Art
Primeira constatação: encontrar uma música da infância foi difícil. Descobri que, nessa época, não tinha uma música da infância perdida. Mas ouvia primeiro os Metais em Brasa na radiola do meu pai. Depois, Gigliola Cinquetti, com Non Ho l'Età. Essa música tocava meus sonhos românticos. Logo me surgiram Rita Pavone e Datemi un Martello. Tempos de matinês e matinais nos clubes. Vieram também Os Incríveis e os Beatles (A Hard Day's Night, Michelle e Help!), além de Renato e Seus Blue Caps, com A Primeira Lágrima. Dos Rolling Stones eu era mais distante.

Mas nada impedia que Satisfaction e Wild Horses balançassem meu esqueleto. O Fino da Bossa: cantava de cor todas as músicas do LP com Elis e Jairzinho. A Jovem Guarda. Roberto Carlos e Quero que Vá Tudo para o Inferno, minha preferida. Mas também Nossa Canção, Tua Estupidez e As Curvas da Estrada de Santos. E Leno & Lilian: Eu Não Sabia que Você Existia. Sonhava de olhos abertos. Depois vieram os festivais de MPB. Alegria, Alegria marcou minha vida e meu amor por Caetano Veloso, assim como Olé Olá, de Chico Buarque. De Gilberto Gil vieram à cabeça Domingo no Parque, Drão, Esse Seu Olhar e Pessoa Nefasta. De Milton Nascimento, Travessia e Canção Amiga. E Paulinho da Viola, com Foi um Rio que Passou em Minha Vida. Pelos bailes e brincadeiras, teve Rita Lee e todas as ovelhas negras. Gal Costa e Meu Nome É Gal; Bethânia e Chico Buarque, com todas as músicas de Quem É Você.

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Chico Buarque
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Leno & Lílian
Quando entrei para a vida adulta, misturei tudo. Lembrei de Simon & Garfunkel com The Sound of Silence, Mrs. Robinson e Bridge Over Troubled Water. Night and Day e Summertime, da trilha de Porgy and Bess, foram-me apresentadas pelo cunhado Sérgio Tavares. Aranjuez Mon Amour e todas as guitarras espanholas me levavam para outro lugar no mundo. E, quando visitei a Andaluzia, enfeiticei-me pelo perfume das laranjas.

Quando Elba Ramalho surgiu, e nós estávamos em Baía Formosa, cantarolávamos Canta Passarinho e Curumim, pela boemia daqueles tempos. Por Alceu Valença me apaixonei desde Vivo!, Coração Bobo e Morena Tropicana. Zeca Baleiro conheci no Portal das Cores.
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Elba Ramalho
Cazuza e todas aquelas músicas dançantes, como Brasil, Mostra a Tua Cara. Arnaldo Antunes e os Tribalistas. Marisa Monte: comprava os LPs sem conhecer nada e me apaixonava por tudo. Até hoje, com seu Infinito Particular. Jorge Mautner e Tom Zé são causos à parte. Gosto demais da irreverência dos dois.

Pelo meio de tudo houve o Rock in Rio. E Pink Floyd, com Time, Wish You Were Here e The Dark Side of the Moon. A trilha do filme Amarcord escuto até hoje. Assim como a de O Poderoso Chefão. E John Travolta, com Saturday Night Fever, convida-me para dançar até hoje. Cássia Eller e seus blues. E, para dançar desde sempre: Venus, Sunny e My Pledge of Love.

Como podem ver, a trilha é extensa, eclética, e é difícil escolher só uma. A que me deixa feliz e em êxtase é Aquarius/Let the Sunshine In. As que me deixam triste são Atrás da Porta e Curumim; as que me deixam doida, The Man I Love e Time. As que me trazem felicidade? Gracias a la Vida e Espumas ao Vento. A que me leva às saudades: Você não me ensinou a te esquecer. Faltaram João Gilberto (Corcovado), Tom Jobim (Águas de Março), Jorge Ben (naquela época era assim a grafia) e Mas, Que Nada!. E mais um monte de músicas dançantes dos anos 70 e 80. A vitrola está cansada!

Falando dessas músicas (aqui a lista está bem maior, pois não poderia colocar André em maus lençóis — o programa tem tempo. E ritmo.), percebo que ela faz parte de uma mulher que viveu e vive o seu tempo, acompanhando os movimentos musicais da sua época. Falamos da vida, dos endereços, dos costumes da aldeia, dos casamentos, dos amores, do balancê da vida, das saudades e da radiola amarela lá da sala de casa, e depois da minha radiolinha cor de laranja, onde, provavelmente, os Beatles cantam até hoje Penny Lane e Strawberry Fields Forever.

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