“Ó rios de minha vida: os que cruzei sem ter visto e os que fluem, com mais tinta, no pélago das retinas de quem agora os recria! Não vi o Eufrates e o Tigre, ou o esfíngico Nilo, esse que corre por Biblos e se derrama em estrias às bordas de Alexandria.”
Ivan Junqueira in O Rio / O outro lado, 2002
A deflagração da revolta armada de 1930 começou entre os dias 3 e 4 de outubro, nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba. Espalhou-se pelo País e ocorreram combates entre revoltosos e legalistas, resultando em mortes e ferimentos de centenas de pessoas. Somente arrefeceram as lutas após a deposição de Washington Luís Pereira de Sousa da Presidência da República, no dia 24 daquele mês de outubro.
Tenho um amigo que acredita ter descoberto a fórmula da paz universal. Não está nos tratados diplomáticos, nem nas religiões, nem nos livros de autoajuda vendidos em aeroportos. É muito mais simples: não fique perto demais das pessoas.
O “Bispo de Hipona”,
conhecido como “Santo Agostinho”,
diante da embaraçosa série de semelhanças entre o que
prega “Jesus” no Evangelho e o que o velho “Sócrates”
prega – quatrocentos anos antes – na obra de
“Platão”,
diz que o grego fora mais um profeta
da
Salvação.
Na verdade,
com o devido deságio,
o que houve foi
plágio.
A fêmea, na acepção científica que a antropóloga Fátima Quintas descreve em “A Civilização do Açúcar”, coletânea de estudos com o selo da Fundação Gilberto Freyre, mais me convence da intuição de um velho cronista biriteiro sobre a origem da cachaça. O modo como a
escritora anima a nossa cunhã luzidia, de cabelos sempre molhados, deslumbrada com o garanhão aportado de longas viagens salgadas, afogueado de todas as hiperestesias do trópico, me faz acreditar no “cajual da sodomia” em que demora a História da Paraíba, do velho Horácio de Almeida, noticiando os festins da indiada no seu veraneio primitivo.
A estrada era longa e tortuosa. Fazia frio, e o vento gelado invadia-lhe as narinas, congelando seus pulmões. Mas ele seguia lúcido, pois, no final, haveria a promessa de encontrar o amor.
Atravessou trilhas cheias de ribanceiras e até adentrou numa planície cheia de canaviais. Ali, a lama cobria-lhe até as canelas, e a chã molhada salpicava suas costas de estalactites de barro, costas afora.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
(...)
Fernando Pessoa. Não sei quantas almas tenho
A visita à Casa/Museu Fernando Pessoa me levou a reler livros de poemas de Fernando Pessoa e a consultar livros teóricos e de crítica literária sobre esse poeta múltiplo. Um deles foi Para compreender Fernando Pessoa, de Amélia Pinto Pais, professora e estudiosa da obra do poeta português.
A obra A Doutrina Espírita como filosofia teogônica, de Bezerra de Menezes, ocupa um lugar singular dentro da tradição filosófico-espiritual brasileira. Não se trata apenas de um texto apologético do Espiritismo, nem tampouco de um tratado metafísico convencional. O livro ergue-se como uma tentativa audaciosa de reconciliar razão, transcendência e destino humano numa arquitetura teogônica — isto é, numa reflexão sobre a origem divina da consciência e da existência.
Bezerra não escreve como um teólogo dogmático, mas como um homem dividido entre ciência, filosofia e fé. Seu texto pulsa exatamente nessa tensão.
Não constitui nenhuma novidade afirmar que o teatro de Anchieta é doutrinário, o que significa dizer que a literatura não é utilizada como um fim em si mesma, mas como meio para atingir uma finalidade, no caso, a catequese. Das várias peças produzidas por Anchieta com esse intuito, destaca-se o Auto de São Lourenço (Teatro; seleção e tradução de Eduardo Navarro,
Provavelmente sou a única pessoa no mundo que frequenta a mesma padaria três vezes ao dia e não come nenhuma espécie de pão.
Logo que as portas abrem, já estou à espera, vindo da caminhada da madrugada. Forma-se uma mesa absurdamente eclética, com até 15 participantes. Ricos, lisos, mentirosos, gabolas, tímidos, engraçados... tem de tudo. Qualquer assunto é discutido aos
Tudo o que for estabelecido pelo homem não me surpreende mais. Principalmente se esses homens estiverem georreferenciados na Praça dos Três Poderes, em Brasília. No mais, é colocar o moedor de carne a fazer linguiça de baixa qualidade para a saúde pública, com sabor questionável.
Nada mais surpreende porque o país perdeu a capacidade de sustentar consequências.
Conta-se que foi Albert Einstein, com sua Teoria da Relatividade, quem abriu a porta da sala para embarque no tempo. Depois, veio Kip Thorne – ganhador do Prêmio Nobel de Física de 2017 – com seus “buracos de minhoca” cuja abertura requer o emprego da energia negativa oriunda de flutuações quânticas no vácuo. O pessoal do ramo dá a isso o título de “Efeito Casimir”. O colega Michio Kaku, também físico teórico, jura que a viagem
ARREPIO
Não quero que a mão de outrem
roube o lugar do seu toque em meu corpo
(esta ausência que me ressente,
e que a presença de outro calor,
que não o seu, só faz acentuar o vazio)
Tenho andado
— simplesmente
Mas e a poesia da pele,
a justificativa de sermos dois
e o recanto do Mundo
Em pinceladas rápidas, vamos desenhar o perfil deste homem.
Édouard Manet, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Candido Portinari, Ismael Nery, Maria Campos e Milton Dacosta — estes são alguns dos artistas resenhados pelas mãos do crítico de arte ararunense Antônio Bento.
Em sua obra Políticas da Inimizade, publicada originalmente em francês em 2016, o filósofo camaronês Achille Mbembe desenvolve uma crítica às formas contemporâneas de poder, exclusão e violência ao longo de cinco capítulos. Em conjunto, esses capítulos revelam sua preocupação com os mecanismos atuais de produção da exclusão, da violência e da morte, demonstrando como o racismo, o colonialismo e a lógica da inimizade continuam a estruturar o ódio nos discursos políticos
A busca pela autenticidade em um mundo repleto de expectativas externas é uma das questões mais profundas que o ser humano enfrenta. Vivemos em uma era onde as interações estão mediadas por telas, e a comparação se tornou um hábito cotidiano. Nesse contexto, a essência do ser se dilui, e a vida se transforma em um teatro onde muitos atuam papéis que não refletem sua verdadeira natureza.