Todas as vezes que via essa data, 2020, imaginava algo estranho. Gostava mais do 1982, 1986, 1995... até 2019, ainda ia. Eu me sentia em casa. Mas 2020 sempre me pareceu diferente. Mesmo nunca tendo simpatizado com ele, minhas esquisitices nunca poderiam me fazer imaginar como seria esse ano.
O Ano Novo estava para chegar. O rebuliço tomando a casa: a mesa se enfeitando de comidas variadas. Luz faiscando por toda a parte, cumprimentos e beijos. Abraços de quem não se encontrava há tempo. O relógio de parede no tic tac fastidioso, antigo, o mostrador em algarismos romanos.
Narinha e o marido Durvalino não perdiam um pagode nas tardes de sábado, lá no botequim do Alcides. Dos que freqüentavam aquele samba, Celestino era o protagonista, um danado no cavaquinho, além de que era também bom de gogó e sua cantoria era o que mais animava a gafieira. Sem Celestino o pagode perdia o fôlego, desafinados teimavam em cantar e ninguém se prontificava a arrastar as mesas para um rala-bucho.
No que pese a importância dos estruturalismos, houve quem utilizasse os gráficos, os esquemas, as chaves, os colchetes etc., como se fossem bisturis nas mãos de um médico legista que dissecasse o texto (o cadáver) à semelhança de um redivivo Jack, o Estripador. Ou seja, dividiam-no mecanicamente em partes, reduzindo-o a um monte de roldanas, porcas, parafusos, molas, prontos para serem vendidos no ferro velho da esquina.
Tenho verdadeiro fascínio por abadias. Antes havia lido muito sobre a primeira que iria conhecer: a Abadia de Fontenay (Borgonha). Ela foi fundada no século 12, mais exatamente em 1118, por São Bernardo de Claraval que pertencia à ordem dos monges cistercienses, criada em 1008. Eles abandonaram a vida de fausto em Cluny, e abraçaram a vida simples e reclusa.
Em seu 18º episódio, a Pauta Cultural da ALCR-TV homenageia 3 textos de autoras que se revelaram pela acolhida e recepção com relevante número de compartilhamentos, e 3 cronistas já consagrados no mundo das letras paraibanas, que compõem a galeria de autores do Ambiente de Leitura Carlos Romero.
A pretexto do Natal de luzes falsas, mais de venda que de louvor, sem que se apresente em tempo o ouro dos paus d’arco nem o fervor amoroso dos abraços (comentávamos isso), José Octávio de Arruda Melo telefona para acrescentar o luto dos visionários com a morte de Balduíno Lélis.
Sou do tempo (isto é apenas um fato, não um juízo de valor) em que experiência era algo que se fazia em laboratório, com pipetas e tubos de ensaio. Coisa de cientista ou candidato a. Agora tudo mudou. Tudo se tornou experiência.
O “Memorial do Convento” é um dos principais romances do escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura. O livro trata da construção, na primeira metade do século 18, de um Convento localizado em Mafra, nos arredores de Lisboa, numa época em que Portugal vivia um período de grande opulência, alimentada pelos fartos carregamentos de ouro e diamantes que chegavam do Brasil.
Por ser professor de pós-graduação em uma empresa com atuação nacional, com certa frequência estou em algum aeroporto. Geralmente, entre a sexta-feira e o domingo. Isso me faz passar longos períodos por aquelas salas de espera, aguardando o vôo.
Nestas esperas, fico observando o vai-e-vem das pessoas: aos grupos, sozinhas, com pressa, com crianças, enfim, cada uma de sua forma. Contudo, chama-me atenção dois diferentes tipos de pessoas: os idosos e os cadeirantes: eles não ficam presos às suas limitações, mesmo que, para isso, precisem da ajuda de alguém. Simplesmente vão! Não se rendem às dificuldades e encontram alguma forma de atingir seus objetivos. Tais exemplos, podemos trazer para nossas vidas.
Não nos curvarmos diante dos obstáculos que a vida nos traz, deve ser nossa atitude. O fardo, muitas vezes, é pesado, mas não se deve deixar que o amargor e o desânimo tomem conta de nós.
Assim, da mesma forma que existem pessoas que buscam a mobilidade física, também se deve buscar a mobilidade emocional! A leveza é que traz felicidade, e este deve ser o nosso o objetivo: alcançá-la, mesmo encontrando pedras no caminho. Em nosso DNA, está a resiliência.
Encontrar pessoas prostradas pelos becos da vida, sem saber lidar com seus sofrimentos e limitações, que deixaram de sonhar, entregues à apatia, não é raro ou incomum. Ficar chorando as dores do passado só vai trazer peso à nossa alma. É necessário quebrar os grilhões que nos acorrentam a sentimentos dolorosos, armazenados no coração. Limpar a mente de pensamentos tóxicos, nocivos, que inundam o coração, que nos fazem enxergar os problemas com lente de aumento e embaçam o olhar para o horizonte, é uma forma de conquistar mobilidade. Retirar todo este “peso” extra, trará leveza para a vida, dará condições de passos mais largos, com sonhos bem traçados, sem âncoras a nos prender, para, finalmente, encontrar novos portos.
Minha mãe nasceu em Itabuna, Bahia. E desde então a Bahia faz parte da minha vida. Daquela cidade cacaueira saiu a belíssima e exótica Miss Brasil 1962, Maria Olívia Rebouças, prima minha.
Na antiga Vila de Batalhão, um cavaleiro andante iniciou uma viagem sem volta. Ancorado em seus oitenta e oito anos intensamente vividos, foi um baluarte da cultura, um semeador das coisas e das criaturas, uma genial mente pulsante que transcendia o mundo natural e o tempo. Um construtor de sonhos, um visionário dos saberes, dos fazeres. Um topógrafo das artes que sabia reconhecer e valorizar a riqueza das coisas mais simples na cartografia de nossos traços culturais, transformando-os em pedra de toque na criação de casas de memória, verdadeiros palcos sublimes eternizando nossas raízes.
Partida
quando eu estiver velhinho, cheio de rugas
só os galos estarão cantando o amanhã
e o pasto já terá incendiado todos os trigos
já não haverá mais porque procurar fugas, da varanda,
nem escolher entre a tarde e a manhã
Sempre achei que os estudos científicos sobre o comportamento humano são profundas viagens. Lembro-me de que na década de 1980, já lia os artigos do Eduardo Mascarenhas, (desencarnado aos 54 anos) e Xênia Bier (que se passou aos 80 anos de vida). Lia-os com uma curiosidade aguçada. Hoje, com muito mais interesse, coleciono as palestras do psicoterapeuta Roberto Crema, criador da UNIPAZ, Universidade Internacional da Paz no Brasil.
Difícil imaginar um pai perder sua única filha, vítima de doença súbita com apenas 5 anos de idade, logo após ser sentenciado com endocardite incurável e, mesmo diante de tamanha fatalidade, escrever o seguinte:
Choveu pela manhã... Uma água leve, pequenas gotas que se derramavam no asfalto, nem chegavam a ser suficientes para banhar a cidade. Era início do verão natalino, cheio de sóis, calores e luzes noturnas artificiais multicoloridas em prédios, plantas, varandas e variantes humanas que se multiplicavam na tentativa de sinalizar caminhos feito como o entrelaçamento de Saturno e Júpiter, tão próximos, tão distantes.