29.6.14
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Ah... foram tantos! Cada um com suas especialidades. E tudo graças à doença. Quando criança, sofri de asma, que me levava para a cama durante muitos dias. Para a asma não foi chamado nenhum médico. Minha mãe foi a grande enfermeira, com a vantagem de me contar belas histórias, a ponto de me dar saudade da doença.
Sempre fui um homem de muita saúde, a maior riqueza da vida. A como devemos cuidar e conhecer o nosso corpo, esse santuário que Deus nos deu...
Mas vamos aos médicos de minha vida. O primeiro que examinou minha vista de menino foi o Dr. Seixas Maia. Um homem sério e muito conceituado. Ainda bem que eu não tinha nada nos olhos. E viva quem os tem sadios. Mais adiante, eles passaram a ser examinados por Dr. Tito Lívio e, recentemente, pelo oculista e imortal da Academia de Letras, Astênio Fernandes.
Meus dois filhos, Carlos e Germano não quiseram vir ao mundo sem o bisturi. Minha primeira mulher Carmen teve duas cesarianas. Carlos, o primogênito, nasceu graças ao bisturi do Dr. Bonald Pedrosa, lá em Campina Grande.E aqui na capital quem cuidou da cesariana do segundo filho foi Dr. Danilo Luna, excelente profissional que me deixou uma ótima impressão.
Vamos a outros médicos. Asdrúbal de Oliveira, apaixonado pelas ciências ocultas. Tinha um papo gostoso. E os médicos que trataram dos meus filhos? Estou lembrando do pediatra Dr. Edvard Aguiar. Homem simples, cujas receitas nunca falharam.
Mas houve outros médicos que não cuidaram de minha saúde, mas que eu admirava pela postura e pela cultura. Um foi nosso vizinho, lá em Tambiá, Dr. João Medeiros. Um homem que impunha respeito. E sabe que ele lia minhas crônicas? Muitas vezes, me convidava para o seu carro. Aí só saía literatura. Ele teve dois filhos que seguiram a profissão do pai: Jacinto e João, o que fizeram muito bem.
E os médicos literatos, com quem me dei muito bem? Oscar de Castro, ex-presidente da Academia de Letras, Higino Brito, oculista, que tive a honra de vê-lo me saudando na Academia, e Humberto Nóbrega, a quem devemos uma excelente biografia de Augusto dos Anjos. Grande pesquisador, ele – aqui para nós – me tinha grande admiração. Chegou a me convidar para secretário da Faculdade de Medicina. Vejam só. Aí foi que me tornei amigo de muitos médicos, a começar por Atílio Rota, inteligentíssimo, de um papo excelente.
E os atuais? Os que cuidaram de minha trombose na perna, da minha coluna, da minha próstrata? Sem esquecer o Dr. Marco Aurélio, que é o clínico da família Ele, como o Dr. George Pereira continuam gozando da minha preferência.
Gostaria de encerrar essas rememorações incluindo Dr. Otacílio Figueiredo, que cuidou de uma trombose na minha perna. Simpático, chegou a dar uma aula sobre trombose no hospital onde eu estava. Que facilidade de expressão!
E antes de pingar o ponto final desejo lembrar que tive dois cunhados médicos, o primeiro, cardiologista, Eleazar Machado, já falecido, e o segundo, nosso Domilson Maul de Andrade, cirurgião urologista. O nosso Domilson está, hoje, enriquecendo a aposentadoria com a leitura. É o homem que mais lê no mundo. E termino citando meus queridos e inteligentes sobrinhos, os irmãos Lúcia, Marcílio e Alexandre Machado, cardiologista, urologista e traumatologista, respectivamente, e o competentíssimo cirurgião plástico José Augusto Romero Neto.
Médicos de minha vida. Como os admiro! Mas, aqui para nós, deveríamos conhecer mais o nosso corpo. Nada sabemos dele...
29.6.14
29.6.14
E eis o mundo todo empolgado com os pés chutando nossas tristezas e frustrações, que são muitas nesta vida... Graças aos pés, o mundo, de r...
E eis o mundo todo empolgado com os pés chutando nossas tristezas e frustrações, que são muitas nesta vida... Graças aos pés, o mundo, de repente, se torna um paraíso. Os estádios viram templos, fazendo o povo esquecer frustrações. Haja alegria, sorrisos, abraços, euforia, que é preciso esquecer a vida amarga de cada dia. Esquecer os maus políticos, o salário pequeno, esquecer as violências, esquecer muitas mazelas.
Marx dizia que “a religião é o ópio do povo”. Esqueceu-se do futebol. Talvez o maior dos ópios. E tudo graças aos pés. Mas, o que seria do esporte bretão se não fossem as mãos? Se não fossem os goleiros? E foram as mãos do goleiro de nossa seleção, Júlio Cesar, que acabamos de mandar o Chile de volta à Cordilheira dos Andes. Antes só se falava em Neymar, e esquecia-se Júlio Cesar.
Neste último jogo, fomos almoçar num restaurante, onde as pessoas estavam mais ocupadas com os olhos do que com as bocas. E eu com um medo danado de que a seleção perdesse, e que os milhões de torcedores se frustrassem. Não queria ver o país de Chico Xavier derrotado.
Muitas bocas, perto de mim, gritando de entusiasmo e eu ocupando a boca, não com gritos, mas com uma gostosa comida. Até que chegou o momento dramático dos pênaltis. Todo mundo com o coração na mão. Aí eu tive de parar a boca. Agora as atenções não estavam para Neymar, mas para Júlio Cesar, que com suas mãos iria classificar a Seleção.
O silêncio era profundo no restaurante. E deu-se o que todos queriam: o nosso Brasil estava classificado, graças às mãos que não chutam, mas que agarram.
Saímos do restaurante e vimos o delírio nas ruas. O Brasil mandara o Chile para casa, graças a Júlio César! Agora é lembrar a frase histórica: “Dai a Deus o que é de Deus e a Cesar o que é de Cesar”.
E lembrando o poeta, é preciso fazer o povo pensar e se divertir. Jesus dizia que nem só de pão vive o homem. Desta vez não foi o chute, mas o abraço. O abraço de Julio Cesar, um simpático rapaz, que os comentaristas, a começar por Galvão Bueno nem falavam.
Que nos próximos jogos, Neymar resolva a situação. Mais respeito para o coração verde-amarelo. E vamos chutar a tristeza e abraçar a alegria.
29.6.14
21.6.14
A propósito, ainda, do nosso corpo, o cosmo orgânico, muito desconhecido de todos nós, que tal abrir espaço para sua excelência o esqueleto...
A propósito, ainda, do nosso corpo, o cosmo orgânico, muito desconhecido de todos nós, que tal abrir espaço para sua excelência o esqueleto, a armadura que sustenta os nossos demais órgãos?
O grande cientista belga Vesalius, considerado o “Pai da Anatomia Moderna”, dizia que sem os ossos despencaríamos no chão como bolhas. Tudo que é carne desaparece logo com a morte, menos o osso. Está aí o esqueleto com o seu permanente sorriso triunfal.
Agora estou me lembrando de Shakespeare, no seu Hamlet, quando um dos personagens perguntava onde estaria Polônio e a resposta foi: “está num banquete, onde não come, mas é comido”, referindo-se ao túmulo.
A verdade é que os esqueletos, que moram nos cemitérios, chegaram a inspirar o grande compositor francês, Saint-Saens, a compor a genial “Dança Macabra”, uma impressionante página musical, em que os esqueletos, quando soa meia noite, saem dos seus túmulos e começam a dançar até que surge a alvorada e os dançarinos saem correndo para as suas covas.
Mas assim como há a “Dança do Fogo”, de Manuel de Falla, “A Valsa das Flores”, de Tchaikowsky, “A Dança das Horas”, de Ponchielli, por que os esqueletos não haveriam de dançar? Tudo é possível graças à imaginação.
Estou escrevendo aqui, e chega Alaurinda chamando atenção para a minha postura. A postura é tudo. Há pessoas chamadas “marrecas”, justamente, aquelas que andam curvadas.
Eu sempre convivi bem com o meu esqueleto, até que, um dia, me apareceu uma tal de estenose lombar, que terminou me levando para uma cadeira de rodas, numa das minhas viagens fora do país. E quem empurrou minha cadeira foi meu filho Germano. Sabe que cheguei a gostar do passeio sobre rodas, nas macias calçadas de Londres, que parecem um prato? Todo prefeito deveria dar, vez por outra, um passeio numa cadeira de rodas, para sentir o chão.
Voltemos ao esqueleto, com seu sorriso de caveira, como a dizer: ri melhor quem ri por último. Pena que a gente não possa mudar de esqueleto. Se isso fosse possível, não faltaria propaganda na TV. E quando víssemos uma pessoa muito espigada, diríamos logo num cochicho invejoso: “ela está de esqueleto novo”.
Cuidemos de nosso esqueleto, da postura e nada de preguiça. Há tantas ginásticas por aí. Presentemente estamos fazendo a gostosa hidroginástica, sob a orientação da jovem professora Catarina Guimarães, sempre atenta à nossa postura. E saímos da piscina com gosto de quero mais.
Viva, portanto, o osso. É ele que nos sustenta. A carne é fraca, forte é o osso. E cuidemos mais do nosso cosmo orgânico, que Deus nos deu, e nenhum homem é capaz de criá-lo. O homem que inventou o computador é incapaz de criar um mosquito. Mas Deus criou o nosso cosmo orgânico e o homem faz tudo para destruí-lo com a preguiça, álcool, droga, gula, fumo.
Mais um viva para os esqueletos que dançam, segundo a “Dança Macabra” de Saint-Saens, até chegar a madrugada, pois a vida não é nada mais do que uma dança.
Já está na hora de encerrar a crônica, e, antes que minha Lau venha com a recomendação: “cuidado com a coluna”, vou retirando os dedos do teclado deste computador, que se fosse um livro, levaria para a cama.
Mas fica o lembrete: não se esqueça de sua postura, assim como da compostura.
21.6.14
21.6.14
N ão há imagem que lembre mais a vida do que um jogo de futebol. No futebol há alegria, há tristeza, entusiasmo e orgasmo. E até flores, poi...
Não há imagem que lembre mais a vida do que um jogo de futebol. No futebol há alegria, há tristeza, entusiasmo e orgasmo. E até flores, pois não é que meu poeta Sérgio de Castro Pinto acaba de escrever um livro com o título “A flor do gol” - Que imaginação! E eu doido para cheirá-lo. E viva o poeta que vê o gol como uma flor, gol-orgasmo, gol-transcendência, gol-êxtase, gol-nirvana.
O futebol é o único esporte que alucina os povos. Nele há sorrisos e lágrimas, gritos e silêncio, correrias e quedas, cartões vermelho e amarelo, apito do juiz, que é uma espécie de deus. E haja torcida, corações querendo sair do lugar, povos se unindo e, por alguns momentos, esquecendo a guerra.
E o nosso Chico Xavier foi homenageado pela FIFA, que escolheu para símbolo desta Copa uma imagem que lembra a silhueta de seu rosto em plena atividade psicográfica. Acaso ou não, terminou sendo uma justa homenagem a um homem que foi pobre, enxergava pouco, um homem de cultura primária, que escreveu livros de ciência, filosofia, literatura, sem ganhar um centavo. E escrevia de olhos fechados (isto já é demais), cujos dedos seguravam um lápis.
Confesso que, a princípio, não acreditei no que via. Sim, o grande missionário da mediunidade com Jesus, foi homenageado pela FIFA. E viva o futebol que está unindo os povos, o futebol cuja bola não é atômica, por conseguinte, não destrói populações.
Não esquecer que o nosso país tem a forma geográfica de um coração, que nunca teve tiranos, que prefere, segundo o hino, dormir em berço esplêndido ao som da Natureza.
Mas está bom de colocar um ponto final na crônica. A tarde está num silêncio profundo, bom para a reflexão. Quase todo mundo diante da TV assistindo aos jogos da Copa.
Vamos Brasil, vamos Brasil de Chico Xavier, vamos Brasil que nunca fez guerra, mas adora fazer gols. Vamos Brasil de Machado de Assis, Brasil de Anchieta, que escrevia poemas na areia da praia. Poemas que as ondas do mar apagavam. Brasil que tem nome de árvore, o famoso Pau Brasil.
Pouco mais vou ver o Brasil jogando. E Alaurinda acaba de me dar uma camisa verde-amarela para aumentar meu entusiasmo brasileiro. Viva o futebol, o futebol da grama e da vida!
21.6.14
15.6.14
Q ue pergunta! Mas é perguntando que a gente se entende, como diz o ditado. Tenho encontrado muita gente feliz, mesmo sem dinheiro, mesmo se...
Que pergunta! Mas é perguntando que a gente se entende, como diz o ditado. Tenho encontrado muita gente feliz, mesmo sem dinheiro, mesmo sem saúde. E também ocorre o inverso. Dir-se-ia que a felicidade é um estado d'alma. Quem, por exemplo, está em paz consigo mesmo, é feliz.
Afinal, feliz é quem se julga. Diz uma história que havia um homem feliz que não tinha nem uma camisa para se vestir. Será?...
As três grandes tentações do ser humano são: dinheiro, poder e sexo. Mas acontece que há pessoas que possuem tudo isso e muitas vezes se sentem angustiadas, mal-humoradas, neurastênicas.
Mas, vamos adiante. Eu vi, outro dia, um rapaz sem mãos, em pleno trânsito, e sorrindo. Meu filho Germano também o viu e, com muita pena, chegou a lhe dar uma nota de cinquenta reais. Aí foi que ele sorriu, agradecendo. Agradecendo com os braços mirrados.
Quem é feliz não se lamenta, não se orgulha, não tem inveja, não se deprime, está sempre de bom humor. É isto, está sempre de bom humor.
Tenho visto muita gente que se diz feliz, sem ser, isto é, sem ter o que muita gente deseja ter.
É infeliz quem se deprime, quem não sabe sorrir, quem não se relaciona com os outros, quem não sabe por que está no mundo, quem não tem uma religião saudável, quem pensa que a vida termina no túmulo, quem fala em inferno eterno e imagina um Deus tirano e não um Deus pai, como Jesus assim chamava.
Não é feliz quem se frustra, quem não segue sua vocação. Um milionário talvez seja mais infeliz do que aquele pedreiro, a cantar lá no alto da construção, construção que não vai servir para ele, mas que assim mesmo canta. Quem canta não pode ser infeliz.
Um renomado psiquiatra colocou no seu famoso escritório o seguinte aviso: “Coisas que fazem o homem feliz: um bom sono, uma boa notícia e uma religião saudável”.
E fiquemos por aqui com a pergunta inicial: “Você é feliz?”
15.6.14