1.9.12
É interessante observar como existem produtos que a gente conhece desde a infância. Alguns deles, de tão familiares, são conhecidos mais pela própria marca do que pelo conteúdo, como leite moça, gilete, cotonete e bombril.
É interessante observar como existem produtos que a gente conhece desde a infância. Alguns deles, de tão familiares, são conhecidos mais ...
Anúncios antigos
É interessante observar como existem produtos que a gente conhece desde a infância. Alguns deles, de tão familiares, são conhecidos mais pela própria marca do que pelo conteúdo, como leite moça, gilete, cotonete e bombril.
26.8.12
E ste novo romance de Marília Arnaud, recentemente lançado pela editora Rocco, sob o título “Suite de silêncios”, é um longo monólogo, reche...
Morrer de lembrar
Este novo romance de Marília Arnaud, recentemente lançado pela editora Rocco, sob o título “Suite de silêncios”, é um longo monólogo, recheado de profundas reflexões, a que não faltam belas imagens poéticas sobre a vida. Dir-se-ia que o passado segue os passos como uma sombra. E logo no limiar, o texto nos surpreende com este tópico, profundamente filosófico: “E como é doce morrer de lembrar”... Mais adiante esta reflexão: “Não nasci para o esquecimento”. E repete: “o passado é casa sem portas, nem janelas”.
Todo o texto é ao mesmo tempo lírico e filosófico. E como disse, o passado pesa-lhe como uma sombra. Grande é a sua percepção das coisas. Está antenada com tudo que acontece ao seu redor. Mas se fala da Natureza, “de um violoncelo desafinado”, não esquece uma igreja onde um sino morre na solidão.
Repito, o romance é um passeio no passado, que a personagem faz questão de ressuscitar. E daí monologar, isto é, conversar consigo mesma. Um monólogo de muita maturidade. O passado, sempre o passado, como um insistente leit-motiv, é o que caracteriza a sua escorreita e madura prosa.
E que bela definição dada ao esquecimento, que é quem mata o passado: “O esquecimento é um jogo, onde o único adversário é você mesmo”.
Repito, o romance é um passeio no passado, que a personagem faz questão de ressuscitar. E daí monologar, isto é, conversar consigo mesma. Um monólogo de muita maturidade. O passado, sempre o passado, como um insistente leit-motiv, é o que caracteriza a sua escorreita e madura prosa.
E que bela definição dada ao esquecimento, que é quem mata o passado: “O esquecimento é um jogo, onde o único adversário é você mesmo”.
É difícil ler o romance de Marília, correndo. Seus devaneios, sua maneira de ver a vida exigem uma pausa, uma pausa para a meditação. Impossível sair das páginas de seu livro da mesma maneira como se iniciou a leitura.
Disse um famoso critico que o grande romance é aquele em que o leitor sai de suas páginas se lembrando de sua leitura por muito tempo. É o caso de Marília com o seu “Suíte de Silêncios”.
Disse um famoso critico que o grande romance é aquele em que o leitor sai de suas páginas se lembrando de sua leitura por muito tempo. É o caso de Marília com o seu “Suíte de Silêncios”.
E de repente, esta dolorosa indagação sobre a morte: “Como é espantoso estar vivo! E como é igualmente espantoso saber que logo mais será o nunca mais”. Profunda reflexão, tão profunda como a admissão do Nada. Uma reflexão pessimista de quem não acredita na vida após a morte.
Mas depois dessa prosa exuberante e, ao mesmo tempo inquietante, Marília despede-se do leitor dizendo, sem lágrimas e sem sorrisos:
“Deixo-lhe, aqui, a minha história e tudo que permanece em mim, a minha infância, a casa onde morei, a horta do meu pai, a pureza das estrelas que ele me apontava no céu”.
E eu deixo a crônica, repetindo o que a romancista diz no início do livro: “É doce morrer de lembrar”.
26.8.12
18.8.12
V i no jornal uma foto que muito me comoveu. Ela focava dez a quinze casinhas populares, juntinhas uma das outras, como num rosário...
Condomínio horizontal
Vi no jornal uma foto que muito me comoveu. Ela focava dez a quinze casinhas populares, juntinhas uma das outras, como num rosário. Casinhas de porta e janela, com dois cômodos apenas, a sala de visita e a sala de jantar. Ignoro se elas estiveram no projeto de algum arquiteto. Acho que não. Tão diferentes dos elegantes edifícios que o meu filho arquiteto, Germano, projeta pela cidade...
Convém lembrar, porém, que todas essas casinhas, destinadas às comunidades de baixa renda, são iguais. O que uma tem, todas têm. Mas, como diferem dos modernos condomínios chamados verticais, que a gente só em olhar, sente tontura. Cada qual com centenas de apartamentos e dezenas de andares. Apartamentos juntos, a exemplo das casinhas populares. Mas com a inconveniência de seus moradores terem de descer e subir num elevador. As casinhas populares, casinhas dos pobres, prescindem de elevadores. Nada de subida e descida. Nada de verticularidade. tudo é horizontalidade. Dir-se-ia que todas estão de mãos dadas. Melhor ainda: todos se conhecem. Todos se sentem irmãos. Ninguem vai dizer: minha casa é melhor do que a sua. O que uma tem, já disse, todas têm.
Nos edifícios de apartamento, assim como nos bairros “chiques”, nem todos se conhecem. E nos prédios, muitos nem chegam a se falar quando se encontram no elevador. Dir-se-ia que esse negócio de solidariedade humana é mais comum entre as pessoas carentes. Estou certo que nas casinhas populares, a maioria se sente como irmãos. Seja na alegria, seja na tristeza, seja na doença, seja na saúde, seja na fofoca. E nada de eclusas, cercas eléttricas ou guaritas com vigilantes.
Mas o bom mesmo é não precisar de elevador para subir e descer. Nem de estacionamentos, pois todos não possuem carros, a não ser uma moto ou uma bicicleta.
O que estão faltando às casinhas são piscina, salão de jogos, quadras esportivas e etc. Mas nelas vale a pena sentir o vento, a brisa. Vento natural, muito diferente do vento produzido pelos condicionadores de ar dos luxuosos apartamentos.
E para concluir, lembrar que aquelas casinhas de mãos dadas não violentaram a ecologia...
18.8.12
18.8.12
E is aí, leitor, três coisas que lembram muito a minha infância. Lembranças gustativas. A água curava, o vinho alegrava e a bolacha se disso...
A água, o vinho e a bolacha
Eis aí, leitor, três coisas que lembram muito a minha infância. Lembranças gustativas. A água curava, o vinho alegrava e a bolacha se dissolvia na boca, deixando a gente com gosto de quero mais. Mais ainda: a água ainda continua sendo vendida, o vinho e a bolacha ficaram apenas no nosso paladar. Havia ainda outras lembranças, que insistem em trazer o passado para o presente, enchendo a gente de saudade.
Vamos à água, que curava tudo que era de ferimento. Bastava um ligeiro corte no dedo e lá vinha a recomendação: “bote Água Rabelo”. Tiro e queda, num instante o corte desaparecia. Rabelo era o nome de seu fabricante, que, se não me engano, era farmacêutico. E a fábrica ficava lá na Rua da Areia. Ele era parente da cronista e imortal Adhylla Rabelo, mãe dos jornalistas Gerardo e Neno Rabello. Este último, embora sem a visão, vê mais longe do que muita gente.
Mas continuemos mexendo com a memória. O vinho era chamado “Celeste” e até uma criança podia bebê-lo, pois quase não tinha álcool. Em toda casa quase não faltava o vinho, que tinha gosto de beijo. Daí o poeta e historiador paraibano Eudes Barros, meu irmão por parte de mãe, dizer em verso: “O vinho Celeste tem sabor do beijo que tu me deste”.
A verdade é que em nenhuma casa faltavam a Água Rabelo, o Vinho Celeste e a bolacha Yayá. Esta, gostosíssima. E com manteiga, então... A bolacha marcava presença em todas as ceias. E o seu fabricante escolheu para sua propaganda, o seguinte e sugestivo slogan: “É isto, bolacha só Yayá”.
Havia outras gostosuras para o nosso paladar, a exemplo do “doce americano”, que era vendido na rua. Só em me lembrar dele já começo a sentir água na boca. Havia o cavaco chinês, o doce Cumaru, o rolete de cana. Ah, leitor, basta de salivação.
Outras coisas que desapareceram de nosso cotidiano: os pregões. Pregões de jornais, pregões de vassoura, pregões de fígado, pregões de pitomba. E o vendedor ainda gritava: “chora menino para comprar pitomba”. E pregoeiro gritava “figo”, amedrontando as crianças. Diziam que o homem vinha tirar o fígado do menino desobediente.
Mas o gostosa mesmo era a bolacha Yayá, que a gente comia com manteiga Turvo ou Garça... E viva a memória gustativa!
18.8.12
18.8.12
Houve uma época dourada para intérpretes e compositores, na qual o sucesso podia ser medido pelo número de álbuns vendidos. Um bom lançamento chegava facilmente à marca dos milhões de exemplares, trazendo riqueza e prosperidade ao universo da música.
Houve uma época dourada para intérpretes e compositores, na qual o sucesso podia ser medido pelo número de álbuns vendidos. Um bom lançamen...
Os 10 Artistas que Mais Venderam Discos, em Todos os Tempos
Houve uma época dourada para intérpretes e compositores, na qual o sucesso podia ser medido pelo número de álbuns vendidos. Um bom lançamento chegava facilmente à marca dos milhões de exemplares, trazendo riqueza e prosperidade ao universo da música.
18.8.12
Assinar:
Postagens (Atom)










