Em Duna , de Frank Herbert, se o imperador Shaddam IV tivesse se aliado à Casa Atreides, teria neutralizado seu maior risco político ...

Quem deve estar ao nosso lado?

duna frank herbert lideranca aduladores
Em Duna, de Frank Herbert, se o imperador Shaddam IV tivesse se aliado à Casa Atreides, teria neutralizado seu maior risco político e, ao mesmo tempo, fortalecido a estabilidade do Império. Leto Atreides era leal, popular e governava com legitimidade; tudo o que um líder deveria querer ao seu lado, e não contra si.

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Em vez disso, escolheu os Harkonnen, ricos, odiados e cruéis, e fez a pior aposta possível. Destruiu o aliado natural, fortaleceu o inimigo moral e criou o messias político-religioso que o derrubaria.

É um erro clássico do poder: quem teme o homem justo costuma se aliar ao perverso e acaba governado pelo caos que liberou. O maior perigo político para um regime, ou para um indivíduo, não é o inimigo declarado, mas o aliado virtuoso mal interpretado.

É essencial ter sabedoria para escolher aliados e amigos. Indivíduos inseguros afastam pessoas íntegras, preferem bajuladores ou figuras agressivas e acabam cercados por caos e traição.

Nicolau Maquiavel, em O Príncipe, afirma que a verdadeira medida da inteligência de um governante está nos homens que ele escolhe para cercá-lo. No Capítulo XXII, “Dos Secretários dos Príncipes”, diz que um príncipe pode ser considerado sábio se souber reconhecer aliados capazes e mantê-los fiéis.

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Líderes seguros se aproximam de pessoas íntegras e capazes, pois sabem que a virtude fortalece o poder. Já os inseguros preferem aduladores, porque acreditam que, assim, manterão o controle.

No entanto, essa escolha produz o efeito contrário: ao afastar os justos, o governante perde equilíbrio; ao confiar nos perversos, alimenta o caos. A sabedoria política, e também pessoal, está menos em derrotar adversários e mais em saber escolher pessoas dignas de confiança.

Sun Tzu, em A Arte da Guerra, ensina que aquele que não conhece a si mesmo nem conhece o outro será derrotado em todas as batalhas, pois esse é um erro fundamental de avaliação estratégica.

Em 1 Reis 12:8, o jovem rei Roboão rejeita o conselho dos anciãos e prefere ouvir jovens aduladores que confirmavam sua dureza. Como resultado, o reino se divide, e ele perde grande parte do poder.

Em Provérbios 13:20, está dito que quem anda com os sábios será sábio e que o companheiro dos insensatos sofrerá danos.

Não nos cabe julgar ninguém, mas nos compete escolher sabiamente as companhias que alimentam o bem dentro de nós e que devemos ter ao nosso lado.

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