Espionando por uma frincha sem mais vidraça da porta central, portão e janelas laterais fechadas, não pude deixar de sentir o bolor do nosso desprezo, ou do desprezo da classe, à sede da sua antiga Associação Paraibana de Imprensa, a histórica API.
Tenho parte com ela, como tive com os dias de fausto ou de lances crepitantes dos seus noventa e três anos no próximo setembro. Como tenho
Associação Paraibana de Imprensa, com sede em João Pessoa, fundada em 1933. Em seu artigo 1º tem por princípio fundamental o exercício de plena liberdade de imprensa ▪️ Fonte: @apipb.com.br
Na fase de politização mais ardente, as ideias fervendo com a onda nacionalista que despertou o país dos anos 1950 até 1964, nessa fase passou a faltar cadeira e outros equipamentos, na medida em que cresceu e propagou-se o prestígio de sua tribuna. Influentes vozes deste país e de fora vieram juntar-se às lideranças locais no pequeno auditório nacional da nossa Visconde de Pelotas. O público se apertava sem incômodo, muitas vezes usurpando da mesa a direção dos debates. Isto repercutiu muito além dos limites da classe, atraindo colaboradores independentes da classe ou categoria a que pertencessem, a partir da campanha “traga a sua cadeira e venha sentar conosco”. Foram Leopoldo Pinheiro, Balduíno Léles, Antônio Tavares de Carvalho, Romero Peixoto, Luciano Wanderley, Marcos Crispim, Rui Bezerra, todos acorrendo a nosso chamado. Ainda assim, com um auditório limitado a menos de 100 cadeiras, a entidade tornou-se pequena para o debate que irradiava.
Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque (1932–2011), engenheiro, professor e gestor público campinense, amplamente considerado pelo empenho no desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação no Brasil, com papel visionário na descentralização da pesquisa científica e na interiorização do ensino superior ▪️ Fonte: CNPQ
E assim, mesclado sob o pulso de uma geração pressionada pela censura, pelas restrições do regime ao exercício da profissão, pela necessidade imperiosa de um curso regular de jornalismo, o debate e a pauta de reivindicações concentraram-se nos problemas da classe. Foi da API que nos mobilizamos para a conquista do reconhecimento universitário, numa escapatória do arbítrio levada a sério por um lutador de espírito intimorato (Linaldo Cavalcanti), impondo-se acima do autoritarismo. Tivemos com José Ferreira Ramos, no Planejamento da UFPB, ele que foi um renovador da nossa imprensa, sócio da API, a pronta elaboração da proposta de criação do curso de Jornalismo.
Velha API dos meus antigos homizios! Explorando as tuas horas de silêncio (não desse silêncio dissociativo de hoje), quantas vezes, desalentado, fui buscar em Tchaikovski, naquela abertura triunfal de 1812, a esperança perdida, frustrada na busca do primeiro emprego ou de afirmação da personalidade. Para isto, meu conterrâneo de Alagoa Nova, dr. Carlos Romero, num cantinho da sala, doara pequena discoteca a seu gosto, o que não era pouco.
Final da Abertura 1812 composta pelo russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky em 1880, para celebrar a derrota do exército de Napoleão Bonaparte
Que fazer então? Mesmo reconhecendo o esforço do jovem presidente Marcos Wéric, foram-se, não se sabe para onde e definitivamente, o espírito associativo, as associações, os clubes sociais. Quem sabe se, disso tudo, a API não termine em museu?








