D entre os animais irracionais, o homem se afina muito com o cachorro em várias coisas. Talvez seja por isso que, de vez em quando,...


Dentre os animais irracionais, o homem se afina muito com o cachorro em várias coisas. Talvez seja por isso que, de vez em quando, eles se tratem assim, entre si. Começa que o homem gosta do barulho, assim como o cão. Tão quanto gosta de briga. Está aí a TV cheia de notícias de guerras entre povos, que nunca terminam. Mas o cão tem a seu favor uma atenuante: ele é irracional. Domina-o o instinto.
Os outros animais, ao que saiba, são mais do silêncio. Vejam, por exemplo, o galo. Ele apenas nos delicia com aquele canto saudoso, pelas madrugadas, que faz a gente refletir. E foi esse canto que despertou Pedro, o apóstolo, para a negação. Isto é, quando o apóstolo negou perante os soldados e juízes que não conhecia o seu Jesus. Aí veio aquela prévia advertência do Mestre a Pedro: “Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.
Mas voltemos à crônica, ou melhor à tese: parece mesmo que só o homem é inimigo do silêncio. Engraçado que enquanto ele no útero materno, o bicho dorme que é uma beleza.
Campeão do barulho, o bicho-homem, vez por outra, está matando o silêncio, cometendo o crime do “silenciocídio”. E haja bombas no São João, no Ano Novo, nos gols do futebol. Bomba, esse fogo de artifício que é uma barbaridade e deveria ser proibido. E que dizer dos carros, notadamente as motos, e os liquificadores? Já ouvi dizer que uma certa senhora foi comprar um liquidificador e avisou logo ao vendedor que só gostava daquele que faz muita zoada. E vem agora a pergunta? por que as motos fazem aquele barulho ensurdecedor?
Mas, sabem que os que gostam do barulho, assim o fazem para evitar o silêncio que o obrigam a pensar? A reflexão para eles é uma tortura. O barulho é como a cachaça, faz-lhes esquecer a realidade da vida.
E vem a indagação: onde é que mais está o barulho? Ora, hoje ele está em toda parte. Até nas igrejas, vejam só. A missionária Tereza de Calcutá dizia que “para falar com Deus é preciso o silêncio”.
Concluo a crônica dizendo: o cachorro é barulhento, mas, lembremos que a seu favor está a atenuante da irracionalidade...

Se você ainda não tem noção do que seja uma vaquejada, experimente digitar o termo no Google Imagens .


Se você ainda não tem noção do que seja uma vaquejada, experimente digitar o termo no Google Imagens.

J esus ia caminhando com os apóstolos, na ardente areia, quando notou que dois deles discutiam, lá na frente, quebrando o silêncio da serena...


Jesus ia caminhando com os apóstolos, na ardente areia, quando notou que dois deles discutiam, lá na frente, quebrando o silêncio da serena caminhada, porquanto muitos pareciam orar.
Mas, eis que os lá da frente estavam a quebrar a placidez daquela romaria. Mais adiante, durante um ligeiro repouso, o Mestre acercando-se dos dois discípulos, indagou: qual o motivo de tão acesa discussão? Um deles foi logo respondendo: “discutíamos sobre qual de nós será o primeiro no Reino dos Céus?” Jesus, então, lhes disse: ”O maior será o menor no Reino dos Céus”...
É a tal coisa, todo mundo deseja ser o mais culto, o mais bonito, o mais poderoso, o mais rico, o mais elegante, o mais sábio, movido pelo sentimento de vaidade, esquecido de que o Eclesiastes já dizia, numa censura: “Vaidade, tudo é vaidade. ”
Mas não devemos esquecer, que seria do que se julga grande, se não fosse o pequeno? O mar é uma majestosa beleza, que encanta a todos, todavia é preciso lembrar que ele feito de minúsculas gotas... E a montanha, com aquela esplêndida grandeza, que seria dela se não fossem os grãos de areia que a compõem? A árvore merece respeito, no entanto, veio de uma diminuta semente. E é sustentada pelas humildes raízes, que não são vistas, nem lembradas e jamais serão elogiadas.
Que bela esta sinfonia de Anton Bruckner que ouço agora! Entretanto, foi composta com apenas sete notas. A longa caminhada é feita de pequenos passos. É suntuoso o palácio, é belo o automóvel, último modelo, no entanto sem uma simples chave não teremos acesso a eles.
Dizia Madame Roland, personagem da Revolução Francesa: ”liberdade, liberdade, quantos crimes foram praticados em teu nome!” Parodiando, poderíamos dizer: humildade, humildade, quanto desprezo do mundo para contigo.
Jesus foi sublime na sua sentença: “o maior será o menor no Reino dos Céus”. E tanta gente por aí se gabando, enchendo de vaidade. Tanta gente desejando ser o maior, o mais poderoso! Esquecida de que, muitas vezes, o maior é exatamente o pequeno...

T anto barulho, tanta bebedeira, tanta festa, tanta comida, tanta zoada, tantos fogos, só porque mais uma folhinha do calendário é ...

Tanto barulho, tanta bebedeira, tanta festa, tanta comida, tanta zoada, tantos fogos, só porque mais uma folhinha do calendário é virada. Esquecemos que o tempo é uno, uno e silencioso, silencioso e imperceptível. Ouçamos o tique taque do relógio, olhemos os dois ponteiros, marcando os segundos, os minutos, as horas. Dir-se-ia a dança do tempo. Segundos que viram minutos, minutos que viram horas, horas que viram semanas, semanas que viram meses, meses em séculos, séculos em milênios...
O que é, enfim, a passagem de um ano? Uma gota no oceano. Uma poeira nas galáxias. E a gente com as nossas vaidades, ambições, ilusões.
Mas, a grande lição de uma passagem de ano é que tudo passa. Não existe marcha à ré do tempo. Ele não sabe voltar. Ele é como o solo. Se nele nada plantamos, não existe colheita alguma. Aproveitar o tempo, eis a nossa grande responsabilidade. E, sem dúvida, mais na frente virá aquela inquietante pergunta: o que fizeste do tempo, o que fizeste da terra.
E vem outra indagação: o que fizeste do teu viver, a quem irás dar conta do tempo que te foi dado? Se não há responsabilidade, qual o sentido da vida?
Nasceste num corpo de carne, num corpo maravilhoso que nenhum homem será capaz de construi-lo. E quem construiu tão magnífica máquina, uma maquina que pensa, que imagina, que deseja, que inventa, que ama, que questiona, que investiga, que descobre, que tem remorsos e arrependimentos, que sofre.
O computador é extraordinário, mas não tem coração, logo não ama. Ora, veja este mosquito... O homem, algum dia, fará um deles, apesar de sua tecnologia?
Festejamos a passagem do ano, à beira-mar, em companhia de alguns familiares e vimos fogos de artifício iluminando a noite. Tantas alegrias, tantas esperanças, tantos abraços e beijos, tantos votos de felicidade! E esquecemos nossos propósitos. Será que vamos continuar os mesmos, nenhuma reflexão, nenhuma transformação interior? E o tempo, o que fizemos e o que vamos fazer dele? Eis a inquietante pergunta...

N inguém amou mais esta nossa capital, a antiga Felipéia, também chamada Frederika, do que o escritor e poeta Ascendino Leite, que chegou a ...


Ninguém amou mais esta nossa capital, a antiga Felipéia, também chamada Frederika, do que o escritor e poeta Ascendino Leite, que chegou a escrever um belo e livro intitulado “Minha Cidade”, uma espécie de declaração de amor à terra que nasceu à beira de um rio e foi parar no mar de Tambaú, onde ainda se vê o belo e imponente Cabo Branco, que, como se informou, está sendo corroído pela erosão.
Outro grande apaixonado por João Pessoa foi o genial lírico, poeta Perillo D´Oliveira, autor de “Caminhos Cheios de Sol”. Perillo amava tanto esta nossa capital que chegou a compor uma oração, que começa assim: ”Ave Cidade, cheia de graça! O meu espírito é contigo”.
Eu nasci em Alagoa Nova, um verdadeiro sítio de mangueiras, segundo o poeta e historiador Eudes Barros. Mas dela saí com a idade de quatro anos. Deixei a mãe-terra orando para mim.
Acontece que a cidade cresceu, sofisticou-se. Aí apareceram os grandes edifícios, sedentos de espaço e altura, e com nomes estrangeiros. Ora vejam estas denominações: “Maison de France”, “Mediterranée”, “Palazzo Milleluci”, “Milanesi”.
Mas não houve antes uma lei limitando a expansão e o adensamento dos espigões, a exemplo da lei que limitou a altura dos edifícios à beira-mar, através da brilhante iniciativa do governador João Agripino. Mas, em Tambaú e Manaíra, parece que todos aqueles prédios caíram de para quedas, aos montes, matando as árvores, sufocando o ar, impedindo o vento...
E o paraibanismo, o amor à terra, foi desaparecendo. Cadê denominação como edifício Manaíra, Sanhauá, Acácia, Ipês, Flamboiá, Tambaú?... Mas quem está dando uma lição de paraibanismo, que merece palmas de todos nós, são as nossas emissoras de TV. Incrível como isso aconteceu. Ei-las: TV Cabo Branco, TV Sanhauá, TV Tambaú, TV Correio da Paraíba, TV Cidade João Pessoa, TV Miramar.
A verdade é que João Pessoa, depois que nasceu, lá na cidade baixa, não satisfeita com a chegada na praia de Tambaú, onde há o mar e a praia mais bonitos do mundo, achou de subir o Planaldo do Cabo Branco, onde a cultura está encontrando espaço, com a Estação Ciência, Estação das Artes. E as festas de Natal e Ano Novo acendem, cada vez mais, a curiosidade dos turistas. E que o final da nossa mais bonita avenida, a Epitácio Pessoa, deixe de ser estacionamento de carro e barracas para comilança e bebedeira...

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