6.1.14
M as continuemos evocando minha mãe, esta mulher extraordinária, cuja vida foi um exemplo de dedicação, coragem e grandeza moral. Minha gran...
Mas continuemos evocando minha mãe, esta mulher extraordinária, cuja vida foi um exemplo de dedicação, coragem e grandeza moral. Minha grande confidente, foi ela quem me despertou para as letras, contando histórias lindas, noite a dentro. Histórias de fadas e de bruxas, que excitavam a minha imaginação. E quando a asma me levava para a cama, aí que era bom ouvi-la.
Sim, sofri de asma, na minha adolescência. Não houve remédio que desse jeito. Até que surgiu uma comadre de minha mãe, aconselhando que ela me desse um remédio, cujo nome eu não devia saber: chá de barata. Minha mãe sorriu e agradeceu a informação, debaixo de muitos sorrisos.
Mas o bom da doença era ficar na cama, ouvindo suas belas e acalentadas narrativas, noite a dentro. Minha mãe lia muito. E foi ela quem leu para mim todo o romance de José Lins do Rego “Menino de Engenho”. Charadista de primeira, ela adorava decifrar enigmas, charadas e resolver palavras cruzadas. Enquanto meu pai era um apaixonado pela Natureza, ela sonhava em morar numa cidade grande. Sua alimentação era muito saudável. Não dispensava o suco de cenoura com beterraba e laranja, depois da refeição matinal. Daí ter atravessado mais de um século de existência com muito apetite. Gostava dos vestidos alegres e estampados. E sempre me dizia: “Meu filho, velhice quer trato”. Nada, portanto, de relaxamento. Otimista, dona Pia nunca perdeu sua jovialidade.
E meu pai? Nunca as diferenças se uniram e se harmonizaram tanto. E eu adorava vê-los aos beijos. Eles tinham grande respeito entre si e aos outros.
E agora a história do castigo, que deu título à crônica. Eu mantinha um jornalzinho manuscrito denominado “O Riso”, que circulava na Rua Nova, onde morávamos. Pois bem, só porque chamei, no jornal, uma moça, nossa vizinha, de “fogosa”, meu pai, constrangido porque os pais dela foram lhe tomar satisfações, me deu uma dúzia de “bolos”. Minha mãe não gostou. Lembro que este foi o único castigo que recebi dele. Mas o jornalzinho manuscrito continuou saindo. Agora com outro nome: “O Choro”, ao invés de “O Riso”. Minha mãe deu uma boa gargalhada.
Meus pais! Como eu os adorei e os compreendi... Difícil evocá-los sem aquele nó na garganta...
E, aqui para nós, eles adoravam o caçula, que, infelizmente, foi destronado pela irmãzinha Iracema, o que me deixou no canto. Mas a vida é assim, cheia de novidades, encantos e desencantos.
Meu pai era homem de muito amor, mas um zero à esquerda em humor. Ele levava tudo a sério, era o contrário de minha mãe, sempre bem humorada. Certa vez, estávamos tomando banho, aqui em Tambaú, e meu pai na areia, quando minha tia Ninália, muito irônica, olhou para o nosso mestre e fez o desafio: ”Zé Augusto, você que é um homem de fé, venha andando sobre as ondas, como fez Jesus! Todos sorriram. Mas ele não deixou de escapar nem um meio sorriso.
Bebia muito... Mas só água de coco. Um dia, chegou a dizer: ”como é que se troca uma bebida dessa por cachaça ou uísque...”
E ficam aqui essas recordações de meus pais, que tanto enriqueceram a minha vida.
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5.1.14
Em virtude de suas possibilidades técnicas, o piano é considerado um instrumento completo. Sua sonoridade abrange registros que vão dos ma...
Em virtude de suas possibilidades técnicas, o piano é considerado um instrumento completo. Sua sonoridade abrange registros que vão dos mais graves aos mais agudos. Por isso, sempre foi o preferido dos compositores ao longo da história da música, que o utilizaram para compor óperas, sinfonias, concertos, cantatas...
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C omeço pela maledicência, esse vício de falar mal dos outros. E o maledicente sempre pretende ser melhor do que os ausentes, de quem se fal...
Começo pela maledicência, esse vício de falar mal dos outros. E o maledicente sempre pretende ser melhor do que os ausentes, de quem se fala. Maledicência é baixeza de caráter. Fuja do maledicente como se ele portasse doença contagiosa, pois vibração negativa, às vezes, nos contamina.
Tenho pena dos impacientes, que estão sempre reclamando do que acontece na vida, aparentemente, de errado. Se estão num trânsito congestionado, haja palavrão, haja irritação. Irritação até quando o sinal está vermelho, esquecido de que para os outros, a sinalização está verde. Mas o diabo é que muita gente que só pensa em si. E quanto ao congestionamento, por que não aproveitar essa oportunidade para ouvir uma boa música, e, se não estiver ao volante, ler um livro, ou aproveitar para uma reflexão, coisa que poucos estão fazendo: conversar consigo mesmo.
Lamento as pessoas mal humoradas, que olham a vida como se o mundo estivesse fedendo. Nada de um sorriso, que tanto alegra a alma.
Não gosto de cigarro perto de mim, conquanto tenha sido um fumante inveterado, mas que deixei o vício bem a tempo, graças a uma forte taquicardia. Se não estivesse abandonado o fedorento mau hábito, teria apressado minha morte. Agora esta reflexão: já imaginaram ou sentiram o hálito do fumante, manhã cedo, ao acordar?... Nem queira. Aqui fica o conselho: Aprenda a respeitar a sua saúde. Saúde e paz são nossas melhores riquezas.
Também lamento as pessoas que não cumprimentam as outras, como se fossem robôs. Que não sabem dar um “bom dia” ao entrar num elevador. Como é saudável um cumprimento!
Gosto dos otimistas, que alegram a vida, que carregam amor e entusiasmo na alma. As grandes descobertas dependeram do entusiasmo, que, etimologicamente, é Deus dentro de nós.
Gosto dos que gostam de ler, dos que estão sempre bem informados, dos que preenchem os vazios do tempo com um livro sob os olhos.
Gosto de viajar. A viagem nos dá experiência e nos multiplica. É salutar conviver com novos costumes, novas pessoas, novos climas. Isto nos torna mais humanos, mais maduros, mais compreensíveis.
Por fim, confesso que não gosto de mim, se porventura cometo alguns deslizes apontados acima. Afinal, saber reconhecer seus próprios é a maior das virtudes.
5.1.14
29.12.13
Não é raro a gente ouvir que uma cidade está sendo invadida por dunas, pelas águas do oceano ou pelas labaredas de um incêndio. Mas é inus...

Não é raro a gente ouvir que uma cidade está sendo invadida por dunas, pelas águas do oceano ou pelas labaredas de um incêndio. Mas é inusitado que uma pequena aldeia seja literalmente 'engolida' por rochas imensas!
29.12.13
27.12.13
S im, agora chegou a vez de falar de minha mãe, a abnegada companheira de meu pai, que lhe deu oito filhos, sendo que dois saíram da vida, c...
Sim, agora chegou a vez de falar de minha mãe, a abnegada companheira de meu pai, que lhe deu oito filhos, sendo que dois saíram da vida, cedo, Hamilton e Hilda.
A verdade é que meu pai soube escolher a esposa, Pia de Luna Freire, uma mulher lindíssima. Mais do que isto: inteligentíssima. Muito jovem ainda, achou de se inscrever num concurso público para funcionária dos Correios e Telégrafos, e saiu-se muito bem. Isto numa época em que o preconceito social fazia restrições à mulher como funcionária pública. Lembrando que o preconceito é uma praga denunciada até pelo genial Einstein, que chegou a dizer: “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. E Dona Pia não quis saber, submeteu-se ao concurso federal, foi aprovada e pronto. Nada de ser pesada ao marido.
Mas não durou muito o seu estado de solteira, o que não é de se estranhar, pois se tratava de uma linda mulher. Linda e inteligente. Inteligente e culta, sem nunca ter passado pelos bancos de uma universidade. Sua caligrafia, de que ela muito se orgulhava, chamava a atenção de todo mundo, inclusive de Delmiro Gouveia, famoso comerciante de Alagoas, que, ao ver a escrita de minha mãe, foi logo dizendo ao meu avô Vicente de Luna Freire, com quem comerciava couro: “Que bela caligrafia a de sua filha!“
Pois bem, minha mãe casou-se em suas primeiras núpcias com Alfredo Barros, que lhe deu dois filhos: o escritor e historiador Eudes Barros e Alfredo. E ficou viúva, pois o marido morreu em conseqüência de uma pancada de vento frio, manhã cedo, ao abrir uma porta, e, como disse no inicio, não demorou muito sua condição de viuvez. José Augusto Romero, diante daquela beleza, não pensou duas vezes, e, por outro lado, o homem era um bom partido. Alto, corpo de atleta e de um olhar sério e sereno. Um olhar que via longe...
Meu pai já era espírita e minha mãe, católica, a quem cabia a responsabilidade de zeladora do Coração de Jesus, lá na igreja. Não demorou muito e ela deixou o Catolicismo pelo Espiritismo. Não resistiu à dialética de seu segundo marido. Não foi uma espírita militante, mas adorava Chico Xavier, cujos livros psicografados lia com profundo interesse. Estava sempre presente às palestras na Federação Espírita Paraibana.
Minha mãe tinha uma personalidade muito forte. Foi uma das primeiras mulheres a cortar o cabelo bem curtinho, o que causou estranheza na sociedade de Alagoa Nova. Acontece que ela, vez por outra, ia à Capital, onde já era moda o cabelo curto. As matutas preconceituosas de então não gostaram da novidade e Dona Piinha foi muito criticada.
A verdade é que o casal se deu muito bem, conquanto os temperamentos fossem bastante diferentes. Dona Pia – já ia me esquecendo – era louca por música erudita e exímia flautista. E seu pai Vicente, meu avô, clarinetista. Melómana, minha mãe tinha uma sensibilidade admirável. Seu ídolo era Chopin. Muitas vezes vi lágrimas correndo pelo seu rosto, ao ouvir os concertos do famoso polonês.
Apesar da diferença de temperamentos e gostos, o casamento de meu pai foi um exemplo de abnegação. E o caçula adorava os dois, conquanto a mãe fosse sua grande confidente e a quem deve o gosto pelas letras, pois ela foi uma grande contadora de histórias!
27.12.13