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O site WorldMapper apresenta uma curiosa relação de mapas políticos, mostrando os territórios dos países de acordo com as suas respectivas classificações nos mais diversos temas.

A Rua Nova dorme o seu sono histórico, com suas casas de portas e janelas agarradinhas umas às outras, mergulhadas num silêncio místico, gr...

A Rua Nova dorme o seu sono histórico, com suas casas de portas e janelas agarradinhas umas às outras, mergulhadas num silêncio místico, graças aos seus templos. Quase não passa carro, ali. As janelas, quando se abrem, é para os mais idosos. E das janelas eles alongam o seu olhar triste e cheio de saudades.
Mas, numa certa manhã, eis que aquele silêncio monástico é perturbado por batidas de martelos. O que está havendo? A garotada logo percebe: estão construindo os pavilhões da Festa das Neves. E haja menino na rua para saudar a novidade. Festa das Neves, Festa da Padroeira, festa que faz a Rua Nova transformar-se na grande atração da cidade. Que a Rua Direita, hoje Duque de Caxias, morra de ciúme de sua vizinha. Mas, por que ciúme, se ela é palco do Carnaval, com confetes, serpentinas e lanças-perfume?
Agora, não é apenas o sagrado que domina a Rua Nova, mas o profano também. São nove dias de alegria. A meninada não cabe em si de contente. A tinta nova dos pavilhões cheira que é uma beleza. As casas já não estão mais fechadas. Muita gente nas janelas olhando os pavilhões se erguendo, emprestando novo visual à velha rua.
Saber que toda a cidade virá participar da tradicional festa... Não se fala nem se pensa noutra coisa. E eis todos os pavilhões já prontos. O maior deles é para a elite. Moças lindas, cavalheiros elegantes exibindo os melhores vestidos e roupas. Gente da elite. E quantos namoros!
Mas a tradicional festa tem suas discriminações. Discriminações sociais. No tradicional passeio pelas largas calçadas, os mais pobres andam pelo lado do Convento São Bento, enquanto os ricos utilizam a outra calçada. Por que esta distinção, esta separação? Nunca ninguém explicou esse natural e espontâneo comportamento.
Era belo ver as pessoas passeando nas calçadas pra lá e pra cá, e as janelas apinhadas de gente. Quanta paquera! Haja sorrisos e mangações... As janelas ficavam apinhadas de pessoas da casa e de fora. E isto ia até meia noite, terminando com a missa na Catedral.
Além dos passeios nas calçadas e divertimentos nos pavilhões, havia a famosa Bagaceira, que ficava lá pelas imediações da Catedral. Ali, a bebedeira dominava. Não esquecer as comidas, o cachorro quente, o amendoim, a pipoca, o algodão doce e tantas outras guloseimas. Dominava o profano, bem junto do sagrado.
Curioso, tanta gente, e nunca se ouviu uma confusão, uma briga, que exigissem a presença da polícia. A Festa transcorria na maior tranqüilidade. E enquanto durava a festa, as janelas continuavam escancaradas. Até os mais idosos iam pra cama mais tarde.
Faltei de lembrar um dos maiores atrativos da Festa: os seus bem feitos jornalzinhos, cheios de humor, mexendo com muita gente.
Mas está na hora de encerrar a crônica, pois a Festa também acabou e uma profunda tristeza domina a velha rua. O silêncio agora é quebrado com as batidas do martelo na madeira. Os pavilhões já estão sendo demolidos.
As janelas voltaram a se fechar. Tudo agora é silêncio. Ainda bem que as meninas do Colégio das Neves voltarão a animar a velha rua, todas as manhãs, com seus sorrisos, suas gargalhadas, sua ânsia de viver.
Agora dá para se ouvir o canto dos galos, nos quintais das casas de porta e janelas. Agora o relógio da Catedral está dizendo que tudo passa na vida, menos a saudade. Agora, o sagrado domina o profano.

T udo o que eu disse, até agora, sobre a Rua Nova foi pouco. A rua da minha adolescência, a rua-museu, a rua que guarda em suas calçadas min...

Tudo o que eu disse, até agora, sobre a Rua Nova foi pouco. A rua da minha adolescência, a rua-museu, a rua que guarda em suas calçadas minhas lembranças, a rua que, por milagre, ainda continua, quase a mesma. Ninguém até hoje teve a coragem de derrubar uma de suas casas, de porta e janela, sem vigilantes, ainda com suas salas de visita. Qualquer pessoa podia bater palmas e gritar “ô de casa”, que alguém respondia: “ô de fora”. E tudo corria na paz do Senhor, com o relógio da Catedral avisando o passar das horas. As calçadas largas, cheias de sombras, serviam de campos de futebol para a meninada. E a bola não era de couro, mas de borracha ou de meia.
O silêncio era sólido. As pessoas deslizavam numa mansidão de sombras. Freiras e padres era o que mais se via. E a meninada quando avistava um padre, com sua batina preta, corria para ele, pedindo “santinhos”. Mas o bonito mesmo era a missa dos domingos, com os fiéis passando para a Catedral, muito bem vestidos. Muita gente indo para as janelas para ver e criticar os passantes. Os das janelas e os da rua se olhavam, se cumprimentavam. Ainda se dava um respeitável “bom dia”. Hoje não se usam mais os cumprimentos anunciando as horas. Hoje os homens viraram robôs. Ontem, tirar um chapéu era um gesto elegante e respeitoso.
E haja fofocas, críticas, sorrisos. O sino chamando o povo para a missa e quase todas as janelas ocupadas. Havia até mulher idosa usando binóculos para verem as pessoas de perto. Ah, a curiosidade humana! Mas isso era só aos domingos. Os dias comuns eram de silêncio.
Outro grande acontecimento, que tirava o silêncio da Rua Nova era a Semana Santa. A catedral se enchia. E haja jejum, nada de comer carne. Os santos todos vestidos de roxo. Uma tristeza mística tomava conta do templo. E na Sexta Feira Santa, a semana terminava com um longo sermão proferido defronte da Igreja de São Bento, em que se evocava Maria, a mãe de Jesus, com muitas lágrimas no rosto. Se não me engano, esse sacerdote se chamava João de Deus.
Rua Nova, hoje General Osório, não passa de um museu urbano. A cidade de ontem está, ali, naquela calçada, naquelas casas de porta e janela, naquele silêncio ainda místico.
E agora, me chega à lembrança um fato que me encantava os olhos e fazia vibrar meu coração. A saída das meninas do Colégio das Neves, ao lado da Catedral, defronte da estátua de Nossa Senhora de Lourdes. As garotas fardadas de blusa branca e saia azul, enchiam a rua com as suas risadas, a sua alegria, a sua juventude. Iam ao colégio sozinhas e muitas delas voltavam acompanhadas dos namorados. Nada de namoro perto do colégio, que as freiras proibiam. O policiamento do colégio era severo. Os rapazes sabiam disso e ficavam, de longe, esperando as namoradas. Meninas lindas, morenas, loiras e abrindo-se para o mundo com a sua alegria, seus sorrisos. Evidente que a Rua Nova também se contagiava com aquela euforia das adolescentes do colégio mais badalado da época, colégio de meninas ricas, cujo prédio ainda hoje existe e onde funciona uma faculdade de medicina.
Rua Nova... Por que diabo mudaram o nome para General Osório, que nem conheceu aquela rua, e que, decerto, nunca esteve na Paraíba? Mas, e a badalada Festa das Neves? Ah, sobre isso tenho muito o que dizer. Aguardem!

S im, eles são mudos. Melhor dizendo, eles falam, mas em silêncio. São centenas deles, aqui, à minha disposição. Não sei se gosta...

Sim, eles são mudos. Melhor dizendo, eles falam, mas em silêncio. São centenas deles, aqui, à minha disposição. Não sei se gostam de ser consultados, já que dormem, num gostoso silêncio. E com que alegria e orgulho são lembrados pela curiosidade do saber. Curiosidade que é fome de conhecimento. Sim, eles nos ensinam. Sem eles, seriamos ignorantes. E haverá maior desgraça do que a ignorância?
Com eles, não estou só. Dizem os apressados que os nossos mudos vão se acabar fisicamente. Vão ser todos virtuais. Mas eu fico duvidando... Ariano Suassuna, no seu eterno humor, disse que estar em sua companhia, deitado na cama, é uma delícia.
Mas voltemos ao que eu estava dizendo no começo sobre esses mudos que falam. Estou aludindo aos livros. Que adorável mutismo! Leitura, não esqueçamos, exige silêncio. Eis porque não admito uma livraria que venha perturbar esse silêncio. Ler é como orar. Jesus quando desejava se comunicar com o Pai, procurava um lugar deserto e silencioso. E assim nos ensinou a orar. Deus não fala através do barulho.
Entro na minha biblioteca como quem entra num mosteiro. Os livros dormem mas prateleiras e só despertam quando começamos a lê-los, isto é, a puxar conversa com eles. De música, só se for baixinho e que induza à reflexão. Que tal a Sonata ao Luar de Beethoven ou Clair de Lune de Debussy?
Livraria com música alta não dá. Logo agora que elas oferecem recantos com poltronas para a leitura. Lá em Lisboa visitei uma que era uma ilha de silêncio. Mais ainda: havia um espaço reservado à leitura com suave música ambiente. Que delícia. E os livros, estes mudos que falam, não perturbam o sossego.
E que tal esta bem-aventurança que não está no sermão inaugural de Jesus: “Bem aventurados os que lêem bons livros porque se diferenciam dos brutos”. E termino com este slogan do grande livreiro de Campina Grande, o saudoso Pedrosa: “faça do livro seu melhor amigo”.
E, aqui vão os aplausos ao amigo Heriberto, do “Sebo Cultural”, pela campanha que está empreendendo em favor da criança, cujos pais devem estimular o gosto pela leitura, a boa leitura.

Eis aqui um passatempo interessante para os beatlemaníacos: ouvir as músicas dos quatro fabulosos com a parte vocal isolada dos sons instr...



Eis aqui um passatempo interessante para os beatlemaníacos: ouvir as músicas dos quatro fabulosos com a parte vocal isolada dos sons instrumentais.

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