19.5.12
Casa Milá | Foto Mathias Ott Quem observa as ruas do centro antigo de Barcelona não pode imaginar que os seus prédios são alinhados em qua...
Barcelona, a cidade recheada de sushis
Casa Milá | Foto Mathias Ott
Quem observa as ruas do centro antigo de Barcelona não pode imaginar que os seus prédios são alinhados em quarteirões octognais, com uma uniformidade impressionante.
Quem observa as ruas do centro antigo de Barcelona não pode imaginar que os seus prédios são alinhados em quarteirões octognais, com uma uniformidade impressionante.
13.5.12
T anto é gostoso sair, como chegar. O ir é uma aventura e o vir é uma rotina. Tudo, afinal, se resume num festival de emoções, saudades e es...
Voltando para casa
Tanto é gostoso sair, como chegar. O ir é uma aventura e o vir é uma rotina. Tudo, afinal, se resume num festival de emoções, saudades e esperanças.
José Américo disse que ninguém se perde na volta. A frase, que se tornou famosa, encerra uma grande verdade. Chega um momento em que a saudade termina pedindo para a gente voltar. Voltar à nossa gostosa rotina.
Lisboa agora é um trampolim nessa viagem de volta. Daqui saltaremos num vôo até o nosso país. São mais ou menos oito horas de vôo. Desceremos em Natal. E fico pensando... até quando teremos que ir pra Natal ou Recife para embarcar ao exterior?
O tempo está claro. Pouco mais, a aeronave sobe faminta de espaços. E tudo agora virou passado. Repito o que disse no título de meu último livro, recentemente lançado: Viajar é Sonhar Acordado.
Agora é fechar os olhos e rememorar o que se viu, e o que se reviu. Quase oito horas de vôo, entre a terra e o mar. Lá embaixo vejo nuvens, nuvens paradas. A aeronave desliza sobre elas. Ninguém vê terra, tão alto voa este pássaro enorme desafiando a lei da gravidade.
Noto muito cansaço nos passageiros. Muitos dormem. Dormem ou sonham. E me vem um desejo enorme de chegar logo ao meu país, de que estou ausente uns quinze dias. Mas o avião, apesar de sua grande velocidade, parece parado no espaço. Ele vai devorando distâncias por cima do oceano. Mas – espere aí - estou vendo agora lá embaixo não um oceano, mas um deserto. Quanta área sem casa, sem árvore, sem gente. É o Saara, o deserto africano, quem diria...
E empoleira-se na minha imaginação a interrogação: se o avião caísse, você preferiria no deserto ou no mar? Que responda o leitor. Este cronista, sem dúvida perdeu o siso, lembrando o poeta Olavo Bilac...
Mas não custa nada perguntar, pois é perguntando que a gente chega à verdade. Que diga o grande Sócrates, que pensou tão alto, mas que nunca, decerto, imaginou que, um dia, um brasileiro, inventaria aquela máquina voando sobre nossas cabeças...
Retiro os olhos e a curiosidade da janelinha do avião, e fico aguardando a aterrissagem em terras brasileiras. Em Natal ao invés de João Pessoa. Que humilhação para os paraibanos...
Desço a escadinha da aeronave com esta reflexão: é bom sair da rotina em busca da aventura, mas, voltar à rotina bem que é gostoso.
13.5.12
12.5.12
R epito o título: Lisboa, terra boa, e que rima com João Pessoa, que está a oito horas de avião, longe daqui. E tchau Londres. Tchau, sim, a...
Lisboa, terra boa
Repito o título: Lisboa, terra boa, e que rima com João Pessoa, que está a oito horas de avião, longe daqui. E tchau Londres. Tchau, sim, adeus nunca. A gente está sempre voltando, nem que seja na saudade. Daqui de Londres para Lisboa é um pulo aéreo. E vou ficar na janelinha do avião para vê-la lá embaixo. Lisboa fica à beira do continente e Camões chamou-a de “jardim, à beira-mar plantado”.
A primeira vez que vi Lisboa não tive boa impressão, devido a grossura do taxista. Mal humorado e falando como se estivesse com a boca cheia de batatas. Mas quem sabe lá suas razões para tal procedimento...
Mas, de outras vezes, pegamos taxistas bem humorados, apenas revoltados com os políticos corruptos. Olhe, não há sujeito mais politizado do que um bom taxista Está por dentro de todas as falcatruas dos políticos. Perguntei, certa vez, a um deles, o que ele achava do atual presidente de Portugal e ele não tergiversou: ”Um banana!” E soltou uma gostosa gargalhada.
Aqui em Lisboa posso dizer: estou em casa, a começar pelo nosso querido idioma. O português, com o seu fado, é uma beleza. Dizem que nós brasileiros somos o produto de três raças tristes: a indígena, a negra e a portuguesa.
Mas vamos dar um passeio por esta cidade já da nossa intimidade. Basta fechar os olhos e eis que a rua Augusta nos convida, e onde já transitam numerosos turistas. Essa rua é lavada, diariamente, com sabão. Seu piso brilha e é limpinho que faz gosto.
Há tanta coisa a saborear nesta cidade, com seu ar meio provinciano, a começar bela avenida da Liberdade, onde está o belo monumento em homenagem a Marquês de Pombal. Certa manhã, eu e Alaurinda fomos caminhando por quase toda sua extensão, num Cooper a brasileira, como se estivéssemos na calçada de Tambaú. Mais adiante, a gente pegou um taxi, desta vez dirigido por um simpático e palrador taxista, que se alegrou muito quando identificou nossa nacionalidade. Meu medo é que ele falasse em Ronaldinho... Pena que ninguém ressalte o nosso Villa Lobos no exterior. Só se lembram de futebol e carnaval.
O táxi nos deixou no shopping El Corte Ingles, cheio de turistas transitam pra lá e pra cá, comprando, conversando e comendo os gostosos bolinhos de bacalhau. A livraria do Corte é confortável, com suas poltronas, música ambiente e muita paz. Como é gostoso estar aqui em Lisboa...
12.5.12
12.5.12
P ois é, como eu disse, desta vez, visitei Londres sem cadeira de rodas. Pude pegar o metrô sem problema, graças ao braço do meu amigo Davi....
Megalomania londrina
Pois é, como eu disse, desta vez, visitei Londres sem cadeira de rodas. Pude pegar o metrô sem problema, graças ao braço do meu amigo Davi. Os metros londrinos estão sempre apinhados de gente na maior correria. A capital é povoadíssima e além do mais com seus milhares de turistas, já viu...
E que dizer daqueles típicos e graciosos ônibus com mais de um andar? Londres não é uma cidade alegre, panorâmica, aberta, como Paris. Cidade alegre, você quer ver uma? Amsterdam, cujas bicicletas dão um certo charme à cidade. E os seus canais?...
Mas deixemos Amsterdam com suas bicicletas, suas drogas permitidas, seu sexo livre, seus canais, seus geniais pintores Rembrandt e Van Gogh, e continuemos falando de Londres, com o seu frio gelado, sua chuva intermitente, turistas vindos de toda parte do mundo, suas grandezas em tudo. Ah, se o rio Tâmisa passasse bem pelo centro da cidade, assim como o Sena!
Você já viu uma estátua mais alta do que a do almirante Nelson, lá na Trafalgar Square? Ainda mais com aqueles imensos leões de bronze? E sabe qual o concerto que a gente agendou para assistir, aqui em Londres? Concerto, não, uma Missa. A Missa Solemnis de Beethoven. Uma partitura gigantesca. Mas sabe o que houve? Equivocamo-nos com o horário da grandiosa obra beethoveneana, que começou às três horas da tarde, e pensávamos que era à noite. Parece que missa cedo é para a missa do galo, que inspirou um grande conto do nosso Machado de Assis.
Ouvir a missa de Beethoven, no grande centro cultural Barbican, e logo em Londres, que adora grandezas, seria, não resta dúvida, um emocionante momento em nossas vidas. Londres é incomparável em matéria de museus e teatros. Você quer ver um museu de deixar a gente de boca aberta e olhos arregalados? Este que a gente foi visitar, com mais calma, nesta recente viagem à capital inglesa. Estamos nos referindo ao Museu Britânico com suas numerosas salas e cujo passeio vale por um ligeiro curso de antropologia, com suas múmias egípcias, seus sarcófagos, embalsamentos. que nos levam a profundas introspecções.
Esse museu, monologuei, é o retrato de Londres. E a megalomaníaca metrópole está toda eufórica com os preparativos das Olimpíadas, isto sem falar nas festividades em comemoração aos sessenta anos de reinado da Rainha.
12.5.12
11.5.12
E nquanto a aeronave vai esquentando as turbinas, eu fico aqui, na cadeira, me esquentando neste grosso casaco, aguardando o momento da deco...
Sem cadeira de rodas
Enquanto a aeronave vai esquentando as turbinas, eu fico aqui, na cadeira, me esquentando neste grosso casaco, aguardando o momento da decolagem e dando adeus ao mundo gelado da Dinamarca.
Lá embaixo, Londres, que também está fria e chuvosa, nos espera para mais uma visita. Londres! Esta palavra me infunde, não amor, mas muito respeito Acho-a solene, sem muitos sorrisos. Será por causa de sua Majestade a Rainha, cujos guardas lembram bonecos movidos a eletricidade e que fazem da troca de armas uma de suas maiores atrações turísticas?
O avião vai enfrentando o nevoeiro e me vem um desejo enorme de ver Paris, lá embaixo. Mas, a Cidade Luz ficou no continente, com sua história, com seus filósofos, com suas livrarias, som sua Torre Eiffel, com sua Mona, que está doida para dar uma gargalhada e acabar com esse negócio de” sorriso indefinível. Paris não é apenas a cidade luz. Ela é a cidade dos livros. Em Paris se vêem livros até pelo chão, lá no Quartier Latin.
Mas deixemos Paris, cronista, você está indo para Londres, que está, toda ancha, se preparando para dois grandes acontecimentos: os sessenta anos de reinado da Rainha e as Olimpíadas. Confesso que tenho muita pena da Rainha. Ela não desce do palácio. É uma eterna prisioneira. Quando vai fazer compras, fato muito raro, a loja é a mais sofisticada: a Harrods. Dizem que a loja fecha só para ela... Sua majestade não passeia pelas ruas, não vai ao Picadily Circus, não saboreia uma pizza no Café Fiori... Não se mistura às centenas de turistas, naquele internacional vai e vem de pessoas pra lá e pra cá.
Da última vez que visitei Londres, por conta de uma estenose lombar, tive de alugar uma cadeira de rodas. E nesse transporte, eu corri o centro principal. Fui até a Catedral de Westminster. E sabe quem empurrava a minha cadeira? Meu filho Germano, que só fazia sorrir, a ponto de dizer: todo mundo está com inveja de você. Fui à Trasfalgar Square, às livrarias da Charing Cross, à Oxford Street, ao Royal Festival Hall, e até assisti a um concerto no Coliseum.
Mas agora a situação é outra. Graças ao bisturi do cirurgião paraibano Ronald Farias eu caminho com as próprias pernas. E, como diz a letra do hino inglês - ”Deus salve a Rainha” - eu digo, aqui bem baixinho: ”Deus salve Sua Majestade de uma estenose”.
11.5.12
Assinar:
Postagens (Atom)










