18.8.12
E is aí, leitor, três coisas que lembram muito a minha infância. Lembranças gustativas. A água curava, o vinho alegrava e a bolacha se disso...
A água, o vinho e a bolacha
Eis aí, leitor, três coisas que lembram muito a minha infância. Lembranças gustativas. A água curava, o vinho alegrava e a bolacha se dissolvia na boca, deixando a gente com gosto de quero mais. Mais ainda: a água ainda continua sendo vendida, o vinho e a bolacha ficaram apenas no nosso paladar. Havia ainda outras lembranças, que insistem em trazer o passado para o presente, enchendo a gente de saudade.
Vamos à água, que curava tudo que era de ferimento. Bastava um ligeiro corte no dedo e lá vinha a recomendação: “bote Água Rabelo”. Tiro e queda, num instante o corte desaparecia. Rabelo era o nome de seu fabricante, que, se não me engano, era farmacêutico. E a fábrica ficava lá na Rua da Areia. Ele era parente da cronista e imortal Adhylla Rabelo, mãe dos jornalistas Gerardo e Neno Rabello. Este último, embora sem a visão, vê mais longe do que muita gente.
Mas continuemos mexendo com a memória. O vinho era chamado “Celeste” e até uma criança podia bebê-lo, pois quase não tinha álcool. Em toda casa quase não faltava o vinho, que tinha gosto de beijo. Daí o poeta e historiador paraibano Eudes Barros, meu irmão por parte de mãe, dizer em verso: “O vinho Celeste tem sabor do beijo que tu me deste”.
A verdade é que em nenhuma casa faltavam a Água Rabelo, o Vinho Celeste e a bolacha Yayá. Esta, gostosíssima. E com manteiga, então... A bolacha marcava presença em todas as ceias. E o seu fabricante escolheu para sua propaganda, o seguinte e sugestivo slogan: “É isto, bolacha só Yayá”.
Havia outras gostosuras para o nosso paladar, a exemplo do “doce americano”, que era vendido na rua. Só em me lembrar dele já começo a sentir água na boca. Havia o cavaco chinês, o doce Cumaru, o rolete de cana. Ah, leitor, basta de salivação.
Outras coisas que desapareceram de nosso cotidiano: os pregões. Pregões de jornais, pregões de vassoura, pregões de fígado, pregões de pitomba. E o vendedor ainda gritava: “chora menino para comprar pitomba”. E pregoeiro gritava “figo”, amedrontando as crianças. Diziam que o homem vinha tirar o fígado do menino desobediente.
Mas o gostosa mesmo era a bolacha Yayá, que a gente comia com manteiga Turvo ou Garça... E viva a memória gustativa!
18.8.12
Houve uma época dourada para intérpretes e compositores, na qual o sucesso podia ser medido pelo número de álbuns vendidos. Um bom lançamento chegava facilmente à marca dos milhões de exemplares, trazendo riqueza e prosperidade ao universo da música.
Houve uma época dourada para intérpretes e compositores, na qual o sucesso podia ser medido pelo número de álbuns vendidos. Um bom lançamen...
Os 10 Artistas que Mais Venderam Discos, em Todos os Tempos
Houve uma época dourada para intérpretes e compositores, na qual o sucesso podia ser medido pelo número de álbuns vendidos. Um bom lançamento chegava facilmente à marca dos milhões de exemplares, trazendo riqueza e prosperidade ao universo da música.
18.8.12
11.8.12
É hoje o Dia dos Pais, o que faz com que eu escreva esta crônica em louvor de meu pai, que tanto respeitei e amei e com quem tanto aprendi. ...
Meu pai, como o amei!
É hoje o Dia dos Pais, o que faz com que eu escreva esta crônica em louvor de meu pai, que tanto respeitei e amei e com quem tanto aprendi. Ensinou-me a amar as plantas. E naquela plantação de crótons que ornamentava a entrada do sítio onde morávamos, ele me ensinou a aguá-los, dando-me um aguador pequeno, próprio para a minha idade. E mais: chegou a me dizer que as plantas agradecem quando matamos a sua sede, tanto é assim que acenam para nós. Mas depois eu vim a saber que as plantas são movidas pelo vento. Não havia aquele cumprimento de que falava o meu velho...
Meu pai, José Augusto Romero nasceu num lugar chamado Juá, perto de Alagoa Nova, onde cultivava o café. Casou-se com uma viúva linda, minha mãe. Dela teve sete filhos.
Antes, meu pai foi seminarista, pois o sonho de seu progenitor era ter um padre na família, coisa importante naquela época. Acontece que o meu velho terminou saindo do seminário e foi ser professor em Alagoa Nova, onde, já espírita, fundou um centro espírita para desespero do padre. E chegaram a jogar pedras no centro, durante as reuniões mediúnicas que lá se processavam...
Depois, ele achou de ir morar na capital, um meio maior para a educação dos filhos e atendendo ainda ao grande pedido de sua esposa, que já estava farta de cidade pequena.
Quando eu nasci, meu pai já era espírita, e por isso não me batizou. Depois foi trabalhar na Departamento de Obras Contra as Secas , chegando a ser secretário. Deu-se bem na burocracia, ele que viveu maior tempo de sua vida na lavoura.
Espírita até os ossos, ele foi presidente da Federação Espírita Paraibana durante mais de quarenta anos.
Homem pacato, incapaz, como se costuma dizer, de matar uma mosca, mesmo que fosse o mosquito da dengue. Costumava dizer que se tornou espírita depois que leu a obra de Leon Denis “O problema, do ser, do destino e da dor”. Escreveu muitas crônicas no jornal A União. Foi maçon e tinha uma grande amizade ao padre Zé Coutinho. E o padre, toda vez que o encontrava, dizia na maior intimidade: “Zé, como vai o teu Espiritismo?”
Tanta coisa para dizer dele... O que mais detestava era a desonestidade. Aludindo a uma certa pessoa, costumava dizer: aquele é um homem de caráter. Caráter para ele era tudo.
11.8.12
11.8.12
S e a caneta-tinteiro já caiu em desuso, o mesmo não acontece em relação à caneta esferográfica. A primeira, que sucedeu a delicada pena, ex...
A caneta de Dr. Roberto
Se a caneta-tinteiro já caiu em desuso, o mesmo não acontece em relação à caneta esferográfica. A primeira, que sucedeu a delicada pena, exige tinteiro, a esferográfica, não, essa útil invenção que ainda permanece para as nossas anotações.
Depois, a esferográfica é hoje um símbolo, usado como souvenir e item de propaganda. Mas, porque eu estou trazendo a esferográfica como objeto desta crônica? Seria falta de assunto?...
Não, leitor, é que na passagem deste ano recebi uma coleção de esferográficas de meu amigo e primo, jamais cliente, pois o homem é advogado. Advogado PhD, advogado que começou a visitar o mundo dos cartórios, ainda estudante. Nasceu para a profissão que abraçou. Vi-o, muitas vezes, sobraçando processos, numa época em que a moderna tecnologia ainda não havia chegado à vida forense.
Mas vou matar a sua curiosidade, leitor. O advogado a que estou me referindo não é outro senão Roberto de Luna Freire, meu primo e amigo, que vive a maior parte do tempo no seu muito visitado escritório, que ficava na avenida Marcionila da Conceição, aqui em Tambaú. Um escritório sempre apinhado de gente à procura de justiça. O escritório já se mudou e hoje está muito bem instalado no Trade Center Office da Av. Rui Carneiro, ainda em melhores condições.
Roberto não daria nunca para político. Começa que ele sorri pouco, fala pouco e não é de dar aquele sorriso à cata de votos, tão em uso por estes tempos...
Mas, voltando ao presente de fim de ano que o primo me deu, foi uma primorosa coleção de esferográficas, ou melhor de muito bom gosto. Claro que elas eram publicidade de seu escritório, mas e daí, não dizem que a propaganda é a alma do negócio?
E mal peguei num exemplar e comecei a sentir uma coceira nos dedos para usá-lo.
Não faz muito tempo, tive a alegria de me encontrar com Roberto, numa conexão de voos que fazíamos no aeroporto de Lisboa. O primo, quando está de folga, no escritório, coisa rara, dana-se a viajar, o que faz muito bem. Irmão de Alexandre, juiz federal, hoje gozando a imortalidade acadêmica, Roberto é filho do grande João Lélis, o historiador da Campanha de Princesa, e um intelectual de mão cheia, imortal de nossa Academia de Letras.
11.8.12
10.8.12
E stavam os dois em plena discussão. Desejavam saber qual deles era o mais importante em nossa vida. Curioso, os dois são mudos, mas, assim ...
Quem era o maior?
Estavam os dois em plena discussão. Desejavam saber qual deles era o mais importante em nossa vida. Curioso, os dois são mudos, mas, assim mesmo, discutiam, reuniam argumentos e provas em defesa de suas bem fundamentadas teses. Fiquei por alguns momentos a observá-los em silêncio. Mas, afinal, quem eram eles? Caia das nuvens, leitor, eram as minhas mãos e meus pés que entabulavam esta conversa.
E me veio a indagação: que seria de nós, se nascêssemos sem eles? Mas voltemos à discussão dos dois. E falavam as mãos dizendo: graças a nós, o homem pode levar o alimento até a boca, escrever, assim como bater nas teclas deste computador; pode acariciar, aplaudir, tocar piano e outros instrumentos. Sem nós, uma sinfônica ficaria muda. E como ajudar os outros, sem nossa presença? Como fazer o asseio pessoal, como acariciar o nosso amor, como varrer a casa, como plantar e aguar as plantas de um jardim? Como indicar o caminho a alguém que está perdido? Como preparar a nossa comida, como dirigir um automóvel, como abraçar um amigo? As mãos são tudo ou quase tudo em nossas vidas.
Entretanto, não esqueçamos que elas podem fazer coisas boas e coisas más, pois a vida é um constante teste, pois evoluimos num mundo de provas expiações.
Mas os pés nada diziam. Depois, contra-argumentaram: sim, as mãos são todo em nossa vida. No entanto, graças a nós, os pés, é que o homem caminha. Somos conscientes de nossa humildade, todavia, sabemos que também ajudamos na direção dos veículos, seja carro, seja moto, seja uma bicicleta. E quem movimenta o pedal de um piano, ou de uma harpa para o músico tocar? Por fim, disseram os pés. Que seriam de Jesus e dos doze apóstolos, na caminhada da evangelização, cheia de poeira e de muito calor, se não fôssemos nós? E não esqueçam de que, se Pilatos lavou as mãos, foi Jesus quem lavou os pés dos discípulos. Num gesto de muito amor e muita humildade. E as mãos só fizeram escutar...
Mas a verdade é que nada é inútil. E o nosso corpo, este veículo que Deus nos deu, é a nossa casa, que devemos saudar, cuidar, conservar, e limpar todos os dias. E ainda há quem o maltrate com a má alimentação, com o fumo, com álcool, drogas e outros excessos e abusos...
10.8.12
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