N ão cheguei a conhecer pessoalmente o meu sogro, arquiteto Clodoaldo Gouveia, pai de minha primeira esposa, Carmen, cujo retrato está na pa...

Sogro, filho e Arquitetura

Não cheguei a conhecer pessoalmente o meu sogro, arquiteto Clodoaldo Gouveia, pai de minha primeira esposa, Carmen, cujo retrato está na parede de minha casa integrando, com muita honra a galeria dos queridos ausentes. Mas, de uma coisa estou certo, Clodoaldo bem que se orgulharia de conhecer o neto, arquiteto como ele e de temperamento muito semelhante ao do avô. Refiro-me ao meu filho Germano, que além dos arrojados projetos, é Bacharel em Música, artista plástico e, “de quebra”, bom cronista e homem de TV.

Seu avô, Clodoaldo Gouveia, um talentoso arquiteto capixaba que um dia achou de vir morar aqui na capital, onde se casou com Maria Isaura, filha do desembargador pernambucano Olímpio Bonald da Cunha Pedrosa, cujo namoro começou, pitorescamente, num bonde de Tambiá, renovou o cenário urbano com grande destaque na história na Arquitetura Paraibana.

Formado na Escola Nacional de Belas Artes, do Rio, foi excelente aluno. Era um homem simples, desambicioso, destituído de qualquer espírito competitivo, de temperamento alegre, e incapaz de matar uma mosca.

Aqui na Paraíba, nos idos de 30, trabalhou como arquiteto do Estado, e foi muitas vezes requisitado pelo presidente João Pessoa, que reconheceu nele um valoroso técnico. Entre suas obras, estão o Lyceu Paraibano e a ex-Faculdade de Filosofia, referências na nossa Arquitetura, que com suas linhas modernas e sugestivos vitrais, arrancam frequentes elogios de visitantes nossos; o antigo Palácio da Viação, o Quartel da Polícia Militar, a Secretaria Estadual das Finanças – chamada “Ferro de Engomar” - as duas sedes da Rádio Tabajara, tristemente demolidas, além de várias residências.

Outro seu projeto muito expressivo é o monumento em homenagem a Anthenor Navarro, erigido no seu túmulo, no Cemitério da Boa Sentença, onde se vê a figura de um “anjo chorando a morte de um gênio”.

Ele, como o neto, adorava viagens e a boa música, sobretudo as óperas. Em homenagem a Bizet, deu o nome de Carmen à sua primeira filha.

Outro dia, perdoem a “corujice”, Germano me mostrou um belo prédio, cujo projeto saiu de seu escritório, e que pela criatividade e ousadia, me encheu de entusiasmo. Certamente, também tem entusiasmado o espírito de seu avô, o gênio Clodoaldo.

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