2.2.14
E já que comecei, vamos espremendo a memória até ela ficar murcha, Afinal, já disse alguém que “recordar é viver”. Entremos, portanto, ...
Ele queria ser meu pai
E já que comecei, vamos espremendo a memória até ela ficar murcha, Afinal, já disse alguém que “recordar é viver”. Entremos, portanto, no bonde da saudade à procura do que ficou para trás, Continuemos recordando nossos queridos familiares, hoje presentes nos retratos da parede e na nossa saudade.
1.2.14
Pois é, vivendo é que a gente aprende. Tudo ensina na vida: os homens, os animais, as coisas, toda a Natureza. O avião dá lições de transcendência, voando acima das nuvens, esquecido das coisas cá embaixo. O sol dá lição de fraternidade, atendendo a todos, indistintamente, com a sua luz. A pedra ensina, o espinho a mesma coisa, a água idem, o fogo idem. O mar, os rios e os lagos não ficam atrás nessa pedagogia, nessa didática do mundo. O mar, naquele vai e vem das ondas, mostra que tudo nasce, tudo morre e tudo renasce, A transitoriedade se eterniza no tempo.
Mas o que foi que me levou a estas reflexões? Ora, leitor, o olhar. Aquele olhar admirativo que fez Jesus nos convidar para observar os lírios do campo. Há pessoas que passam pela beleza como se fossem cegas. Mas, estão sempre de olho num caixa eletrônico.
Augusto dos Anjos, no seu evangelho lírico e espiritual, convidou-nos a olhar a Serra da Borborema onde Jesus levita... O poeta vivia maravilhado com a floração de seus pau-d'arcos, que o sulista qualifica de ipês...
Mas, antes de terminar a crônica, desejo expressar minha emoção, ao ver, no nosso quintal, um flamboyant florindo. E não satisfeito com sua floração no alto, achou de enfeitar o chão com suas pétalas vermelhas. O chão virou tapete. Isto é o que se chama amor.
Mas muitos não deram atenção ao fato. Se não olham para cima, imaginem para o solo...
Deus fez as árvores frutíferas para matar a nossa fome física e as floridas para matar a outra fome, que se chama fome de beleza.
O flamboyant floriu em cima e embaixo. Aos poucos, as flores começaram a cair, lentamente, como se fossem lágrimas, tal a sutileza.
E diante desse espetáculo de beleza, lembremo-nos de expressar nossa gratidão às raízes, que não enfeitam, mas sustentam a árvore. Elas, humildemente, trabalham em silêncio.
E viva os que trabalham sem ostentação.
Estou com pena do flamboyant. Não vai demorar muito na casa onde mora. Os monstros de pedra, os gigantes da construção civil, sondam-lhe, indiferentes ao tapete de flores.
P ois é, vivendo é que a gente aprende. Tudo ensina na vida: os homens, os animais, as coisas, toda a Natureza. O avião dá lições de transce...
Flores no chão
Mas o que foi que me levou a estas reflexões? Ora, leitor, o olhar. Aquele olhar admirativo que fez Jesus nos convidar para observar os lírios do campo. Há pessoas que passam pela beleza como se fossem cegas. Mas, estão sempre de olho num caixa eletrônico.
Augusto dos Anjos, no seu evangelho lírico e espiritual, convidou-nos a olhar a Serra da Borborema onde Jesus levita... O poeta vivia maravilhado com a floração de seus pau-d'arcos, que o sulista qualifica de ipês...
Mas, antes de terminar a crônica, desejo expressar minha emoção, ao ver, no nosso quintal, um flamboyant florindo. E não satisfeito com sua floração no alto, achou de enfeitar o chão com suas pétalas vermelhas. O chão virou tapete. Isto é o que se chama amor.
Mas muitos não deram atenção ao fato. Se não olham para cima, imaginem para o solo...
Deus fez as árvores frutíferas para matar a nossa fome física e as floridas para matar a outra fome, que se chama fome de beleza.
O flamboyant floriu em cima e embaixo. Aos poucos, as flores começaram a cair, lentamente, como se fossem lágrimas, tal a sutileza.
E diante desse espetáculo de beleza, lembremo-nos de expressar nossa gratidão às raízes, que não enfeitam, mas sustentam a árvore. Elas, humildemente, trabalham em silêncio.
E viva os que trabalham sem ostentação.
Estou com pena do flamboyant. Não vai demorar muito na casa onde mora. Os monstros de pedra, os gigantes da construção civil, sondam-lhe, indiferentes ao tapete de flores.
1.2.14
31.1.14
Prepare-se para adquirir um pouco de cultura inútil, que certamente não acrescenterá nada em sua vida. Conheça o local de nascimento de alguns astros e estrelas radicados nos Estados Unidos. Clique nos links para ver cenas e trailers de alguns de seus mais famosos filmes.
Prepare-se para adquirir um pouco de cultura inútil, que certamente não acrescenterá nada em sua vida. Conheça o local de nascimento de al...
Celebridades que nasceram em lugares que você não imagina
Prepare-se para adquirir um pouco de cultura inútil, que certamente não acrescenterá nada em sua vida. Conheça o local de nascimento de alguns astros e estrelas radicados nos Estados Unidos. Clique nos links para ver cenas e trailers de alguns de seus mais famosos filmes.
31.1.14
26.1.14
Afinal, Carlos, o que têm a ver suas esposas com a música? Ora, foi a música o pretexto para a nossa aproximação amorosa. E o cronista, que é doido por música - seu oxigênio cotidiano - não pensou duas vezes diante da pianista e da violinista, que, aqui para nós, venceriam o mais rigoroso concurso para miss.
A primeira, para me casar, tive de me batizar, já que era de família muito católica, pedido a que não me opus, pelo amor que tinha pela noiva. O mesmo já não aconteceu com a segunda, cuja cerimônia de casamento ocorreu, na nossa casa residencial, com grande afluência de amigos, boa música, e a simpática juíza, Rita de Cássia. E quem nos saudou num belo discurso foi meu amigo, engenheiro e médium espírita Joaquim Silveira.
Portanto, cerimônia religiosa para o primeiro casamento, cerimônia civil para o segundo. No primeiro perdi meu estado de pagão, o que foi uma pena, porquanto assim desejava meu grande pai.
Vamos começar (e o coração já batendo) pela primeira, a pianista, uma linda jovem chamada Carmen, nome dado pelo pai, arquiteto Clodoaldo Gouveia, depois que assistiu em Madrid à ópera Carmen, que adorava. Ela me deu dois filhos de ouro: o primogênito Carlos, apelidado por Tuca, e o segundo Germano. Ambos de temperamentos completamente diferentes. O primeiro podíamos comparar a um rio e o outro a um lago. O rio é inquieto, o lago reflexivo. Ambos abraçaram a profissão que desejavam. Tuca enveredou para a Física, e hoje é PhD, o outro, que sempre ambicionou as alturas, escolheu a Arquitetura.
A primeira esposa Carmen, como já disse, em música, ficou apenas no amadorismo. Fez concurso para a Receita Federal, obteve excelente classificação e tornou-se uma competente assessora. E soube conciliar muito bem o emprego com a casa, um verdadeiro paraíso doméstico.
Já Alaurinda, que fez da música uma profissão, diplomou-se em violino pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Música, só música em sua vida. E foi como violinista, num concerto de nossa Sinfônica, regido pelo maestro Eleazar de Carvalho, lá no Espaço Cultural, que meus olhos a viram pela primeira vez, quando se executava a “Nona Sinfonia” de Beethoven. Linda como a primeira esposa, Alaurinda não quis que este cronista ficasse viúvo por muito tempo. E, assim, encontrei mais um motivo para viver. Com humor, ela dizia: “você é o meu viúvo lindo”. Não havia mais necessidade de filhos. Completavam-mo-nos muito bem. E nessa viagem da vida, fizemos muitas outras, à procura da beleza, que sempre foi o grande objetivo de nossa vida. A violinista só não gosta de um sol intenso na pele delicada. Só o sol da pauta é que ela suporta.
Com dois casamentos, que nunca chegaram a desafinar, dois filhos que vieram enriquecer minha vida, só posso me considerar um homem feliz. Sem esquecer os netos que o primogênito me deu. Carlos, o Tuquinha, e Raíssa. Graças a eles, ouvi, pela primeira vez, a palavra vovô. A mãe deles, minha nora Ana, é a suavidade em pessoa. E o Físico, já que estivemos falando de música, afinou-se bem com ela. Ele nasceu em Campina Grande, na manhã em que Getúlio Vargas se suicidou. E eu fiquei entre duas fortes emoções: a morte de um líder e o nascimento do primeiro filho.
Um filho campinense e o outro pessoense. Um nascido perto de silenciosas e místicas montanhas e o outro abrindo os olhos para o mar de Tambaú...
A final, Carlos, o que têm a ver suas esposas com a música? Ora, foi a música o pretexto para a nossa aproximação amorosa. E o cronista, que...
A Música e as duas esposas
Afinal, Carlos, o que têm a ver suas esposas com a música? Ora, foi a música o pretexto para a nossa aproximação amorosa. E o cronista, que é doido por música - seu oxigênio cotidiano - não pensou duas vezes diante da pianista e da violinista, que, aqui para nós, venceriam o mais rigoroso concurso para miss. A primeira, para me casar, tive de me batizar, já que era de família muito católica, pedido a que não me opus, pelo amor que tinha pela noiva. O mesmo já não aconteceu com a segunda, cuja cerimônia de casamento ocorreu, na nossa casa residencial, com grande afluência de amigos, boa música, e a simpática juíza, Rita de Cássia. E quem nos saudou num belo discurso foi meu amigo, engenheiro e médium espírita Joaquim Silveira.
Portanto, cerimônia religiosa para o primeiro casamento, cerimônia civil para o segundo. No primeiro perdi meu estado de pagão, o que foi uma pena, porquanto assim desejava meu grande pai.
Vamos começar (e o coração já batendo) pela primeira, a pianista, uma linda jovem chamada Carmen, nome dado pelo pai, arquiteto Clodoaldo Gouveia, depois que assistiu em Madrid à ópera Carmen, que adorava. Ela me deu dois filhos de ouro: o primogênito Carlos, apelidado por Tuca, e o segundo Germano. Ambos de temperamentos completamente diferentes. O primeiro podíamos comparar a um rio e o outro a um lago. O rio é inquieto, o lago reflexivo. Ambos abraçaram a profissão que desejavam. Tuca enveredou para a Física, e hoje é PhD, o outro, que sempre ambicionou as alturas, escolheu a Arquitetura.
A primeira esposa Carmen, como já disse, em música, ficou apenas no amadorismo. Fez concurso para a Receita Federal, obteve excelente classificação e tornou-se uma competente assessora. E soube conciliar muito bem o emprego com a casa, um verdadeiro paraíso doméstico.
Já Alaurinda, que fez da música uma profissão, diplomou-se em violino pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Música, só música em sua vida. E foi como violinista, num concerto de nossa Sinfônica, regido pelo maestro Eleazar de Carvalho, lá no Espaço Cultural, que meus olhos a viram pela primeira vez, quando se executava a “Nona Sinfonia” de Beethoven. Linda como a primeira esposa, Alaurinda não quis que este cronista ficasse viúvo por muito tempo. E, assim, encontrei mais um motivo para viver. Com humor, ela dizia: “você é o meu viúvo lindo”. Não havia mais necessidade de filhos. Completavam-mo-nos muito bem. E nessa viagem da vida, fizemos muitas outras, à procura da beleza, que sempre foi o grande objetivo de nossa vida. A violinista só não gosta de um sol intenso na pele delicada. Só o sol da pauta é que ela suporta.
Com dois casamentos, que nunca chegaram a desafinar, dois filhos que vieram enriquecer minha vida, só posso me considerar um homem feliz. Sem esquecer os netos que o primogênito me deu. Carlos, o Tuquinha, e Raíssa. Graças a eles, ouvi, pela primeira vez, a palavra vovô. A mãe deles, minha nora Ana, é a suavidade em pessoa. E o Físico, já que estivemos falando de música, afinou-se bem com ela. Ele nasceu em Campina Grande, na manhã em que Getúlio Vargas se suicidou. E eu fiquei entre duas fortes emoções: a morte de um líder e o nascimento do primeiro filho.
Um filho campinense e o outro pessoense. Um nascido perto de silenciosas e místicas montanhas e o outro abrindo os olhos para o mar de Tambaú...
26.1.14
26.1.14
Sim, donde vem o barulho? Ah, já sei, das estrelas... Que estupidez! Há milênios que as estrelas brilham em silêncio. E são mundos desconhecidos para nós. O silêncio do Cosmo é tão intenso que assustou Pascal. Imaginem se, ao invés de silêncio, tivéssemos um grande barulho cósmico...
Acontece que o silêncio é a linguagem de Deus. Vejamos a Natureza, quanto silêncio nas árvores, nas flores, nas montanhas, nos rios, nos lagos, nos campos. Quanto silêncio dentro de nossa interioridade! Dentro de nossa consciência. Mas, isto quando a consciência está em paz. Consciência em paz é paraíso dentro de nós, é consciência sem remorso, sem arrependimento, sem sentimento de culpa. É consciência em silêncio.
Mas, eu estava me referindo ao silêncio da Natureza, e me esqueci do mar, que também não faz barulho, e sim o doce marulho. Este também está mergulhado num profundo silêncio, onde os peixes deslizam sem a menor zoada. Tão diferente dos barulhentos veículos no trânsito nosso de cada dia...
E este corpo, uma verdadeira usina em que não se ouve o mínimo ruído. Uma usina, ora vejam só... Os pulmões respiram calados, o mesmo acontecendo com o coração. Na digestão, a mesma coisa. O cérebro nem se fala. Os pensamentos são mudos.
Entretanto, sabe quem faz barulho? O homem e o cachorro. Nisso eles são muito parecidos. Silêncio só quando estão fazendo sexo. E nem sempre...
Mas deixemos o cachorro, que é movido a instinto, e voltemos a falar do homem, que, na verdade, é um animal que adora tudo que faz barulho. Daí as motos, que infernam a vida urbana, os liquidificadores, os terríveis paredões e os carros de som, que deveriam ser terminantemente proibidos! E os desrespeitosos foguetões? Havia necessidade desse barulho?
Pensando bem, sabe a razão de os homens em geral fazerem barulhos? É para esquecer a si mesmo. É consciência culpada. Frustração. E a frustração causa a depressão. Então vem a busca incessante do álcool e das drogas, que os fazem esquecer as frustrações.
Outro fator, talvez o mais importante, é a ausência de educação, de campanhas. Por que nos países cultos e civilizados, não se ouve barulho? Por que, lá, até as eleições se processam em solene silêncio...
S im, donde vem o barulho? Ah, já sei, das estrelas... Que estupidez! Há milênios que as estrelas brilham em silêncio. E são mundos desconh...
De quem é o barulho?
Sim, donde vem o barulho? Ah, já sei, das estrelas... Que estupidez! Há milênios que as estrelas brilham em silêncio. E são mundos desconhecidos para nós. O silêncio do Cosmo é tão intenso que assustou Pascal. Imaginem se, ao invés de silêncio, tivéssemos um grande barulho cósmico...Acontece que o silêncio é a linguagem de Deus. Vejamos a Natureza, quanto silêncio nas árvores, nas flores, nas montanhas, nos rios, nos lagos, nos campos. Quanto silêncio dentro de nossa interioridade! Dentro de nossa consciência. Mas, isto quando a consciência está em paz. Consciência em paz é paraíso dentro de nós, é consciência sem remorso, sem arrependimento, sem sentimento de culpa. É consciência em silêncio.
Mas, eu estava me referindo ao silêncio da Natureza, e me esqueci do mar, que também não faz barulho, e sim o doce marulho. Este também está mergulhado num profundo silêncio, onde os peixes deslizam sem a menor zoada. Tão diferente dos barulhentos veículos no trânsito nosso de cada dia...
E este corpo, uma verdadeira usina em que não se ouve o mínimo ruído. Uma usina, ora vejam só... Os pulmões respiram calados, o mesmo acontecendo com o coração. Na digestão, a mesma coisa. O cérebro nem se fala. Os pensamentos são mudos.
Entretanto, sabe quem faz barulho? O homem e o cachorro. Nisso eles são muito parecidos. Silêncio só quando estão fazendo sexo. E nem sempre...
Mas deixemos o cachorro, que é movido a instinto, e voltemos a falar do homem, que, na verdade, é um animal que adora tudo que faz barulho. Daí as motos, que infernam a vida urbana, os liquidificadores, os terríveis paredões e os carros de som, que deveriam ser terminantemente proibidos! E os desrespeitosos foguetões? Havia necessidade desse barulho?
Pensando bem, sabe a razão de os homens em geral fazerem barulhos? É para esquecer a si mesmo. É consciência culpada. Frustração. E a frustração causa a depressão. Então vem a busca incessante do álcool e das drogas, que os fazem esquecer as frustrações.
Outro fator, talvez o mais importante, é a ausência de educação, de campanhas. Por que nos países cultos e civilizados, não se ouve barulho? Por que, lá, até as eleições se processam em solene silêncio...
26.1.14
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