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Que nome é esse, cronista, com que você intitulou esta crônica? Será mais um lugar que você visitou nesses seus périplos, mundo afora? Sim, no roteiro que a experiência e bom gosto do nosso Germano traçaram, recentemente, incluiu-se a cidade de Kotor, tno litoral do pequeno país, Montenegro, que foi parte integrante da ex-Iugoslávia. Uma cidade que ainda hoje não estou acreditando que existe. Uma cidade cercada de montanhas e muralhas por todos os lados, à beira de um fiorde, na Baía de mesmo nome. Montanhas altíssimas que só em olhar para elas nos deixa cansados.

Grande parte dessa cidade é medieval, a começar pelo chão e edificações constituídos de pedras, hoje pisadas pelos numerosos turistas, ao invés das roda das carruagens.

Confesso que me catuquei várias vezes para ver se não estava sonhando. Turistas e mais turistas chegando de cruzeiros enormes, a maioria já escorregando pelos oitenta e bote força.

Não se dá uma passada que não se encontre uma loja expondo seus biscuits. Montanhas, pedras, silêncio, era só o que se via nessa exótica cidade.

Mas, o que mais me impressionou foram os numerosos gatos que, ali, são reverenciados como a vaca na índia. Gatos lindos, por vários recantos, que os turistas alimentavam com pedaços de pãoe outros petiscos, como acontece com os pombos em outras metrópoles.

E a grande aventura dos numerosos turistas é subir as escadarias da muralha até perto das montanhas, após uma difícil e perigosa caminhada. E foi aí que vimos uma senhora, já bastante idosa, levar uma queda, ferindo-se. Ainda bem que Alaurinda socorreu-a com ligeira medicação. Turista prevenido é outra coisa.

Montanhas silenciosas e místicas, cobertas de vegetação e além do mais geladas. Nada de trânsito de veículos só pedestres. E víamos navios enormes aportarem na Baía de Kotor quase todas as manhãs, que ficavam aguardando os passageiros explorarem a cidade para depois continuar seu passeio no mar.

Contudo, confesso que não gostaria de morar nessa Gatolândia, a não ser como prisioneiro. Mas, tudo tem sua beleza. Valeu conhecer aquela cidade que atrai cada vez mais turistas. Turistas do mundo inteiro, a começar pelos japoneses, que vivem saindo de suas ilhas à procura de espaços.

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Dois circos estão acampados na cidade. E chegaram todos modernos, tanto é assim que a propaganda, além da televisão, se faz através de outdoors. É a modernidade que está em tudo.

Mas os circos ainda são de lona. De lona, mas não de leão. Nada de bichos, como manda o sentimento ecológico. Os artistas são gente. Mágicos, trapezistas e outras atrações. Não mais a zebra correndo pelo picadeiro, ao som de uma animada música, não mais o domador entrando na jaula do leão e procurando fustigá-lo, irritá-lo, sob os aplausos da multidão.

Os dois circos estão aí e o menino que ainda está dentro de mim está doido para ver os espetáculos. Ah, os circos de outrora, lá na Lagoa! O Circo Nerino, o Circo Garcia, o circo... eram tantos.

A meninada não pensava mais em nada. Não se estudava mais, não se fazia mais nada, até que e circo começava a se desmontar. Aí a tristeza era de doer e de chorar. Mas o leão precisava comer. Comer carne e muita. Essa a razão de alguns donos de circo contratarem garotos pobres para eles trazerem gatos para matar a fome leonina. Assim informavam.

A verdade é que o circo era um verdadeiro paraíso. Um paraíso de lona que encantava a meninada. O de que eu mais gostava era ver os trapezistas, a moça linda andando sobre o arame, como se fosse uma calçada, o palhaço arrancando gargalhadas da multidão embevecida... E havia uma garota chamada Rosinha, que subia o trapézio e lá do alto deslocava o corpo. As palmas estrondavam. Eu achava a menina linda. Acontece que, numa certa manhã, lá no sítio onde eu morava, na Lagoa, Rosinha apareceu com outros garotos. Eu não quis acreditar... Sorriu, chupou mangas, conversou com a gente, uma beleza. Mas, aqui para nós, de perto, Rosinha me pareceu menos bonita. Ah, aquelas sardas no rosto...

Os circos estão aí... Mas, sem dúvida, com espetáculos muito diferentes. O menino, que ainda vive em mim, tenha paciência. E, aqui para nós, quando é que a elefanta, ora hospedada no nosso Parque Arruda Câmara, vai aparecer em público para alegria da meninada?

Aqui vai uma sugestão ao prefeito Luciano Cartaxo: que a apresentação publica da elefanta seja paga e o dinheiro seja destinado ao Hospital do Câncer. Aliás, soube pelos jornais que um dos circos que ora nos visita, enviou seus palhaços para distraírem os garotos ora internados naquele hospital, levando-lhes a terapia do humor e da alegria. Uma iniciativa digna de aplausos. O divertimento é um excelente medicamento. Sofre-se menos quando se está alegre.

Concluindo, aguardemos a próxima apresentação pública da elefanta, que, decerto, já está readaptada ao seu verdadeiro habitat, longe dos refletores, dos aplausos e do barulho.

As celebridades são sempre exigentes na hora de permitir que suas imagens sejam divulgadas em reportagens e anúncios comerciais. E o Photo...

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As celebridades são sempre exigentes na hora de permitir que suas imagens sejam divulgadas em reportagens e anúncios comerciais. E o Photoshop ajuda a alimentar essa vaidade.

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A criação de uma senha geralmente é uma experiência enfadonha. Não se pode lançar mão de termos comuns, de caracteres repetidos ou mesmo d...

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A criação de uma senha geralmente é uma experiência enfadonha. Não se pode lançar mão de termos comuns, de caracteres repetidos ou mesmo de datas, porque tornam a senha insegura. Diante dessas limitações, a palavra que criamos acaba por tornar-se difícil de fixar na memória.

O homem é um animal que deseja. Que deseja muitas coisas. E quando não as obtém, sofre forte frustração, que o leva à depressão. Ocorreu qu...

O homem é um animal que deseja. Que deseja muitas coisas. E quando não as obtém, sofre forte frustração, que o leva à depressão.

Ocorreu que no feriado dos, impropriamente, chamados mortos ou finados, pela manhã, andei a passear os olhos nos livros da minha biblioteca, quando um deles me chamou a atenção. Tratava-se de “Teoria e pesquisa em sociologia”, do sociólogo norte-americano Donald Pierson. Ora, e eu estava justamente desejando escrever sobre os desejos humanos, tema que aquele mestre estudou muito bem.

Segundo a ótica do professor Pierson, são quatro os desejos fundamentais do homem. Saberá você quais são? Quanto a mim concordo com a classificação do mestre, conquanto gostaria de incluir mais um na sua relação.

Mas vejamos, aqui, quais são os desejos humanos considerados fundamentais pelo Dr. Pierson: primeiro, desejo de correspondência, segundo, desejo de ser apreciado, terceiro, desejo de novas experiências e, finalmente desejo de segurança.
Com referência ao primeiro, aqui para nós, quem deseja ficar sozinho no mundo, isolado, sem amigos? Sinceramente, acho que ninguém. O outro é o nosso reflexo. Quanto ao segundo, não há nada a contestar. Gostamos bastante de ser apreciados, considerados, admirados. Aí entra a vaidade, a natural e humana vaidade.

Continuemos com a lista de desejos e vejamos o terceiro apontado pelo sociólogo: o desejo de novas experiências. Nele entra a viagem, a busca da aventura, da novidade, o apetite de novas emoções. E concluindo a relação, termos o desejo de segurança. Este, segundo o Dr. Pierson, se contrapõe ao desejo de novas experiências.

Diz o ditado popular que quem não arrisca, não petisca. É preciso, portanto, sair da rotina para a aventura, pois só assim ganharemos experiências. E a experiência é tudo na vida. Daí a vantagem do moço para o mais avançado no tempo. Nunca diga: “fulano é velho”, e sim: “fulano é mais experiente”.

A verdade é que concordo com a relação dos desejos humanos exposta pelo eminente sociólogo. E se eu tivesse de acrescentar mais um desejo, mencionaria o desejo de transcendência. O desejo de sair do horizontalismo material para a verticalimo espiritual. Vale lembrar que o homem é um animal que pensa, logo, que transcende. Transcendência que o leva à reflexão. Transcendência que é religiosidade. Há, portanto, necessidade de sair, vez por outra, da distração para a reflexão.

Mas, aqui para nós, estamos sempre procurando a distração, esquecendo estas profundas indagações: qual o sentido da vida, o que nos espera, depois da morte: o paraíso de uma consciência tranquila ou o paraíso do nada? E é justamente para esquecer estas indagações que surgem a distração, o esquecimento de si mesmo.

No passado mês de outubro, estivemos em  Montenegro  e pudemos constatar aquilo que já pressentíamos desde o momento em que avistamos algu...

kotor montenegro


No passado mês de outubro, estivemos em Montenegro e pudemos constatar aquilo que já pressentíamos desde o momento em que avistamos algumas ilustrações numa revista de viagem: o país é realmente sensacional, tranquilo e deslumbrante.

V i, numa foto do jornal, dois grupos de casinhas populares, de uma porta, duas janelas e uma rua no meio. Lembraram-me crianças, de mãos da...

Vi, numa foto do jornal, dois grupos de casinhas populares, de uma porta, duas janelas e uma rua no meio. Lembraram-me crianças, de mãos dadas, cantando o “marré-marré”, cantiga que ouvi muito, quando menino, ao tempo em que as ruas ofereciam segurança. Quase que não havia automóveis. O silêncio dominava a cidade impondo segurança absoluta às pessoas. Que lindo as crianças, pra lá e pra cá, cantando e namorando, que a vida não corria. A vida se escorria, sem pressa.

Pois bem, a foto que vi no jornal me trouxe essa lembrança, dois grupos de casinhas, lado a lado. O que uma tinha, todas tinham. Só não tinham quintais, quintais de terra batida, cheios de fruteiras, de galinheiro com galos cantando. As casinhas não tinham terraço na frente. Nenhuma podia se orgulhar. Ver uma era ver as outras. Não esquecer que eram casas de pobre, casas populares, que não tiveram engenheiros, nem arquitetos para construí-las.

E eu fiquei a refletir: será que à noite eles, os moradores, se reúnem para conversar, para fofocar, para se divertir? Evidente que sim. O ser humano necessita tanto de conversar como de se alimentar, e de respirar. Sem comunicação o homem morre. Ninguém nasce para viver isolado. Ninguém passa sem o outro, o outro, que para o filósofo Sartre é o inferno, como se ele, com seu habitual mau humor, fosse o paraíso para os outros.

Mas voltemos às casinhas, dir-se-ia de mãos dadas, lado a lado, longe das alturas, sem necessidade de elevadores, sem a presença de vigilantes, sem estacionamentos para automóveis, sem orgulho, sem piscina, sem “spa”, cinema, “kid-club”, espaço gourrmet... As casinhas que eu vi na foto do jornal, não têm nada disso. Tenho certeza, porém, que seus moradores se vêem como irmãos e nenhum deles pretendem ser mais ricos que os outros. Outra coisa: todos eles podem entrar e sair de suas casinhas, sem problema. Não são prisioneiros do conforto como os que moram “lá em cima”.

E me vem a indagação: os prisioneiros do luxo, da riqueza e do conforto são felizes? Dormem tranquilos? Volto a olhar a foto no jornal. Só lamento é que não tenham arborizado a rua que passa entre as casinhas, como um rio... Será que houve festa na inauguração ou no “lançamento” daquele conjunto habitacional?...

F oram tantos os que colaboraram nesta nossa recente viagem, às terras de além-mar, quando nos ausentando por uns quinze dias, da bem amada ...

Foram tantos os que colaboraram nesta nossa recente viagem, às terras de além-mar, quando nos ausentando por uns quinze dias, da bem amada terrinha, que não troco por nenhuma outra. É que, aqui, a gente deixa a nossa alma, a começar por esta João Pessoa, de quem hoje sou cidadão, graças à iniciativa de meu amigo Fernando Milanez, cujo pai deu-me lições de cavalheirismo e dignidade.

Mas, vamos à viagem, que me fez sair da rotina para a aventura. É bom, vez por outra, pular o círculo da rotina e arrojar-se à aventura. Dizem que se você riscar, com giz, um circulo no chão, e colocar nele um peru, o bichinho fica parado, não pula o risco, com medo, Assim, se possível, atravessemos, vez por outra, o nosso círculo, seja para um passeio a Londres, seja à Sousa ou Riacho dos Cavalos, em nosso pleno Sertão, onde nasceu meu amigo cabeleireiro Josias, do salão “Center Bella”.

Pois é, pulei mais uma vez o círculo de giz e saí numa nova aventura. com meus adoráveis familiares, como sempre costumo fazer. Mas, alem dos queridos familiares, que tal agradecer a... A quem, cronista? Aos que, em geral, ninguém se lembra de um agradecimento, a começar por estes meus olhos, que na viagem só fizeram registrar belezas por este mundo afora. Belezas naturais, belezas culturais, belezas humanas. E, para mim, o fenômeno humano está em primeiro lugar. Somos os outros. Já imaginou visitar Londres, Paris, Viena, Nova Zelândia, com suas ruas sem ninguém? O mar, por mais belo que seja, como o do nosso Tambaú, necessita do olhar humano.

Mas, como ia dizendo, graças aos outros, é possível viajar. Quantas mãos nos ajudando! Os que nos transportam, os que nos alimentam, nos hospedam, cuidam da limpeza dos nossos quartos de hotel, dos que vendem coisinhas lindas da terra que visitamos... Dos taxistas, que conhecem a sua terra na palma da mão.

Ergamos um brinde aos nossos humildes pés, aos nossos privilegiados olhos, às nossas mãos, aos ouvidos que nos levam a ouvir concertos maravilhosos.

Mas não esqueçamos dos outros. Sem eles não sairíamos do círculo de giz da rotina. Viva a nossa interdependência que a moderna tecnologia cada vez mais estimula. Graças a ela, a saudade está morrendo, e o distante cada vez mais perto...

Q uem foi que matou o eminente psicanalista, que descobriu uma coisa que vivia oculta há muito tempo, mas que ele com a sua perspicácia, des...

Quem foi que matou o eminente psicanalista, que descobriu uma coisa que vivia oculta há muito tempo, mas que ele com a sua perspicácia, desvendou? Terá sido algum lugar? Não. Alguma invenção, como o avião de Santos Dumont? Também não. Ele descobriu o nosso inconsciente, este porão de muitas das frustrações e inibições que nos chegam à superfície.

Mas, por causa dessa descoberta, o famoso psicanalista sofreu o diabo, sobretudo, dos seus colegas de profissão. E o pior é que é que ele achou de dizer que a libido, a energia sexual se manifestavam no nosso inconsciente.

Freud escreve uma obra que teve o efeito de uma bomba, denominada “Interpretação dos sonhos” e que veio à luz no início do século passado. Ora, ninguém antes dele pensou nisso. Desde que o mundo é mundo, que o homem sonha. Sonhos agradáveis, sonhos maus, que são os pesadelos; sonhos que nos deixam alegres ou deprimidos. Mas ninguém pensou que o sonho é a chave que abre o nosso inconsciente.

Quem trabalhou muito com ele, nesse negócio de psicanálise, foi o mestre suíço Jung, seu discípulo por algum tempo. Mas depois discordou do mestre, sobretudo no que tange à libido. Freud via sexo em tudo. Até no sugar do seio materno, por parte da criança.

A verdade é que o mestre vienense, sendo judeu, foi perseguido pelos nazistas, no tempo de Hitler. Os nazistas chegaram a impedi-lo de trabalhar. Humilhado, perseguido pelos asseclas do Reich, o eminente pensador viu Londres como um bom refúgio. E os nazistas impuseram um elevado pagamento, isto é, um resgate, que foi pago pelos amigos.

Só assim o mestre pôde ficar em paz. Estava livre dos inimigos. Ele só não se livrou do tabagismo, que lhe provocou um câncer na boca, o que o fez sofrer por muitos anos. E informam que sua boca exalava tanto mau cheiro, que o seu cãozinho saía de perto dele.

Curioso, a maioria dos biógrafos de Freud não informa de que o mestre morreu. Estranho, não? Pois é, o famoso psicanalista, que teve tantos inimigos, inclusive o Nazismo, não pôde se livrar do maior deles: o fumo, em forma de charuto. Seu sofrimento foi terrível. Submeteu-se a mais de trinta cirurgias. E saber que muita gente ainda continua soltando suas baforadas venenosas para desespero dos pulmões. Ainda bem que em tempo, eu larguei o fedorento vício...

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