Quando faço um poema, busco sempre inserir uma palavra nova, que ainda não usei, em seus versos. Nem sempre consigo, porque às vezes o...

caetano veloso poesia linaldo guedes
Quando faço um poema, busco sempre inserir uma palavra nova, que ainda não usei, em seus versos.

Nem sempre consigo, porque às vezes o poema cisma em usar do trivial para dizer o que quer.

É, meus amigos, poema é bicho manhoso e às vezes só quer um pezinho para mandar em você.

Há momentos em nossas vidas em que nos deparamos com a escuridão. Medos, incertezas e obstáculos nos cercam, obscurecendo nosso caminho...

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Há momentos em nossas vidas em que nos deparamos com a escuridão. Medos, incertezas e obstáculos nos cercam, obscurecendo nosso caminho. Mas, nesses momentos, é crucial lembrar que não podemos viver à sombra dessa escuridão. Devemos encontrar nossa própria luz para iluminar nosso caminho e guiarmos por ele com determinação e coragem.

Arthur Schopenhauer (1788 – 1860), filósofo prussiano, em seu primeiro livro, O mundo como Vontade e como representação (1819), cons...

filosofia schopenhauer
Arthur Schopenhauer (1788 – 1860), filósofo prussiano, em seu primeiro livro, O mundo como Vontade e como representação (1819), considera o mundo como fenômeno, ou seja, algo é percebido e representado. No Tomo II da referida obra, o pensador afirma que o mundo possui uma essência: a Vontade. Ele diz que o sujeito é o fundamento do mundo. Conforme seu pensamento (2015, p. 5): "Tudo o que existe, existe para o sujeito".
filosofia schopenhauer
O Tomo I começa com a seguinte reflexão:

"O mundo é a minha representação. Essa proposição é uma verdade para todo ser vivo e pensante embora só no homem chegue a transformar-se em conhecimento abstrato e refletido.”
Id., 2005, p. 1

Essa tese, que é um dos fundamentos da sua filosofia, também apresenta o conhecimento sendo construído na relação da intuição sensível à capacidade de interpretar os objetos da realidade, permitindo que possam ser conhecidos de forma universal e necessária. Por exemplo: os princípios da individuação e da causalidade, favorecidos de uma entidade metafísica. O filósofo prussiano garante que é possível chegar até o extranatural pelo corpo humano e que a razão se torna um mecanismo de autopreservação da espécie.

De acordo com Schopenhauer, a Vontade, de forma geral, é o desejo constante de viver, que está presente tanto em organismos quanto no reino inorgânico, em diferentes graus, sendo o corpo humano o mais elevado grau de objetivação. A Vontade aponta para as motivações desconhecidas das ações humanas, no sentido de que os seres humanos são conduzidos por impulsos — fome, sede, medo, sexo e outras coisas — que estão além do controle humano e que, no entanto, determinam as ações, mesmo aquelas que parecem ser provenientes
J. Schäfer, 1859
de uma decisão racional e se encontram submetidas às necessidades vitais para sobrevivência.

Arthur Schopenhauer admite que existe algo no interior do ser humano que não pode ser explicado ou controlado. Existe também a Vontade, de onde as ações provêm, e que não possui fundamento ou finalidade. Por causa disso, conceitos como liberdade e autonomia são ilusões, pois os humanos, assim como outros seres, são guiados por um núcleo irracional e suas atitudes não podem ser determinadas de forma racional. Assim, a razão não pode ser uma entidade abstrata desvinculada da realidade. Para o filósofo, não existem objetos transcendentais fora da experiência, mas, sim, inerentes ao mundo físico e ao próprio corpo. O "ato da vontade" e a "ação do corpo" são "uma única e mesma coisa, só que apresentados de duas maneiras completamente distintas" (SCHOPENHAUER, 2001, p. 157). Deve-se considerar o corpo como a "materialização da Vontade". Esse termo foi criado para expressar a manifestação visível da Vontade no corpo, o qual é o único objeto que não se conhece apenas do ponto de vista da representação - que é o modo pelo qual se distingue todos os outros, de imediato pela Vontade. As contribuições da filosofia schopenhaueriana para o idealismo apresenta o aspecto fisiológico, que faz com que a razão não tenha a importância central na metafísica; e sim o corpo.

Schopenhauer considera a Vontade o motivo de todo o sofrimento no mundo. Os indivíduos estão constantemente em busca da matéria, que, no entanto, é finita e constante. Jair Barboza, em seu livro Schopenhauer:
filosofia schopenhauer
O. Gentileschi, 1612
A decifração do enigma do mundo
(Ed. Paulus, 2003), remarca a seguinte frase do filósofo prussiano: "Cada pessoa só pode surgir se tomar o lugar de outra, se apoderando da matéria que está no poder. É por isso que vemos conflitos e lutas em todos os lugares". Essa é a razão de a existência ser repleta de conflitos, pois a Vontade está constantemente em discordância consigo mesma quando encontra um obstáculo. Por outro lado, quando se alcança o objetivo esperado, tem-se satisfação. Mas nenhuma satisfação é duradoura. Assim que um desejo é satisfeito, surge outro em seu lugar. Schopenhauer descreve esse sofrimento como uma essência atemporal, mostrando que a dor é inevitável e os esforços para acabar com ela nunca são eficazes.

A forma como a angústia se manifesta ao longo da história ou nas sociedades não nos revela sua causa, pois esta reside em um princípio metafísico implícito a tudo, desde o reino inorgânico até o orgânico. A busca pela causa externa de um mal-estar, ou sua relação com determinado nível de riqueza ou posição social, não é determinante. Viver é sofrer. E a felicidade é conceituada como breves momentos em que a tristeza é aliviada. Segundo Schopenhauer (2015, p. 409):

"Tanto a extrema alegria quanto a dor sempre se baseia em um engano: portanto, essas duas tensões mentais excessivas podem ser evitadas por meio da compreensão."
filosofia schopenhauer
Orazio Gentileschi, 1612
A filosofia schopenhaueriana apresenta opções para purificar o sofrimento. Uma delas é quando o ser humano se dedica à contemplação artística ao usar a intuição para mergulhar na própria Vontade e controlá-la. Na arte, a relação entre a Vontade e a representação se inverte. Desse modo, a inteligência constrói a história da sua própria Vontade. Schopenhauer considera a música a arte de maior destaque, porque ela expressa a Vontade em sua essência e liberta o homem dos sofrimentos.

Entro na Igreja da Misericórdia como quem busca o recolhimento em um templo antigo para a renovação da alma que precisa de arrependi...

igreja templo paraiba centro historico
Entro na Igreja da Misericórdia como quem busca o recolhimento em um templo antigo para a renovação da alma que precisa de arrependimento e perdão.

Os velhos templos religiosos, mais do que os de edificação recente, que são amparados na visão da modernidade, recolhem a mística da igreja reunida para a vivência da fé.

A Misericórdia é uma das quatro igrejas mais antigas da Paraíba. Construída em pedra calcárea esculpida pela mão dos tabajaras e potiguaras, sob a inspiração de jesuítas que trouxeram a visão da fé para o mundo novo que se descortinava, ajuda a observar o Deus invisível, que se revela na alma e transforma a rudeza do homem e da mulher.

Desde que o homem é homem, tem a ambição de fabricar instrumentos que o auxiliem e eventualmente o substituam. A história humana pode...

Desde que o homem é homem, tem a ambição de fabricar instrumentos que o auxiliem e eventualmente o substituam. A história humana pode ser contada, e sobretudo compreendida, a partir dos artefatos com que ele vem transformando a natureza. A máquina é uma extensão de nossas faculdades e aptidões; quanto mais sofisticadas, mais indicativas do refinamento a que terá chegado a inteligência humana.

Histórias e piadas contadas por nossa família e amigos, invariavelmente, nos fazem rir... mas se forem das boas. Observando no detalhe,...

piada humor negro
Histórias e piadas contadas por nossa família e amigos, invariavelmente, nos fazem rir... mas se forem das boas. Observando no detalhe, elas contam histórias sobre o mal ou sobre uma desgraça alheia. A bondade não tem graça nenhuma, apenas se, ao final, a história virar um desastre.

O filósofo francês Henri Bergson disse que o cômico exigia algo como uma momentânea anestesia do coração. "O riso não tem maior inimigo que o coração",
por isso rimos do mal para que ele não nos atinja.

Uma das piadas que os judeus contavam na Alemanha nazista era sobre o que um comandante da Gestapo dizia a um judeu: "Vou te dar uma oportunidade de viver, se adivinhar qual dos meus olhos é de vidro". O Judeu responde de imediato: "É o esquerdo". O oficial, admirado, pergunta: "Como é que descobriste?" E o Judeu responde: "É o que parece menos humano".

Pode parecer surreal. No entanto, é uma manifestação bastante profunda nas mãos de todos que se confrontaram com o mau absoluto, que o fizeram mais por necessidade do que provocação.

Na União Soviética, a piada frequentemente contada era a seguinte:


Eles riem do mal, do bem, ninguém ri, para quê?

Mesmo histórias curiosas que resultam num final trágico, por consequências em suas entrelinhas, parecem uma ironia do destino. Como ocorreu com o ditador, ex-Presidente de Portugal, Antonio de Oliveira Salazar, apegado ao poder, habituado a dar ordens dramáticas e doloridas
àquele povo sofrido. Ele acabou por encontrar um final mortal inesperado em sua trajetória humana. Uma história com ares de ópera-bufa, se imaginarmos que o ditador foi derrotado por uma queda ao chão.

Em 1968, Salazar gozava férias em Santo António do Estoril. Sentado em uma cadeira que não se sabe se em falso ou quebrada, ou estrategicamente fora do lugar, o tirano foi ao chão e bateu a cabeça com violência no piso de pedra. Teve um hematoma cerebral e não se recuperou do trauma. Morreu dois anos depois. Conta-se que ele jamais soube que não era mais o presidente do Conselho de Ministros e que a equipe de governo se reunia em sua presença para encenar reuniões e decisões.

Nossa frágil condição humana limita uma rota a todos, muito similar à fraqueza de seus pares. A finitude nos acompanha.

O dolorido é quando os meses e anos escorrem pelos dedos, e, chegando à velhice, percebe-se que não saiu do lugar.

A culpa é do calor, próprio da época e que colabora para o sem sentido destes dias. Tudo corre devagar, anestesiando emoções, fazendo ...

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A culpa é do calor, próprio da época e que colabora para o sem sentido destes dias. Tudo corre devagar, anestesiando emoções, fazendo com que o tempo não seja contado em horas, mas nas sombras dos prédios que avançam e se esticam pelas ruas, contornando as calçadas, engolindo as copas das árvores, improvisando desenhos nas construções vizinhas.

Esta frase do título acima tomei emprestada de Luciano, que, num momento de felicidade retórica, usou-a na saudação que fez à sua mã...

ozanira maia
Esta frase do título acima tomei emprestada de Luciano, que, num momento de felicidade retórica, usou-a na saudação que fez à sua mãe por ocasião de seu 80º aniversário, há mais de uma década. Ele primeiro disse “Hosana nas alturas!”, dando graças a Deus pela vida longeva e saudável da genitora querida, para depois concluir, criativa e belamente, colocando a própria Dona Ozanira Maia nas alturas celestiais. Repito, pois, Ozanira nas alturas, pois é onde ela certamente está, agora que foi chamada ao descanso da eternidade, após uma vida admirável e fecunda.

Nossa geração foi alfabetizada. As novas gerações são audiobetizadas e videobetizadas. Então, é natural que nossos códigos e signos ...

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Nossa geração foi alfabetizada. As novas gerações são audiobetizadas e videobetizadas. Então, é natural que nossos códigos e signos sejam diferentes, o que dificulta o famoso “diálogo de gerações”. Há quem diga que entre jovens e velhos só há uma coisa em comum: o ar que respiram. Portanto, nesses tempos de Internet, redes sociais etc., o “Caderno de Confidências” pode soar estranho, esquisito, inacreditável até.

No dia da cidade para onde viemos e com a qual nos transfundimos, ambos no vigor da idade, agora, nesse 5 de agosto de 2023, sai Neiva,...

No dia da cidade para onde viemos e com a qual nos transfundimos, ambos no vigor da idade, agora, nesse 5 de agosto de 2023, sai Neiva, José Neiva Freire, de vida completada para o descanso eterno; e saio eu, passando do tempo, a vagar do meu tugúrio por ruas de pouca fala, frontais caídos iguais ao meu, e janelas sem amizades, bons-dias nem saudares. Tempo virá de muita casa e pouca fala.

Em um certo domingo das boas lembranças, tradicionalmente o segundo do mês de Agosto, dedicado em homenagem aos pais, perguntei a ele: ...

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Em um certo domingo das boas lembranças, tradicionalmente o segundo do mês de Agosto, dedicado em homenagem aos pais, perguntei a ele: "O que o senhor quer ganhar de presente no Dia dos Pais?" E veio a resposta: "Ah, meu filho, você já é o maior presente que Deus me deu. Mas, tenho uma ideia. Se você quer mesmo me fazer uma homenagem, vá a uma loja de presentes, compre um papel bem grande, bem colorido e bonito, peça à moça para embrulhar você por inteiro e mandar me entregar de novo".

Em maio de 1932, quando foi publicado o “Catalogo historico e descriptivo dos sellos postaes do imperio do Brasil” , o respeitado e tem...

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Em maio de 1932, quando foi publicado o “Catalogo historico e descriptivo dos sellos postaes do imperio do Brasil”, o respeitado e temido crítico literário Agrippino Grieco fez, em artigo publicado em O Jornal, do Rio de Janeiro, e no Diário de São Paulo, o seguinte comentário sobre o autor da obra:

No segundo domingo do mês agosto celebramos o Dia dos Pais. Fiz muitos almoços para o meu querido pai, e para os pais dos meus dois fi...

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No segundo domingo do mês agosto celebramos o Dia dos Pais. Fiz muitos almoços para o meu querido pai, e para os pais dos meus dois filhos. Eram momentos de compartilhar alegrias do domingo com a família. Mas também sempre tive um olho bem aberto para pensar sobre a paternidade e os pais ao meu redor. Não gostava muito do que via. Sempre me inquietei com a exaustão e sobrecarga da minha mãe. Amava/amo meu pai, mas estava sempre atenta às minhas questões sobre a sua ausência, o seu silêncio, e o seu lugar de liberdade e distância do dia a dia de uma casa com quatro filhas. Era assim em todas as famílias.

Já se acostumara à sua vivenda entrançada em finos arames. Naquele exíguo cubículo por onde o mundo exterior entrava e...

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Já se acostumara à sua vivenda entrançada em finos arames. Naquele exíguo cubículo por onde o mundo exterior entrava em bloquinhos vazados, a ave canora, princesa dentre todas, debicava o que lhe colocavam como alimento, e, durante o dia deixava que seu canto divino revoasse as redondezas. Os vizinhos gostavam do melífluo cantar do rouxinol.

Epigrama I De como os poetastros, camelôs de sua própria arte, com pompa e circunstância, outorgam para si o título de poetas ...

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Epigrama I
De como os poetastros, camelôs de sua própria arte, com pompa e circunstância, outorgam para si o título de poetas

O que diabo é ser poeta? me pergunto todo dia... Qualquer um assim se elege ou o elege a poesia? Pelos versos que eu leio, quase sempre com senões, cada vez mais admiro o poeta que é Camões!

Sempre que trato de precatórios lembro da anedota do português que caminhava por uma calçada e viu lá longe uma...

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Sempre que trato de precatórios lembro da anedota do português que caminhava por uma calçada e viu lá longe uma casca de banana. Ao invés de desviar o caminho, continuou em direção à queda inevitável, limitando-se a repetir: “- Ai meu Jesus Cristo, vou me estabacar!”.