Alô, tudo bem, tio?
Tio... Que voz é essa, quem será? E contive a pergunta para evitar as suspeitas de leseira, tão comuns em interlocutores de minha idade. Ouvi, então, o que jamais poderia suspeitar na vertigem destes dias, em que só as mangas de Livramento, burgo insulado ali à beira do Gargaú, insistem em manter seu tempo e a delícia original dos seus sabores, mesmo em fim de safra.
Tio... Que voz é essa, quem será? E contive a pergunta para evitar as suspeitas de leseira, tão comuns em interlocutores de minha idade. Ouvi, então, o que jamais poderia suspeitar na vertigem destes dias, em que só as mangas de Livramento, burgo insulado ali à beira do Gargaú, insistem em manter seu tempo e a delícia original dos seus sabores, mesmo em fim de safra.
Livramento, suas mangas e sua igrejinha, tão simples, tão despojada de ornatos monumentais que, por isso mesmo, mais se acentua a sua beleza natural.
Igreja Matriz Nossa Senhora do Livramento, localizada ás margens do Rio Gargaú (município de Santa Rita-PB), construída nos idos do longínquo século XVI para abrigar a Missão Reliogiosa do Gargaú ▪️ Acervo Thomas Bruno Oliveira
Fala-me a “sobrinha”, filha de uma amiga, da aflição penada há um mês pelos de sua casa — mãe, pai e por ela, principalmente — com a morte da irmã a ela encostada, descida ao seio da terra em seus dezesseis anos! E, dentre as mensagens de consolo — confessa —, vem à tona a que fala das tais rosas de Malherbe... “Que rosas são essas? Preciso saber.”
Juarez Batista
Juarez, como o primo Virginius, herdaram do ancestral erudito, dr. Antônio da Gama e Melo, não só a biblioteca que ornava as quatro paredes do sobrado desse grande exemplar de homem público e de correção moral, de uma mesma estatura, fosse simples cidadão, professor do Liceu, intelectual ou governador do Estado. Sobrinhos e tios da mesma rua e, certamente, da mesma biblioteca.
Talvez seja eu um dos últimos entre os velhotes desta cidade que ainda acredita e espera — igual à fachada sem coberta que ainda se mantém em pé — que venha o sobrado de tantos significados a ser restaurado.
Carlos Pereira
A tradução de Modesto de Abreu foi a preferida pelo antologista. Tudo tão sutil na breve manhã!
“E não ouso tentar, infortunado amigo,
aliviar-te a pena (...)
Mas... pertencia ao mundo, onde as mais belas cousas
têm vida curta e vã;
Suponhamos, porém, que, ouvidos teus lamentos,
lograsse ela alcançar
longa vida e adiar seus últimos momentos,
que iria ela lucrar?
E, rosa, ela viveu o que vivem as rosas:
uma breve manhã.”
São dezesseis estâncias, quatorze das quais servem de jarro para o eterno viço das “rosas de Malherbe”.








