D esde cedo que Alaurinda dizia: “hoje não há quem me faça perder a abertura das Olimpíadas de Londres”. Só o violino é que ficou sentindo a...



Desde cedo que Alaurinda dizia: “hoje não há quem me faça perder a abertura das Olimpíadas de Londres”. Só o violino é que ficou sentindo a ausência de seus dedos e de seu queixo.
Ah, Londres, como a gente gosta dela! Lembro que na última visita que lhe fizemos, há poucos meses, já sentíamos a atmosfera de ansiedade pelas Olimpíadas. Fomos até visitar o Parque Olímpico, já em fase de acabamento para o monumental evento. Coisa de espantar. Uma obra de gigantes. Andamos pelo shopping Westfield, de cujo terraço avistávamos os estádios, bem perto. Muita coisa para dois olhos.
Passou a manhã, e Alaurinda, já com um pacote de pipoca na mão, foi me chamando para ver o extraordinário evento, que custou a bagatela de 12 bilhões de euros. Uma quantia que, segundo a estimativa do meu filho arquiteto Germano, acostumado a cálculos, daria para comprar todos os apartamentos da orla marítima de João Pessoa...
Mas esqueçamos os gastos, e vejamos os gostos. Uma maravilha de espetáculo. Sobretudo pelos recursos tecnológicos. E ali vimos como é grande o mundo. Países que a gente nem pensa que existissem, estavam lá, desfilando com muita alegria. Não resta dúvida que os jogos olímpicos, inventados pelo gregos, são uma verdadeira festa de confraternização humana.
Meu maior interesse, porém, era ver a Rainha, que, ao que se diz, reina, mas não governa. Pouco importa. Uma multidão de gente, e eu não sei como sua Majestade suportava tanto aperto. Evidente que ela estava ansiosa para sair dali. Ela que vive o tempo todo no silêncio de seu luxuoso palácio. E haja desfile.
E quer saber de uma coisa? A festa das Olimpíadas deveria ter sido melhor. Não gostei muito da parte musical. Fiquei pensando: bem que caberia, ali, o final da Nona de Beethoven, esse extraordinário canto de solidariedade universal. Ou pelo menos a “Pompa” do inglês Elgar. Mas, ao que tudo indica, a música dos Beatles ainda é um grande símbolo britânico.
Continuemos a crônica. Meu grande desejo era ouvir o discurso da Rainha. Mas, pouparam-na desse encargo. O desfile terminou, com Sua Majestade lendo duas palavras num papelzinho. Não aparentando muito animada, Elizabeth deve ter dado graças a Deus quando a festa terminou. Se ao menos a nossa Dilma estivesse perto dela...

Na arquitetura, às vezes os padrões ditados pela simetria e pela gravidade são desafiados, resultando em edificações de visual estranho, por...

Na arquitetura, às vezes os padrões ditados pela simetria e pela gravidade são desafiados, resultando em edificações de visual estranho, porém intrigante, como esses.

N ão, leitor, não vou lhe dizer onde está esse paraíso a que me refiro no título, considerado, hoje, um intruso por muitas pessoas....


Não, leitor, não vou lhe dizer onde está esse paraíso a que me refiro no título, considerado, hoje, um intruso por muitas pessoas. Disse bem, um intruso, porquanto a época é de progresso, desenvolvimento, progresso vertical e progresso vertical pede pedras para subir. E, assim, para tapear, ainda colocam um pouco de verde ao redor dos edifícios em respeito à ecologia, que, há muito, vem sendo esmagada pela verticalização.
O paraíso a que estou me referindo é um quadrado de terra cheio de fruteiras: coqueiros, mangueiras, Pau-Brasil, flamboyants, cajazeira, limoeiro, sem esquecer um pé de pitanga. Uma exceção dentro da regra geral. A regra geral dentro da verticalização. Coloquem dois ou três coqueiros, um em cima do outro, que não chegam a suplantar os edifícios atuais.
O citado paraíso também possui animais, hoje considerados espécies em extinção: o galo, as galinhas, os pintos. Também tem pássaros que descem das árvores para comer as bananas e os mamões que os donos do quintal colocam para eles. E não faltam saguis, com suas caras gaiatas, competindo com os pássaros na busca de alimento, assim como os pombos. Sim, lá também tem papagaios, com seu humor e gargalhadas, ensinando-nos que ri melhor quem ri por último.
E não lhe conto. Vez por outra surge um camaleão, que a internet diz que é um iguana, em busca de alimentos, e convive pacificamente com os outros.
A verdade, leitor, é que o paraíso, ameaçado de extinção pelo progresso, está com os seus dias contados. Os outros edifícios já estão irritados com a presença daquele pedaço de chão, que bem poderia dar lugar a um imponente edifício, com seus apartamentos de poucos metros quadrados e com área de lazer desejando substituir a Natureza. Ah, se fosse possível levar o quintal, o paraíso a que estamos nos referindo, lá para o alto!
O paraíso, um simples e bucólico quintal cheirando a terra, talvez considerado um obsoletismo. A verdade é que quando eu quero encher os pulmões de oxigênio puro, os olhos de beleza... É pra lá que eu vou. Até quando?

M al me sento junto ao computador, para a confecção da crônica, e uma porção de assuntos já se encontra em fila, aguardando a vez d...


Mal me sento junto ao computador, para a confecção da crônica, e uma porção de assuntos já se encontra em fila, aguardando a vez de serem chamados. E vai ser difícil a escolha. Mas nem sempre é assim.
E a indagação é: será que o leitor vai gostar desse assunto? Ora, ora, mas há leitor para todos os paladares. E examinando a fila, eis que me deparo com um assunto jamais imaginado. Não penso duas vezes, vou chamá-lo.
Trata-se de Maçonaria, a respeitável instituição que tanta projeção teve na História. E não esquecer que meu pai, José Augusto Romero foi maçon. Era espírita e maçon. E soube, como ninguém, respeitar as duas. Ele chegou a ser grão-mestre da Maçonaria. Mas, naquele meu tempo de garoto, o que queria da Maçonaria era me sentar nas duas esfinges de bronze que ficam na entrada do belo prédio da instituição. O prédio é uma jóia de arquitetura, segundo meu filho Germano, de autoria de Hermenegildo Di Láscio. Fica na avenida General Osório, antiga Rua Nova. Acontece que eu morava. ali. Muitas vezes ia sozinho, outras vezes acompanhado de meu pai. E quem ficava sempre na Loja, despachando e atendendo as pessoas, era o Augusto Simões, um homem gordo, excelente pessoa humana. Eu adorava entrar na maçonaria para ler as revistas em sua grande biblioteca. E quem me atendia era um senhor chamado Arnaud.
As reuniões dos maçons eram à noite, no primeiro andar. E às vezes, eu ouvia pancadas no soalho. A Maçonaria tem os seus segredos, que era proibido aos maçons divulgá-los a quem não era maçon.
Eles conheciam os companheiros por um simples aperto de mão. Meu pai nunca me satisfez a curiosidade. Nada me informou a respeito da Instituição. E saber que o grande Mozart era maçon...
Havia muita curiosidade em torno da Maçonaria. Diziam que lá havia um bode preto. E eu ficava com medo. Meu pai, certa vez, me perguntou: quer ser batizado pela Maçonaria? Fiquei em dúvida. Aí ele concluiu: o batismo não é com água, como na Igreja, e sim com mel. Que gostosura!
Maçonaria, uma respeitável instituição. Se não fosse, meu exigente pai não faria parte dela.
O magnífico prédio da Loja Maçônica “Branca Dias”. repito, é uma jóia de arquitetura, um valioso monumento histórico, guarnecido por duas esfinges.
Outra coisa que me intrigava: por que a Maçonaria não admite mulheres em sua administração? Nunca tive coragem de abordar essa questão ao meu venerando pai, grão-mestre de lá...

A o que saiba, dirá o leitor, porto, aqui, só existe um, o do Sanhauá - chamado “do Capim” - que fica na Cidade Baixa, afluente do Paraíba e...


Ao que saiba, dirá o leitor, porto, aqui, só existe um, o do Sanhauá - chamado “do Capim” - que fica na Cidade Baixa, afluente do Paraíba e que assistiu à fundação da nossa capital.
Mas o porto, ou melhor, os portos a que estou me referindo são homens. Homens que muito dignificaram a nossa terra, seja na política, na magistratura, seja no jornalismo.
Eis alguns: Mário Moacir Porto, jurista e homem de letras, Sílvio Porto, político, Geraldo Porto, que nunca quis se meter em nada. O de que ele gostava, era fumar o seu cigarro, na janela de sua casa, lá na descida para cidade baixa. Adorava fumar, pensar e conversar. Um gênio na ironia, na critica. Profundo conhecedor de literatura, Geraldo adorava bater papo no antigo Ponto de Cem Réis, que naquele tempo reunia tudo o que era de políticos e de intelectuais, contando, ainda, com a presença de Mocidade, tipo popular muito querido em nossa cidade.
Se tivessem gravado todas as conversas de Geraldo Porto, teríamos, um manancial de cultura. No entanto, nada deixou escrito. Que desperdício de inteligência! Um gênio anônimo, sem vaidade pessoal. Discreto. Se não estou enganado, era um autêntico solteirão.
Afastado da política, passando a maior de seu tempo pensando, pois não é que Geraldo terminou sendo convidado para diretor da nossa Biblioteca Pública, lá na avenida General Osório... E deu conta do recado. Era o homem certo para o lugar certo.
Geraldo Porto... E os outros? Antes que a crônica acabe, lembremo-nos do príncipe, do jurista, do mestre por excelência Mário Moacir Porto. Com quem convivi e aprendi muito. Um homem de uma ética admirável. Como soube dignificar a toga! E ainda hoje sou grato por ter ele aceitado o convite para vir ao lançamento para apresentar o meu livro de crônicas de viagem: ”O Papa e a mulher nua”. Mas antes de aceitar o convite, ponderou: ”Será que isto não vai me complicar perante a Santa Igreja Católica?”...
Para terminar, o Sílvio Porto, um professor de boas maneiras, um homem arguto, bom político, ex-diretor do jornal A União, em cuja gestão nasceu o “Correio das Artes”, suplemento literário de fama nacional. E seu filho, o José Porto, na intimidade Zeca Porto, é desembargador que vem honrando a toga.
Ah, os Portos, como eles dignificaram a vida que viveram...

No início, tudo era escuridão. E, então, veio a luz. A Terra foi criada e povoada com uma infinidade de criaturas. Montanhas, mares, deserto...

No início, tudo era escuridão. E, então, veio a luz. A Terra foi criada e povoada com uma infinidade de criaturas. Montanhas, mares, desertos foram formados. Riachos de águas cristalinas passaram a fluir no meio das florestas.

E stá aí o nosso artista plástico Hermano José, zombando do tempo, e cada vez mais jovem no apetite de conhecer, de estudar, de viver e de p...

Está aí o nosso artista plástico Hermano José, zombando do tempo, e cada vez mais jovem no apetite de conhecer, de estudar, de viver e de pintar. Hermano, com seus noventa anos, não tem nada de velho, a não ser os cabelos brancos, que são novos. O rosto sem rugas, corado, o olhar vendo tudo, principalmente a Natureza tão mal respeitada pelo homem. E vendo os crimes ecológicos, que acontecem todos os dias, o nosso poeta, pintor e filósofo se transforma numa fera. Meditando e pintando, ele é um defensor de nossas árvores. E mora lá no Bessa, numa bela vivenda e tem por vizinho o mar, que ele contempla, todos os dias, com profunda e mística reverência.
Hermano José, com muita idade e vitalidade, está cada vez mais jovem. E conversando com ele é que a gente aprende coisas lindas. Vez por outra, ele desce do seu paraíso, pega um táxi e vai dar uma olhada nas novidades da Livraria Saraiva, lá no Shopping Manaira. O diabo é que, de repente, tudo pode acontecer. Pois não é que ele, no momento em que ia para casa, chocou-se com um garoto que vinha correndo, e escorregou no piso lustroso do shopping. Mas, felizmente, nada de grave aconteceu. Não demorou muito e eis o nosso artista plástico, novamente, na Livraria em busca de mais conhecimentos.
E agora Hermano José está expondo seus quadros na Galeria Gamela. Eis ai um acontecimento imperdível, que fica em cartaz até o dia 06 de agosto, muito noticiado recentemente nos jornais, que estiveram cheios de ilustrações de seus novos trabalhos.
O grande paisagista, antes de se entregar à Arte, que tanto dignificou, era um simples funcionário do Banco do Brasil, se não estou enganado. Vivia no mundo dos números, dos cálculos, nada compatível com a sua sensibilidade de descobridor de belezas.
Hermano é homem de pouco sorriso, mas de uma forte sensibilidade e de uma extraordinária alegria de viver. Não sei se ele é mais filósofo do que pintor. Talvez as duas coisas se ajustam bem na sua genialidade. Adora a vida e não tem pressa de deixá-la. Sua alegria é mais interior.
Outra característica da personalidade de Hermano é sua impressionante sinceridade. Ele não sabe fingir. Daria um péssimo político.
Na verdade, ele tem uma grande fé na vida. Esta a sua religião.

Se há uma coisa que tira muita gente do sério é a visão desconfortável do emaranhado de fios em uma bancada. Para diminuir a bagunça, aqui e...

Se há uma coisa que tira muita gente do sério é a visão desconfortável do emaranhado de fios em uma bancada. Para diminuir a bagunça, aqui estão algumas pequenas ideias caseiras que podem ser postas em prática com materiais simples e acessíveis.

Ó dio não, amor, sim. O ódio envenena a alma, o amor a torna saudável. Ninguém é feliz enquanto guardar ódio no coração. Ódio é como o fogo ...


Ódio não, amor, sim. O ódio envenena a alma, o amor a torna saudável. Ninguém é feliz enquanto guardar ódio no coração.
Ódio é como o fogo destruidor, mas que graças à água do amor, se extingue. O ódio nunca venceu o amor, que é Jesus no coração.
É fácil odiar. Difícil é amar. Não é tão fácil perdoar, mas, ainda mais difícil é não se vingar. Difícil é esquecer. É fácil esbofetear o inimigo. Difícil não, mas quase impossível, é acariciá-lo.
Foi por isso que Jesus identificou os seus discípulos “por muito se amarem”. Por aí vemos como é difícil amar Jesus. Difícil, sim, impossível, não, porquanto muitos conseguiram não se vingar festejando a festa da reconciliação.
É estúpida a sentença: olho por olho, dente por dente. Isto ficou lá com Moisés. A mensagem que Jesus trouxe foi: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, e “perdoai setenta vezes sete”. Ele não só ensinou, como exemplificou, pedindo perdão para os próprios algozes. Mas, a regra sempre adotada por aí é a de ensinar e não exemplificar.
O ódio é veneno na alma. Repitamos. Quem odeia ou guarda mágoa é um eterno infeliz. Nunca terá paz de espírito.
A História é uma vergonha. É a história do poder, do ódio, da vingança, da destruição, da guerra, do egoísmo, da animalidade superando a humanidade...
Amar é esquecer, amar é não se vingar, amar é perdoar, amar é ser compreensivo com os erros e defeitos dos outros. Amar é não julgar.
É triste a historia dos que odiaram. É triste a história de um Hitler, de um Herodes, de um Napoleão, de um inimigo da paz, que deixaram a vida isolados...
É bela a história de um Francisco de Assis, de um Gandhi e de outros grandes missionários da História. Um Gandhi que chegou a dizer que “não perdoava porque nunca se sentiu ofendido”...
Jamais estrague sua vida, envenene sua vida com o ódio no coração. Coração é o lugar do amor.
Não se esqueça da advertência do mestre dos mestres: meus discípulos são reconhecidos por muito se amarem. E fica o aviso final: você nunca será feliz se não amar, se não perdoar, se não esquecer o mal que lhe fizeram. Lição difícil, ou quase impossível, hein? Mas você queria um paraíso de graça?...

H á muito tempo que eles foram arrancados dos trilhos da capital e jogados fora. Não ficou nem um exemplar para a História... Mas, como nem ...


Há muito tempo que eles foram arrancados dos trilhos da capital e jogados fora. Não ficou nem um exemplar para a História... Mas, como nem tudo se acaba na vida, graças à memória esses veículos ainda continuam rolando pela nossa cidade.
Para os que não sabem, os bondes correram aqui por muitos anos, bem servindo à população. Seguro, limpo, de fácil acesso, elegante, o bonde chegou a ser a imagem da nossa antiga capital. E os seus trilhos chegavam aos mais distantes bairros: Tambiá, Trincheiras. Oitizeiro, Cruz das Armas, e o Comércio, também chamado Varadouro. Quase ninguém procurava o carro de aluguel, que ficava lá na praça do relógio, no Ponto de Cem Réis.
O gostoso mesmo era pegar o bonde, que podia ser com ele parado ou em movimento. E conta–se que uma dama - por sinal muito elegante – achou de pegar o veículo em movimento. E, ao conseguir, gritou: ”Peguei-te!”, num tom de vitória, e todo mundo aplaudiu–a. Com esse nome - “Pegueite” - ela ficou sendo apelidada. Pegueite era professora e muito querida.
O bonde era utilizado por ricos e pobres. Muita gente importante, da elite, nas mais variadas idades, não queria outro transporte.
E nele muito namoro terminou em casamento, a exemplo do nosso arquiteto Clodoaldo Gouveia, meu sogro, que no bonde encontrou a sua cara metade. Transporte seguro, tranquilo, limpo, sem fumaça para poluir o ar, o bonde, não sei qual a razão, foi abandonado e seus trilhos enterrados. Ao passo que, ainda hoje, modernas metrópoles, a exemplo de Amsterdam, São Francisco, Zurich, Strasbourg, Munique, e muitas outras que visitei, os bondes são importantes transportes urbanos. E que elegantes eles são!
Rapidez, segurança, o bonde lembra o metrô, outro que dá vontade de você entrar nele e não sair mais, desde que não esteja superlotado...
Os bondes da nossa capital. Como eram belos! Até no bairro Santa Júlia tinha linha de bonde. E ao que soube, havia um senhor, que tinha, ali, uma bodega. Pois bem, todo mundo, a todo momento, estava indagando para que lado estava o bonde? O homem terminou não aguentando mais, e colocou na bodega o seguinte aviso: “Não se sabe para que lado está o bonde”.
Agora é hora de perguntar: Onde estão os bondes? Por que os alijaram do nosso cotidiano?...

1 Marie Curie

1Marie Curie

Por que as pessoas apontam para o pulso quando perguntam as horas, mas não apontam para o traseiro quando perguntam onde fica o banheiro?

Por que as pessoas apontam para o pulso quando perguntam as horas, mas não apontam para o traseiro quando perguntam onde fica o banheiro?

P assei minha infância na Lagoa, isto é, no Parque Sólon de Lucena, onde meu pai comprou um sítio, que tinha quase todas as frutas, desde o ...


Passei minha infância na Lagoa, isto é, no Parque Sólon de Lucena, onde meu pai comprou um sítio, que tinha quase todas as frutas, desde o abricó à pitanga, da jaca ao cacau. E havia um frondoso pé de tamarindo, que dava uma fruta azeda de fazer careta. Um paraíso que o progresso acabou.
E como era gostoso passar o dia debaixo das frondosas mangueiras, conviver com alguns personagens que perambulavam por ali. Todas as manhãs a Policia Militar ia treinar os seus músicos, e a Lagoa se transformava numa festa. A criançada com as suas babás, que paqueravam com os soldados.
A verdade é que todas as manhãs na Lagoa eram uma festa. E foi numa dessas alegres manhãs que conheci um homem extraordinário. Um homem que nunca freqüentou uma universidade, mas que impressionava pela cultura, pela conversa, pelos ensinamentos. Ele respondia a qualquer pergunta.
O homem se chamava Inácio. E tanto conversava com os os adultos, como com as crianças. Alto, simpático, educadíssimo, meu amigo Inácio me deixou fortíssima impressão. Não sei se ele era solteiro, casado ou viúvo. Soube depois que era um solteirão. Mas estávamos nesse pé, quando, um dia, ele me apareceu com um livro de sua autoria. Aí eu caí das nuvens. O livro se intitulava “Deus”. Procurei lê-lo, mas não entendi nada. Eu estou certo que nem o próprio Deus entendeu aquele livro.
Depois Inácio achou de construir um telescópio, o que me deixou pasmado. E não é que pelo aparelho dava para ver a lua?... A meninada ficou curiosa para ver de perto o satélite, ainda virgem dos pés norte-americanos. E todo mundo queria ver a lua de Inácio. Inácio Pereira (agora me lembro do nome todo). A meninada e até os adultos faziam fila. E o nosso filósofo terminou ganhando um dinheirinho.
Simples, sempre bem humorado, solteirão, e de uma cultura impressionante. Fizemos amizade com ele. Esteve em nossa casa, onde ouvia nossos discos, especialmente um deles, muito bonito, cuja música se chamava “Eternamente”. Pois não é que o disco desapareceu? E Inácio, sem perder a calma, disse: ”Morreu, eternamente... ” E todo mundo caiu na risada. Inácio Pereira... Cadê seu telescópio, seu livro “Deus”, seu admirável bom humor? Tudo virou passado, que a saudade, vez por outra, tenha recuperar...

P ara falar a verdade, as três maiores tentações do homem são: o dinheiro, o sexo e o poder. E eu não sei qual é a mais forte. Talv...


Para falar a verdade, as três maiores tentações do homem são: o dinheiro, o sexo e o poder. E eu não sei qual é a mais forte. Talvez seja o sexo, pois se não fosse ele, não existiria a própria humanidade. Daí ser ele a atração mais forte. Os jornais, diariamente, dão notícia de abusos da sexualidade, em suas mais variadas expressões.
E o dinheiro? Quem diabo não o ambiciona, com exceção dos missionários, a exemplo de uma Tereza de Calcutá ou de um Chico Xavier. O dinheiro é o grande ópio do homem. Todo mundo o quer, e quando ele chega às nossas mãos, nunca ficamos saciados. Desejamos sempre mais e mais. Dinheiro é como água salgada, quanto mais se bebe, mais sede se tem. Mesmo quem estava desempregado e consegue um trabalho, ou quem recebe um aumento e passa a ganhar uma boa quantia, em pouco tempo estará insatisfeito.
Os detentores de grandes fortunas, os homens de negócio, vivem numa constante ansiedade. Ansiedade de faturar mais. E vem a competição, cada um desejando aumentar os seus lucros. Dinheiro, dinheiro, dinheiro e mais preocupações. A ganância não tem limites. E lá vêm o stress, as doenças... A vida se torna um inferno. Não se vive mais para si. Um inferno, apesar do dinheiro.
Por fim, vêm o poder e a política, também como tentações do homem. Na política investem-se fortunas com o objetivo de um bom retorno. E este nunca deixa de vir. Mas, toda regra tem exceção. Há os políticos que entram na política para servir e não para se servir. Há exemplos na nossa história. Raríssimos, mas existem. E aqui para nós, se um político gasta fortunas para se eleger ou se reeleger, é porque o negócio é bom...
Sexo, dinheiro, poder. Indiscutivelmente, é uma poderosa trindade. Trindade que não é santíssima e que, às vezes, se torna satânica.
Não esqueçamos as exceções. Pegue a história e ela lhe dará admiráveis exemplos de políticos que fizeram da política uma oportunidade de servir à coletividade, e jamais de se locupletar com vantagens ou com dinheiro publico.
Mas, o grande fiscal dos políticos é o povo. Se este se degrada termina votando em Barrabás, ao invés de Jesus...

M eu colega de saudades, Carlos Pereira, vai concordar comigo. As bandas de música, que tanto alegravam o povo de uma cidade, estão...

Meu colega de saudades, Carlos Pereira, vai concordar comigo. As bandas de música, que tanto alegravam o povo de uma cidade, estão virando espécies em extinção. Qual o motivo disso, senhores prefeitos? Se existem, estão em crise. E me vem à memória o maestro Joaquim Pereira, todo elegante, conduzindo a bem afinada Banda do 15 R. I...
Lembro-me também que organizaram um festival de bandas de música do Estado que foi um sucesso. Difícil, muito difícil mesmo era ficar triste quando a banda passava. E o nosso Chico Buarque chegou a compor aquela inspirada modinha que falava da alegria que uma banda de música causava numa cidadezinha do interior. Todo mundo se alegrava, todo mundo saía de suas casas, todo mundo deixa seus trabalhos, seus afazeres, por um momento, e corria para as calçadas.
E lembro das retretas de outrora, sobretudo na praça João Pessoa, atraindo todo mundo da capital. E o programa da banda saía até no jornal A União, em que figurava o “Nabuco” de Verdi, sem esquecer o Guarani, de Carlos Gomes.
Uma banda de música numa cidade do interior é instrumento de cultura despertando muitas vocações e, ao mesmo tempo, incentivando os sentimentos de solidariedade entre as pessoas.
Estariam mesmo em extinção as bandas de música? Ao que tudo indica, sim, o que é uma pena...
Que beleza se pudéssemos reunir num concurso todas as bandas de música do interior. Bandas de Riacho dos Cavalos, de Catolé do Rocha, Pombal, Cajazeiras, Piancó, Campina Grande, Sapé... e assim por diante.
Vamos, senhores prefeitos, estimular as vocações. As bandas de música precisam voltar às praças, alegrar as pessoas, fazendo o povo esquecer, por alguns instantes, os problemas da vida. E viva a terapia musical.
Nunca mais me esqueci, quando, certa manhã, acordei ouvindo a Banda de Música do 15 R. I. executando o famoso dobrado “Os Flagelados”, sob a batuta do Joaquim Pereira. Acho que todo mundo se levantou da cama com outro astral, desejando abraçar o mundo inteiro. A retreta ia até às 9 horas da noite, pois o povo dormia cedo, embora naquela tempo não se falasse em assaltos.
Uma banda de música numa cidadezinha do interior é excelente instrumento de cultura. Incentiva vocações para a boa música.

C omeço dando viva à imaginação! Que seria do homem sem ela. A imaginação é uma das maiores dádivas que Deus nos deu. Graças a ela ...


Começo dando viva à imaginação! Que seria do homem sem ela. A imaginação é uma das maiores dádivas que Deus nos deu. Graças a ela nada se perde. Tudo fica na nossa cabeça. Se você quiser trazer uma pessoa para junto de você, sem ser fisicamente, basta recorrer à imaginação. Bem disse o ditado que recordar é viver, e recordação implica em imaginação. Se eu quiser ver Paris, basta trazê-la à imaginação. E somos capazes de sentir o cheiro gostoso de uma baguete fresquinha.
A imaginação é do homem. E é graças a ela que estou trazendo, agora, à minha presença, uma pessoa muito querida, que não está mais aqui no mundo, todavia, continua viva na minha imaginação e na minha saudade.
Esta pessoa muito querida, que tanto admirei e com quem muito aprendi, não é outro senão o desembargador Paulo Bezerril, um respeitável nome do nosso Tribunal de Justiça. Estou a vê-lo, baixinho, discreto, mas sempre elegante na sua postura. E que simplicidade! A toga não o envaideceu.
Mas, sua grande paixão não eram os acórdãos do Tribunal, que ele prolatava com tanta segurança e conhecimento. A sua grande paixão eram os acordes da música. Para comprovar isto, basta dizer que o desembargador Paulo Bezerril era um excelente flautista. E, aqui para nós, ninguém sabia disso. Ele tocava aquele instrumento em sua casa, para esquecer os prosaicos acórdãos do Tribunal.
Até que um dia... Aconteceu o inesperado. Quando a Orquestra Sinfônica da Paraíba foi fundada, numa certa noite, num prédio lá da Rua Direita, o nosso Bezerril lá compareceu para prestigiar o acontecimento. E quando a Sinfônica estreou, lá estava Paulo Bezerril como um dos seus músicos. Isto fez com que eu o admirasse ainda mais. O desembargador flautista soube descer a escada do nosso Tribunal para prestigiar com sua presença o grande acontecimento cultural.
Por isso e outras coisas, eu muito aprendi com o meu desembargador, que tinha alma de sonhador, de artista, de homem muito sensível. Certa vez, ele me confessou: Carlos, eu admiro três belezas na vida, que começam com “M”: música, mar e mulher.
Paulo Bezerril, como o admirei! E como, vez por outra, ele entra na minha saudosa imaginação...