Sempre defendi a liberdade, a democracia. Abaixo as ditaduras, sejam da direita, sejam da esquerda e viva o oxigênio da liberdade. Como gostava de ver o jovem Barack Obama acenando, com o seu sorriso, para o mundo, como a dizer: viva a democracia, que com todos os seus erros, ainda é o regime que dignifica o homem. E está aí o muro de Berlim demolido, está aí a Cortina de Ferro destruída. Mil vezes o rosto alegre de Obama do que a carranca de um Stalin, de um Hitler ou a barba de um Fidel.
Liberdade embora tardia, como estava escrito na bandeira da Inconfidência Mineira! A verdade é que todo processo evolutivo da Humanidade é no sentido vertical. Está aí a própria Natureza nos ensinando que não é para baixo que caminha a vida, e sim para cima. As plantas crescem em busca do sol, isto é, da luz, que é símbolo de liberdade.
Acontece que, por uma questão se sintonia, há os que se sentem bem na escuridão. Vejam o exemplo dos morcegos. Há muitos animais que se afinam com a lama, como é o caso dos porcos. Alguns pássaros beijam as flores, já os urubus adoram a carniça. É a dialética da vida. Tudo é uma questão de afinidades.
Lamentável é aquele que despreza a liberdade. E eu fico me lembrando do grande Montaigne, cujo sentimento de liberdade lhe era tão arraigado a ponto de escrever: “Sou tão aferrado à liberdade que se me proibisse acesso a qualquer recanto das Índias já isso bastaria para que vivesse até certo ponto descontente”.
Já o irônico Voltaire disse, numa discussão, que, embora discordando de seu adversário, defenderia até a morte o direito dele de expor o seu ponto de vista.
Ah, liberdade!... Quanto me alegrou a fisionomia risonha das pessoas em Moscou e em Leningrado, quando lá estive, logo depois que seu povo recuperou a liberdade. Todo mundo alegre, livre da Cortina de Ferro, livre da ditadura...
26.2.18
26.2.18
J á vi muitos maestros famosos regendo sinfonias e concertos. Seja ao vivo ou no vídeo, aqui ou no exterior. Lembro-me agora de uma gravação...
Já vi muitos maestros famosos regendo sinfonias e concertos. Seja ao vivo ou no vídeo, aqui ou no exterior. Lembro-me agora de uma gravação de Bruno Walter conduzindo uma Sinfônica, na 5ª Sinfonia de Beethoven e não me esqueço daquele rosto severo e sereno, sobretudo no adágio daquela peça. Outro que me fascina, não obstante a severidade de seu semblante nazista, é o alemão Herbert Von Karajan. Uma fisionomia compenetrada, mas, sem um sorriso, com cara de quem está com raiva do mundo.
E que dizer do simpático e envolvente Leonard Bernstein? Ah, como eu gosto dele! O homem, não satisfeito com as mãos, termina batendo no tablado com os pés. Chega a dançar em trechos mais ritmados e alegres. Eis aí uma regência que muito me comove. Estou, agora, através da imaginação saudosa, me lembrando do grande Eleazar de Carvalho, que regeu a Nona Sinfonia de Beethoven com a nossa orquestra sinfônica. Austero sem ser severo. O grande maestro refletia no rosto toda a beleza da genial sinfonia.
Maestros! E as maestrinas? Impossível não lembrar de Elena Herrera, uma cubana de alto astral que também regeu a nossa Sinfônica, deixando-nos uma boa impressão. Atualmente, ela era regente titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, em Brasília, mas, há poucos dias, desencarnou, vítima de câncer. Eu gostava muito de sua maneira de reger, como que querendo voar, sair do tablado em busca de outros caminhos. E ela se comunicava bem com o público, não só com as suas excelentes interpretações, mas também através dos gestos. Tão diferente do Karajan...
Outro com quem muito me entusiasmei, também maestro de nossa Sinfônica, foi o jovem Marcos Arakaki, não só pelo dedicado trabalho de ensaio, nos bastidores, mas pela maneira eloquente na condução da belíssima e inesquecível "Sinfonia Novo Mundo", de Dvorak. Com que empolgação ele regeu a famosa peça do compositor tcheco. Havia momentos em que tive a impressão de que ele voasse, ou melhor, que levitasse no palco do Teatro Banguê, cuja assistência o aplaudia freneticamente. Arakaki não só regia como explicava, didaticamente, todas as peças do programa. Transformava, por um momento, o auditório em sala de aula – e isto é que é importante. A assistência, em silêncio, ouvia atenta as suas oportunas explicações. É assim que se vai educando o povo para a música erudita. E havia momentos em que se empolgava tanto com a obra, que a gente tinha a impressão de que ele era a própria música. E isto me fez lembrar Paulo de Tarso, que depois que descobriu Jesus, dizia que “já não era ele que vivia, e sim o Cristo que vivia nele”. A música tem esse poder. O poder que nos faz transcender em direção a Deus.
26.2.18
11.12.17
U m dia desses, fui visitar a Livraria do Luiz, hoje ampliada e com cara de primeiro mundo, e passei pelo nosso tradicional Ponto de Cem Réi...
Um dia desses, fui visitar a Livraria do Luiz, hoje ampliada e com cara de primeiro mundo, e passei pelo nosso tradicional Ponto de Cem Réis, que valorizou-se muito com a reforma que o nosso governador de ouro, Ricardo Coutinho, fez naquele recanto que é o coração da cidade. Mas, o tempo e a falta de cuidado já estão deteriorando-o novamente.
O Ponto de Cem Réis tem que voltar a ser nossa sala de visitas. Uma praça para o povo conversar e descansar. Já deixou de ser parada de bonde, praça de automóveis de aluguel, local de encontro de amigos e gente da alta sociedade.
Sim, por falar nisso, cadê o advogado Mario Gama, vestido de linho branco e que dava expediente, ali, como advogado e vereador? Cadê aquele príncipe da cortesia, advogado Severino Ayres, rodeado de amigos, na esquina do prédio Guilherme da Silveira. Cadê o advogado Renato Bastos, cadê?... Ah, como o nosso antigo Ponto de Cem Réis reunia gente ilustre: advogados, juízes, desembargadores, jornalistas, escritores, homens de negócios.
Aquele logradouro era, como já disse, a nossa sala de visitas. Dali chegavam grandes notícias e grandes boatos. E eu estou me lembrando, agora, da Livraria Acadêmica, do advogado Geraldo Freire, ponto de encontro de estudantes e professores de Direito.
A verdade é que a cidade esteve muito contente com a restauração do seu Ponto de Cem Réis. Mas, agora é hora de tratar de recuperá-lo mais uma vez e de mandar pintar os prédios ao seu redor, a exemplo do prédio da antiga "Nações Unidas", do Paraíba Palace, e o que fica defronte dele, não é, meu amigo Petrônio Souto?…
Veio agora à memória uma frase de Ascendino Leite no livro em que ele estreou na literatura - “Minha Cidade”: “O Ponto de Cem Réis é o espelho da vida da cidade”. Será que o prefeito Luciano Cartaxo, que vem fazendo um belo trabalho na Av. Beira-Rio, tem andado por nossa sala de visitas?...
Ah, essa última viagem para a Islândia!... Foi uma viagem terapêutica, pois só em contemplar a paisagem, o campo, as ovelhas pastando, a gente sentia uma profunda paz interior. E sabe quem era o motorista que estava me levando para conhecer essas paisagens? Meu filho Germano. Ainda bem que lá a mão é pela direita, pois lembro que ri muito ao vê-lo dirigindo o veículo pela “contra-mão” na Austrália, Inglaterra, Escócia, Nova Zelândia, ah galego danado.
Mas vale a pena ficar vendo os campos correndo para trás. Vale a pena olhar as ovelhas sempre de cabeça baixa, comendo o seu capim, numa tranquilidade que pede um concerto de Mozart ou um adágio de Bruckner.
E por falar em música, não é que o rádio do carro estava transmitindo um concerto de Rachmaninoff? Como o europeu valoriza a chamada música clássica! Tudo questão de educação. É preciso, desde menino, ir-se acostumando com as grandes partituras. O meu outro filho, Carlos, há muito tempo que vem estimulando os filhos para os concertos e sinfonias. O neto primogênito, desde garotinho, já sabia distinguir o estilo mozartiano do barroco. Que beleza!
Contemplando as ovelhas branquinhas, lá longe à beira-mar, pois na Islândia há praias e mais praias cheias de ovelhas pastando, vem-me esta indagação: por que elas nunca erguem a cabeça? Passam o tempo todo com o rosto no chão, indiferentes à paisagem ao derredor, alheias à beleza do céu azul, preocupadas e ocupadas apenas em comer? E isto me lembra certas pessoas que passam a vida toda sem olhar para as belezas da vida. Não sabem contemplar os lírios do campo, um jardim, um pôr de sol, um mar, um vôo de pássaros. Passam a vida mergulhadas num prosaísmo de dar pena.
Deixemos, porém, as ovelhas, que nos alimentam de leite e queijo, e continuemos a crônica. A verdade é que o homem precisa, vez por outra, transcender. Não apenas olhar para baixo ou para trás. Há necessidade de olhar de lado ou para cima.
Voltemos àquela deliciosa viagem. A temperatura estava amena, a estrada é um prato, o trânsito flui sereno e silencioso, com muito poucos carros, Afinal, esse país só tem 300 mil habitantes, imagine só...
Cada vez mais estou convencido que precisamos da Natureza em nossa vida. Precisamos de mares limpos, de avenidas arborizadas, de canteiros e jardins, inclusive os botânicos, de praças floridas, de parques, de florestas, onde possamos esquecer o prosaísmo do cotidiano.
E eis que a próxima cidadezinha islamdesa já está dando sinal de sua presença e esqueçamos as ovelhas. Confesso que eu gostaria que esta viagem se prolongasse. Nada como uma boa estrada para a gente esquecer o tempo e sonhar. Aliás, o sono é uma excelente viagem que fazemos todos os dias, desde que não haja pesadelo.
Nossos companheiros de viagem, a Alaurinda e Davi, já sabem tudo sobre a Islândia com sua bucólica arquitetura, seus campos de musgos, suas cachoeiras, não esquecendo o frio, que agora aumentou. E viva a vida! Viva a Islândia e suas ovelhas, que só olham pra baixo, feito muita gente...
11.12.17
3.12.17
N inguém amou mais esta nossa capital, a antiga Felipéia, também chamada Frederika, do que o escritor e poeta Ascendino Leite, que chegou a ...
Ninguém amou mais esta nossa capital, a antiga Felipéia, também chamada Frederika, do que o escritor e poeta Ascendino Leite, que chegou a escrever um belo e livro intitulado “Minha Cidade”, uma espécie de declaração de amor à terra que nasceu à beira de um rio e foi parar no mar de Tambaú, onde ainda se vê o belo e imponente Cabo Branco, que, como se informou, está sendo corroído pela erosão.
Outro grande apaixonado por João Pessoa foi o genial lírico, poeta Perillo D´Oliveira, autor de “Caminhos Cheios de Sol”. Perillo amava tanto esta nossa capital que chegou a compor uma oração, que começa assim: ”Ave Cidade, cheia de graça! O meu espírito é contigo”.
Merecem ser citados também o nosso Petrônio Souto que, segundo me contam, está enchendo a Internet com lindas fotos da cidade antiga, contagiando todos com o saudosismo fotográfico. Sem esquecer o poeta José Nunes, colunista deste jornal, que, há poucos dias presenteou os leitores com suas reflexões acerca de uma pau d'arco de seus caminhos.
Eu nasci em Alagoa Nova, um verdadeiro sítio de mangueiras, segundo o poeta e historiador Eudes Barros. Mas dela saí com a idade de quatro anos. Deixei a mãe-terra orando para mim.
Mas nossa capital das acácias cresceu, sofisticou-se. Aí apareceram os grandes edifícios, sedentos de espaço e altura, e com nomes estrangeiros. Ora vejam estas denominações: “Maison de France”, “Mediterranée”, “Palazzo Milleluci”, “Milanesi”.
E não houve antes uma lei limitando a expansão e o adensamento dos espigões, a exemplo da lei que limitou a altura dos edifícios à beira-mar, através da brilhante iniciativa do governador João Agripino. Em Tambaú e Manaíra, parece que todos aqueles prédios caíram de paraquedas, aos montes, matando as árvores, sufocando o ar, impedindo o vento...
E o paraibanismo, o amor à terra, foi desaparecendo. Cadê denominação como edifício Manaíra, Sanhauá, Acácia, Ipês, Flamboaiã, Tambaú?... Só quem está dando uma lição de paraibanismo, que merece palmas de todos nós, são as nossas emissoras de TV. Incrível como isso aconteceu. Ei-las: TV Cabo Branco, TV Sanhauá, TV Tambaú, TV Correio da Paraíba, TV Miramar, TV Manaíra.
A verdade é que João Pessoa depois que nasceu, lá na cidade baixa, não satisfeita com a chegada na praia de Tambaú, onde há o mar e a praia mais bonitos do mundo, achou de subir o Planalto do Cabo Branco, onde a cultura está encontrando espaço, com a Estação Ciência, Estação das Artes. E as festas de Natal e Ano Novo acendem, cada vez mais, a curiosidade dos turistas. Ainda bem que o final da nossa mais bonita avenida, a Epitácio Pessoa, deixou de ser estacionamento de carro e barracas para comilança e bebedeira...
3.12.17
3.12.17
Vou passeando de carro pela praia e, olhando o mar, me lembro que o Dia de Iemanjá é nesta terça-feira. O mar me lembra a santa dos umbandi...
Vou passeando de carro pela praia e, olhando o mar, me lembro que o Dia de Iemanjá é nesta terça-feira. O mar me lembra a santa dos umbandistas, pois é nele que são jogadas flores e outras oferendas simbólicas. Eis aí um poético e religioso espetáculo, quando o mar se transforma num imenso e perfumado jardim aquático. Esta noite, logo mais, virão de vários lugares ônibus cheios de umbandistas para o Culto, na praia de Tambaú. Em sua maioria, mulheres vestidas de branco, conduzindo nas mãos buquês de flores.
Flores, flores, flores, e jamais bombas que destroem e matam. Gostaria que o presidente Trump viesse aqui e visse homens e mulheres cantando e jogando flores nas águas do mar. Os umbandistas apenas cantam. Nada de sermões, nada de discursos, nada de ataques a outras religiões, nada de ameaças de um inferno eterno. Nada de castigos, nada de satanás na boca. Os umbandistas apenas dançam e cantam. Transformam a praia num imenso templo, cuja abóbada é um manto salpicado de estrelas silenciosas.
Culto à Iemanjá! Gosto desse nome. Nome indígena. Ainda não vi uma avenida com tal denominação. Mas, bem que merecia.
Continuo meu passeio com os olhos se alimentando de paisagens e o coração cheio de muito amor e boas reflexões: Bem-aventurada a religião que pacifica em vez de agredir, que soma em vez de dividir, que compreende em vez de condenar, que não mata os que discordam dela, que prega o amor e não o ódio. Disse Jesus uma frase que deveria estar pregada em todos os templos cristãos. "Os meus discípulos se conhecerão por muito se amarem".
Ouçamos o canto daquelas mulheres vestidas de branco, dançando e recebendo espíritos sob um céu cheio de estrelas. Respeitemos o culto dos nossos irmãos umbandistas. Que eles cantem, dancem, elevem os braços para o céu, que as estrelas, lá no alto, estarão sorrindo para eles o seu sorriso de luz!
Domingo último foi a vez de minha neta, Raíssa, fazer vestibular, que agora chamam de Enem. E você, Raíssa, já vai completar 18 anos de caminhada existencial. Dezoito anos que saiu do ventre materno, um tiquinho de gente que, com o tempo, foi crescendo ao lado de seu irmão Tuquinha, três anos mais velho do que você. E hoje é com quem você brinca, viaja, passeia e se diverte...
Com apenas 18 anos, dir-se-ia que você está ainda ao pé da montanha. Esta montanha que simboliza a vida, enquanto eu desfruto o clima lá do alto. E você talvez nem chegue lá. Ah, Raíssa, como é bom estar aqui no alto, olhando, com pena, os que ainda estão caminhando para cima. Vale a pena viver, minha querida. Vale a pena acumular experiências. As experiências que nos dão sabedoria. A sabedoria que nos enriquece de paz. Não tenho inveja de você, minha querida neta. Se me dissessem que eu iria voltar à sua idade, confesso que não queria. Não invejo os que ainda estão subindo a montanha da vida. O que devo e posso fazer é ajudá-los a subir com a escada da minha experiência.
Você está fazendo o vestibular, embora ainda não escolheu exatamente a profissão. Mas tenho certeza de que saberá escolher. Você adora ler, escrever, poetizar. Mais ainda: passa horas e horas no computador, viajando pela Internet, e é com muito apetite que vai para a escola. Aprender é com você. Daí as boas notas que sempre tirou.
Não nego a curiosidade. Afinal, qual a carreira que você vai escolher? Está aí uma coisa que eu gostaria de saber. Médica, engenheira, bacharela em Direito, arquiteta, enfermeira, odontóloga, antropóloga, professora? São tantas as interrogações que me chegam à imaginação...
Mas, tenha certeza de que é bom viver muito, minha neta. É bom envelhecer com sabedoria. Termino desejando-lhe muita paz, saúde e sabedoria. Esta, a maior riqueza da vida.
6.11.17
6.11.17
E ste cronista que aqui escreve anda meio esquecido. Dizem que é normal depois dos setenta. E haja vitamina B. Mas, esquecer é bom ou é ruim...
Este cronista que aqui escreve anda meio esquecido. Dizem que é normal depois dos setenta. E haja vitamina B. Mas, esquecer é bom ou é ruim? Depende, dirá você. E eu digo o mesmo. Nem sempre esquecer é bom.
Afinal, o que devemos ou não esquecer? Comecemos pela gratidão. Jamais esquecer um gesto de bondade ou um ato de amor, de gentileza. Portanto, sejamos gratos. A começar pela vida que nos foi dada. Haverá maior dádiva? Por acaso, somos joguetes do acaso? Será que o homem, como sentenciou o materialista Sartre, é uma “paixão inútil”? Afinal, a quem agradecer a vida que temos? Se tudo surgiu por acaso, então o acaso é inteligente?...
Voltando ao esquecimento, quando é que ele é uma terapia? Ora, ora, quando nos faz bem. Esquecer o mal que alguém nos fez, esquecer o passado pelo que ele conte de negativo, esquecer uma dívida. Sócrates, já perto de ser envenenado pela cicuta, pediu que não deixassem de pagar uma dívida que ele havia contraído. Por que o filósofo não esqueceu aquele compromisso? Para ficar em paz com a sua consciência. A única coisa que levamos desse mundo.
Não devemos esquecer os deveres para com a vida. Do contrário seremos irresponsáveis. E a pior coisa do mundo é a irresponsabilidade. Quando você cumpre com os seus deveres, fica aliviado, satisfeito, alegre, de bom humor. Alegre consigo mesmo. Esquecer, lembrar, eis o que está ocorrendo, constantemente, em nossa existência.
Esquecer as amizades não é correto. Os amigos devem estar sempre no nosso pensamento, na nossa gratidão. Esquecer os desafetos, sim. Para que está lembrando o mal que nos fizeram? Lembrar é dar vida a uma coisa. Portanto, lembrar os males que nos fizeram é vivificá-los. Daí a estupidez da vingança, da mágoa. Não esquecer o inimigo é estar sintonizado com ele. A vingança não resolve nada.
Esquecer as coisas negativas e lembrar as positivas, eis a fórmula do bem-viver. Por que é que as crianças estão sempre alegres, sempre descobrindo as coisas boas da vida? Porque não guardam mágoas. Mágoa é uma desgraça. Mágoa é ressentimento, e ressentimento é uma espécie de azia psíquica. Criança triste é criança doente.
A má lembrança é um fardo. Livre-se dela. É belo colocar retratos na parede das pessoas que se foram desta vida. Eis aí uma lembrança que faz bem ao que se lembra e ao que é lembrado, caso você acredite na imortalidade do espírito. Caso contrário, pouco valerá a sua lembrança...
Lembrar, esquecer, eis aí dois verbos constantes em nossa vida. Mas Deus é tão grande, justo e bom que nos deu esse esquecimentozinho tardio. També, nos deu o sono, uma boa pausa em que nos tornamos inconscientes. Haverá melhor terapia do que esta? Pena que muitos tenham insônia ou pesadelos. Que, muitas vezes, também depende da vida que se levou durante o dia...
Acontece que está me chegando a fome. Eis aí uma coisa de que a gente não consegue esquecer. Esquecer de comer. Nem depois dos setenta...
6.11.17
30.10.17
N a próxima quinta, teremos o impropriamente chamado Dia dos Mortos, ou de “Finados”. Aqui para nós, muita gente ainda acredita que a pessoa...
Na próxima quinta, teremos o impropriamente chamado Dia dos Mortos, ou de “Finados”. Aqui para nós, muita gente ainda acredita que a pessoa que não respira mais vai encerrar sua vida num bonito caixão, debaixo da terra. Embora a Ciência prove que o corpo físico se decompõe, restando apenas os ossos, muitos acham que o que se decompõe se recomporá no dia em que uma trombeta tocará chamando os mortos. Para o Juízo Final.
Dependendo do julgamento, há os que vão curtir as delícias do Paraíso, outros irão para o Purgatório e, finalmente, os que serão condenados ao Inferno eterno, onde há muito fogo, e Deus fica de braços cruzados, indiferente a essas torturas. Aqui para nós, há muita gente que ainda acredita nessas alegorias.
Há os materialistas que pensam que tudo se acaba, que tudo vira cinzas... E os espiritualistas? Esses sabem que o que fica sepultado na terra é a carcaça carnal, e que o espírito sobrevive à matéria.
Dia dos Mortos. Não vou ao cemitério há muitos anos, mas lembro dos entes queridos que já se foram. Que tal pegar os seus retratos e orar? Que tal mentalizar uma prece em seu nome, enviar-lhes boas vibrações?
E os caixões mortuários, como são bonitos! Mas, seus comerciantes não têm o direito fazer propaganda de suas mercadorias... Nem no rádio, nem no jornal, nem no outdoor, nem nos supermercados anunciam os bonitos caixões. Ninguém dizendo: "Compre o seu caixão agora e pague em dez vezes.
Certa vez, vi uma coisa que muito estranhei, numa pequena cidade alemã, chamada Wiesbaden: uma requintada vitrine de caixões mortuários. Talvez destinados aos mais ricos. Tive pena que caixões tão bem confeccionados fossem lançados à terra.
No Dia de Finados, sempre me lembro da inscrição no túmulo de Allan Kardec, no cemitério Père Lachaise, em Paris: "Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei"…
30.10.17
29.10.17
J á se começou a falar nas eleições do próximo ano e eu fico pensando na campanha eleitoral que se faz nas ruas. Haja carros de som arrebent...
Já se começou a falar nas eleições do próximo ano e eu fico pensando na campanha eleitoral que se faz nas ruas. Haja carros de som arrebentando nossos ouvidos, comprometendo, estupidamente, o conceito de gente civilizada.
Já imaginaram se um carro de som entendesse de sair às ruas de Paris fazendo propaganda de candidatos? Imediatamente seria apreendido e multado. O fato seria levado para jornais e TV. Tratar-se-ia de um escândalo, um atentado grosseiro à saúde, à paz, ao silêncio!
Ah, o silêncio!... como ele é desrespeitado! E quem mais o destrói? Quais os animais mais barulhentos do mundo? Ora, é o homem, o chamado "racional". Mas ele somente? Não, o cachorro também é, vez por outra, inimigo do silêncio. Talvez seja por isso que ambos são tão amigos.
Os outros animais, em geral, são silenciosos: os pássaros que cantam e encantam, os peixes, sejam num aquário, sejam no mar, os pombos, as vacas, as ovelhas nos campos. E a Natureza? Porventura as árvores fazem barulho? É verdade que as flores explodem beleza, mas em silêncio. Até a bomba atômica explodiu sem barulho. As estrelas, as nuvens, os planetas, as montanhas, o mar, os rios, os lagos, o nosso Sol... Quanto silêncio os envolvem! E o nosso corpo, essa silenciosa usina? O coração bate em silêncio, o sangue corre sem zoada, os pulmões respiram calados, a digestão se processa em completa mudez. Deus sabe o que faz. Já imaginaram se esses órgãos fizessem barulho?
Mas o animal-homem é barulhento por natureza, menos nos países civilizados, onde a lei contra a poluição sonora é respeitada. Ah, se você visse o que eu vi na capital da Nova Zelândia... Íamos passeando, numa tarde domingueira, por um de seus elegantes e tranqüilos bairros, sem muros nem portões, quando, de uma casa surgiu um cachorro latindo, ao nos ver. Imediatamente, o seu dono veio ralhar com o animal, e nos pediu mil desculpas pelo barulho. Não obstante sermos nós os intrusos. E o animal, obediente, saiu mansinho que fazia gosto. O silêncio era absolutamente respeitado naquele sossegado bairro...
Povos bárbaros são os que fazem barulho. Tive oportunidade de assistir a uma campanha eleitoral em Berlim. Nenhum carro de som. Propaganda só se fazia através de fotos em cavaletes padronizados, muito bem confeccionados e disciplinados. Tudo na mais perfeita paz. Nada do infernal abuso que ocorre durante esta maldita e abusiva campanha eleitoral, com candidatos desrespeitando as próprias leis ambientais e de contravenção penal. Cadê o Ministério Público?...