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Esta foi a impressão que tive quando subi a escadinha que dá para a casa onde o famoso compositor Edvard Grieg morou, escreveu e esqueceu, por alguns momentos, as coisas negativas da vida, lá em Bergen, na Noruega, onde o frio reina e não queima. Mas, fico pensando, se não fosse o frio será que o compositor colocaria na partitura aquela bela composição: seu concerto para piano e orquestra, cujo adágio é capaz de comover uma pedra.
Portanto, entrei na casa do compositor com a melodia deste 2º movimento nos ouvidos. Bergen, que já foi capital da Noruega, tem talvez como sua maior atração turística, a casa de Grieg. Mas olhando o lugar ao derredor, rodeada de jardins, árvores, fiorde e montanhas, tive a impressão de que o mundo havia parado. O silêncio, como se sabe, interioriza o homem. É o contrário do barulho. Este o animaliza. Sim, o mundo parara para escutar a música de Grieg, naquele recanto paradisíaco, onde ele viveu e escreveu suas sublimes partituras.
Estávamos na gelada Noruega e Bergen, civilizadíssima, é toda cercada de montanhas. Dir-se-ia um anfiteatro criado pela Natureza. Quanto silêncio! E me veio um medo danado que aparecesse, ali, de repente um carro propaganda, muito comum, na nossa distante João Pessoa.
A senhora que nos atendeu e que toma conta daquele espaço histórico transmitiu-me a impressão de que esteve conversando com o compositor homenageado. Finamente educada, ela transmitia muita paz e mostrou-nos todos os recantos daquela casa.
Borboletas no jardim pareciam tocar piano nas pétalas das flores. E monologuei: quantas vezes Grieg pôs os olhos naquele jardim, naquela paisagem, antes de ira ao piano...
Bergen significa montanhas. Daí o nome da bela e civilizada metrópole. Montanhas! Quanto sentimento de transcendência elas nos transmitem. Uma cidade rodeada de montanhas infunde-nos muita paz.
Depois continuamos a dar um longo passeio pelas estradas que nos levavam aos fiordes. E meu filho Germano, decerto, se inspirando nas paisagens para os seus futuros projetos. Ei-lo no volante e, vez por outra, dando uma olhadela para as montanhas silenciosas e divinas. Afinal, viajar é sonhar acordado. Já disse isso no meu recente livro. Vá comprá-lo logo, leitor preguiçoso.

C omo eu disse em crônica, na véspera de nossa viagem a Oslo, andei cortando o meu cabelo, graças à tesoura do meu cabeleireiro Joel, aqui ...


Como eu disse em crônica, na véspera de nossa viagem a Oslo, andei cortando o meu cabelo, graças à tesoura do meu cabeleireiro Joel, aqui do “Sempre Bela Center”. Como já informei, aquele competente profissional abriu os olhos para o mundo na cidade sertaneja Riacho dos Cavalos, e costuma botar sua cidade nas nuvens, onde há muito sol, muito peixe e muita paz ecológica. Acontece que estávamos com passagem comprada para a terra do famoso pintor Munch, cujo quadro “O Grito” foi vendido, recentemente, por milhões de dólares. É talvez o grito mais caro do mundo. Um grito que não é sonoro, mas que incomoda. Como gosto não se discute, eu não queria ser o autor de O Grito, mas gostaria de ser o autor do concerto para piano, de Grieg, outro famoso norueguês, nascido em Bergen, e cuja casa andei visitando, fato que depois eu conto.
Meu cabeleireiro Joel, decerto, acharia O Grito um negócio para amedrontar menino... O museu onde estão outras obras de Munch ocupou-nos toda uma manhã. Muito freqüentado por um público de alto nível, o que não de é estranhar na capital norueguesa. Todos os quadros do famoso pintor muito bem visitados, reverenciados e estudados pelos visitantes, que não puderam se deliciar com o sol, que não apareceu naquela manhã. Silêncio absoluto apesar do Grito de Munch.
E eu todo embrulhado, ansiando por um short, uma camiseta, uma praia, um beijo quente do sol. O frio era grande, o que me deu vontade de dar um grito, o que seria um escândalo. E imaginei meu cabeleireiro de Riacho, aqui... Acontece quem lá em Riacho só quem grita é o sol.
Oslo é uma metrópole ultracivilizada. Silenciosa, cheia de belos canteiros, bondes lindos e pessoas muito educadas. Não se ouve uma só buzina. Nenhum grito na rua. E o de Munch fica só no museu.
Chamam atenção os modernos bondes. E saber que nossa capital já teve belos bondes para tudo que era bairro... Outra coisa a enfatizar: o poético vôo das gaivotas, fazendo inveja aos urubus que, aqui em baixo, não encontram carniça para matar sua fome.
Quase não vejo jovens pelas ruas, nem no museu de Munch. E Riacho dos Cavalos? Como está longe... Mas em tudo há a sua beleza. Beleza na quieta Mona Lisa, que bem que gostaria de soltar um forte grito diante daquela invasão de turistas do mundo todo olhando para ela...

Se você gostou das 20 Invenções Simples e Inteligentes que Facilitam o Dia-a-Dia , possivelmente se interessará por essas outras.

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S e é para outro país, não esquecer o passaporte, talvez o papel mais importante de uma viagem internacional. A todo instante, estão pedindo...


Se é para outro país, não esquecer o passaporte, talvez o papel mais importante de uma viagem internacional. A todo instante, estão pedindo aquele documento, em que há uma foto, que nem parece muito com o portador. Filas e mais filas ficam aguardando o momento do visto naquela preciosidade. E as filas caminham em câmara lenta. Por que não aumentam o número dos examinadores de passaportes?... Muitas vezes é apenas um homem aguardando a carimbada do visto.
Mas saiamos da fila dos passaportes que um grupo já está esperando a gente para as apalpadelas, e os objetos que devem ser colocados na esteira para serem examinados. Até agora todos são suspeitos. Até este pacífico cronista é examinado, e logo por quem? Uma jovem. E minha Alaurinda assiste ao exame sem nenhum protesto.
E a passagem? Sim, ali, está a moça, pronta para recebê-la. Respiremos um pouco. Tudo agora ficou para trás, o exame do passaporte, a pesagem da bagagem e assim por diante. Até que enfim estamos na área do embarque. Quanta gente que a gente não conhece! Quanta bolsas penduradas nos ombros da mulheres... Quantas conversas! Tem o Duty Free nos esperando e esperando o nosso cartão, que ali a coisa sai mais barata. Mas é bom deixarmos para a volta, hein?
Enfim, vamos a caminho do grande pássaro de alumínio, que parece dormir um pouco, pois a viagem é longa. Mais de 8 horas de vôo, sobre o oceano à noite.
Eis que chegamos à porta da aeronave, onde simpáticos comissários de bordo desejam uma boa viagem. Agora é localizar a poltrona. Nos corredores, vemos caras sisudas, caras alegres, caras ansiosas.
Alguns momentos de espera e eis que nos chegam os repisados avisos para como devemos agir, no caso de um possível acidente aéreo. Mas a grande maioria não presta a atenção ao aviso. Muitos estão lendo, conversando, ninguém admite a possibilidade de uma queda em pleno mar e de pegar o salvavida que está debaixo da poltrona.
Mas eis que chegou a vez do avião aquecer as turbinas. Ele vai num crescendo até se jogar no espaço. É a tal da decolagem que rima com bagagem e aterrissagem. Este é um momento esperado com muita ansiedade.
E esqueçamos a passagem, a bagagem, a decolagem, a aterrissagem que o avião já chegou. Esquecer a bagagem, que nada. Vamos buscar nossas malas que estão na esteira. Outra longa espera. É a tal coisa, quem não sabe esperar, que não viaje.
Viagem, passagem, bagagem, pesagem. Até parece que estou escrevendo um poema. Basta.

H oje é o dia dedicado ao trabalho. Portanto, pernas p'ro ar que ninguém é de ferro, como cantou o poeta pernambucano Ascenso Ferreira. ...


Hoje é o dia dedicado ao trabalho. Portanto, pernas p'ro ar que ninguém é de ferro, como cantou o poeta pernambucano Ascenso Ferreira. E aqui vai uma reflexãozinha: que seria do mundo se não fosse o trabalho? O trabalho é lei do universo. Todos trabalham. E essa milenar atividade é tão necessária como a respiração, que é um trabalho do corpo físico.
Trabalham a Natureza, os vegetais, os animais. O sol é uma usina, eficiente trabalhadora, assim como o mar, os rios, a chuva, a terra. O diabo é que fizeram dessa atividade propulsora do progresso, nos primitivos tempos, um castigo. Daí a sua conotação etimológica de Tripalium, um instrumento de ferro, munido de três pontas com que se castigava o escravo.
Para mim a oficina, exemplo de trabalho incessante, sem feriados e dias santos, é o nosso corpo físico, instrumento admirável que a Providência nos deu afim de cumprirmos a nossa missão aqui na Terra.
Há trabalhos de varias espécies. Leves e pesados, bem remunerados e mal remunerados. Trabalhos exercidos com vocação e sem vocação, este o mais doloroso...
Há o trabalho do filósofo, do professor, do parlamentar, do cientista, do jurista, do escritor, do vendedor, do executivo, do operário, do limpador de nossas ruas, do médico, do enfermeiro, do artista, do homem do campo... Trabalho em toda parte. E trabalho exibe repouso. Só o nosso corpo é que não repousa.
E eis que ia me esquecendo do mais sublime dos trabalhos. Aquele não é remunerado, a exemplo do médium Chico Xavier, que psicografou centenas de livros nos mais diversos gêneros, sem receber um centavo. Outro exemplo o de Tereza de Calcutá, que tirou dinheiro dos ricos para socorrer a pobreza, limpar leprosos e outros serviços. Ninguém valorizou e exemplificou o trabalho como Jesus. Eles e os apóstolos. Paulo de Tarso, o grande apóstolo dos gentios, era tecelão. Viver da religião jamais. E o mestre dos mestres disse mais: “Dai de graça o que de graça recebeste”.
Todo trabalho é digno de respeito. Maria Tereza de Calcutá costumava perguntar às monjas de seu mosteiro: “vocês já cumprimentaram, hoje, o nosso jardineiro?
Lembrar que o grande Einstein costumava dizer: “a pessoa que mais estimo e respeito na minha vida é a cozinheira, pois é ela quem prepara a minha comida... ”
Proclama O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, que toda ocupação útil é trabalho. Melhor definição não encontrei para definir o trabalho.
Mas, o melhor e mais agradáve é aquele que se faz sem obrigação, ou por vocação. É o trabalho serviço.

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