24.11.13
N arra-se que no consultório de um famoso psiquiatra havia uma placa com os seguintes dizeres: quatro coisas que dão alegria a um homem: uma...
Narra-se que no consultório de um famoso psiquiatra havia uma placa com os seguintes dizeres: quatro coisas que dão alegria a um homem: uma boa música, uma boa notícia, uma religião saudável e um bom sono.
E é sobre o sono, este fenômeno que ocorre todos os dias quando dormimos, que tanto ocupou e preocupou Sigmund Freud e Carl Jung, que continuaremos a falar. O vienense viu no sonho a projeção de nosso inconsciente, que ele chamou “Id” e onde estavam todos os nossos recalques, frustrações, complexos. E mais ainda: a projeção da nossa sexualidade, que o célebre vienense observou até num tranqüilo e gostoso mamar do seio materno.
As constatações freudeanas causaram escândalo, ao contrário do psicanalista suíço Jung, que foi seu aluno. Este falou de “super-ego”, trazendo nova ótica para o estudo do sonho.
Há sonhos que nos fazem felizes. O citado psiquiatra norte-americano tem razão. Quando sonhamos bem, acordamos bem. Horrível o chamado pesadelo. Não deixa de ser uma boa saudação quando uma pessoa nos diz: “tenha bons sonhos”. O médium Divaldo Franco nos recomenda que, antes de dormir, tenhamos algumas precauções: nada de ouvir noticiários deprimentes, nada de má leitura, nada de poluir nossa mente.
Mas Divaldo é médium espírita e a ótica espírita vê a coisa diferente. Afinal o homem não é somente matéria, mas um inquilino da casa física que é o corpo e através do qual evoluímos. E eu já estou imaginando Freud lendo a questão 400 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, a propósito do sonho. Estou quase certo que o vienense mal humorado e viciado no fumo que o matou, daria uma grande gargalhada. Existir espírito, que coisa absurda! Para ele, o homem era só matéria. Já Jung, ao contrário de Freud, era espiritualista, o seu “Self” é o espírito, e assim por diante.
Mas vamos à questão: por que sonhamos? E o que é que o sonho representa na nossa vida? Sonhos maus, sonhos bons, sonhos que nos fazem felizes... Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, um livro de perguntas e respostas, em ele que teve direta participação, trata do assunto na questão de nº 400, objeto do nosso texto. Vejamos a pergunta do Codificador do Espiritismo aos que não estão mais neste mundo, no capitulo VIII, intitulado Sono e Sonhos: “O espírito encarnado permanece, voluntariamente, no envoltório corporal?” A resposta veio, com uma certa ironia dos espíritos. Uma resposta que redundou numa pergunta. Ei-la: “É como perguntar se o prisioneiro está satisfeito sob as chaves”.
E concluem: “O espírito encarnado aspira, incessantemente, à libertação, e, quanto mais grosseiro é o envoltório, mais deseja ver-se desembaraçado”.
Portanto, segundo os espíritos entrevistados por Kardec, nossos sonhos também podem ser uma fuga, uma libertação do nosso espírito, que pode visitar outros mundos, reencontrar-se com os entes queridos que já não estão aqui neste planeta.
E viva o sonho, que quando bom nos faz felizes, a ponto de a gente dizer: “ontem, sonhei visitando fulano, que beleza, ou, senão, que lugar lindo vi no sonho!. ”Freud, Jung, Kardec, vale a pena estudá-los.
Ora, para quem não acredita no espírito, no espírito que está dentro de nós, tal informação dos que estão na vida espírita talvez pareça um absurdo.
24.11.13
23.11.13
E is-me, de novo, pisando o chão de Viena. A primeira vez em que estive aqui foi um deslumbramento. Lamentei apenas possuir dois olhos. E o ...
Eis-me, de novo, pisando o chão de Viena. A primeira vez em que estive aqui foi um deslumbramento. Lamentei apenas possuir dois olhos. E o que mais me chamou a atenção foi a presença de lindas jovens vendendo bilhetes para concertos, no centro da cidade, o que não é de estranhar, pois Viena é a terra dos grandes compositores, que para aqui vieram estudar, como foi o caso de Haydn, Mozart e Beethoven.
E já estou ouvindo, mentalmente, as valsas de Strauss. Não gostei de ver o rio Danúbio pela primeira vez, pois não tem nada de azul. Mas continuemos pisando Viena, outra vez. Pisando não. Viena não se pisa. Em Viena a gente levita. Se Paris ouvisse esta declaração de amor?... Mas Viena é Paris sem o Sena, sem as pontes, sem a História.
Visitar novamente a Casa de Freud? Sim, ligeiramente. Lá, vi vários jovens, de caderno na mão, fazendo anotações. Alguns sentados no chão. O divã vazio, o divã onde o Mestre mergulhava no inconsciente das pessoas cheio de sujeiras recalcadas.
Viena é plana, aberta, alegre e requintada. Cheira à música. Não vou ver as estátuas de Mozart e Beethoven. O turismo invade vários espaços urbanos. Gente pra lá e prá cá, movida pela embriaguez do consumismo, parando aqui e ali, sem tempo para pensar, que o negócio é comprar ou comer. E viva o turismo da boca!
Mas, o que mais desejamos é ouvir Beethoven, logo mais, à noite, E sabe o que vamos ouvir dele? A Nona Sinfonia, que termina convidando os homens à Alegria. Alegria é sol na alma, alegria é fé na vida, alegria é saúde. Alegria é amor. Ouvimos a Nona sob a regência de Gustavo Dudamel, já do nosso conhecimento. Teatro superlotado. Germano e Alaurinda não cabem em si de contentes. Ver Viena e ouvir nela a Nona do gênio de Bonn... O coração que me perdoe. Viena que cheira à cultura. Viena de boas livrarias. Mas exigir do cronista que saiba alemão é demais. Que ele fique apenas acariciando as capas dos livros.
Piso o chão de Viena pensando. Quantas vezes Mozart, Beethoven e o torturado Freud pisaram este chão... onde, infelizmente, vejo algumas pontas de cigarro. Que sacrilégio... Mas fiquemos por aqui. Amanhã, quem está nos chamando é Londres.
23.11.13
23.11.13
Qualquer que seja a sua idade, certamente existe um cantinho na memória onde ficam guardadas as recordações dos bons desenhos animados, qu...
Qualquer que seja a sua idade, certamente existe um cantinho na memória onde ficam guardadas as recordações dos bons desenhos animados, que faziam você ficar grudado na tela da TV, sem ligar para os insistentes chamados de sua mãe, da avó, da madrinha ou da irmã mais velha, para tomar banho ou para o jantar.
23.11.13
16.11.13
A revista cultural Bula elaborou uma ótima lista com as 15 melhores músicas da MPB de todos os tempos . No entanto, a julgar pelos coment...
A revista cultural Bula elaborou uma ótima lista com as 15 melhores músicas da MPB de todos os tempos. No entanto, a julgar pelos comentários, os leitores consideram a relação um tanto injusta, por ter deixado de fora diversas composições reconhecidamente geniais.
16.11.13
15.11.13
S im, o extraordinário psicanalista Sigmund Freud foi um gigante, na perspicácia, na coragem, na genialidade de haver descoberto o que vivia...
Sim, o extraordinário psicanalista Sigmund Freud foi um gigante, na perspicácia, na coragem, na genialidade de haver descoberto o que vivia escondido dentro de nós, tão escondido como aquela parte do iceberg, mergulhada n'água. E que iceberg foi esse, que só veio a ser descoberto no começo do século passado, para espanto dos meios científicos? Refiro-me ao nosso inconsciente. E como foi ele descoberto? Estudando os nossos sonhos. Ora, ora, desde que o mundo é mundo que o homem sonha. E sonha devido ao sono, que lembra uma pessoa morta, um defunto que respira.
Pois bem, até o grande psicanalista, ninguém procurou estudar o fenômeno do sono e, conseqüentemente, o sonho. Dessa análise, desse estudo, Freud chegou à conclusão de que temos dentro de nós um porão, que se chama inconsciente, o tal “id”, que é base para muitos dos nossos sonhos, muitos dos nossos recalques, das nossas frustrações. Mais ainda, Freud chegou à conclusão de que nesse inconsciente funciona a nossa libido, que nada mais é do que a energia sexual. E revelou uma coisa que provocou sérias revoltas na sociedade, mormente, nos meios religiosos. Freud afirmou que a tal libido se manifesta até no recém-nascido ao sugar o seio materno. Mas dizer a verdade ofende a muita gente. Daí os preconceitos que Einstein considerou piores do que uma bomba atômica.
Freud foi o fundador da Psicanálise e teve, a principio como aluno, o famoso suíço Jung, que terminou abandonando o mestre, por discordar de muitas de suas ilações. Se Freud revelou o inconsciente individual, o chamado “id”, Carl Jung foi mais longe com o seu inconsciente coletivo, que guarda lembranças de vidas passadas. Freud era materialista e ateu. Dizia que a religião era um mito, uma ilusão, tal qual Marx, para quem a religião era o ópio do povo.
A verdade é que Freud foi um extraordinário e corajoso descobridor do nosso inconsciente. O seu livro “Interpretação dos sonhos”, lançado no inicio do século passado, teve o efeito de uma bomba. Como disse, desde que o mundo é mundo que o homem sonha, mas só depois de muitos séculos é que veio a estudar esse fenômeno, graças ao genial austríaco.
Nutro por ele uma profunda admiração. Das duas vezes que fui á sua Casa, lá em Viena, não deixei de subir os degraus que os seus pés pisaram. Admirei-lhe a coragem. E saber que ele fazia cooper, à noite, vestido não de calção, mas de roupa de passeio. Ele foi um gigante para muita coisa, mas um pigmeu no que se refere ao fumo. Morreu de câncer bucal. Submeteu-se a muitas cirurgias e nada. O diabo é que as suas fotos aparecem com ele fumando o criminoso charuto. Freud, que descobriu o nosso inconsciente, não foi nada consciente.
Judeu, foi perseguido pelos nazistas, a ponto de ser proibido de sair de sua terra, o que foi conseguido depois de pagar uma grande quantia aos seus inimigos. Livre, foi para Londres, onde morreu. E que tranquilidade a do bairro londrino, onde passou seus últimos dias, aqui na Terra... Estive lá tomado por grande emoção.
Freud, gigante e pigmeu. Não conseguiu dominar o abominável vício...
15.11.13