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Irlanda ou Natuba?... Eis a dúvida hamleteana que me assalta a cabeça, neste momento. E tudo por causa de uma crônica de um cronista paraibano que sabe ver as coisas belas da vida. Tem olhos de ver. E sabe uma de suas grandes paixões? Não é viajar à Europa. Não é ir ao Rio de Janeiro para rever Copacabana, nem a São Paulo para ver os engarrafamentos. Esse meu cronista é um doente de saudade, de evocações líricas. Ele acabou de escrever uma crônica sobre Natuba, uma cidade vizinha à Serraria, a cidade onde ele abriu os olhos para o mundo. E já brindou sua cidade com um livro de crônicas.
Ora, ora, estamos com passagens para uma passeio fora do país, e ele vem com uma crônica que me deixou numa dolorosa dúvida. Viajar a Irlanda e adjacências, onde há neve, lindas paisagens e muito silêncio, ou desistir desse desejo e ir conhecer Natuba, que o meu cronista José Nunes descreve tão bem numa crônica e que tem este título fascinante: “Cidade da paz e do silêncio.” Mas Nunes!... É isto mesmo que eu venho procurando, pois esta João Pessoa está eternamente sãojoanesca, muito barulhenta, estupidamente barulhenta.
E agora eu fico entre a Irlanda e Natuba, onde se planta muita uva e onde só se ouve a voz dos pensamentos. Onde se descortinam paisagens lindas. Sem neve, é verdade, mas onde o vento corre livre por sobre as montanhas.
Escreve o cronista: “a água lá é cristalina, e um friozinho se derrama nos fins de tarde”. E prossegue, na sua linda crônica: “Mas onde se vêem mulheres lavadeiras acocoradas espremendo roupas, enquanto garotos nus se banham na água do rio.”
Ver lavadeiras humildes, cantando e contando estórias... Ouvir o vento desfilando nas serras e depois saborear uvas... Agora fiquei pensando, será que vou ver essas coisas, lá na Irlanda ou na Aústria? Mas o engraçado é o cronista com medo de que sua Serraria, onde ele nasceu, saiba do que ele disse em crônica.
O importante, fora as montanhas e as uvas, é saber que em Natuba reina o silêncio, tão raro no Nordeste, e consequentemente a paz.
E até fiquei na dúvida: será que lá existe essa estúpida e barulhenta propaganda eleitoral, despertando até as pedras?

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Sim, é hoje que o meu amigo Joaquim Silveira vai falar, às 19 horas, na sede da Federação Espírita Paraibana, em reunião dirigida pelo médico Romanilson, presidente da Associação Médica Espírita, patrocinadora do evento.
Espírita até os ossos, médium vidente e profundo conhecedor da Doutrina codificada por Allan Kardec, o nosso Joaquim é engenheiro civil e dirigiu por muito tempo o Departamento Nacional de Estradas e Rodagem. Abriu, portanto, muitos caminhos. Mas, agora, a estrada objeto de seus estudos é outra. Estrada que leva à verdade que consola e liberta.
Joaquim é excelente médium. Está sempre conversando com os espíritos no Centro Espírita Viana de Carvalho, na Torre. Mais do que isso: faz palestras, dá passes e alivia muita gente da influência dos espíritos obsessores, que também recebem seus esclarecimentos.
Homem simples, sincero, sério, incapaz de ofender alguém. Quando minha primeira esposa saiu precocemente deste mundo, por conta de uma meningite, foi ele quem, com sua mediunidade, aliviou meu sofrimento, a dor daquela torturante ausência. Curioso, e foi o nosso amigo a quem convidei para saudar os noivos, no segundo casamento, eu e minha Alaurinda. E que bela saudação, com citações da Bíblia.
Amigo de meu pai, que presidiu a Federação Espírita Paraibana por 44 anos consecutivos, e que dele ouvi elogiosas referências ao nosso Joaquim. Um homem de uma simplicidade admirável, sem jeito para botar uma simples gravata. Joaquim é assim. Sério e sereno. E mais um “s”: sábio.
Vou hoje, acompanhado de familiares, escutar a palavra do nosso amigo. E sei que sairei de sua palestra com outro astral, tenho certeza. E vá ver que muitos espíritos estarão lá, inspirando-o. Joaquim nunca está só. Pena que a gente não veja os que o acompanham.
Não esquecer que o engenheiro Joaquim Silveira é um profundo conhecedor do grande médium norte-americano Edgar Cayce, o homem que lia um livro de olhos fechados. Mais ainda: curou muita gente com sua mediunidade.
Só não vou ouvi-lo, se chover pedra. Ouvi-lo com aquela voz de trovão. Voz que já despertou muita gente para aquela verdade que liberta. Vou escutar as palavras desse homem simples, que nunca ouço falar mal de alguém, sem muitas amabilidades, meio caladão, às vezes, mas Joaquim é assim.

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