11.1.14
J á li muitos livros sobre a felicidade, que se não me fizeram mais feliz, pelo menos me deram tranqüilidade interior. E a melhor definição ...
Já li muitos livros sobre a felicidade, que se não me fizeram mais feliz, pelo menos me deram tranqüilidade interior. E a melhor definição que encontrei sobre essa deusa foi a seguinte: “Felicidade é ter a consciência tranquila”. E o que é uma consciência tranquila? É uma consciência sem remorsos, arrependimentos, frustrações, mágoas e ódio. Difícil, não?
E nessa transição de ano eu andei tateando os livros de minha biblioteca e fui encontrar um de autoria do filósofo Bertrand Russel, cujo título é “A conquista da felicidade”, cheio de anotações minhas... O simpático e lúcido pensador inglês escreveu sobre um tema da chamada Autoajuda, que é mais se vê nas livrarias, porquanto as depressões estão infelicitando muita gente. Depressões que vêm das frustrações. E a maior delas é o exercício de uma profissão para a qual não se tem vocação, por melhor que seja a remuneração. Uma prova de que o dinheiro não é tudo.
Em seu livro, Bertrand Russel aponta a inveja como um revólver apontado para a gente. Infeliz, portanto, quem inveja. E chega a esta assertiva: “Os mendigos não invejam os milionários, mas invejam quando outro mendigo melhora de situação”.
Outra causa de infelicidade é o medo da opinião pública – diz o filósofo, pois o importante é o que você pensa. Russel ainda preleciona que quanto mais a gente possui interesses, melhor, pois mais interessante a vida se lhe torna.
Outro fator de felicidade: interessar-se pelos outros, consequentemente não ser egoísta. E conclui este filósofo sereno e feliz: “A fórmula da felicidade é ter apetite para a vida assim como temos apetite para a comida”. Nada de enjôo existencial, nada de náuseas.
E ele narra uma história que um rei pediu aos seus assessores que saíssem pelo mundo e lhe trouxessem a camisa de um homem feliz. Os assessores andaram, procuraram, e a resposta das pessoas era sempre negativa, até que avistaram um pescador à beira de um lago, pescando. E perguntaram se ele era feliz. Este disse que sim. Aí lhe pediram a camisa. O homem respondeu que nunca tinha vestido uma camisa...
Termino a crônica e constato que também estou sem camisa, aqui, no gabinete, não diante de um lago, mas de um computador. Porém, feliz!
E muita paz para os leitores neste balbuciar de 2014.
11.1.14
11.1.14
E sse foi um medo que angustiou muitas tias do passado, o medo de não arranjar um casamento, de ficar no caritó. Daí elas procurarem as retr...
Esse foi um medo que angustiou muitas tias do passado, o medo de não arranjar um casamento, de ficar no caritó. Daí elas procurarem as retretas noturnas da praça João Pessoa, aos domingos, objetivando encontrar o seu príncipe. Tinham horror que a chamassem, em voz alta, de tia. Uma delas me passou um carão, quando ao avistá-la, fui logo gritando, no maior entusiasmo: Titia, Titia, benção?”
Mas, nenhuma delas ficou para titia. Todas se casaram, tanto as do lado materno, que foram muitas, quanto as do lado paterno.
E tinham nomes lindos: Alzira, Nautília, Ninália, Anília, Auta, Ester, Clarice. Será que me esqueci de alguma? Acho que não, lembrando que as tias paternas conviveram pouco comigo. Mas vou começar citando-as com a minha saudade. E digo sem medo de errar: todas foram ótimas esposas.
A minha querida e jamais esquecida Auta de Luna Freire, professora da Escola Normal, era bonita, elegante, e de uma altivez admirável. Casou-se com um comerciante baiano, mas não deu certo. Não quis mais pensar em matrimônio. Muito culta, num mês de São João, com os foguetões explodindo lá fora e as fogueiras clareando a noite, ela me deu como presente de aniversário um livro de História. Nada de fogos, nada de traque de chumbo, nada de estrelinhas. Um livro enriquecido com a sua dedicatória. Como adorei esse gesto! Agora estou me lembrando de tia Anília, que me dava lições de datilografia e de otimismo. Nunca vi sombras naquele rosto. Tia Anília foi um amor de tia. Casou-se com Henrique, muito mais moço do que ela, mas com quem muito se entendeu.
Estou agora no computador que mantém o mesmo teclado da máquina datilográfica, inventada por um paraibano conhecido por Padre Azevedo, e que por sinal é patrono da cadeira 27, da nossa Academia de Letras, de que sou membro.
Tia Anília, tia Autinha, tia Ninália, esta sempre muito reservada, mas de ótimo astral. E tia Nautília? Muito linda. Apaixonou-se por um italiano chamado Vitório, e se foi. Ela era muito baixinha. Certa vez, achou de tirar uma foto, trepada num tamborete, para não ficar tão desnivelada do marido. Este tinha uma linda voz de tenor. Uma simpatia de homem. Todas, com exceção de tia Autinha e Ninália foram morar no Rio de Janeiro, deixando-nos uma profunda saudade.
Agora falemos das tias Ester, esposa do jornalista José Leal, irmã do meu pai; Totônia, que morava no Araçá. Ainda, por via materna, evoquemos tia Alzira, sertaneja de Patos, casada com o destemido e simpático Vicente Jansen, major da nossa Polícia Militar. Este casal sempre se hospedava na nossa casa, lá do sítio da Lagoa. O major Jansen era pai do desembargador Orlando Jansen.
Esprememos mais a memória e evoquemos, aqui, uma tia paterna, mulher linda, mãe de duas filhas que não ficavam atrás em questão de beleza. Clarice, que era casada com um dentista, chamado Ciro. Sempre otimista, vivia sorrindo para a vida. E quem sorri para a vida, por uma questão de reflexo, também se ilumina. Essas as tias com quem convivi mais. Elas continuam, vez por outra, desfilando na passarela de minha memória.
E evoquemos novamente tia Anília. Graças a ela, como já disse, estou datilografando neste computador.
E viva a saudade, que torna a ausência em presença. Afinal o homem não é apenas um animal que pensa, mas um animal que ainda chora de saudade. Saudade do que se foi, mas que não se perdeu...
11.1.14
10.1.14
A leitura de textos curtos é uma ótima opção para aprender e praticar inglês. Se você gosta de histórias de suspense, bruxas, fantasmas e...
A leitura de textos curtos é uma ótima opção para aprender e praticar inglês. Se você gosta de histórias de suspense, bruxas, fantasmas e casas assombradas, experimente imergir no agradável passatempo proporcionado nos sites abaixo. Eles contêm diversos contos (escritos e em áudio) que podem ser lidos e ouvidos em questão de minutos. Boa leitura e prepare-se para sentir, a cada relato, aquele arrepiante calafrio na espinha.
10.1.14
6.1.14
M as continuemos evocando minha mãe, esta mulher extraordinária, cuja vida foi um exemplo de dedicação, coragem e grandeza moral. Minha gran...
Mas continuemos evocando minha mãe, esta mulher extraordinária, cuja vida foi um exemplo de dedicação, coragem e grandeza moral. Minha grande confidente, foi ela quem me despertou para as letras, contando histórias lindas, noite a dentro. Histórias de fadas e de bruxas, que excitavam a minha imaginação. E quando a asma me levava para a cama, aí que era bom ouvi-la.
Sim, sofri de asma, na minha adolescência. Não houve remédio que desse jeito. Até que surgiu uma comadre de minha mãe, aconselhando que ela me desse um remédio, cujo nome eu não devia saber: chá de barata. Minha mãe sorriu e agradeceu a informação, debaixo de muitos sorrisos.
Mas o bom da doença era ficar na cama, ouvindo suas belas e acalentadas narrativas, noite a dentro. Minha mãe lia muito. E foi ela quem leu para mim todo o romance de José Lins do Rego “Menino de Engenho”. Charadista de primeira, ela adorava decifrar enigmas, charadas e resolver palavras cruzadas. Enquanto meu pai era um apaixonado pela Natureza, ela sonhava em morar numa cidade grande. Sua alimentação era muito saudável. Não dispensava o suco de cenoura com beterraba e laranja, depois da refeição matinal. Daí ter atravessado mais de um século de existência com muito apetite. Gostava dos vestidos alegres e estampados. E sempre me dizia: “Meu filho, velhice quer trato”. Nada, portanto, de relaxamento. Otimista, dona Pia nunca perdeu sua jovialidade.
E meu pai? Nunca as diferenças se uniram e se harmonizaram tanto. E eu adorava vê-los aos beijos. Eles tinham grande respeito entre si e aos outros.
E agora a história do castigo, que deu título à crônica. Eu mantinha um jornalzinho manuscrito denominado “O Riso”, que circulava na Rua Nova, onde morávamos. Pois bem, só porque chamei, no jornal, uma moça, nossa vizinha, de “fogosa”, meu pai, constrangido porque os pais dela foram lhe tomar satisfações, me deu uma dúzia de “bolos”. Minha mãe não gostou. Lembro que este foi o único castigo que recebi dele. Mas o jornalzinho manuscrito continuou saindo. Agora com outro nome: “O Choro”, ao invés de “O Riso”. Minha mãe deu uma boa gargalhada.
Meus pais! Como eu os adorei e os compreendi... Difícil evocá-los sem aquele nó na garganta...
E, aqui para nós, eles adoravam o caçula, que, infelizmente, foi destronado pela irmãzinha Iracema, o que me deixou no canto. Mas a vida é assim, cheia de novidades, encantos e desencantos.
Meu pai era homem de muito amor, mas um zero à esquerda em humor. Ele levava tudo a sério, era o contrário de minha mãe, sempre bem humorada. Certa vez, estávamos tomando banho, aqui em Tambaú, e meu pai na areia, quando minha tia Ninália, muito irônica, olhou para o nosso mestre e fez o desafio: ”Zé Augusto, você que é um homem de fé, venha andando sobre as ondas, como fez Jesus! Todos sorriram. Mas ele não deixou de escapar nem um meio sorriso.
Bebia muito... Mas só água de coco. Um dia, chegou a dizer: ”como é que se troca uma bebida dessa por cachaça ou uísque...”
E ficam aqui essas recordações de meus pais, que tanto enriqueceram a minha vida.
6.1.14
5.1.14
Em virtude de suas possibilidades técnicas, o piano é considerado um instrumento completo. Sua sonoridade abrange registros que vão dos ma...
Em virtude de suas possibilidades técnicas, o piano é considerado um instrumento completo. Sua sonoridade abrange registros que vão dos mais graves aos mais agudos. Por isso, sempre foi o preferido dos compositores ao longo da história da música, que o utilizaram para compor óperas, sinfonias, concertos, cantatas...
5.1.14