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Se recuarmos no tempo, constataremos que antes era muito diferente. Os livros viviam distantes dos olhos infantis. Livro mesmo era para gente grande, conquanto respeitemos algumas exceções. E quer ver uma exceção? Eu era um quase adolescente e minha mãe me veio com um livro de autor paraibano, o nosso José Lins do Rego. O livro era “Menino de Engenho, que se fez famoso e terminou virando filme. Minha mãe ia lendo a história, que muito me comoveu. Muito mais adiante, por mim mesmo, li dois livros que me encantaram: o famoso “Pequeno Príncipe”, de Exupéry e “O menino do dedo verde” de Druon.
Mas, com tristeza lembremos que as livrarias, de uns tempos atrás, quase não vendiam livros infantis. Daí não vermos crianças numa livraria, só adultos. Aliás, aqui para nós, que nossos amigos estrangeiros não ouçam, as livrarias, pelo menos em algumas que visitei, só são visitadas pelos adultos. Pelo menos em Londres, Berlim, muitas livrarias lembravam museus. Nenhum garotinho, acompanhado dos pais, folheando um livro. Até mesmo na minha encantadora Paris, que é, sem dúvida, a cidade dos livros, não vi criança sentada no chão com um livro sob seus olhos. Por outro lado, nos museus, vez por outra, vemos turmas de alunos assistindo aulas de arte e história, diante das obras originais.
Não há veiculo melhor para a educação de uma criança do que o livro. Ergamos um brinde às editoras que editam livros infantis. O grande Monteiro Lobato, brasileiro autêntico, escreveu uma bela bibliografia infantil. E foi ele quem despertou meu gosto pela literatura. O poeta Castro Alves deu aquele grito, que ainda hoje ecoa aos nossos ouvidos: “Oh! Bendito o que semeia. Livros à mão cheia... E manda o povo pensar. ”
Estúpidos os pais que não despertam o gosto dos filhos pela leitura de bons livros. Ora, ora, mas há muito tempo que venho observando, aqui em João Pessoa, nas livrarias Saraiva e Leitura, um fato que me encantou: espaços destinados especialmente aos livros infantis, onde os garotos fazem deles verdadeiros brinquedos. E os pais são os primeiros a estimulá-los para a leitura. As crianças, no seu entusiasmo, correm pra lá e pra cá em busca de livros nos mostruários.
E o que mais me surpreendeu foi ver um pai mandar que um filho colocasse o livro que leu, de volta ao lugar donde o tirou... Que belo exemplo! De parabéns as livrarias, de parabéns aqueles pais.
A leitura ainda é o melhor alimento para o espírito. E viva o livro, lembrando que a Bíblia, na sua velha sabedoria, já disse que “Fazer livros não tem fim”.

E antes de pingar o ponto final, lembrar que saiu uma notícia em que se pretende que um presidiário leia, pelo menos, três livros, o que, decerto, irá amenizar a pena. Mas que livros seriam? Aí é que está o problema, pois o ideal é que seja uma leitura salutar, que lhe desperte sentimentos sadios, que lhe explique o sentido da vida. Há muitos livros de autoajuda que ensinam a difícil problemática da vida. Mas, em todo caso, a idéia de levar a leitura ao presidiário merece aplausos, assim como às crianças.

E is aí duas palavras que rimam quanto à grafia, mas se opõem, inteiramente, quanto ao sentido. O homem é um animal que reflete e também se ...

Eis aí duas palavras que rimam quanto à grafia, mas se opõem, inteiramente, quanto ao sentido. O homem é um animal que reflete e também se distrai. Tanto a distração como a reflexão lhes são necessárias. Dizia Platão que a filosofia nasceu do espanto, da admiração. E daí surge a reflexão, que nada mais é do que voltar-se para si mesmo, sair do exterior para o interior. E quem quer refletir tem de buscar o silêncio. No barulho está a distração. Ninguém retratou melhor a atitude reflexiva do que Rodin com a sua famosa escultura “O Pensador”. De olhos fechados, a mão apoiada no queixo, o pensador não olha para ninguém. Olha para dentro de si mesmo.
Essa significativa obra de arte está nos jardins do pátio do Museu Rodin, em Paris. Estive perto dela, contemplei-a longamente e lamentei a indiferença de muitos turistas, que passavam por ela, indiferentes. Dir-se-ia que estavam na distração, isto é, voltados para fora. Aliás, muita gente faz turismo para se distrair, para se divertir e esquecem o aspecto cultural.
Reputo a obra de Rodin muito mais significativa do que a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, que já não agüenta mais aquela multidão diária de turistas para vê-la. O Pensador nos convida a pensar, mais do que a se distrair.
O homem moderno se distrai muito mais do que reflete. Vive mais pra fora do que pra dentro. Nisto, puxou aos animais. Vocês já viram um gato ou um cachorro refletindo? A reflexão, portanto, é do homem. Quando quiseres orar, convidou Jesus, tranca-te num quarto, e, em silêncio, faz tua prece. O quarto é a consciência.
Mas, refletir incomoda. O silêncio incomoda. Daí a procura da distração, da zoada, de tudo aquilo que leva ao esquecimento, à irresponsabilidade. Muitas vezes, o trabalho excessivo, o barulho são formas de distração, de fugir ou esquecer a si mesmo.

A verdade é que não vi nenhum turista parar e contemplar, em silêncio, “O Pensador”, de Rodin, lá em Paris. Isto me pareceu muito sintomático nesta época em que vivemos...

Imagine a seguinte situação: Você tem uma conta bancária na qual é depositada, toda manhã, a importância de 86.400 reais. O saldo dessa co...



Imagine a seguinte situação: Você tem uma conta bancária na qual é depositada, toda manhã, a importância de 86.400 reais. O saldo dessa conta não é levado para o dia seguinte. Toda noite o banco apaga a quantia que você não conseguiu gastar durante o dia.

T ias, tive muitas, cada uma com o seu modo de ser. Tias por parte de mãe, tias por parte de pai. Desejo escrever sobre as primeiras, com qu...

Tias, tive muitas, cada uma com o seu modo de ser. Tias por parte de mãe, tias por parte de pai. Desejo escrever sobre as primeiras, com quem tive maior convivência, exceto tia Clarice, bonita de morrer. Não só bonita como alegre. Vivia com o sorriso nos lábios. E como o sorriso rejuvenesce a pessoa! Quer ficar velho? Vá ao espelho e faça uma carranca ou cultive o mau humor. Tia Clarice tinha o rosto iluminado, porquanto o sorriso é luz. E eu fico pensando, onde estará tia Clarice com o seu sorriso?...

Já tia Olívia era de uma tristeza de doer. Dir-se-ia que ela era o crepúsculo e Tia Clarice a alvorada. Mas não é das tias paternas que eu desejo escrever, e sim das maternas, com quem muito aprendi, pois quase todas elas eram professoras da Escola Normal, educandário que valia por uma universidade, e ficava ali na Praça João Pessoa, onde hoje funciona o Tribunal de Justiça.

Vamos enumerá-las: tia Autinha, muito culta e loura, não foi feliz no casamento e terminou se separando. E isto muito me entristeceu. Tinha uma postura que encantava. Educada, fina, muito limpa e de fala mansa. Foi ela quem, no meu aniversário, que ocorre no mês de São João, me presenteou com um livro de História, ao invés de uma caixa de traque de chumbo. Seu nome todo era Auta de Luna Freire. Que mulher extraordinária! Vestia-se com muita sobriedade e elegância.

Mas vamos a outra tia do lado materno, que se chamava Anília, cujo marido, Henrique, era muito mais moço que ela. E tia Anília tratava-o como filho. Eis aí a vantagem de ser mais moço que a mulher. E essa minha tia Anília foi a pessoa mais otimista que já vi. Foi ela quem me ensinou datilografia, com uma paciência e uma boa vontade admiráveis. E como esse “computador” antigo me serviu.

Agora vamos às outras. E me vem logo à memória a mais alegre de todas, que se chamava Nautília. Era pequena, branquinha, rechonchuda e muito alegre. Enamorou-se de um italiano Vitório, que cantava e encantava que era uma beleza com o seu otimismo e voz de tenor. Ele tratava a mulher como se fosse uma menina.

E eis que me vem à lembrança tia Ninália, muito discreta, casada com João Batista Barbosa, economista e profundo admirador de Carlos Prestes, que quando vinha a esta capital se hospedava em sua casa. Tia Ninália era calada, mas muito irônica, chegando, certa vez, na praia, a sugerir ao meu pai José Augusto, espírita até os ossos, que andasse sobre as ondas, como fez Jesus.

E vou terminando, sem esquecer que minhas tias quando solteiras não perdiam as retretas da Praça João Pessoa, pois não queriam ficar no caritó, isto é, solteironas. E as retretas eram muito bem frequentadas.

Houve outras tias admiráveis, a exemplo de Tia Alzira, casada com o major Vicente Jansen, que morou a maior parte de sua vida na cidade de Patos. Um casal com muito amor. E por último, Tia Totonha, que passou a vida toda no Araçá, localidade perto de Itabaiana, se não me engano.


Minhas tias... Como ainda as guardo na memória, cada uma com o seu destino. Destinos tão diferentes...

S im, leitor, vamos ter mais uma referência turística, competindo com o Planalto do Cabo Branco, sua Estação Ciência, o Centro de Convenções...

Sim, leitor, vamos ter mais uma referência turística, competindo com o Planalto do Cabo Branco, sua Estação Ciência, o Centro de Convenções, da passarela da praia de Tambaú, do Parque Sólon de Lucena, espelho aquático onde a cidade-mulher se mira, do Jardim Botânico, da Igreja de São Francisco. A nova referência turística que, decerto, vai minimizar as outras, é a elefanta Lady, que acaba de chegar de um circo para o Parque Arruda Câmara, a nossa “Bica”. Evidente que ela não saltou no aeroporto Castro Pinto, pois nenhum avião a aguentaria. Ela veio, sem dúvida, num possante e moderno caminhão. Saiu do seu habitat para o circo, se não me engano Nerino, onde recebeu muitos aplausos, sob refletores, mas distante, muito distante do seu mundo verde e paradisíaco, do qual a “sequestraram”.
Segundo li no jornal, ela é bem charmosa, e, de agora em diante, viverá tranquilamente entre árvores, decerto muito visitada pelas crianças, hoje, com a atenção voltada para os iPads e iPhones, longe, completamente, da Natureza.
Mas, certamente, Lady divertirá muitas crianças e as pessoas de sensibilidade. Até este cronista não deixará de visitá-la, pois a criança que há nele jamais morrerá. Eis a razão de eu achar que a presença da jovem e bonita elefanta minimizará as outras referências turísticas. E ao que informaram os jornais, ela só estará disponível à visitação pública depois de um três meses. Questão de aclimatação. Ela precisa se reintegrar à Natureza. Pena que esteja solteira...
O elefante é um animal nobre, nada violento, silencioso e belo. E aqui vai um convite ao poeta e imortal Sérgio Castro Pinto, que, sem dúvida, fará um poema em homenagem à Lady, como fez com a girafa em seu Zoo Imaginário.
Ver um elefante, de perto, agora ficará tão fácil... A meninada vai adorar. Ela anda tão distante da mãe Natureza, da convivência ao ar livre...
E aquela tromba, aquelas orelhas enormes? Os avós devem estar muito satisfeitos e ansiosos para visitar a mais nova cidadã pessoense. Afinal eles rejuvenescem através dos netos.
Seja bem vinda, Lady, à nossa capital. Em breve nos veremos!

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