No início, tudo era escuridão. E, então, veio a luz. A Terra foi criada e povoada com uma infinidade de criaturas. Montanhas, mares, deserto...

No início, tudo era escuridão. E, então, veio a luz. A Terra foi criada e povoada com uma infinidade de criaturas. Montanhas, mares, desertos foram formados. Riachos de águas cristalinas passaram a fluir no meio das florestas.

E stá aí o nosso artista plástico Hermano José, zombando do tempo, e cada vez mais jovem no apetite de conhecer, de estudar, de viver e de p...

Está aí o nosso artista plástico Hermano José, zombando do tempo, e cada vez mais jovem no apetite de conhecer, de estudar, de viver e de pintar. Hermano, com seus noventa anos, não tem nada de velho, a não ser os cabelos brancos, que são novos. O rosto sem rugas, corado, o olhar vendo tudo, principalmente a Natureza tão mal respeitada pelo homem. E vendo os crimes ecológicos, que acontecem todos os dias, o nosso poeta, pintor e filósofo se transforma numa fera. Meditando e pintando, ele é um defensor de nossas árvores. E mora lá no Bessa, numa bela vivenda e tem por vizinho o mar, que ele contempla, todos os dias, com profunda e mística reverência.
Hermano José, com muita idade e vitalidade, está cada vez mais jovem. E conversando com ele é que a gente aprende coisas lindas. Vez por outra, ele desce do seu paraíso, pega um táxi e vai dar uma olhada nas novidades da Livraria Saraiva, lá no Shopping Manaira. O diabo é que, de repente, tudo pode acontecer. Pois não é que ele, no momento em que ia para casa, chocou-se com um garoto que vinha correndo, e escorregou no piso lustroso do shopping. Mas, felizmente, nada de grave aconteceu. Não demorou muito e eis o nosso artista plástico, novamente, na Livraria em busca de mais conhecimentos.
E agora Hermano José está expondo seus quadros na Galeria Gamela. Eis ai um acontecimento imperdível, que fica em cartaz até o dia 06 de agosto, muito noticiado recentemente nos jornais, que estiveram cheios de ilustrações de seus novos trabalhos.
O grande paisagista, antes de se entregar à Arte, que tanto dignificou, era um simples funcionário do Banco do Brasil, se não estou enganado. Vivia no mundo dos números, dos cálculos, nada compatível com a sua sensibilidade de descobridor de belezas.
Hermano é homem de pouco sorriso, mas de uma forte sensibilidade e de uma extraordinária alegria de viver. Não sei se ele é mais filósofo do que pintor. Talvez as duas coisas se ajustam bem na sua genialidade. Adora a vida e não tem pressa de deixá-la. Sua alegria é mais interior.
Outra característica da personalidade de Hermano é sua impressionante sinceridade. Ele não sabe fingir. Daria um péssimo político.
Na verdade, ele tem uma grande fé na vida. Esta a sua religião.

Se há uma coisa que tira muita gente do sério é a visão desconfortável do emaranhado de fios em uma bancada. Para diminuir a bagunça, aqui e...

Se há uma coisa que tira muita gente do sério é a visão desconfortável do emaranhado de fios em uma bancada. Para diminuir a bagunça, aqui estão algumas pequenas ideias caseiras que podem ser postas em prática com materiais simples e acessíveis.

Ó dio não, amor, sim. O ódio envenena a alma, o amor a torna saudável. Ninguém é feliz enquanto guardar ódio no coração. Ódio é como o fogo ...


Ódio não, amor, sim. O ódio envenena a alma, o amor a torna saudável. Ninguém é feliz enquanto guardar ódio no coração.
Ódio é como o fogo destruidor, mas que graças à água do amor, se extingue. O ódio nunca venceu o amor, que é Jesus no coração.
É fácil odiar. Difícil é amar. Não é tão fácil perdoar, mas, ainda mais difícil é não se vingar. Difícil é esquecer. É fácil esbofetear o inimigo. Difícil não, mas quase impossível, é acariciá-lo.
Foi por isso que Jesus identificou os seus discípulos “por muito se amarem”. Por aí vemos como é difícil amar Jesus. Difícil, sim, impossível, não, porquanto muitos conseguiram não se vingar festejando a festa da reconciliação.
É estúpida a sentença: olho por olho, dente por dente. Isto ficou lá com Moisés. A mensagem que Jesus trouxe foi: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, e “perdoai setenta vezes sete”. Ele não só ensinou, como exemplificou, pedindo perdão para os próprios algozes. Mas, a regra sempre adotada por aí é a de ensinar e não exemplificar.
O ódio é veneno na alma. Repitamos. Quem odeia ou guarda mágoa é um eterno infeliz. Nunca terá paz de espírito.
A História é uma vergonha. É a história do poder, do ódio, da vingança, da destruição, da guerra, do egoísmo, da animalidade superando a humanidade...
Amar é esquecer, amar é não se vingar, amar é perdoar, amar é ser compreensivo com os erros e defeitos dos outros. Amar é não julgar.
É triste a historia dos que odiaram. É triste a história de um Hitler, de um Herodes, de um Napoleão, de um inimigo da paz, que deixaram a vida isolados...
É bela a história de um Francisco de Assis, de um Gandhi e de outros grandes missionários da História. Um Gandhi que chegou a dizer que “não perdoava porque nunca se sentiu ofendido”...
Jamais estrague sua vida, envenene sua vida com o ódio no coração. Coração é o lugar do amor.
Não se esqueça da advertência do mestre dos mestres: meus discípulos são reconhecidos por muito se amarem. E fica o aviso final: você nunca será feliz se não amar, se não perdoar, se não esquecer o mal que lhe fizeram. Lição difícil, ou quase impossível, hein? Mas você queria um paraíso de graça?...

H á muito tempo que eles foram arrancados dos trilhos da capital e jogados fora. Não ficou nem um exemplar para a História... Mas, como nem ...


Há muito tempo que eles foram arrancados dos trilhos da capital e jogados fora. Não ficou nem um exemplar para a História... Mas, como nem tudo se acaba na vida, graças à memória esses veículos ainda continuam rolando pela nossa cidade.
Para os que não sabem, os bondes correram aqui por muitos anos, bem servindo à população. Seguro, limpo, de fácil acesso, elegante, o bonde chegou a ser a imagem da nossa antiga capital. E os seus trilhos chegavam aos mais distantes bairros: Tambiá, Trincheiras. Oitizeiro, Cruz das Armas, e o Comércio, também chamado Varadouro. Quase ninguém procurava o carro de aluguel, que ficava lá na praça do relógio, no Ponto de Cem Réis.
O gostoso mesmo era pegar o bonde, que podia ser com ele parado ou em movimento. E conta–se que uma dama - por sinal muito elegante – achou de pegar o veículo em movimento. E, ao conseguir, gritou: ”Peguei-te!”, num tom de vitória, e todo mundo aplaudiu–a. Com esse nome - “Pegueite” - ela ficou sendo apelidada. Pegueite era professora e muito querida.
O bonde era utilizado por ricos e pobres. Muita gente importante, da elite, nas mais variadas idades, não queria outro transporte.
E nele muito namoro terminou em casamento, a exemplo do nosso arquiteto Clodoaldo Gouveia, meu sogro, que no bonde encontrou a sua cara metade. Transporte seguro, tranquilo, limpo, sem fumaça para poluir o ar, o bonde, não sei qual a razão, foi abandonado e seus trilhos enterrados. Ao passo que, ainda hoje, modernas metrópoles, a exemplo de Amsterdam, São Francisco, Zurich, Strasbourg, Munique, e muitas outras que visitei, os bondes são importantes transportes urbanos. E que elegantes eles são!
Rapidez, segurança, o bonde lembra o metrô, outro que dá vontade de você entrar nele e não sair mais, desde que não esteja superlotado...
Os bondes da nossa capital. Como eram belos! Até no bairro Santa Júlia tinha linha de bonde. E ao que soube, havia um senhor, que tinha, ali, uma bodega. Pois bem, todo mundo, a todo momento, estava indagando para que lado estava o bonde? O homem terminou não aguentando mais, e colocou na bodega o seguinte aviso: “Não se sabe para que lado está o bonde”.
Agora é hora de perguntar: Onde estão os bondes? Por que os alijaram do nosso cotidiano?...

1 Marie Curie

1Marie Curie

Por que as pessoas apontam para o pulso quando perguntam as horas, mas não apontam para o traseiro quando perguntam onde fica o banheiro?

Por que as pessoas apontam para o pulso quando perguntam as horas, mas não apontam para o traseiro quando perguntam onde fica o banheiro?

P assei minha infância na Lagoa, isto é, no Parque Sólon de Lucena, onde meu pai comprou um sítio, que tinha quase todas as frutas, desde o ...


Passei minha infância na Lagoa, isto é, no Parque Sólon de Lucena, onde meu pai comprou um sítio, que tinha quase todas as frutas, desde o abricó à pitanga, da jaca ao cacau. E havia um frondoso pé de tamarindo, que dava uma fruta azeda de fazer careta. Um paraíso que o progresso acabou.
E como era gostoso passar o dia debaixo das frondosas mangueiras, conviver com alguns personagens que perambulavam por ali. Todas as manhãs a Policia Militar ia treinar os seus músicos, e a Lagoa se transformava numa festa. A criançada com as suas babás, que paqueravam com os soldados.
A verdade é que todas as manhãs na Lagoa eram uma festa. E foi numa dessas alegres manhãs que conheci um homem extraordinário. Um homem que nunca freqüentou uma universidade, mas que impressionava pela cultura, pela conversa, pelos ensinamentos. Ele respondia a qualquer pergunta.
O homem se chamava Inácio. E tanto conversava com os os adultos, como com as crianças. Alto, simpático, educadíssimo, meu amigo Inácio me deixou fortíssima impressão. Não sei se ele era solteiro, casado ou viúvo. Soube depois que era um solteirão. Mas estávamos nesse pé, quando, um dia, ele me apareceu com um livro de sua autoria. Aí eu caí das nuvens. O livro se intitulava “Deus”. Procurei lê-lo, mas não entendi nada. Eu estou certo que nem o próprio Deus entendeu aquele livro.
Depois Inácio achou de construir um telescópio, o que me deixou pasmado. E não é que pelo aparelho dava para ver a lua?... A meninada ficou curiosa para ver de perto o satélite, ainda virgem dos pés norte-americanos. E todo mundo queria ver a lua de Inácio. Inácio Pereira (agora me lembro do nome todo). A meninada e até os adultos faziam fila. E o nosso filósofo terminou ganhando um dinheirinho.
Simples, sempre bem humorado, solteirão, e de uma cultura impressionante. Fizemos amizade com ele. Esteve em nossa casa, onde ouvia nossos discos, especialmente um deles, muito bonito, cuja música se chamava “Eternamente”. Pois não é que o disco desapareceu? E Inácio, sem perder a calma, disse: ”Morreu, eternamente... ” E todo mundo caiu na risada. Inácio Pereira... Cadê seu telescópio, seu livro “Deus”, seu admirável bom humor? Tudo virou passado, que a saudade, vez por outra, tenha recuperar...

P ara falar a verdade, as três maiores tentações do homem são: o dinheiro, o sexo e o poder. E eu não sei qual é a mais forte. Talv...


Para falar a verdade, as três maiores tentações do homem são: o dinheiro, o sexo e o poder. E eu não sei qual é a mais forte. Talvez seja o sexo, pois se não fosse ele, não existiria a própria humanidade. Daí ser ele a atração mais forte. Os jornais, diariamente, dão notícia de abusos da sexualidade, em suas mais variadas expressões.
E o dinheiro? Quem diabo não o ambiciona, com exceção dos missionários, a exemplo de uma Tereza de Calcutá ou de um Chico Xavier. O dinheiro é o grande ópio do homem. Todo mundo o quer, e quando ele chega às nossas mãos, nunca ficamos saciados. Desejamos sempre mais e mais. Dinheiro é como água salgada, quanto mais se bebe, mais sede se tem. Mesmo quem estava desempregado e consegue um trabalho, ou quem recebe um aumento e passa a ganhar uma boa quantia, em pouco tempo estará insatisfeito.
Os detentores de grandes fortunas, os homens de negócio, vivem numa constante ansiedade. Ansiedade de faturar mais. E vem a competição, cada um desejando aumentar os seus lucros. Dinheiro, dinheiro, dinheiro e mais preocupações. A ganância não tem limites. E lá vêm o stress, as doenças... A vida se torna um inferno. Não se vive mais para si. Um inferno, apesar do dinheiro.
Por fim, vêm o poder e a política, também como tentações do homem. Na política investem-se fortunas com o objetivo de um bom retorno. E este nunca deixa de vir. Mas, toda regra tem exceção. Há os políticos que entram na política para servir e não para se servir. Há exemplos na nossa história. Raríssimos, mas existem. E aqui para nós, se um político gasta fortunas para se eleger ou se reeleger, é porque o negócio é bom...
Sexo, dinheiro, poder. Indiscutivelmente, é uma poderosa trindade. Trindade que não é santíssima e que, às vezes, se torna satânica.
Não esqueçamos as exceções. Pegue a história e ela lhe dará admiráveis exemplos de políticos que fizeram da política uma oportunidade de servir à coletividade, e jamais de se locupletar com vantagens ou com dinheiro publico.
Mas, o grande fiscal dos políticos é o povo. Se este se degrada termina votando em Barrabás, ao invés de Jesus...

M eu colega de saudades, Carlos Pereira, vai concordar comigo. As bandas de música, que tanto alegravam o povo de uma cidade, estão...

Meu colega de saudades, Carlos Pereira, vai concordar comigo. As bandas de música, que tanto alegravam o povo de uma cidade, estão virando espécies em extinção. Qual o motivo disso, senhores prefeitos? Se existem, estão em crise. E me vem à memória o maestro Joaquim Pereira, todo elegante, conduzindo a bem afinada Banda do 15 R. I...
Lembro-me também que organizaram um festival de bandas de música do Estado que foi um sucesso. Difícil, muito difícil mesmo era ficar triste quando a banda passava. E o nosso Chico Buarque chegou a compor aquela inspirada modinha que falava da alegria que uma banda de música causava numa cidadezinha do interior. Todo mundo se alegrava, todo mundo saía de suas casas, todo mundo deixa seus trabalhos, seus afazeres, por um momento, e corria para as calçadas.
E lembro das retretas de outrora, sobretudo na praça João Pessoa, atraindo todo mundo da capital. E o programa da banda saía até no jornal A União, em que figurava o “Nabuco” de Verdi, sem esquecer o Guarani, de Carlos Gomes.
Uma banda de música numa cidade do interior é instrumento de cultura despertando muitas vocações e, ao mesmo tempo, incentivando os sentimentos de solidariedade entre as pessoas.
Estariam mesmo em extinção as bandas de música? Ao que tudo indica, sim, o que é uma pena...
Que beleza se pudéssemos reunir num concurso todas as bandas de música do interior. Bandas de Riacho dos Cavalos, de Catolé do Rocha, Pombal, Cajazeiras, Piancó, Campina Grande, Sapé... e assim por diante.
Vamos, senhores prefeitos, estimular as vocações. As bandas de música precisam voltar às praças, alegrar as pessoas, fazendo o povo esquecer, por alguns instantes, os problemas da vida. E viva a terapia musical.
Nunca mais me esqueci, quando, certa manhã, acordei ouvindo a Banda de Música do 15 R. I. executando o famoso dobrado “Os Flagelados”, sob a batuta do Joaquim Pereira. Acho que todo mundo se levantou da cama com outro astral, desejando abraçar o mundo inteiro. A retreta ia até às 9 horas da noite, pois o povo dormia cedo, embora naquela tempo não se falasse em assaltos.
Uma banda de música numa cidadezinha do interior é excelente instrumento de cultura. Incentiva vocações para a boa música.

C omeço dando viva à imaginação! Que seria do homem sem ela. A imaginação é uma das maiores dádivas que Deus nos deu. Graças a ela ...


Começo dando viva à imaginação! Que seria do homem sem ela. A imaginação é uma das maiores dádivas que Deus nos deu. Graças a ela nada se perde. Tudo fica na nossa cabeça. Se você quiser trazer uma pessoa para junto de você, sem ser fisicamente, basta recorrer à imaginação. Bem disse o ditado que recordar é viver, e recordação implica em imaginação. Se eu quiser ver Paris, basta trazê-la à imaginação. E somos capazes de sentir o cheiro gostoso de uma baguete fresquinha.
A imaginação é do homem. E é graças a ela que estou trazendo, agora, à minha presença, uma pessoa muito querida, que não está mais aqui no mundo, todavia, continua viva na minha imaginação e na minha saudade.
Esta pessoa muito querida, que tanto admirei e com quem muito aprendi, não é outro senão o desembargador Paulo Bezerril, um respeitável nome do nosso Tribunal de Justiça. Estou a vê-lo, baixinho, discreto, mas sempre elegante na sua postura. E que simplicidade! A toga não o envaideceu.
Mas, sua grande paixão não eram os acórdãos do Tribunal, que ele prolatava com tanta segurança e conhecimento. A sua grande paixão eram os acordes da música. Para comprovar isto, basta dizer que o desembargador Paulo Bezerril era um excelente flautista. E, aqui para nós, ninguém sabia disso. Ele tocava aquele instrumento em sua casa, para esquecer os prosaicos acórdãos do Tribunal.
Até que um dia... Aconteceu o inesperado. Quando a Orquestra Sinfônica da Paraíba foi fundada, numa certa noite, num prédio lá da Rua Direita, o nosso Bezerril lá compareceu para prestigiar o acontecimento. E quando a Sinfônica estreou, lá estava Paulo Bezerril como um dos seus músicos. Isto fez com que eu o admirasse ainda mais. O desembargador flautista soube descer a escada do nosso Tribunal para prestigiar com sua presença o grande acontecimento cultural.
Por isso e outras coisas, eu muito aprendi com o meu desembargador, que tinha alma de sonhador, de artista, de homem muito sensível. Certa vez, ele me confessou: Carlos, eu admiro três belezas na vida, que começam com “M”: música, mar e mulher.
Paulo Bezerril, como o admirei! E como, vez por outra, ele entra na minha saudosa imaginação...

Pode até parecer ficção científica, mas, acredite, esses 5 lugares bizarros existem mesmo. Para qual deles você mandaria um político corru...

lugares estranhos

Pode até parecer ficção científica, mas, acredite, esses 5 lugares bizarros existem mesmo. Para qual deles você mandaria um político corrupto?


1A Ilha dos Mascarados • Japão

E la se chamava Joaquina - nome muito usado naquela época – mas que, na intimidade, terminou virando Quininha. Ah, como eu a admira...


Ela se chamava Joaquina - nome muito usado naquela época – mas que, na intimidade, terminou virando Quininha. Ah, como eu a admirava e respeitava... Sempre muito bem limpinha, dela exalava um cheiro de alfazema. Minha avó era muitíssimo respeitada, inteligente, perspicaz e bem humorada. Dava gosto conversar com ela. Casou-se – imagine só, leitor – com a idade de 12 anos. Seu marido Vicente, meu avô, que tocava muito bem clarinete, era um próspero comerciante. Vendia couro. E sabe quem comprava o couro que ele vendia? O famoso Delmiro Gouveia, lá de Alagoas.
Mas, voltando à dona Quininha, ela fumava. Fumava um cigarro chamado “Deliciosos”. Dizia-me que o fumo não a ofendida, porque ela não tragava, isto é, não engolia a fumaça. E mais: não pegava no cigarro. Segurava-o com longos grampos.
Muito inteligente. Dava gosto conversar com ela. Outro vício seu era, todo dia, apostar no jogo do bicho. E quem ia fazer o jogo era o seu criado Liberato, um rapazinho moreno, muito esperto e trabalhador.
Ao que saiba, ela nunca acertou no jogo, mas me dizia que o jogo era o seu passatempo. Tinha seus palpites. ”Hoje sonhei com cachorro”. E o sonho nunca se realizava.
Dona Quininha teve sete filhas, minhas tias. Quase todas elas professoras formadas pela conceituada Escola Normal, que funcionava no prédio onde hoje é o Tribunal de Justiça, lá na praça João Pessoa.
Mas, do que eu mais gostava, quando ia visitá-la, lá numa espaçosa casa na rua Maciel Pinheiro, era ver o santuário de minha avô, que ela me dizia ser “o céu, cheio de santinhos, de ovelhas e outros animais domésticos”. O santuário ficava no seu quarto de viúva. Dona Quininha era uma católica que nunca entrou numa igreja, nunca assistiu a uma missa e que não se incomodou quando algumas filhas se tornaram espíritas. E eu ficava pensando: minha avó tinha tanta fé, mas nunca, ao que saiba, acertou no bicho...
Conversar com ela era uma maravilha, sobretudo pelo humor, o que me faz lembrar um casamento que iam fazer com dois de seus sobrinhos. Eles não tinham nada. E ela sorrindo, exclamou: ”deixem, meninos, trata-se de um casamento de bonecas... ”
Minha avó, quando ia passear, não gostava que a segurassem. Não queria ser velha. E, aqui para nós, tinha muita razão. Velho é aquele que se julga.
Guardo muitas lembranças dela. E não esqueço o seu santuário, cheio de santos. O céu da minha avó...

Q uando me disseram que em Buenos Aires havia uma livraria colossal, talvez uma das maiores do mundo, fiquei ansioso para conhecê-l...


Quando me disseram que em Buenos Aires havia uma livraria colossal, talvez uma das maiores do mundo, fiquei ansioso para conhecê-la, pois, se não sabe o leitor, minha cachaça é o livro, que para muita gente talvez não passe de um objeto sem significação maior, ou mesmo de um intruso. Tanto é assim, que uma ilustre dama da sociedade pediu ao seu arquiteto que “pelo amor de Deus, não estragasse a ambientação de seu novo apartamento deixando os livros do marido à mostra, e exigiu que fechasse com portas as prateleiras da biblioteca.
Melhor foi aquele ilustre industrial paraibano, de saudosa memória, que embora bom de dinheiro, nada entendia de livros, livrarias e bibliotecas, a ponto de informar aos mais íntimos que dera à esposa uma “biblioteca de perfumes”... Por incrível que pareça, o fato é verídico.
Mas, cada qual com os seus gostos. Já um Ariano Suassuna adora deitar-se na cama abraçado a um livro. E disse, em entrevista, que jamais faria isso com um iPad.
Ora, ora, mas eu comecei a crônica falando da grande livraria de Buenos Aires, a famosa El Atheneo, que quando assomei à sua porta, fiquei sem acreditar no que via. Um enorme e histórico espaço que já serviu de teatro, com seu ambiente original preservado e milhares de livros por toda parte, muitos deles enchendo os antigos camarotes e frisas daquela antiga casa de espetáculos. Fiquei de queixo caído. E sabe quando se fecha a livraria? Só à meia-noite. E que silêncio! Ali só os livros falam.
Senhores, jovens, muitos deles deitados no carpete, com um livro aberto aos seus olhos, certamente, em gostosa pesquisa. Um deles me pareceu um professor, um desembargador, talvez ministro, não sei. E gente entrando, subindo as escadarias do antigo teatro, num religioso silêncio. A livraria El Atheneo lembra um templo. Templo da sabedoria. E alguns ainda insistem em dizer que o livro vai desaparecer!...
Não há lugar mais propicio à reflexão do que uma livraria. É um verdadeiro templo religioso, Um templo religioso sem barulho...
Mas fiquemos por aqui, lamentando apenas os que ainda não descobriram o prazer da leitura.

Muitas vezes, comprar um presente pode ser uma grande dor de cabeça. Se não bastasse a grana curta, falta inspiração na hora da escolha. ...


Muitas vezes, comprar um presente pode ser uma grande dor de cabeça. Se não bastasse a grana curta, falta inspiração na hora da escolha. A lista abaixo poderá ajudá-lo a resolver esse dilema. A maioria dos produtos custa menos de 100 reais.

Parece inacreditável que uma banda de rock mantenha-se viva por meio século, fazendo sucesso, conquistando fãs e reunindo multidões durant...

the rolling stones
Parece inacreditável que uma banda de rock mantenha-se viva por meio século, fazendo sucesso, conquistando fãs e reunindo multidões durante todo esse tempo.