O fenômeno aconteceu em maio de 2010, quando a Cidade da Guatemala foi atingida por chuvas torrenciais causadas pela tempestade tropical A...


O fenômeno aconteceu em maio de 2010, quando a Cidade da Guatemala foi atingida por chuvas torrenciais causadas pela tempestade tropical Agatha.

Q uando visitei pela primeira vez Berlim não tive uma boa impressão. Não sei se foi a influência “nazista”, só sei que achei a grande metróp...

Quando visitei pela primeira vez Berlim não tive uma boa impressão. Não sei se foi a influência “nazista”, só sei que achei a grande metrópole num vazio que me impressionou. Uma metrópole muito severa, sem altos e baixos, tudo plano. E quando foi à noite, desabou uma trovoada que eu só penso que era a voz de Hitler. Nunca ouvi tanto barulho vindo do céu.
Achei a cidade muito plana, muito austera, ou melhor, severa. Que diferença de Paris! Tudo grande demais. Pois bem, foi essa mesma impressão que senti, ao visitar, recentemente, a Dinamarca, depois de uma tranquila viagem aérea até a sua capital, Copenhague, que tem sabor de chocolate. Claro que o rei a que faz referência o Hamlet, do nosso Shakespeare, não estava mais lá. Mas ainda há reinado, ali, que, em geral, constitui atração turística. Tirem, por exemplo, a rainha da Inglaterra do trono e a perda de libras é enorme.
O gelo da Noruega nos acompanhou. Em Copenhague o frio dominava. E o cronista, todo agasalhado, parecia mais uma múmia. E com aquela touca...
Quando a aeronave desceu no aeroporto da capital dinamarquesa, eu não quis acreditar no que via. Um aeroporto para gigantes. Uma verdadeira cidade, um imenso shopping. Dá uns vinte ou mais Guararapes de Recife, e talvez cem do nosso ainda modesto aeroporto, ou melhor, aeropinto.
Adoro ver aeroportos, verdadeiras salas de visita de uma cidade.
Copenhague abusa dos espaços. Nela a gente se torna uma formiguinha. Tudo muito grande. Mas o que vale é o Cooper que a gente faz, sem querer. E eis que chegamos à sua aérea mais turística: Nyhaven. Gente comendo, gente andando, gente comprando, gente esquecendo, por alguns momentos, os problemas da vida. Os idiomas se confundindo entre conversas e risadas.
Mas tudo passa. Agora é dar adeus à Dinamarca e voar até Londres. E Londres me traz agradáveis e dolorosas recordações. Lembrar que na última vez que estive na capital inglesa, eu sofri de uma estenose lombar e o transporte que terminei usando foi uma cadeira de rodas. Pena que a Rainha não tenha me visto... Ela bem gostaria de dar os passeios que dei pelo centro de Londres, mesmo que fosse numa cadeira de rodas.
Agora é gritar com toda a força dos pulmões: a grande viagem é a vida. Aproveitemo-la com muita sabedoria, amor, responsabilidade e fé.

É a tal coisa, Deus fez a montanha e o homem o túnel. Não fosse este e a comunicação seria difícil. O poeta Drummond bem que poderia trocar...


É a tal coisa, Deus fez a montanha e o homem o túnel. Não fosse este e a comunicação seria difícil. O poeta Drummond bem que poderia trocar a pedra de seu poema por uma montanha. Tanto uma como a outra são obstáculos. Mas onde não há montanhas, há o mar, que, segundo outro poeta, João Cabral de Melo Neto, ”o mar, aqui, é uma montanha. ”
Deixemos os poetas e vamos ao passeio entre montanhas, aqui em Bergen. Germano está na direção do carro e já colocou no som o Concerto em lá menor de Grieg. A estrada limpa que é uma beleza. A antiga capital da Noruega é guarnecida por enormes montanhas.
Curioso, não vi pássaros pousando nas montanhas geladas. Nem gaivotas. Mas continuemos nosso passeio agradecendo, sobretudo, aos túneis, que abriram nossa passagem entre montanhas. A gente vai viajando e, de repente, surge o túnel nada poético. Não mais a luz do sol, mas a luz elétrica. E fico pensando, que belo trabalho da engenharia! Sabe quantos túneis andamos contando? 49! Esta Bergen é mesmo a capital das montanhas, o que bem justifica o seu nome. As montanhas nos induzem à transcendência, à reflexão, enquanto os túneis nos ensinam a lição da comunicação. Se não fossem eles, como varar as montanhas?
E vale a pena, vez por outra, estacionar o carro num mirante, esticar as pernas e contemplar os abismos dessa beleza ecológica. Chegamos à conclusão de que tudo ensina na vida, restando-nos apenas ter olhos de ver e ouvidos de ouvir.
O frio aumenta. Daqui a pouco viramos sorvetes. Mas, aqui para nós, a beleza do frio está no silêncio que ele impõe. Lugar quente é propício ao barulho, à baderna, à poluição sonora.
Mas o passeio está terminando e já é hora de irmos para o hotel. Temos ainda muita coisa a ver no centro urbano de Bergen, toda rodeada de montanhas e onde não faltam os braços de mar. Daí as gaivotas dominando a paisagem. Gritam, pousam nas ruas, sobem, descem. Um grito nervoso. Seria de frio?
O nosso hotel fica numa área tranqüila, onde transitam pessoas que lembram fantasmas. Fantasmas morrendo de frio. Mas as gaivotas parecem adorar o clima. E gritam de alegria. Um grito que o pintor Munch, decerto não percebeu.
Mas vamos terminar a crônica. Terminar mais um sonho de viagem. Sonho que se tornou realidade, ou melhor, uma realidade que se tornou sonho. E nada de gelo, nem pesadelo.

E sta foi a impressão que tive quando subi a escadinha que dá para a casa onde o famoso compositor Edvard Grieg morou, escreveu e esqueceu, ...


Esta foi a impressão que tive quando subi a escadinha que dá para a casa onde o famoso compositor Edvard Grieg morou, escreveu e esqueceu, por alguns momentos, as coisas negativas da vida, lá em Bergen, na Noruega, onde o frio reina e não queima. Mas, fico pensando, se não fosse o frio será que o compositor colocaria na partitura aquela bela composição: seu concerto para piano e orquestra, cujo adágio é capaz de comover uma pedra.
Portanto, entrei na casa do compositor com a melodia deste 2º movimento nos ouvidos. Bergen, que já foi capital da Noruega, tem talvez como sua maior atração turística, a casa de Grieg. Mas olhando o lugar ao derredor, rodeada de jardins, árvores, fiorde e montanhas, tive a impressão de que o mundo havia parado. O silêncio, como se sabe, interioriza o homem. É o contrário do barulho. Este o animaliza. Sim, o mundo parara para escutar a música de Grieg, naquele recanto paradisíaco, onde ele viveu e escreveu suas sublimes partituras.
Estávamos na gelada Noruega e Bergen, civilizadíssima, é toda cercada de montanhas. Dir-se-ia um anfiteatro criado pela Natureza. Quanto silêncio! E me veio um medo danado que aparecesse, ali, de repente um carro propaganda, muito comum, na nossa distante João Pessoa.
A senhora que nos atendeu e que toma conta daquele espaço histórico transmitiu-me a impressão de que esteve conversando com o compositor homenageado. Finamente educada, ela transmitia muita paz e mostrou-nos todos os recantos daquela casa.
Borboletas no jardim pareciam tocar piano nas pétalas das flores. E monologuei: quantas vezes Grieg pôs os olhos naquele jardim, naquela paisagem, antes de ira ao piano...
Bergen significa montanhas. Daí o nome da bela e civilizada metrópole. Montanhas! Quanto sentimento de transcendência elas nos transmitem. Uma cidade rodeada de montanhas infunde-nos muita paz.
Depois continuamos a dar um longo passeio pelas estradas que nos levavam aos fiordes. E meu filho Germano, decerto, se inspirando nas paisagens para os seus futuros projetos. Ei-lo no volante e, vez por outra, dando uma olhadela para as montanhas silenciosas e divinas. Afinal, viajar é sonhar acordado. Já disse isso no meu recente livro. Vá comprá-lo logo, leitor preguiçoso.

C omo eu disse em crônica, na véspera de nossa viagem a Oslo, andei cortando o meu cabelo, graças à tesoura do meu cabeleireiro Joel, aqui ...


Como eu disse em crônica, na véspera de nossa viagem a Oslo, andei cortando o meu cabelo, graças à tesoura do meu cabeleireiro Joel, aqui do “Sempre Bela Center”. Como já informei, aquele competente profissional abriu os olhos para o mundo na cidade sertaneja Riacho dos Cavalos, e costuma botar sua cidade nas nuvens, onde há muito sol, muito peixe e muita paz ecológica. Acontece que estávamos com passagem comprada para a terra do famoso pintor Munch, cujo quadro “O Grito” foi vendido, recentemente, por milhões de dólares. É talvez o grito mais caro do mundo. Um grito que não é sonoro, mas que incomoda. Como gosto não se discute, eu não queria ser o autor de O Grito, mas gostaria de ser o autor do concerto para piano, de Grieg, outro famoso norueguês, nascido em Bergen, e cuja casa andei visitando, fato que depois eu conto.
Meu cabeleireiro Joel, decerto, acharia O Grito um negócio para amedrontar menino... O museu onde estão outras obras de Munch ocupou-nos toda uma manhã. Muito freqüentado por um público de alto nível, o que não de é estranhar na capital norueguesa. Todos os quadros do famoso pintor muito bem visitados, reverenciados e estudados pelos visitantes, que não puderam se deliciar com o sol, que não apareceu naquela manhã. Silêncio absoluto apesar do Grito de Munch.
E eu todo embrulhado, ansiando por um short, uma camiseta, uma praia, um beijo quente do sol. O frio era grande, o que me deu vontade de dar um grito, o que seria um escândalo. E imaginei meu cabeleireiro de Riacho, aqui... Acontece quem lá em Riacho só quem grita é o sol.
Oslo é uma metrópole ultracivilizada. Silenciosa, cheia de belos canteiros, bondes lindos e pessoas muito educadas. Não se ouve uma só buzina. Nenhum grito na rua. E o de Munch fica só no museu.
Chamam atenção os modernos bondes. E saber que nossa capital já teve belos bondes para tudo que era bairro... Outra coisa a enfatizar: o poético vôo das gaivotas, fazendo inveja aos urubus que, aqui em baixo, não encontram carniça para matar sua fome.
Quase não vejo jovens pelas ruas, nem no museu de Munch. E Riacho dos Cavalos? Como está longe... Mas em tudo há a sua beleza. Beleza na quieta Mona Lisa, que bem que gostaria de soltar um forte grito diante daquela invasão de turistas do mundo todo olhando para ela...

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