Bem-aventurados
Bem-aventurados os professores!
Porque, com paciência e luz,
abrem caminhos onde antes havia trevas
e fazem do saber uma chama viva no espírito dos homens.
Bem-aventurados os cronistas!
Porque, sob as lentes argutas do cotidiano,
captam o instante fluido e o detalhe que passa,
dando permanência ao sopro dos dias.
Eu mesmo, não, minhas e meus camaradas. Eu não duvido de nada. Pelo tanto que já vi e vivi, convenci-me de que o destino e o divino podem operar, milagrosamente, na linha imprevisível do tempo. Querem ver só?
Hoje só temos o que restou da Fonte dos Milagres (foto abaixo, de minha autoria), na atual Rua Augusto Simões - Parque da Pólvora - João Pessoa. Apenas um muro feito a partir da antiga fonte, com a data de 1849, ano de alguma reforma. Provavelmente foi a primeira fonte da cidade, porque, no início de sua formação, constava como limite urbano e sesmaria, segundo José Leal.
Dizem que a mulher é sexo frágil
Mas que mentira absurda!
Eu que faço parte da rotina de uma delas
Sei que a força está com elas. Erasmo Carlos / Narinha. Mulher (sexo frágil)
As mulheres têm que estar nuas para poderem estar num museu? Menos de 5% dos artistas na seção de arte moderna são mulheres; no entanto, 85% dos nus são de mulheres.
Guerrilla Girls
Foi lançado, no último sábado, o livro Mulheres que resistem nas margens: Arte e gênero na Paraíba (Arribaçã Editora, 2025), pesquisa da Profª. Doutora Madalena Zaccara (professora da UFPE, com currículo vasto e potente) e da Doutora Sabrina Melo (historiadora, museóloga e professora da UFPB). “94 perfis, recuperando histórias, obras e trajetórias que muitas vezes permanecem dispersas ou pouco registradas na historiografia artística. A obra se dedica a investigar, documentar e valorizar parte da trajetória das mulheres artistas visuais que atuaram na Paraíba, com recorte temporal que se inicia na década de 1920 e se estende aos dias atuais”.
No léxico do management contemporâneo, termos como "performance" e "KPI" tornaram-se onipresentes, quase mecânicos. No entanto, há um movimento silencioso nos altos escalões — e nas bases mais conscientes — que busca beber de uma fonte muito mais antiga para definir o que realmente significa ser bem-sucedido: a Arete.
O filósofo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), em sua obra Fenomenologia da Percepção, publicada em 1945, realiza uma crítica à concepção positivista da percepção. Ele questiona a redução da experiência sensível a um encadeamento causal entre estímulo e resposta. No positivismo científico, a percepção é frequentemente compreendida como um processo posterior à sensação, no qual a consciência organizaria dados sensoriais previamente recebidos pelos sentidos para formar a representação de um objeto. Tal concepção, entretanto, fragmenta a experiência perceptiva e a submete a um modelo mecanicista que separa artificialmente sujeito e mundo.
Quando me chegaram pela primeira vez as notícias de que seria avô, confesso que senti um certo incômodo. E por quê? Muito simples: era a constatação de que iria entrar em uma nova fase da vida, aquela em que eu iria ver a velhice muito mais próxima do que pudesse enxergar meus verdes anos lá para trás no tempo.
Abri uma porta sem fechadura. Depois a fechei para retornar a um breve esquecimento de mim. Cansada de ver a incidência do tempo. Não adianta se aposentar. Nos aposentos, o relógio corre tão rápido quanto na vida afora. A memória é um quadro permanente na parede deste quarto. Nenhuma saudade é espantável, embora me assombre. Fotografias, roupas, cartas. Toda uma vida que foi e poderia ser.
Nonato Guedes, um dos grandes expoentes do jornalismo da Paraíba, completou 68 anos no último dia 14 de março, com muitos motivos para comemorar. Ele, que vinha passando por um momento delicado de saúde, tem demonstrado brio e galhardia na superação das circunstâncias adversas.
O humor se distingue da comicidade por estar na linguagem. Como tal, possui uma retórica, que orienta alguns dos procedimentos capazes de levar ao riso.
Há uma pergunta que atravessa os séculos sem nunca envelhecer: se tudo passa, o que nos resta pensar, e porque valorizar o que temos e vivemos hoje? Os gregos chamavam esse fluxo ininterrupto de panta rhei (tudo flui) e Heráclito o personificou no rio onde jamais nos banhamos duas vezes na mesma água. A efemeridade não é apenas uma
Será José Américo?, poderá perguntar alguém mais apressado. Não, caro leitor, José Américo era o “solitário” de Tambaú e vivia, segundo Biu Ramos, na solidão mais povoada do mundo, tantas eram as visitas desejáveis e indesejáveis que recebia em seu célebre casarão praieiro. Quando o político se recolheu em voluntário exílio à beira-mar pessoense, toda aquela praia,
Cabo Branco e Tambaú ▪️ Fonte: Revista Manchete/Biblioteca Nacional (1965)
pouco povoada à época, era Tambaú, não havia ainda a denominação de Cabo Branco para o trecho que vai do final da Epitácio (busto de Tamandaré) até a Ponta do Seixas, onde se situa o ponto mais oriental das Américas, no qual “o sol nasce primeiro”.