24.3.13
E is aí duas coisas importantes na nossa vida. Queiramos ou não, somos rotineiros e aventureiros. Desde quando acordamos domina a r...
A aventura e a rotina
Eis aí duas coisas importantes na nossa vida. Queiramos ou não, somos rotineiros e aventureiros. Desde quando acordamos domina a rotina. Em grande parte de nossa vida, viramos robôs. E eu me lembro agora de um velho funcionário do Palácio da Redenção, que mal entrava no seu gabinete de trabalho, atirava o chapéu direto para o cabide. Que pontaria! Um admirável automatismo.
E por falar em rotina, lembrar que todo o nosso corpo é uma usina que funciona automaticamente. Que beleza! Já pensou se precisássemos pensar em cada passada que damos? Viva o senhor instinto!
Pensando bem, quase tudo é rotina em nossa vida. Mas o bom mesmo é a aventura. É esta que nos dá experiência. Quer ver uma gostosa aventura? A leitura. Tenho pena dos que não lêem. O velho Montaigne, depois de enjoado da vida, resolveu trancar-se na sua torre, isolando-se do mundo para escrever os seus excelentes monólogos. Também tenho pena daqueles cujo trabalho é uma rotina. É por isso que muita gente, da sexta à tarde para a segunda, vai procurar uma aventura. A rotina mata...
E a aventura de uma viagem? Conhecer nova gente, novos costumes, novas paisagens. Que bom. A gente vem de mente renovada para enfrentar a rotina, que ficou nos esperando. E com a alma renovada até a rotina é tolerável. A viagem traz novas experiências, e, com novas experiências, mais sabedoria. O sociólogo Donald Pierson colocou nos desejos fundamentais do homem o de novas experiências.
E para quem não gosta de viagem, a leitura é uma ótima sugestão para as novas experiências. Houve um escritor que escreveu um livro que tinha por título “Viajando na minha biblioteca”. A leitura também mata a rotina, graças à aventura do espírito.
Aqui para nós, nada mais triste do que um casal rotineiro... Mas, ora bolas, vou fazer agora a coisa mais rotineira da vida: a barba. Eis um ato que me entedia. Uma verdadeira tortura. As mulheres têm a menstruação, mensal, mas, fazer a barba é pior porque é todo dia. Disseram-me que sangue de rato acaba com a barba. Será?
Que venha a barba nossa de cada dia, o escovar dos dentes, os mesmos cumprimentos, os mesmos telefonemas, pois a rotina não nos dá medo. O que nos faz medo é a aventura. Mas, diz o ditado, quem não arrisca não petisca.
24.3.13
P or que Jesus, ao invés de um luxuoso palácio, nasceu numa manjedoura? Eis aí uma indagação que incomoda. Uma manjedoura é um lugar muito h...
Humildade e ostentação
Por que Jesus, ao invés de um luxuoso palácio, nasceu numa manjedoura? Eis aí uma indagação que incomoda. Uma manjedoura é um lugar muito humilde, impróprio para um deus nascer, se bem que, fosse depois iluminada por uma estrela, fato que não se viu em nenhum palácio. Um escritor italiano disse que a manjedoura envergonhou a muita gente, que desejava que seu nascimento ocorresse num luxuoso palácio, porquanto só assim impressionaria o povo. O povo adora ostentações...
Mas Jesus preferiu nascer entre animais domésticos, em comunhão com a natureza. Teve como pai terreno um humilde carpinteiro. E passou a infância vendo seu pai serrando a madeira. E quem sabe lá se ajudou a José na confecção de uma cruz para algum criminoso, já que a crucificação era costume da época?
Proferiu seu primeiro sermão, em pleno campo, ao ar livre, com o povo se assentando no chão. Nada de luxo, nada de comodidade, nada de auto-falantes. Viveu e agiu sempre na mais pura simplicidade.
Curou cegos, paralíticos, leprosos, endemoniados, e nunca cobrou um centavo pelas curas que fez, nem por suas pregações. Dava de graça o que havia recebido de graça. Falou em todos os lugares, nunca discriminou ninguém. Compreendia a todos e a todos ensinava o perdão.
Não construiu nada para si, sequer um templo. E chegou ao cúmulo da humildade quando disse que os pássaros têm seus ninhos, as raposas seus covis, mas o filho do homem não tem uma pedra para recostar a cabeça.
Viveu grande parte de sua vida, aqui na Terra, no campo e à beira do Mar da Galiléia, e em Cafarnaum, que ele adorava. E preferiu a didática da Natureza à dos homens. No campo pregou, no campo multiplicou pães e peixes para matar a fome dos que o acompanhavam na marcha da pregação evangélica
Jesus foi todo humildade. E tão humilde foi, que entrou em Jerusalém, naquela manhã tranquila, acompanhado de seus discípulos, montado num burrico. Num burrico ou dentro de uma carruagem? Não. Entrou na cidade montado num jumento, que ele pediu emprestado.
Humildade foi o seu nome. Longe do luxo, da encenação, da ostentação.
24.3.13
23.3.13
E udes Barros é meu irmão por parte de mãe, e com ele convivi por muitos anos. Nasceu em Alagoa Nova, onde viveu algum tempo. Certa...
Eudes Barros, uma inteligência brilhante
Eudes Barros é meu irmão por parte de mãe, e com ele convivi por muitos anos. Nasceu em Alagoa Nova, onde viveu algum tempo. Certa manhã, ele, ao ver um pingo de chuva na folha de uma árvore, gritou, entusiasmado, para sua mãe: “olhe uma lágrima do céu”. Esse desabafo lírico muito impressionou mamãe, que só fez dizer: “este menino é um poeta. ”
A profecia se realizou. Muito jovem ainda, ele escreveu seu primeiro livro de poemas, que intitulou “Fontes e paús”. E dedicou um dos seus versos à sua terra natal, a que ele chamou “sítio de mangueiras”.
De Alagoa Nova, ele veio morar na capital, onde passou grande parte de sua existência. O poeta lança seu segundo livro, ainda de poesias, sob o título de “Cânticos da Terra Jovem”, livro que teve grande repercussão, sobretudo pelo magnífico poema “Jesus brasileiro”. Nesse poema ele conclui que Jesus nasceu em nosso país crucificado numa cruz de estrelas. Informam que a repercussão do poema foi tanta, que chegou a ser declamado na BBC de Londres.
Eudes Barros não foi apenas poeta, mas historiador e jornalista, chegando a fundar um jornal intitulado “A Rua”, que funcionou por muito tempo na antiga rua Duque de Caxias. Jornalista vigoroso, polêmico, colaborou por muito tempo no tradicional matutino “A União”, sobretudo quando este jornal foi dirigido pelo genial Carlos D. Fernandes, a quem Eudes respeitava e admirava. Articulista, cronista, o nosso poeta também escreveu uma série de sueltos assinado por “Til”.
Cem por cento jornalista, ele chegou até a escrever nos jornalzinhos da Festa das Neves. Temperamento polêmico por natureza, dele podia se dizer: não tem papa na língua. E, certa vez, na administração do governador de Argemiro de Figueiredo, chegou a complicar o governo, dizendo na manchete de seu jornal que “a polícia estava tramando contra o governo”. Isto foi o bastante para ele ser agredido em pleno Ponto de Cem Réis por policiais. Mas Eudes soube se desembaraçar dos agressores, graças ao fôlego para uma boa carreira.
Era grandíssimo amigo do tribuno Botto de Menezes e de José Américo de Almeida. No plano federal, seu ídolo foi Carlos Lacerda. E ambos se correspondiam com regularidade.
De nossa capital, foi morar no Rio, onde colaborou por muito tempo, no Jornal do Brasil.
Poeta, jornalista e historiador. Como historiador escreveu “Dezessete”, seu primeiro romance histórico, que depois passou a se denominar “Eles sonharam com a liberdade”. O livro teve grande repercussão e teve como tema a Revolução de 1817. E como ensaísta, escreveu um primoroso estudo sobre Augusto dos Anjos.
Ele tinha um profundo amor à sua mãe, Pia de Luna Freire, que enviuvou muito moça, casando-se depois com o meu pai, José Augusto Romero.
Congratulo-me com o grande jornal A União, que vem prestando uma justa homenagem ao seu antigo colaborador. Um jornal para o qual Eudes sempre olhou com muita reverência.
23.3.13
22.3.13
Quando você estiver procurando algo diferente para aquela reuniãozinha esperta de fim de semana, tentando fugir do som enjoativo e descartável das Anittas, dos Luãs e dos Telós dos dias atuais, experimente colocar no player esses grandes sucessos dos anos 80.
Quando você estiver procurando algo diferente para aquela reuniãozinha esperta de fim de semana, tentando fugir do som enjoativo e descartá...
10 Grandes Sucessos Dançantes dos Anos 80
Quando você estiver procurando algo diferente para aquela reuniãozinha esperta de fim de semana, tentando fugir do som enjoativo e descartável das Anittas, dos Luãs e dos Telós dos dias atuais, experimente colocar no player esses grandes sucessos dos anos 80.
22.3.13
16.3.13
A presidente Dilma veio nos visitar pela primeira vez. Foi uma visita relâmpago. Mas deu tempo para ela deixar uma boa verba de seis bilhõe...
Foi-se a Dilma...
A presidente Dilma veio nos visitar pela primeira vez. Foi uma visita relâmpago. Mas deu tempo para ela deixar uma boa verba de seis bilhões de reais para o nosso estado. E parte dessa verba é para o Centro de Convenções lá do Planalto Cabo Branco, que vai atrair milhares de turistas e congressistas para a nossa capital.
Dilma demorou pouco, mas deu tempo para tirar muitas fotos, exibir o seu charme, cabelo muito bem tratado, blusa vermelha e, decerto, um discreto e suave perfume. Seis bilhões já são alguma coisa. Houve entrevistas, sorrisos, palmadinhas nas costas e muito verbo, além da verba.
Mas, espero que os jornais que noticiaram a presença de Dilma não tenham chegado ao nosso Sertão, que está virando um grande deserto, com os açudes secando, o gado morrendo, e a sede matando as pessoas. Seria mais uma humilhação.
Lamentei muito que a visita da elegante presidente tenha se limitado apenas a João Pessoa. Acho até que muitos dos que a receberam tenham ficado calados. Esqueceram os sertanejos morrendo de fome. Depois, para o angustiante problema só há uma solução. E é aí que está o problema. A solução, que é a irrigação. Tirar um pouco da água do rio São Francisco e jogá-la no Sertão, que a coisa está braba. E outras secas aparecerão se nada disso for feito.
Mas por que não querem que a água do grande rio mate a sede das regiões vizinhas? Por que será que uma obra tão urgente demora tanto a sair do papel?
Daí o silêncio de Dilma, o silêncio das forças ocultas, que só querem o grande rio para elas. E que continuem a desviar a atenção para o crucial problema.
Ah se o presidente Epitácio Pessoa, nosso ilustre conterrâneo, soubesse desse frio alheamento diante da seca do sertão nordestino... Ele que chegou a ir para a tribuna bradar contra esta calamidade interminável. E isto de dedo em riste, como se pode ver em seu busto, logo à entrada da grande avenida que tem o seu nome. Duvido que ele recebesse um presidente e não lhe mostrasse os estragos da seca paraibana.
A presidente Dilma veio, como sempre bonita, arrumada, deixando 6 bilhões e, decerto, o cheiro de seu perfume de mulher elegante. Foi-se a Dilma e ficou a seca.
16.3.13
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