3.4.22
“Sempre, às seis horas da manhã No Largo do Maracanã Eu ouço com emoção Uma mensagem que o sino Da igrejinha do Divino Dirige ao meu cora...
“Sempre, às seis horas da manhã
No Largo do Maracanã
Eu ouço com emoção
Uma mensagem que o sino
Da igrejinha do Divino
Dirige ao meu coração...”
A Deusa do Maracanã ▪ Jaime Guilherme
3.4.22
3.4.22
A música popular brasileira registra vários casos de canções que foram lançadas por determinado intérprete sem obter maior repercussão e, ...
A música popular brasileira registra vários casos de canções que foram lançadas por determinado intérprete sem obter maior repercussão e, depois, quando gravadas por outro cantor ou cantora, alcançaram enorme êxito, ao ponto de se tornarem clássicos do nosso cancioneiro.
Aracy Cortes, cantora que surgiu na década de 1920 e que obteve grande sucesso na época do teatro de revista, é personagem de dois desses casos.
3.4.22
2.4.22
Lembrei de uma colega professora que perdera a filha. Uma senhora madura, sempre triste e desacompanhada num canto da sala dos professor...
Lembrei de uma colega professora que perdera a filha.
Uma senhora madura, sempre triste e desacompanhada num canto da sala dos professores. Um dia, num intervalo entre aulas, aproximei-me e ela me relatou a história, chorando muito.
A filha, uma jovem e promissora executiva, sofrera um acidente a caminho de uma reunião numa outra cidade.
2.4.22
2.4.22
Minha última publicação, no gênero, foi “Arkáditch” – ed. Ideia, 2011. Eis como foi criado: 1 - Assim como “Relato de Prócula...
Minha última publicação, no gênero, foi “Arkáditch” – ed. Ideia, 2011. Eis como foi criado:
1 - Assim como “Relato de Prócula” teve o primeiro esboço na minha vontade de escrever algo como “A Cidade e as Serras”, do Eça, pois eu tinha muita coisa pra contar de meus sete anos de Pombal e do que já vivera aqui, Arkádtich – digo logo - é o nome do irmão de Ana Karenina. Tudo veio desse lance russo.
2.4.22
2.4.22
Que boa parte dos bolsonaristas não se toque ou não tenha consciência do que aconteceu no regime que o chefão voltou a exaltar, nesse 31 ...
Que boa parte dos bolsonaristas não se toque ou não tenha consciência do que aconteceu no regime que o chefão voltou a exaltar, nesse 31 de março, nada mais previsível. Além de haver de tudo, nesse mundo, há de se levar em conta que essa grossa parcela eleitoral, em sua maioria, ou não havia nascido ou estava saindo dos cueiros. O golpe se distancia dela há exatos 58 anos. E uma coisa é ouvir dizer ou ler por cima, outra bem diferente é sentir na pele, na carne, ás vezes até em lugares sobre os quais não se pode sentar ou tocar com rudeza.
2.4.22
2.4.22
Muitas pessoas não se dão conta de que, ao dizer tataravô ou tataraneto , estão usando uma palavra grega – téssares ou téttares . A pala...
Muitas pessoas não se dão conta de que, ao dizer tataravô ou tataraneto, estão usando uma palavra grega – téssares ou téttares. A palavra no grego é τέσσαρες, com a variante ática τέτταρες, para masculino e singular, e τέτταρα, para o neutro. O termo significa o cardinal “quatro”. Tataravó, portanto, deveria ser o quarto avô, mas, como acontece comumente na língua, as palavras acabam por perder o seu sentido original e, mesmo que não se afastem tanto, tendem a expressar outra significação. Assim, tataravô ou tataraneto não são, exatamente, o quarto avô ou o quarto neto, mas o avô ou neto mais distantes, não excluindo, evidentemente, em alguns casos, a exatidão do termo.
2.4.22
1.4.22
Esse tipo de conversa, com todas as verves locais e gírias de época, dominava os assuntos diários nos ‘papos’ trocados entre os jovens...

Esse tipo de conversa, com todas as verves locais e gírias de época, dominava os assuntos diários nos ‘papos’ trocados entre os jovens frequentadores da loja de discos Woodstock, na Rua Miguel Couto, bem próximo a sede do Cabo Branco, outro ponto de encontro para jovens disseminadores de informações bombásticas. Enfim, a impressão que tínhamos durante o transcurso daquele falso “Milagre Brasileiro", com o endosso generalizado da grande imprensa brasileira, era a de vivermos tempos de grandes e fantásticas transformações.
1.4.22
1.4.22
FELINA A gata prenhe, de primeira barriga, olha absorta, sem nenhuma perspectiva, o horizonte longínquo. Eu, absorta, olho, p...
FELINA
A gata prenhe,
de primeira
barriga,
olha absorta,
sem nenhuma
perspectiva,
o horizonte
longínquo.
Eu, absorta,
olho, prenhe,
a perspectiva
longínqua
de algum
horizonte.
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Recentemente, fiz a leitura do livro Aprendendo a viver, do filósofo espanhol Lúcio Anneo Sêneca. É uma coletânea de cartas que ele escr...
Recentemente, fiz a leitura do livro Aprendendo a viver, do filósofo espanhol Lúcio Anneo Sêneca. É uma coletânea de cartas que ele escreveu para Lucílio, seu amigo e interlocutor.
1.4.22
1.4.22
Conheci o antigo slogan da Rádio Jornal do Commercio, em fins dos anos de 1950, quando aportei no Recife para os estudos primários. Logo p...
Conheci o antigo slogan da Rádio Jornal do Commercio, em fins dos anos de 1950, quando aportei no Recife para os estudos primários. Logo percebi como aquilo enchia de orgulho o peito de muita gente. Não menos, o de vários colegas de escola. “Rádio Jornal do Commercio. Pernambuco falando para o mundo”, dizia, a todo momento, um locutor de voz grave, clara e pausada.
1.4.22
31.3.22
A nuvem sai do vermelho abrasivo e paira no ar a partir da madeira negra transformada pelo fogo. Pequenas labaredas que ameaçam explodir ...
A nuvem sai do vermelho abrasivo e paira no ar a partir da madeira negra transformada pelo fogo. Pequenas labaredas que ameaçam explodir a qualquer momento estrelam ferozmente. O som assemelha-se ao do partir de um graveto, mas é a força do calor violento do carvão. O pedaço de madeira transformado em combustível canta para o preparo do alimento.
31.3.22
31.3.22
Provavelmente os queridos leitores já ouviram falar da empresa Agroceres, potência da agricultura nos mais diversos segmentos do tal agr...
Provavelmente os queridos leitores já ouviram falar da empresa Agroceres, potência da agricultura nos mais diversos segmentos do tal agronegócio. Porém duvido muito que vocês conheçam a história de Antônio Secundino.
Nasceu nos cafundós de Minas, filho de pequenos agricultores. Seu pai morreu quando ele era criança e sua mãe, que mal sabia ler e escrever, convenceu um vizinho que estivera 3 anos na escola a ensinar o básico do básico ao menino. Em troca presenteava esporadicamente o professor com uma galinha ou um bacorinho.
31.3.22
31.3.22
Quem somos nós, assim encerrados em corpos sexuados, construídos enquanto natureza, passageiros de identidades fictícias, construídas em c...
Quem somos nós, assim encerrados em corpos sexuados, construídos enquanto natureza, passageiros de identidades fictícias, construídas em condutas mais ou menos ordenadas? Quem sou eu, marcada pelo feminino, representada enquanto mulher, cujas práticas não cessam de apontar para as falhas, os abismos identitários contidos na própria dinâmica do ser.
Tânia Swain
31.3.22
30.3.22
Espelho do outono Miro o espelho do outono estarrecida Os olhos como o fundo De um rio vasculhado... O tempo não perdoa. N...
Espelho do outono
Miro o espelho do outono estarrecida
Os olhos como o fundo
De um rio vasculhado...
O tempo não perdoa.
Novo prazo foi dado para a vida
Mesmo assim
Um velho rio do medo
Com o resíduo das cheias
Corre dentro de mim.
30.3.22
30.3.22
É espantosa a força ou a permanente novidade de certos livros. Li “O vermelho e o negro”, de Stendhal, na idade exata do seu protagoni...
É espantosa a força ou a permanente novidade de certos livros.
Li “O vermelho e o negro”, de Stendhal, na idade exata do seu protagonista. Ele no 1830, a viver febrilmente o longínquo 18 Brumário do jovem general Bonaparte; eu aqui no bairro da Torre, 120 anos depois e na sua mesma idade, querendo atalhar seus passos, pois antevia, afundado na leitura, que pelo tipo que se desenhava, pelo seu bonapartismo, iria, como se impusera, colar o rosto e beijar a mão da patroa, a nobre e belíssima sra. de Renal, mulher do prefeito, em cuja casa havia pouco o acolhera como preceptor das crianças. O cálculo, o ímpeto,
30.3.22
30.3.22
Muitos estudiosos da literatura brasileira – do quilate de Otto Maria Carpeaux, José Guilherme Merquior, Luís Augusto Fischer e José Cas...
Muitos estudiosos da literatura brasileira – do quilate de Otto Maria Carpeaux, José Guilherme Merquior, Luís Augusto Fischer e José Castello – dão a entender, curiosamente, em algumas de suas análises, que o nosso país parece ter grande afinidade com gêneros artísticos menores ou, pelo menos, considerados pela crítica como menores, tais como a crônica e a canção popular, em detrimento de outros tidos como maiores, como o romance e a sinfonia. Isso ficou mais evidente após a explosão da cultura de massa em nosso mercado moderno do século XX: corria
30.3.22
29.3.22
Eram três sítios, um pertinho do outro lá nas brenhas do mundo. Os proprietários, Zé Belarmino, Tião Frozino e Juca Damasceno eram amigos...
Eram três sítios, um pertinho do outro lá nas brenhas do mundo. Os proprietários, Zé Belarmino, Tião Frozino e Juca Damasceno eram amigos, vizinhos e compadres. Ali na roça, distantes do que chamamos inapropriadamente de civilização, o que mais sabe se fazer é menino. Daí a prole grande nas três sitiocas. Nossos amigos aí de cima batizavam os filhos um do outro e as esposas, nessa ordem, Dona Noquinha, Dona Ester e Dona Tianinha eram, como não podia deixar de ser, comadres.
29.3.22
29.3.22
Nasci em 1949, ano em que os comunistas venciam a guerra civil na China e soviéticos e americanos intensificavam a disputa pela hegemonia ...
Nasci em 1949, ano em que os comunistas venciam a guerra civil na China e soviéticos e americanos intensificavam a disputa pela hegemonia mundial. Portanto, vim ao mundo ainda nos primórdios da Guerra Fria. Em certa medida, sem exagero, depois de tudo que presenciei na História, durante todos esses anos, posso me imaginar um sobrevivente.
29.3.22
29.3.22
No excepcional livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, Carl Sagan escreve sobre a curiosidade de crianças: “Eu vejo que muitos adultos...
No excepcional livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, Carl Sagan escreve sobre a curiosidade de crianças:
“Eu vejo que muitos adultos se incomodam quando crianças pequenas fazem perguntas científicas. Por que a Lua é redonda? a criança pergunta.
29.3.22
28.3.22
Sempre que pergunto em classe qual o oposto da hipérbole, a turma responde que é o eufemismo. Não me deparei c...
Sempre que pergunto em classe qual o oposto da hipérbole, a turma responde que é o eufemismo. Não me deparei com esse equívoco apenas em sala de aula – também o constatei em portais de língua portuguesa.
A verdade é que o contrário da hipérbole não é o eufemismo. Essas figuras não podem se contrapor, uma vez que se situam em áreas diferentes. A hipérbole diz respeito ao “pathos” (paixão), enquanto que o eufemismo está ligado ao “ethos” (caráter).
28.3.22