Punha-se, os suspensórios guardando as calças e atravessando a camisa bem passada e limpa, a organizar os folhosos recém-saídos da impressão. Meu pai me levava até ele. Eu, na meia-idade de criança, iniciava a sentir o sabor do jornal físico e impresso. Gosto que ainda perdura.
GD'Art
Mas, para o pequeno leitor iniciante, era a magia das folhas escritas, ainda de impressão rudimentar, soltando tinta preta que sujava os dedos, exalando o cheiro das publicações saídas das linotipos, as linotipos, máquinas barulhentas e enormes.
De tudo isso eu ia me deixando levar, descobrindo um novo mundo, posto a dialogar com os encantos dos escritos daquelas páginas.
Lembro e homenageio Antônio Menino, negro, baixinho, sempre disposto a atender quem o procurasse, com seu sorriso transparente. Quando papai se aproximava, puxando-me pela mão, ele misturava o sorriso a uma observação:
GD'Art
E foi uma profecia que se cumpriu. Literalmente.
Hoje, lamento que o jornal impresso haja decaído. Muitos, de minha geração, iniciaram o despertar para o universo literário através do jornal impresso e são sequazes da literatura. Muitas coisas mudaram e mudarão, deixando forte impacto em muitas pessoas. A vida é dinâmica.
Chegou a inteligência artificial. Quem diria? Mas as letras jamais deixarão de ser um valor constante e fascinante. A IA tenta invadir textos ou criar novos, mas é capenga. A I.H. é insubstituível.








