O Ano Novo será melhor do que 2025, na opinião de 69% dos brasileiros, diz pesquisa do Datafolha. Este é um salto percentual de 9 pontos, em relação ao último levantamento da fé no progresso individual manifestada pelos que enfrentam a vida em todos os rincões nacionais. Ou seja, os otimistas eram 60% ao fim de 2024, segundo o mesmo Instituto.
É muito agradável voltar a estudarA Odisseia. Revisitá-la é um prazer... é vivenciar uma obra que foi criada antes mesmo do surgimento da escrita. O poema aborda as aventuras de Odisseu e foi feito por Homero, figura emblemática que, segundo os livros, cujo nome, por si só, já representa todos os outros, por ter sido o mais célebre aedo de todos os tempos. A Odisseia e todos os poemas da época eram recitados por aedos, e esses poemas datam de três mil anos antes de Cristo. Os aedos, cantores-poetas
Palmas para as batidas de asas das garças. Riscos brancos que atravessam as águas escuras da Lagoa, o nome mais simples para o Parque Solon de Lucena, encravado no centro pessoense, a ilha arborizada na cidade que cresce e se “desverdeia”. Gosto de olhar o cenário, palco de tantas histórias — da história dos livros e das anônimas da capital dos paraibanos.
Ao final de mais um ano, somos frequentemente levados a refletir sobre nossas promessas e desejos. Contudo, a verdadeira transformação não reside apenas em resoluções superficiais, como frequentar a academia ou reorganizar nossas finanças.
POEMA-MANIFESTO
Não escrevo quando o céu está se recompondo.
Escrevo com o trovão aberto,
quando a palavra ainda treme
e o medo não terminou de cair no chão de mim.
Não espero a paz para escrever.
A escrita, em mim, nasce molhada,
com os pés no barro
e o coração em estado de vento.
O verso não é descanso,
troféu, chegada, partida e nem moldura.
Aquela figura fantasmagórica que aparece em meus pesadelos para me assombrar, tendo à mão uma foice afiada, querendo pôr termo à minha passagem por este planeta, anda me assustando nessas minhas últimas noites, por sinal, tão mal dormidas. Pois não é que essa coisa anda à solta por aqui e levando gente querida? Dias atrás levou o Chico Pereira, que vinha, como um guerreiro incansável, lutando pela vida, e me parece que essa foi a única batalha que Chico não venceu. De todas as outras saiu vitorioso, e o espólio dessas contendas está por aí como legado indelével às nossas artes, à nossa cultura; enfim, Chico não veio a passeio na vida e deixou por aqui o melhor de si.
Dando prosseguimento à série sobre os ingênuos e os nascidos escravizados na antiga Paróquia de Nossa Senhora das Neves, no ano de 1833, hoje traremos informações jurídicas sobre o estado civil dos genitores das crianças que nasceram escravizadas.
Os da casa não suspeitavam de nada. Entravam e saíam sem notar que a abertura que tinham uns com os outros não passava de um espelho quebrado. Todos os dias se esbarravam no além-túmulo. Nas mãos, água. Nos pés, terra. O tempo não modificou para melhor como acreditavam, segundo uma sabedoria tola do povo.
Quando lembro da casa dos meus avós e dos meus pais (hoje, com 89 anos), sinto saudade dos momentos vividos, esperança e felicidade que ainda posso viver.
Neste período do ano, lembro do tempo que ficou no sítio, quando as árvores mudavam as folhas; os cajus e as mangas maduras se esparramavam pelo chão; os araçás amadureciam nas capoeiras. Em casa, mamãe e as meninas enfeitavam um galho de laranjeira com algodão retirado de capulhos ainda no roçado; penduravam as lembranças — caixas de fósforos cobertas com papel dourado para simbolizar o Natal.
Na noite de Ano-Novo, Orlandinho chegou em casa e encontrou Zulmira fazendo amor com seu melhor amigo (dele, não dela). Matou os dois a garrafadas de champanhe, que escorreu pelo chão e se juntou ao sangue dos traidores.
Orlandinho brindou aos falecidos e depois se entregou à polícia, chorando lágrimas de esguicho.
Na esquina da minha memória, moram dois personagens. O primeiro é o Senhor da Chave. Um homem corpulento, de trajes impecáveis, que carrega no bolso do colete um único objeto: uma chave antiga, pesada, que não abre porta alguma que eu conheça. Ele a exibe não como quem abre, mas como quem pode abrir.
Natal. Tempo de sentimentos ambíguos. Para quem é religioso, há toda uma liturgia e rituais a cumprir. A contrição do nascimento de Jesus. A festa. No meu caso, aniversário da minha mãe também.
Na manhã da última quinta-feira, dia do natal de Jesus, fui à Academia Paraibana de Letras prestar homenagem ao querido e múltiplo artista Chico Pereira, que partira na véspera, após longa enfermidade. Nesses casos, de heroica luta contra a doença, costuma-se dizer que a vitória final de Tânatos representa um “descanso” para o enfermo. E de fato é, não importa o eventual clichê da palavra ou da expressão, pois não era outra coisa senão descanso e paz o que se contemplava no rosto de Chico. E essa paz de sua face afinal descansada se irradiava pela sala e pela casa inteira, penetrando suavemente nas pessoas que chegavam, cada qual com o seu pesar particular.
Talvez haja, de fato, heróis e super-heróis. Se eles existem, Shavarsh Karapetyan, atleta armênio e campeão mundial de natação subaquática, então com apenas 23 anos, foi um deles.
Morreu atuando, fazendo o que sempre fez como senhor de seus dons e do cultivo a eles dedicado, o artista plástico, professor, museólogo e comunicador Francisco Pereira da Silva, nosso Chico Pereira. Nosso, dos que nasceram e com ele definiram as linhas da vida a partir de Campina Grande; e nosso da acomodação fraterna à “vila”, hoje sem fronteiras econômicas, culturais e afetivas: a nossa querida João Pessoa.