N ão sei nem se me cabe, estar escrevendo, aqui, sobre o genial arquiteto Oscar Niemeyer, que acaba de sair deste mundo, onde deixo...


Não sei nem se me cabe, estar escrevendo, aqui, sobre o genial arquiteto Oscar Niemeyer, que acaba de sair deste mundo, onde deixou, entre tantas outras, uma fabulosa obra, em termos de arquitetura, no coração de nosso país, graças ao presidente Kubitschek, um inovador admirável.
Lembrar que o risonho e simpático presidente sempre foi um homem dos desafios, que adorava a convivência com as alturas. O mesmo dir-se-ia do genial arquiteto, conquanto tivesse muito medo de viajar de avião. Mas, seus olhos estavam sempre observando o vôo das nuvens, que tanto motivou a sua arquitetura. E, decerto, as nuvens gritavam para ele: “Vem pra cá, Mestre, que lhe ensinamos a voar”.
E sua imaginação começou a funcionar: afinal, a reta é mais bela do que a curva? Ele decidiu pela curva. A curva é feminina, a curva não é monótona, a curva dança. Uma árvore, por exemplo, apesar de imóvel, parece que está dançando um balé. Niemeyer, talvez, seja o maior arquiteto do mundo. Tão genial como um Villa Lobos, em cuja música, ele colocou o Brasil.
O tempo deu muito tempo de vida a Niemeyer. E ele soube aproveitar segundo a segundo, minuto a minuto, a sua estada aqui no mundo. E disse esta verdade: “o pior da velhice é quando ela mofa na ociosidade”. Ele foi todo dinamismo. Pelo seu gosto demorava ainda mais aqui no mundo. Daí esta sua confissão: ”Grande é a vida.”
Suas obras são a grande referência em termos de cultura e turismo. Há muitos anos, visitei algumas delas, um na velha Ouro Preto, e outra, chamada a cidade da Pampulha, em Minas Gerais. E fico orgulhoso em saber que o genial arquiteto está também presente aqui em João Pessoa, através de sua obra, graças ao empenho do governador Ricardo Coutinho e do prefeito Luciano Agra. A obra está no Planalto Cabo Branco, onde começa a nova João Pessoa.
Dizem que o genial arquiteto não acreditava em Deus. Que era comunista, logo ateu. Mas Deus acreditou e acredita nele. Tanto é assim que o criou. Ele continuará contemplando o bailado das nuvens, que tanto o inspirou em seu magnífico trabalho.

Dizem que Mozart compunha “música pronta”, que não corrigia, nem alterava as obras que concebia. Alguns acreditam que contava com inspiraçã...

oscar niemeyer

Dizem que Mozart compunha “música pronta”, que não corrigia, nem alterava as obras que concebia. Alguns acreditam que contava com inspiração mediúnica, tal a fluidez com que compunha. Niemeyer era assim. Num só rabisco seu, podia estar contido todo um projeto.

E eis-me num salão de beleza para o habitual corte de cabelo. Cabelo somente, porque a barba eu faço em casa. E esse eterno refazer de barb...


E eis-me num salão de beleza para o habitual corte de cabelo. Cabelo somente, porque a barba eu faço em casa. E esse eterno refazer de barba diário é o meu Suplício de Sísifo. Ah, como invejo as mulheres por não terem barba para fazer, coisa com que nunca me acostumei. Faz muito tempo, me disseram que sangue de rato acaba a barba para sempre. Não tive coragem, ainda, de fazer a experiência. Mas confesso que a dica não é de se esquecer...
Mas deixemos a barba e vamos ao cabelo, que resolvi deixá-lo bem baixinho. E nessa especialidade, ninguém melhor do que meu cabeleireiro Josias, aqui do Salão de Beleza Center Bella, em Tambaú.
Fazer a barba nos leva a um momento de reflexão, e reflexão é de que estamos precisando. E refletir é parar um pouco para pensar na vida. Quer ver um excelente momento para a reflexão? É em pleno congestionamento no trânsito. Enquanto muitos ficam inquietos, buzinando, soltando palavrão, fazendo barulho, ouvindo forró vulgar, você medita ou ficando escutando aquela boa música.
Mas, Josias me tira da reflexão e cita trechos da Bíblia, sobretudo do Velho Testamento, inclusive os Salmos. Depois disso, passa a falar da seca que está atingindo a sua terra Riacho dos Cavalos, e o nordeste há tantas décadas... E a tristeza do meu cabeleireiro me comove. Cadê as águas que seriam transpostas do Rio São Francisco? E os nossos políticos que não agilizam esse projeto? Mas, Josias fica em silêncio. De sua boca de religioso não sai nenhuma critica, nenhum julgamento...
E não é só o livro sagrado que lhe traz serenidade. Ele também é perito no violão. Tanto é assim que, quando termina o serviço, corre para o instrumento, que, como a Bíblia, também lhe dá muita paz.
Olho-me no espelho, dou um sorriso – (nunca deixe de sorrir ao espelho), e pronto. Gosto do espelho por que ele não mente. Se exibe as nossas rugas, por outro, lado as estica com um belo sorriso. Deixo o espelho, saio da crônica, enquanto Josias com o seu violão e sua Bíblia, esquece, por alguns momentos, a tragédia sertaneja...

Não faz muito tempo, a revista Rolling Stone , dos Estados Unidos, relacionou os 100 melhores guitarristas da história. Como sempre acontec...


Não faz muito tempo, a revista Rolling Stone, dos Estados Unidos, relacionou os 100 melhores guitarristas da história. Como sempre acontece, é possível que haja injustiças e enganos. Aliás, alguns especialistas em música torceram o nariz, dizendo que a lista privilegia os norteamericanos, deixando de fora grandes grandes feras da Europa, principalmente do rock pesado.

S ou um homem que me acostumei a sempre me colocar no lugar do outro. Seria isso compaixão? Talvez sim. Afinal somos irmãos, queira...


Sou um homem que me acostumei a sempre me colocar no lugar do outro. Seria isso compaixão? Talvez sim. Afinal somos irmãos, queiramos ou não queiramos. E, consoante a lição de Jesus, temos a obrigação de amá-los, isto é, de compreendê-los.
Mas vamos à crônica de hoje. Há dias que venho pensando em Felipão, o novo técnico da Seleção Brasileira, que daqui a um ano em meio, estará sediando a Copa do Mundo, aqui no Brasil, o que não deixa de ser uma honra para o nosso país, cognominado o “País das Chuteiras”. O Brasil é tão das chuteiras, que, outro dia, conforme foi anunciado, a Academia Brasileira de Letras, a Casa de Machado de Assis, acaba de conferir uma medalha ao jogador Ronaldinho Gaúcho, que, se não é um homem de letras, já fez muitos gols de letras...
Retornando ao técnico Felipão, cuja foto está em todos os jornais, com um prestígio que nem o Ministro Joaquim Barbosa chega perto.
E o curioso é que Felipão sorria. Sorria diante de um grande problema, que é fazer o Brasil campeão dessa Copa. Se fosse eu, sim, se fosse eu, não dormiria mais, não comeria mais, não sorriria mais. Porque, aqui para nós, se o Brasil perder o título, em sua própria casa, como aconteceu na Copa de 50, o que será de Felipão?
Mas, ao que vi nos jornais, ele está um homem feliz da vida, com a obrigação de dar mais um título ao nosso país. Se ele ainda está dormindo, a mesma coisa está acontecendo com o povo. Ninguém está pensando em derrota. Afinal, ninguém esqueceu que já perdemos uma final de Copa, com o Uruguai, em pleno Maracanã lotado e vibrante. Um fato que até hoje é considerado a maior tragédia da história do futebol brasileiro. E eu nem me lembro quem era o técnico.
Mas Felipão está sorrindo no jornal, como se tivesse tirado na Mega Sena. Sorrindo à toa. E eu me colocando no lugar dele, fico pensando: só em aceitar ser técnico da Seleção mostrou que é um homem de peito. Agora é dizer para ele, num cochicho: se o Brasil estiver perdendo, já nos minutos finais, não se esqueça de dizer consigo mesmo: ”pernas pra que te quero? ” E corra, meu amigo, corra que uma multidão desvairada estará correndo atrás de si... Por isso, como bem intitulei bem a crônica, estou com pena de Felipão...

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