A vida nesse planeta Terra é mesmo bizarra. Muita gente por ai afora sonha em ter uma pequena casinha simples de uns 40 metros quadrados, p...


A vida nesse planeta Terra é mesmo bizarra. Muita gente por ai afora sonha em ter uma pequena casinha simples de uns 40 metros quadrados, para viver com dignidade, poder ter suas plantas, cultivar uma horta, criar um cãozinho...

E is aí uma trindade que poderíamos chamar de santíssima. Pobre do homem que lhe é indiferente, que não transcende, amando a Deus sobre toda...


Eis aí uma trindade que poderíamos chamar de santíssima. Pobre do homem que lhe é indiferente, que não transcende, amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Mas muita gente se equivoca, achando que o seu amor à Divindade é possível sem o outro. Já se disse que o outro é a ponte que nos leva a Deus. Mas além do homem, além do próximo, temos a Natureza, que é a mais sublime expressão divina. Quem não ama a Natureza, não ama a Deus. Não há prece mais bela do que aquela que fazemos quando penetramos num bosque, cujo silêncio vale como uma oração muda, Infeliz do homem que nada sente diante da Natureza, seja um bosque, seja uma praia.
Mas voltemos à trindade que é divina: Deus, o Homem, e a Natureza. Se não estou lembrado, há um belo livro, escrito por Flamarion sob o título: "Deus e a Natureza”.
E que seria do mundo sem essa trindade? Trindade que serviu de temática ao estupendo Beethoven. Sua terceira sinfonia, cognominada de "Heróica", é uma homenagem a um herói, que não é outro, senão Napoleão Bonaparte. Mas esse herói se tornou uma grande decepção para o gênio de Bonn, que terminou decepcionado com o seu ídolo. Daí ter rasgado a dedicatória em sua homenagem.
Mas voltando à Natureza, Beethoven dedicou-lhe três lindas páginas musicais: a sonata para piano, chamada Aurora, a Sonata ao Luar e a Sinfonia Pastoral. A Aurora foi inspirada no canto da cotovia, que lindo! Nesse tempo ele ainda não sofria da surdez, Podia ouvir os pássaros, as cachoeiras, o vento fazendo as árvores dançar. Segue-se a Sinfonia Pastoral, uma sinfonia que eu ouço quase todos os dias e que me faz gozar a Natureza sem largar este computador. A Pastoral começa com uma jornada pelo campo, e eu fico a imaginar o genial Beethoven longe da intrigante vida social, da vulgaridade e da maldade. O gênio em busca de transcendência. E ele chega a descrever, através das notas musicais, uma tempestade, com seus ventos, seus relâmpagos e trovões.
Voltando ao homem, Beethoven o escreve na quinta Sinfonia, denominada de Sinfonia do Destino, onde o gênio descreve a luta do homem frente ao Destino.
E terminando a crônica, não podemos deixar de citar a sua última sinfonia, aquela que é uma espécie de Oração Divina, em que o homem se sente sublimado e, ao invés de choro ou lamentações, solta um brado de triunfo, um grito de alegria, um grito de exaltação e alegria interior.
Beethoven, apesar de surdo, entoa um hino de euforia em homenagem a Deus. Um surdo que fez e continua fazendo muita gente ouvir e saudar a Divindade.

Deus, o Homem e a Natureza, eis a sublime e significativa trindade a que não podemos ser indiferentes. Mas está chegando a noite e será que a lua vai desfilar na praia de Tambaú? Aí o negócio é ouvir a Sonata ao Luar, do grande surdo, outra página musical dedicada á Natureza, que tanto o inspirou.

É bom ser imortal, mesmo que seja uma imortalidade acadêmica. Já pensou a gente estar sempre lembrado? O esquecimento é como a morte. Mas, ...


É bom ser imortal, mesmo que seja uma imortalidade acadêmica. Já pensou a gente estar sempre lembrado? O esquecimento é como a morte. Mas, a lembrança é vida. Daí os monumentos, as estátuas, os bustos, os nomes de rua e praças, os livros, a arte. Ninguém deseja ser esquecido. Ser esquecido depois de morto é morrer duas vezes.
E haverá melhor remédio para o esquecimento do que o retrato? Ah, os retratos na parede! Mas, pena é que muita gente esquece os retratos, por conseguinte as pessoas que neles estão. Outrora, nas famílias havia o culto ao retrato, seja na parede ou nos álbuns de família. E até oração se fazia em louvor aos que ali estavam representados.
O retrato foi inventado para matar o esquecimento. Voltando porém à imortalidade acadêmica, lá na nossa Academia de Letras, os acadêmicos que saíram deste mundo estão sempre lembrados na bonita galeria de fotos. Eu quando vou à Academia sempre dou uma olhada para eles. Mas pouco fazem isso. Somos muitos esquecidos. Retratos na parede... Eles se fazem presentes com o seu silêncio. A galeria da imortalidade de nossa Academia acaba de ganhar mais um retrato. É de uma mulher. A primeira a se juntar aos homens imortais. E sabe de quem é essa fotografia? É da nossa Mariana Soares que está ali entre os homens, com aquele meigo olhar. Uma grande cronista a quem tive a honra de saudar, por ocasião de sua posse. Mariana era de uma sensibilidade comovente. E saiu deste mundo de modo tão desastroso, tão precoce. Foi vítima de um acidente de automóvel, na estrada que nos leva à praia de Jacumã, onde ela ia refletir, caminhar, pedalar, sonhar e passear à beira-mar, sempre acompanhada de seu filho Marquinhos, que ela adorava.
Agora me veio a vontade de gritar: Senhores imortais não se esqueçam de passar ou passear os olhos naqueles que já não estão, aqui, em carne e osso. Lembrem-se sempre deles.
Repito, esquecer é matar a pessoa duas vezes. E se você for religioso que tal uma prece ou uma reflexão? A galeria dos imortais da nossa Academia também deseja se confraternizar, participar das festas da Casa de Coriolano de        Medeiros. Vale lembrar que o atual presidente    Damião, com sua acuidade, pretende fazer outra galeria em homenagem aos patronos.
Voltando à Galeria dos Imortais, eu penso que eles ficam muito tristes quando as solenidades de posse dos senhores acadêmicos acontecem noutro lugar, onde eles não são vistos, nem lembrados.
 E estejamos sempre participando da vida social daquela entidade, Afinal, o espírito de solidariedade entre os imortais deve estar sempre aceso. Depois, a entidade jamais deve ser uma entidade de manequins. Os manequins, como sabemos, não se comunicam.

Que voltem sempre os chás, com as saudáveis troca de idéias. Nada, portanto, de "isolacionismo". Até os retratos na parede lastimam a ausência de alguns imortais às eleições e promoções sociais da Academia... 

N ão é Natal, mas recebo um belo presente de um cordial amigo. O presente veio pelo correio. É um livro, um livro escrito com muito amor. Di...


Não é Natal, mas recebo um belo presente de um cordial amigo. O presente veio pelo correio. É um livro, um livro escrito com muito amor. Dir-se-ia um livro telúrico. Sim, o autor é um eterno apaixonado pela sua terra. E a terra não é outra, senão, a Paraíba, que ele não troca por nenhuma outra. E sabe por que? Porque ela ostenta os crepúsculos mais belos do mundo. Se duvida, suba até os lajedos de Pai Mateus, lá em Cabaceiras, ou às serras de Teixeira e Santa Luzia.

E eu confesso que já fiz essa subida ao Lajedo, quando a nossa Orquestra Sinfônica realizou um concerto, naquelas alturas. Foi um momento de muita contemplação e reflexão. Ah, como nossa terra é bela!...

Pois é essa terra que o escritor e parlamentar Evaldo Gonçalves tanto exalta no segundo volume de seu livro "Da Jaramataia ao Planalto", que veio muito bonito de capa, onde se vêem até as pegadas dos dinossauros de Sousa.

Evaldo não é apenas um homem telúrico, mas um fidalgo, que traz sempre um sorriso nos lábios. Um homem que não guarda ressentimentos. Que está sempre esquecendo o lado mesquinho da vida, em que tantos se comprazem.

Esse seu livro não é somente para leitura, mas também para consultas. Uma leitura enciclopédica. E como não poderia deixar de acontecer, ele está sempre se referindo ao seu ídolo: Ernani Sátiro, outro modelo de homem digno.

Um autêntico telúrico. Dir-se-ia que ele traz o mapa da Paraíba na cabeça e no coração, Evaldo Gonçalves, o imortal de nossa Academia. Seu novo livro está mais enriquecido com duas orelhas: textos de Gonzaga Rodrigues e do próprio autor, exaltando sua bonita filha Verônica.

Foi bom que esta crônica saísse hoje, dia 5 de agosto, data de aniversário de nossa capital, que completa 428 anos. Capital que tanto amo. E quem ama, compreende, e quem compreende esquece defeitos que, porventura tenha. E, aqui, Evaldo, temos o crepúsculo mais belo do mundo, lá para as bandas do rio Sanhauá, onde nasceu a nossa capital

S im, leitor, eu me orgulho de ter assistido ao nascimento do Correio das Artes, suplemento de repercussão nacional. Seu lançamento na manhã...






Sim, leitor, eu me orgulho de ter assistido ao nascimento do Correio das Artes, suplemento de repercussão nacional. Seu lançamento na manhã de domingo, de 17 de março de 1947, pelo jornal A União, fez inveja a muita gente lá de fora, sobretudo da imprensa pernambucana, onde o poeta Mauro Mota mantinha uma página sobre Letras.
Mas, a quem devemos realmente o lançamento do Correio das Artes? Devemos a um grupo, liderado por Simeão Leal, homem de muito prestígio no Ministério da Educação e que, ao lado do poeta pernambucano Edson Regis, a quem confiou a feitura do suplemento, com uma dedicação extraordinária, realizaram o grande feito. Nessa época quem dirigia este jornal A União era Sílvio Porto, sendo governador do Estado Osvaldo Trigueiro, um homem que muito nos impressionava pela postura. Um verdadeiro diplomata, que fez questão de oferecer um almoço no Palácio da Redenção em homenagem ao Correio das Artes.
Foi um momento de muita confraternização. O governador parabenizava a todos, um a um, não só pela moderna feição do suplemento, mas pelo alto nível das colaborações.
Muitos escritores do sul, assim como poetas e pintores, fizeram questão de colaborar com o Correio das Artes, aberto a todas vocações. Hermano José, nosso artista plástico, ilustrou várias páginas do suplemento com os seus belos desenhos. O romancista paraibano José Lins do Rego fez questão de trazer sua prestigiosa colaboração.
Sob o titulo “Antologia dos Poetas Paraibanos” o Correio abrigava as colaborações de muitos poetas de valor. Até um inédito do nosso Augusto dos Anjos foi divulgado. O musicista João da Veiga Cabral mantinha uma coluna sobre música erudita, que veio valorizar ainda mais o suplemento. Outro grande colaborador foi o poeta e livreiro, autor de livros, Eduardo Martins, com os seus “haicais”.
Coube-me a direção da página “Na Espadana Branca”, título sugerido pelo poeta Edson Régis. Neste espaço eu fazia o noticiário de livros. O primeiro número do Correio trouxe um conto meu, intitulado “Noturno”, seguindo de outros. Acontece que minha primeira esposa, Carmen, mostrou-se meio enciumada com os personagens do sexo feminino, que eu narrava nos meus contos,e ela queria saber “em quem eu estava me inspirando?”. Isso foi o bastante para eu tentar outros gêneros e a crônica me pareceu o melhor, com o qual venho me dando bem.
Mas, voltando ao “Correio das Artes”, que recentemente foi repaginado, deixando de ser suplemento para ser uma revista, por sinal muito bem feita, o seu surgimento teve repercussão nacional. E estou aqui com uma coleção encadernada do Correio das Artes, que guardo com uma preciosidade.
É preciso lembar que o último número dessa coleção traz uma entrevista que fiz com o então deputado, escritor João Lélis, ex-diretor deste matutino. E, por uma questão de justiça, na história de Correio das Artes, não devemos esquecer o governador Oswaldo Trigueiro, o Dr. Simeão Leal, nem o poeta Edson Régis.

Em breve visita a Paris, alguns dias atrás, presenciamos o triste preparativo para o fechamento da Virgin Megastore, outrora um dos princip...


Em breve visita a Paris, alguns dias atrás, presenciamos o triste preparativo para o fechamento da Virgin Megastore, outrora um dos principais pontos de comercialização de CDs, DVDs e livros, na imponente avenida Champs Elysèes.

E les não eram  peagadês. Mas, como sabiam! Tinham cultura e compostura. Impunham muito respeito, não só pelo saber, mas pele ética. Estou m...

Eles não eram peagadês. Mas, como sabiam! Tinham cultura e compostura. Impunham muito respeito, não só pelo saber, mas pele ética. Estou me referindo a um período áureo de nosso ensino secundário que me deixou agradáveis lembranças. Começo com Carlos Coelho, professor de História do Brasil, disciplina que conhecia a fundo. Duvido que algum aluno dormisse em suas aulas. Que humor na narração dos fatos! No que alude á nossa independência, sorrindo, ele dizia que segundo informavam, o nosso Dom Pedro I, depois do grito “Independência ou morte!”, que inspirou um quadro do artista Pedro Américo, sentiu uma forte dor de barriga e teve de se aliviar no matagal perto. O professor Mauro Coelho dizia isso, sorrindo. Ele sustentava o sorriso com um lenço.
Suas preleções didáticas e eruditas, repassadas de humor , nos fascinavam. E quando tocava a sineta, saíamos da sala de aula meio tristes. Não há coisa melhor do que um bom professor.
Vamos a outro mestre, Dr. Otacílio de Albuquerque, que ensinava matemática. Excelente mestre dos números. Difícil disciplina que ele sabia torná-la accessível, por incrível que pareça. E ele falava pausadamente.
Mas depois veio o Monsenhor Odilon Coutinho, cuja didática não me agradou. E vamos ao nosso professor de Francês, Celestin Mausac, com suas versões e tradições. Aprendi pouco com o mestre. E o inglês, quem nos ensinou? Não foi outro senão o professor Álvaro de Carvalho, ex-presidente do nosso Estado, substituindo João Pessoa e que faz parte da galeria dos patronos de Academia Paraibana de Letras. Álvaro de Carvalho era professor de inglês e de otimismo. Sempre revelava aos alunos a sua origem humilde. Seu pai foi barbeiro. Procurou sempre estimular os alunos e conscientizá-los da importância do tempo. Criminoso era o que matava o tempo, dizia ele. Mas o que mais me encantava em Álvaro de Carvalho era sua postura. Uma postura de dignidade. E ei-lo de carteira e carteira, perguntando aos alunos: ”What ‘s this? Era um homem íntegro, de muita dignidade. Impunha um enorme respeito. Impecável no vestir.
Outro professor de História, foi o Aníbal Moura. Sempre bem humorado, vez por outra saía da lição para criticar algo. Ele não quis acreditar que o poeta Carlos Drummond fosse o autor do poema que falava de uma pedra no meio do caminho. Aliás, o famoso crítico Agripino Grieco disse que só lamentava que não houvesse alguém para atirar aquela pedra no autor. Lembrar que o bom-humor faz parte de uma boa didática. Daí o professor sair, de vez em quando, do tema da lição.
O professor Aníbal estava sempre com uma pastilha Valda na boca para aliviar a garganta.
Que tal encerrar aqui a crônica? Sim, mas antes falemos ligeiramente do grande professor Luiz Gonzaga Burity, pai do nosso Tarcisio, que foi governador. Sereno, sério e, sobretudo, culto, o professor Burity pai fez a gente gostar de Latim. Como sabia ilustrar a disciplina que ensinava... E vamos encerrar a crônica e as aulas.

P or conta de minha alimentação basicamente integral, cuja exceção só ocorre quando saio pelo mundo afora, desta vez, atendi ao convite dos ...

Por conta de minha alimentação basicamente integral, cuja exceção só ocorre quando saio pelo mundo afora, desta vez, atendi ao convite dos amigos, e fui participar do almoço de confraternização que Fátima Bezerra Cavalcanti ofereceu aos amigos da Academia Paraibana de Letras, num restaurante aqui de Tambaú, pela sua recente e expressiva eleição como imortal daquela veneranda instituição. Resolvi substituir o prato de arroz integral por um suculento prato de camarão, que ainda está motivando minha salivação.
O restaurante estava cheio de imortais admiradores da desembargadora e escritora Maria de Fátima, cujo sorriso conseguiu amenizar o rigor da toga que veste, lá no Tribunal de Justiça.
E eu fiquei pensando com os meus botões, como é divino o sentimento de confraternização, que tanto nos distancia dos animais. Mas o que mais me encantou foi ver um José Nêumanne vindo lá do sul do país para votar e solidarizar-se com a colega eleita. O mesmo digo do nosso querido Eilzo Matos, saindo do seu sertão para votar e se confraternizar com a candidata eleita.
A alegria dominava e contagiava todos. Vi sorrisos e felicidade nos rostos do primo e magistrado Alexandre de Luna Freire, numa animada mesa, a que não faltaram Ramalho Leite, ex-superintendente deste matutino e candidato a uma vaga na Academia, o nosso Gonzaga Rodrigues, meu conterrâneo, rindo dos seus oitenta anos. Estavam também o nosso Flávio Tavares, eufórico, ainda em plena lua de mel com a imortalidade acadêmica, o sereno e discreto Humberto Melo, o poeta sempre bem humorado, Astênio Fernandes, sem esquecer o nosso Juarez Farias, o Flávio Sátiro, que está editando uma bela revista de cultura, Maria das Graças Santiago, Mercedes Cavalcanti, a nossa Pepita, em animada conversa com o historiador Wellington Aguiar, que não cabia em si de contente. Vez por outra soltando boas gargalhadas.
Mas o grande maestro daquela orquestra de solidariedade humana era, e só podia ser, o dinâmico presidente da Academia, o nosso Damião, que está fazendo bons melhoramentos na Casa de Coriolano de Medeiros, inclusive colocando corrimãos na entrada da Academia, cuidando, assim, da segurança dos imortais idosos.
E que dizer do meu amigo, primo e alagoanovense Wills Leal, cheio de vivacidade intelectual. Não dá para falar de todos. Na minha mesa estava a nova imortal, Wills Leal e o desembargador Marcos Cavalcanti, que já está de livro novo para lançar.
O ex-governador José Maranhão, contente com a imortalidade da esposa, estava também presente, em animada conversa, certamente falando de política, que é a sua “cachaça”.
E o gostoso mesmo foi o prato de camarão que me fez esquecer o arroz integral e as verduras por algum tempo.
Eleição e confraternização ao vivo. Festa de amigos. E como faz bem à saúde a solidariedade humana! Saí do restaurante não de barriga cheia mas com o coração pulsando de alegria.
E melhor ainda foi a carona que meu primo Alexandre Luna Freire deu a mim e ao Eilzo Matos, que me falou da seca do sertão, dos açudes secando. A água se tornando difícil, menos a água das lágrimas do sertanejo, que, embora, antes de tudo um forte, como disse Euclides da Cunha, já não aguenta tanta penúria e tanto descaso.

C onfesso que não quis acreditar. Mas, depois, repensei: por que não acreditar, se ele foi sempre assim, desde menino, quando fazia questão ...

Confesso que não quis acreditar. Mas, depois, repensei: por que não acreditar, se ele foi sempre assim, desde menino, quando fazia questão de andar de roda gigante, com apenas 4 anos, acompanhado da babá, deixando os pais, lá embaixo, de mãos geladas de medo. E ele nunca teve medo. Se estivesse no lugar de Pedro, quando Jesus o convidou a andar sobre o mar, duvido que fizesse como o apóstolo querido, que terminou se afogando, não fossem as mãos do Mestre que o seguraram.
Mas quem é esse que nunca teve medo? Não sei se o leitor, a esta altura, já sacou. Mas estou me referindo ao meu caçula, Germano, que teve a ousadia de pegar uma bicicleta e sair correndo pelas ruas de Paris, como se estivesse na praia do Amor, onde passa o fim de semana. Pasmei de tanta coragem, quando estive, recentemente, na Cidade Luz. Não cheguei a vê-lo pedalando por toda Paris. Vi depois, no quadro Parada Obrigatória, do programa Cá Entre Nós, da RCTV, muito bem apresentado pela amiga Rose Silveira, em que ele traz para nós a paisagem, a cultura e o cotidiano das grandes metrópoles. Mas, agora, o que eu estava vendo era o caçula montado numa bicicleta e correndo pelas ruas da bela cidade. Deu-me uma inveja danada. Jamais faria tal façanha.
Acho mesmo que o outro filho, o primogênito, professor Phd da nossa UFPB, também faria isso, pois o que gostava, outrora, era o surf. Sua grande aventura, abraçando as ondas. Mas o meu galego desmoralizou Paris. Passou pela Torre Eiffel, que tremeu diante daquela afoiteza, da Notre Dama, que, decerto, fez o sinal da cruz diante da coragem do paraibano multifacetado, que é arquiteto, bacharel em Música, jornalista, escritor e apresentador de TV.
E ele adora alturas. Dai estar subindo, diariamente, na sua Arquitetura, através dos ousados projetos.
Que inveja Germano me fez naquele passeio pela cidade que mais admiro - Paris. Que bom passear pertinho do Sena, que bom respirar o ar da bela cidade, pedalando!

 Repito. Este meu caçula faz o medo ter medo dele. E quando lhe dei a primeira palmada, ele não botou uma lágrima. Mas é capaz de chorar quando alguém maltrata uma maria-farinha, lá na praia onde vai se encontrar com a Natureza e sonhar com um mundo melhor.

Azamor... O nome rima com amor. Mas tinha que ser. Ele não sabe o que é ódio, mágoa, nem ressentimento. Um homem simples, de vida limp...

Azamor... O nome rima com amor. Mas tinha que ser. Ele não sabe o que é ódio, mágoa, nem ressentimento. Um homem simples, de vida limpa, que deve à sua felicidade a duas coisas: a esposa Gizélia, aos dedicados filhos e ao Espiritismo.

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