Bom, isso é o que a Bíblia diz. Mas ela não fala que, após algum tempo observando o homem interagir com a natureza, começar a olhar para as plantas e os bichos de cima para baixo, perguntar-lhes “você sabe com quem está falando?”, não gostou muito do que viu.
Quando Deus, já exausto, parou de fazer a Natureza e viu que da sua lista ainda faltava uma criação, decidiu fazer um ser que fosse a sua ...
Uma divina obra-prima
Bom, isso é o que a Bíblia diz. Mas ela não fala que, após algum tempo observando o homem interagir com a natureza, começar a olhar para as plantas e os bichos de cima para baixo, perguntar-lhes “você sabe com quem está falando?”, não gostou muito do que viu.
Gilberto Freyre escreveu dois artigos de enorme importância para a bibliografia crítica de Augusto dos Anjos. O primeiro foi redigido em i...
Gilberto Freyre, leitor de Augusto dos Anjos
Diz-se, não sem razão, que a primeira impressão é a que fica. Sim, mas não sempre. Vejamos. Claro que a impressão inicial tem muita força,...
Primeiras impressões
Anselmo de Lyra, 52 (Bairro Mauricio de Nassau) Minha mãe descansava o horizonte na tarde desenhada tão leve e eu morto ...
Brinquedos
Na ladeira de São Francisco se postava um homem fardado. Chegava, ao moribundo sol. As casinholas agarradas, dependendo da luz da usina d...
Guarda noturno
Quem escreve — ainda que um simples bilhete — tenta afastar-se do falar cotidiano, tenta usar uma linguagem diferente da que está habituad...
O poeta é o que vê poesia onde o comum dos mortais não vê nada
Penso nisso agora, ao reler o artigo que (pasmem!), um poeta escreveu no caderno Mais!, de 26-01-97, na Folha de São Paulo. Refiro-me ao artigo “A necessidade atual da inútil poesia”, de Régis Bonvicino, em que ele diz, entre outras coisas:
Voltou de surpresa. Parou à beira da estrada no lugar, exatamente, de onde podia de melhor modo observar a cidadezinha espichada no fundo ...
O regresso
Visto assim de longe, tudo lhe parecia como antes. A torre da igreja tinha a mesma cor desbotada e as duas linhas de coqueiros ainda emolduravam aquela trilha que tantas vezes o conduzira aos afagos da primeira namorada.
Aconteceu comigo na década de 80. Lá se vão mais de 30 anos, quase 40. Comecemos perguntando ao amigo leitor e à querida leitora se sabem ...
A baratinha
pilot_micha Grande compositor popular brasileiro, Chico Buarque se insere em um grupo seleto de nossa música, um panteão onde fi...
Os 50 anos da construção de uma obra-prima
Com produção do grande Roberto Menescal, do não menos importante Mazola e de Toninho, “Construção”, com seus pouco mais de trinta minutos de duração, é, inegavelmente, um dos mais importantes discos da história de nossa música.
Deus lhe pague e a música-título do álbum — que pode ser ouvida ao lado, com seus famigerados versos alexandrinos com rimas esdrúxulas, ou seja, aquelas rimas que ocorrem entre palavras proparoxítonas -, dão o tom da denúncia dos desmandos do contexto político em que vivíamos. Além delas, há a bela melodia de Valsinha , parceria com o poetinha Vinícius de Moraes, o Samba de Orly , verdadeiro hino de vários brasileiros exilados na época, outra colaboração com Vinícius, com a participação do ás do violão Toquinho.
Filho do historiador e grande intérprete de nossa realidade política, econômica e social Sérgio Buarque de Holanda, Chico confirma neste fabuloso disco que é um grande contador de estórias, um artista que consegue transportar para o terreno da música popular crônicas urbanas, detalhes de nosso dia-a-dia, lamentos amorosos, profundas observações sobre as relações entre homem e mulher, lançando um olhar perscrutador sobre a própria condição humana, com um fino lirismo característico de sua obra: é o que ouvimos e sentimos em clássicos como Olha Maria (este com a participação de Vinícius e o gênio Tom Jobim) e Cotidiano.
Marco de uma época que hoje é motivo de chacota e piadas em redes sociais por gente que nunca estudou História do Brasil, “Construção” é um disco único, obrigatório. Os fabulosos sambas e outros ritmos de seu repertório, eivados de ricas harmonias e melodias, mostram que a nossa música perdeu muito em criatividade e inspiração lírica nas décadas seguintes. Será que a democracia não fez bem a nossos artistas?
O fascínio de ver Ivo Barroso comentando a tradução de L'Amant – De Marguerite Duras – feita por Denise Bottmann Em maio de 2007, e...
Comentários à tradução de 'L'amant', de M. Duras
Em maio de 2007, ele publicou na FOLHA DE SÃO PAULO o artigo “Duras: A Doença Mortal de Escrever”. Quatro anos depois, no blog Gaveta do Ivo, acrescentou:
- Denise costuma dizer que não gosta de traduzir literatura, mas quando o faz é com resultados irrepreensíveis, como neste caso.
Como Ivo Barroso é o grande tradutor de autores como Ítalo Calvino, Breton, Jane Austen, Umberto Eco, Herman Hesse, Rimbaud e Shakespeare, pedi-lhe – com viva curiosidade - que justificasse o adjetivo “irrepreensíveis”. Ele me atendeu, quatro dias depois, no mesmo blog, com a matéria DURAS AINDA:
- Em primeiro lugar, no perfeito conhecimento das línguas, de partida e de chegada. Depois, seus dotes de escritora. Finalmente sua vasta cultura humanística, que lhe permite avaliar estilos, fases, tempos, adequações enfim.
Ivo comenta:
O editor Maurício Ayer:
Ivo encerra:
Machado de Assis fez uma crítica contundente a Eça de Queirós, acusando-o de haver plagiado Émile Zola. A acusação foi a de que O crime do...
Eça, Machado e Zola: um triângulo literário
Que ninguém seja lento para buscar sabedoria quando jovem, nem cansado em sua busca quando estiver envelhecido, pois nenhuma idade é muit...
Um dia além
Epicuro
O voo Soltar-se as asas Espécie de levantar âncoras Ser em sustento pelas batidas Tantas, tantas repetidas Abaixo o olho mir...
Revelando voos
Soltar-se as asas Espécie de levantar âncoras Ser em sustento pelas batidas Tantas, tantas repetidas Abaixo o olho mira, fantasia De Ícaro em voo de seda Magistral equilíbrio, penas Que a si próprio não sustenta Ao pássaro, o próprio voo inventa Obstáculos cria e desvia, cruza Dribla fiação, joga a rota Vento, equilíbrio, mágica torta
Aos amigos Heloísa Arcoverde de Morais e João Leonardo Ribeiro de Morais (irmãos de Luciano) O meu compadre e amigo Luciano Morais,...
O meu compadre Luciano Morais
Os que o conheceram apenas superficialmente tinham tudo para julgá-lo um extrovertido, um sujeito que, sem avareza, sem parcimônia, se gastava de dentro para fora. No entanto, o homem da piada pronta, da resposta precisa, disfarçava o tímido que ele sempre foi e que aparecia de corpo inteiro quando se via obrigado a cumprir um script. Nessas circunstâncias, o meu compadre não desempenhava o papel que, inadvertidamente, alguns desejavam que ele cumprisse, pois, insurrecto, insubmisso, tudo o que atravancasse o seu caminho,
A cantora Maria Bethânia nunca foi debutante. Já nasceu gigante. Kubi Pinheiro Caetano Veloso - Uma paixão de menina. E de quebra veio ...
Maria Bethânia, 75
Kubi Pinheiro
Que os velhos sejam sóbrios, respeitáveis, sensatos, fortes na fé, na caridade e na perseverança. Paulo , Tito, 2:2 (Bíblia de Jerusalém...
A velhice
Paulo, Tito, 2:2 (Bíblia de Jerusalém)























