Meus amigos, minhas amigas, quando tomo de empréstimo algumas linhas deste nosso poderoso rotativo, tento trazer causos (nunca mentiras) ou algo que possa dar um beliscão no emocional de quem está lendo. Mas hoje não será nem uma coisa nem outra. Meu coração está mais para lançar minhas queixas do que para outras elucubrações do espírito. Sim, quero deixar aqui meus veementes agravos pelas injustiças que cometeram com Júlio César quando este era vivo e o esquecimento de que foi vítima depois de sua passagem neste planeta.
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A primeira infância foi em Queluz, interior de São Paulo, depois no Rio de Janeiro, onde frequentou o Colégio Militar e, em seguida, o Pedro II. Logo manifestou a bossa de escrever. Na escola, produzia redações e as vendia por 400 réis (moeda da época) aos colegas de classe, para que estes não fossem penalizados por esse dever de casa, para o qual não demonstravam habilidade. Formou-se professor pela Escola Normal do Distrito Federal e, depois, em engenharia pela Escola Politécnica, atual UFRJ. Sua mãe, Dona Carolina, fundou um externato em Copacabana em 1914, onde Júlio César deu continuidade à sua carreira de professor iniciada no ano anterior. Durante sua trajetória no magistério, lecionou história, geografia e física. Mas viria mesmo a se destacar na matemática.
Paralelamente, dedicou-se à escrita, inicialmente no jornal “O Imparcial”, onde seus textos só foram aceitos depois de usar o pseudônimo R. S. Slade,
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Percebeu que, como Júlio César, não iria fazer sucesso; criou então outro pseudônimo, Malba Tahan, e publicou os “Contos das Mil e Uma Noites”, que foram sucesso de primeira página.
Jamais abandonou a carreira de professor de matemática e se dedicou a transformar essa poderosa linguagem em algo palatável, agradável aos estudantes. Foi quando criou a sua obra-prima, “O Homem que Calculava”.
Além dessa, escreveu cerca de 120 livros, muitos dedicados à matemática; entre eles, “As Maravilhas da Matemática” e “Meu Anel de Sete Pedras”, ou também de contos (“Céu de Alá”, “O Livro de Aladim”), só para citar alguns.
Cabe destacar que “O Homem que Calculava” é considerado uma obra-prima pelo viés literário do texto e pela riqueza da linguagem matemática ali contida. Proporciona uma leitura fluente e
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E por que Malba Tahan não tem o devido valor reconhecido em terras tupiniquins? Por que nossa Academia Brasileira de Letras nunca o acolheu como imortal? A resposta é óbvia. Qualquer país avançado tecnologicamente tem a maior parte de seus cidadãos proficientes na língua pátria e em matemática. E aqui? Somos um desastre no quesito educação. Pouca intimidade com nossa Flor do Lácio. Em matemática, então... Pergunte a um universitário qual o resultado da divisão de 0,000129 por 0,03. A maioria não vai responder. Não sabem as quatro operações elementares. E quanto é a raiz quadrada de 100%? Piorou! Alguns dirão erroneamente 10%. Vamos parar por aqui.
Sendo assim, como aquela vetusta casa dos ditos imortais iria reconhecer essa obra primorosa, mas que trata de um tema que a maioria deles tem ojeriza, medo até?
O Brasil, infelizmente, está devendo. E vai continuar assim.
O que dizer? Bem, el hadj xerife Ali Iezid Izz-Edim Hank Malba Tahan (crente de Alá e de seu santo profeta Maomé) diria: Alá se compadeça desses infiéis.
De João Pessoa, 22 da Lua de Ramadã de 1447.








