Digitar para inserir a própria vida no livro não é simples. Requer coragem e planejamento e confesso que tenho ambos de sobra. Em se tr...

Não perca tempo

literatura estilo escrever
Digitar para inserir a própria vida no livro não é simples. Requer coragem e planejamento e confesso que tenho ambos de sobra. Em se tratando da sociedade pós-moderna, quando tiramos de nossas vidas o lado ruim e os compromissos diários, fica somente o tempo da escrita. Eis a questão crucial: aproveitá-lo da melhor maneira (im)possível. Santo Agostinho perguntou “o que é o tempo” no livro XI de Confissões e até hoje perguntamos a mesma coisa e é assunto que não se esgota. Se o tempo também não se esgota, devemos preenchê-lo com questões interessantes para que a vida não se torne um tédio, contra o que tanto lutamos.

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Maria Oswalt
Meu tempo é agora, então escrevo. Posso fazê-lo a respeito do passado e do futuro. Se escrevo o passado, repertório não me falta. Copiar e colar memórias tornou-se algo sofisticado e automático. O futuro me abre a ficção e percebo que a escrita ganha tempo para se compor, mas o presente me coloca no imediato. Não há muito o que inventar, é apenas viver. As vivências tornam o tempo onipresente. Embora ser onipresente signifique estar em todos os lugares, a escrita obriga-me a estar aqui, então, não perco tempo: esta é a hora e o trocadilho me parece oportuno.

Muitos poderão dizer por que perco tempo escrevendo enquanto poderia estar me divertindo. Devolvo a questão e pergunto por que não vês diversão em pôr a língua para trabalhar no bom sentido sem precisar sair do lugar? Será que já tentaram fazer o mesmo? Façam se e somente se tiverem habilidade para usar a língua de modo bem-intencionado. Caso contrário, as janelas do mundo lhes esperam para vivenciar experiências que não são suas e sim dos outros e tenho pena de vocês por isto: emprestar a felicidade ou a dor alheia é chupar bala com papel, perda de tempo. Nascer apenas para cumprir tabela não me parece o mais interessante dos legados, então, viva o que é teu para ter o que escrever às gerações que te cercam e que chegarão em breve.

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Maria Oswalt
Pego no pé do presente antes de me escapar às mãos. Quero caneta e papel agora. Quero um recorte do tempo na página. Posso não ver a “vida melhor no futuro”, mas estou por cima de um muro de hipocrisia há tempos e isso precisa ser registrado. Não me perguntem por que, mas minhas entranhas pedem esse registro e sei que “o tempo voa” e não posso deixá-lo escapar. Ainda que eu não tenha domínio sobre o tempo, então, preciso fazer dele algo útil. Não sei o que o futuro me reserva. Tenho apenas suposições. O jornalista e cineasta Arnaldo Jabor disse que “o tempo é uma invenção de viventes”, então, tenho que me reinventar para não deixar de viver. Ainda bem que existe a escrita.

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