O verso é instigante, seja pelo fato de a elisão entre “na” e “estrada” permitir a pausa da sexta sílaba, própria do decassílabo heroico, seja pelo fato de que, isoladamente, o trecho “na estrada da Ripetta” é um heptassílabo perfeito. O poeta, no entanto, conhece o material que maneja; sabe como domar o metro em favor do ritmo e, sobretudo, sabe que a musicalidade do poema está no ouvido, não na aritmética.
A França tem a tradição de comemorar o 1º de Maio com uma forma delicada: as pessoas compram um bouquet de muguet para ofertar aos amigos. A cidade se enche de barraquinhas pelas ruas, vendendo essa delicada flor. Na rua, presenciamos os amigos trocando os ramalhetes e ofertando até mesmo aos desconhecidos; fazem isso com humor, pessoas sorridentes, num verdadeiro clima de festa popular.
Já contei aqui a estória do lusitano que viu uma casca de banana lá longe, na calçada, e, ao invés de desviar o caminho, seguiu reto, apenas repetindo mentalmente: “- Ai, Jisús, vou-me estabacar!”, o que de fato aconteceu.
Há momentos em que a história deixa de ser uma sequência de fatos e passa a operar como um espelho incômodo de quem busca revisitar a história e a literatura. Foi assim que me ocorreu revisitar o Decameron, de Giovanni Boccaccio, não como erudição, mas como quem busca um espelho antigo para entender o presente.
Postagens sucessivas nas redes sociais feitas por amigos fazem-me crer em que o Paraíba, de canto a canto, como esteve há poucos dias, foi espetáculo nunca antes visto por duas gerações de paraibanos. “Este rio não enchia assim há muito tempo. Vi adolescentes assustados com o volume d’água e a força da correnteza”, contou-me o primo para quem liguei em busca de novidades.
Ítalo Calvino, no livro Por que ler os clássicos, propõe esta definição: “Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: ‘Estou relendo...’ e nunca ‘Estou lendo...’”. Partindo dessa premissa, ouso dizer que Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é um clássico da literatura brasileira. A primeira edição foi publicada em 1938, e foram muitas as edições que se seguiram. Tenho lido e relido este livro inúmeras vezes; disponho de várias edições, algumas publicadas ainda em fins do século XX. Não tenho a 1ª edição (1938).
O livro *O Mito do Estado*, publicado em 1946 pelo filósofo alemão Ernst Cassirer (1874–1945), constitui uma reflexão filosófico-política sobre a regressão da racionalidade nos Estados contemporâneos e na geopolítica. Escrita após a Segunda Guerra Mundial, a obra busca compreender como sociedades que se julgavam orientadas pelos ideais do
Ernst Cassirer, filósofo alemão entre os principais representantes do neokantismo ▪️ Fonte: @ullstein bild
Iluminismo — como a racionalidade, o anticlericalismo, os direitos individuais e a valorização da ciência — puderam sucumbir a formas extremas de irracionalismo político. Cassirer identifica, nesse processo, o ressurgimento do pensamento mítico como uma força ativa e tecnicamente mobilizada no interior das estruturas do Estado.
Se a literatura não existisse, o mundo seria um lugar radicalmente diferente. A literatura, em suas diversas formas, é um reflexo não apenas da experiência humana, mas também uma ferramenta fundamental para a comunicação, a reflexão e a construção de identidades.
Quem, por alguma obra desse tal de destino, viu quando criança Jânio Quadros ganhar uma eleição para presidente derrotando o Marechal Lott, soube que Yuri Gagarin, a bordo da nave Vostok 1, com velocidade de 27.000 km/hora dera uma volta elíptica em torno da Terra alcançando no apogeu da trajetória 327 km de nosso planeta e ainda ouviu no rádio a notícia de que Getúlio Vargas mandara um tiro no próprio coração depois de escrever a famosa
A noite estava escura.. Lágrimas do universo banhavam a terra.
Um pacto foi feito depois que o resultado do teste foi conhecido. A decisão, tomada após longo diálogo, ditou que a SEMENTE seria arrancada, destruída, interrompida, assassinada.
Irinêo Ceciliano Pereira da Costa — Irineu Jóffily (15/12/1843 – 08/02/1902) foi jornalista, redator, advogado, político, geógrafo, juiz e promotor de justiça. Fundou os jornais “Acadêmico Paraibano” (Recife/PE) e “Gazeta do Sertão” (Campina Grande/PB). Publicou as seguintes obras: “Notas sobre a Parahyba” (1892) e “Sinopses das Sesmarias da Capitania da Parahyba” (1893).
Que me desculpem as pessoas antipáticas, mas simpatia é fundamental. Se você reclama do que tem recebido, talvez seja hora de refletir sobre o que tem emitido. Tem gente que acha ruim se chove, se faz sol, se venta. Todo tempo é ruim, e a reclamação está clamando o quê? Não se trata de pregar a positividade tóxica, termo cunhado pelo filósofo Byung Chul-Han,
“Los viajes son como pequenas vidas”
Stanislaw Ignacy Witkiewicz
(escritor, fotógrafo e filósofo)
Quando viajo, sofro da síndrome pré-viagem. Tenho angústias e ansiedades e me pergunto: pra que fui inventar isso? Quando volto, sofro de banzo. Tenho saudades dos lugares e levo alguns dias feito um zumbi, aterrizando lentamente. Vá entender! Mas é sempre um sofrimento. Custa-me. E, no meio, a explosão de felicidade e realização.
A escritora Andrea Nunes pediu que eu apresentasse seu novo livro. A Academia Paraibana de Letras foi o lugar ideal para este marcante acontecimento, evento organizado pelo Pôr do Sol Literário. O lançamento do livro “Presunção de Inocência” é um acontecimento que torna a literatura da Paraíba ainda mais nacional.
Há um ditado segundo o qual cada um morre do que vive. Quem é destemido e aventureiro corre o risco de morrer em uma de suas aventuras. Os que vivem no limite (físico, emocional ou intelectual) consomem a “reserva de vida” em nome da intensidade. Têm a morte como um risco calculado ou um subproduto da paixão. Ernest Hemingway, por exemplo, viveu de forma viril e perigosa. Sua morte por suicídio, após o declínio da saúde, foi o desfecho escolhido por um homem que não suportava a ideia de uma vida cotidiana e banal. A ausência de aventuras o tornou desventurado.
Meu amigão sempre me perguntava "onde vamos hoje", sabado à noite. Eu sugeria algum lugar bacana e ele dizia: "pode ser". O local sempre foi o menos importante do encontro. Nosso objetivo era travar diálogos sobre tudo que viesse em mente, e conviver esse tempo que Deus nos deu em boa companhia.