H á muito tempo que eles foram arrancados dos trilhos da capital e jogados fora. Não ficou nem um exemplar para a História... Mas, como nem ...


Há muito tempo que eles foram arrancados dos trilhos da capital e jogados fora. Não ficou nem um exemplar para a História... Mas, como nem tudo se acaba na vida, graças à memória esses veículos ainda continuam rolando pela nossa cidade.
Para os que não sabem, os bondes correram aqui por muitos anos, bem servindo à população. Seguro, limpo, de fácil acesso, elegante, o bonde chegou a ser a imagem da nossa antiga capital. E os seus trilhos chegavam aos mais distantes bairros: Tambiá, Trincheiras. Oitizeiro, Cruz das Armas, e o Comércio, também chamado Varadouro. Quase ninguém procurava o carro de aluguel, que ficava lá na praça do relógio, no Ponto de Cem Réis.
O gostoso mesmo era pegar o bonde, que podia ser com ele parado ou em movimento. E conta–se que uma dama - por sinal muito elegante – achou de pegar o veículo em movimento. E, ao conseguir, gritou: ”Peguei-te!”, num tom de vitória, e todo mundo aplaudiu–a. Com esse nome - “Pegueite” - ela ficou sendo apelidada. Pegueite era professora e muito querida.
O bonde era utilizado por ricos e pobres. Muita gente importante, da elite, nas mais variadas idades, não queria outro transporte.
E nele muito namoro terminou em casamento, a exemplo do nosso arquiteto Clodoaldo Gouveia, meu sogro, que no bonde encontrou a sua cara metade. Transporte seguro, tranquilo, limpo, sem fumaça para poluir o ar, o bonde, não sei qual a razão, foi abandonado e seus trilhos enterrados. Ao passo que, ainda hoje, modernas metrópoles, a exemplo de Amsterdam, São Francisco, Zurich, Strasbourg, Munique, e muitas outras que visitei, os bondes são importantes transportes urbanos. E que elegantes eles são!
Rapidez, segurança, o bonde lembra o metrô, outro que dá vontade de você entrar nele e não sair mais, desde que não esteja superlotado...
Os bondes da nossa capital. Como eram belos! Até no bairro Santa Júlia tinha linha de bonde. E ao que soube, havia um senhor, que tinha, ali, uma bodega. Pois bem, todo mundo, a todo momento, estava indagando para que lado estava o bonde? O homem terminou não aguentando mais, e colocou na bodega o seguinte aviso: “Não se sabe para que lado está o bonde”.
Agora é hora de perguntar: Onde estão os bondes? Por que os alijaram do nosso cotidiano?...

1 Marie Curie

1Marie Curie

Por que as pessoas apontam para o pulso quando perguntam as horas, mas não apontam para o traseiro quando perguntam onde fica o banheiro?

Por que as pessoas apontam para o pulso quando perguntam as horas, mas não apontam para o traseiro quando perguntam onde fica o banheiro?

P assei minha infância na Lagoa, isto é, no Parque Sólon de Lucena, onde meu pai comprou um sítio, que tinha quase todas as frutas, desde o ...


Passei minha infância na Lagoa, isto é, no Parque Sólon de Lucena, onde meu pai comprou um sítio, que tinha quase todas as frutas, desde o abricó à pitanga, da jaca ao cacau. E havia um frondoso pé de tamarindo, que dava uma fruta azeda de fazer careta. Um paraíso que o progresso acabou.
E como era gostoso passar o dia debaixo das frondosas mangueiras, conviver com alguns personagens que perambulavam por ali. Todas as manhãs a Policia Militar ia treinar os seus músicos, e a Lagoa se transformava numa festa. A criançada com as suas babás, que paqueravam com os soldados.
A verdade é que todas as manhãs na Lagoa eram uma festa. E foi numa dessas alegres manhãs que conheci um homem extraordinário. Um homem que nunca freqüentou uma universidade, mas que impressionava pela cultura, pela conversa, pelos ensinamentos. Ele respondia a qualquer pergunta.
O homem se chamava Inácio. E tanto conversava com os os adultos, como com as crianças. Alto, simpático, educadíssimo, meu amigo Inácio me deixou fortíssima impressão. Não sei se ele era solteiro, casado ou viúvo. Soube depois que era um solteirão. Mas estávamos nesse pé, quando, um dia, ele me apareceu com um livro de sua autoria. Aí eu caí das nuvens. O livro se intitulava “Deus”. Procurei lê-lo, mas não entendi nada. Eu estou certo que nem o próprio Deus entendeu aquele livro.
Depois Inácio achou de construir um telescópio, o que me deixou pasmado. E não é que pelo aparelho dava para ver a lua?... A meninada ficou curiosa para ver de perto o satélite, ainda virgem dos pés norte-americanos. E todo mundo queria ver a lua de Inácio. Inácio Pereira (agora me lembro do nome todo). A meninada e até os adultos faziam fila. E o nosso filósofo terminou ganhando um dinheirinho.
Simples, sempre bem humorado, solteirão, e de uma cultura impressionante. Fizemos amizade com ele. Esteve em nossa casa, onde ouvia nossos discos, especialmente um deles, muito bonito, cuja música se chamava “Eternamente”. Pois não é que o disco desapareceu? E Inácio, sem perder a calma, disse: ”Morreu, eternamente... ” E todo mundo caiu na risada. Inácio Pereira... Cadê seu telescópio, seu livro “Deus”, seu admirável bom humor? Tudo virou passado, que a saudade, vez por outra, tenha recuperar...

P ara falar a verdade, as três maiores tentações do homem são: o dinheiro, o sexo e o poder. E eu não sei qual é a mais forte. Talv...


Para falar a verdade, as três maiores tentações do homem são: o dinheiro, o sexo e o poder. E eu não sei qual é a mais forte. Talvez seja o sexo, pois se não fosse ele, não existiria a própria humanidade. Daí ser ele a atração mais forte. Os jornais, diariamente, dão notícia de abusos da sexualidade, em suas mais variadas expressões.
E o dinheiro? Quem diabo não o ambiciona, com exceção dos missionários, a exemplo de uma Tereza de Calcutá ou de um Chico Xavier. O dinheiro é o grande ópio do homem. Todo mundo o quer, e quando ele chega às nossas mãos, nunca ficamos saciados. Desejamos sempre mais e mais. Dinheiro é como água salgada, quanto mais se bebe, mais sede se tem. Mesmo quem estava desempregado e consegue um trabalho, ou quem recebe um aumento e passa a ganhar uma boa quantia, em pouco tempo estará insatisfeito.
Os detentores de grandes fortunas, os homens de negócio, vivem numa constante ansiedade. Ansiedade de faturar mais. E vem a competição, cada um desejando aumentar os seus lucros. Dinheiro, dinheiro, dinheiro e mais preocupações. A ganância não tem limites. E lá vêm o stress, as doenças... A vida se torna um inferno. Não se vive mais para si. Um inferno, apesar do dinheiro.
Por fim, vêm o poder e a política, também como tentações do homem. Na política investem-se fortunas com o objetivo de um bom retorno. E este nunca deixa de vir. Mas, toda regra tem exceção. Há os políticos que entram na política para servir e não para se servir. Há exemplos na nossa história. Raríssimos, mas existem. E aqui para nós, se um político gasta fortunas para se eleger ou se reeleger, é porque o negócio é bom...
Sexo, dinheiro, poder. Indiscutivelmente, é uma poderosa trindade. Trindade que não é santíssima e que, às vezes, se torna satânica.
Não esqueçamos as exceções. Pegue a história e ela lhe dará admiráveis exemplos de políticos que fizeram da política uma oportunidade de servir à coletividade, e jamais de se locupletar com vantagens ou com dinheiro publico.
Mas, o grande fiscal dos políticos é o povo. Se este se degrada termina votando em Barrabás, ao invés de Jesus...

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