Histórias e piadas contadas por nossa família e amigos, invariavelmente, nos fazem rir... mas se forem das boas. Observando no detalhe,...

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Histórias e piadas contadas por nossa família e amigos, invariavelmente, nos fazem rir... mas se forem das boas. Observando no detalhe, elas contam histórias sobre o mal ou sobre uma desgraça alheia. A bondade não tem graça nenhuma, apenas se, ao final, a história virar um desastre.

O filósofo francês Henri Bergson disse que o cômico exigia algo como uma momentânea anestesia do coração. "O riso não tem maior inimigo que o coração",
por isso rimos do mal para que ele não nos atinja.

Uma das piadas que os judeus contavam na Alemanha nazista era sobre o que um comandante da Gestapo dizia a um judeu: "Vou te dar uma oportunidade de viver, se adivinhar qual dos meus olhos é de vidro". O Judeu responde de imediato: "É o esquerdo". O oficial, admirado, pergunta: "Como é que descobriste?" E o Judeu responde: "É o que parece menos humano".

Pode parecer surreal. No entanto, é uma manifestação bastante profunda nas mãos de todos que se confrontaram com o mau absoluto, que o fizeram mais por necessidade do que provocação.

Na União Soviética, a piada frequentemente contada era a seguinte:


Eles riem do mal, do bem, ninguém ri, para quê?

Mesmo histórias curiosas que resultam num final trágico, por consequências em suas entrelinhas, parecem uma ironia do destino. Como ocorreu com o ditador, ex-Presidente de Portugal, Antonio de Oliveira Salazar, apegado ao poder, habituado a dar ordens dramáticas e doloridas
àquele povo sofrido. Ele acabou por encontrar um final mortal inesperado em sua trajetória humana. Uma história com ares de ópera-bufa, se imaginarmos que o ditador foi derrotado por uma queda ao chão.

Em 1968, Salazar gozava férias em Santo António do Estoril. Sentado em uma cadeira que não se sabe se em falso ou quebrada, ou estrategicamente fora do lugar, o tirano foi ao chão e bateu a cabeça com violência no piso de pedra. Teve um hematoma cerebral e não se recuperou do trauma. Morreu dois anos depois. Conta-se que ele jamais soube que não era mais o presidente do Conselho de Ministros e que a equipe de governo se reunia em sua presença para encenar reuniões e decisões.

Nossa frágil condição humana limita uma rota a todos, muito similar à fraqueza de seus pares. A finitude nos acompanha.

O dolorido é quando os meses e anos escorrem pelos dedos, e, chegando à velhice, percebe-se que não saiu do lugar.

A culpa é do calor, próprio da época e que colabora para o sem sentido destes dias. Tudo corre devagar, anestesiando emoções, fazendo ...

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A culpa é do calor, próprio da época e que colabora para o sem sentido destes dias. Tudo corre devagar, anestesiando emoções, fazendo com que o tempo não seja contado em horas, mas nas sombras dos prédios que avançam e se esticam pelas ruas, contornando as calçadas, engolindo as copas das árvores, improvisando desenhos nas construções vizinhas.

Esta frase do título acima tomei emprestada de Luciano, que, num momento de felicidade retórica, usou-a na saudação que fez à sua mã...

ozanira maia
Esta frase do título acima tomei emprestada de Luciano, que, num momento de felicidade retórica, usou-a na saudação que fez à sua mãe por ocasião de seu 80º aniversário, há mais de uma década. Ele primeiro disse “Hosana nas alturas!”, dando graças a Deus pela vida longeva e saudável da genitora querida, para depois concluir, criativa e belamente, colocando a própria Dona Ozanira Maia nas alturas celestiais. Repito, pois, Ozanira nas alturas, pois é onde ela certamente está, agora que foi chamada ao descanso da eternidade, após uma vida admirável e fecunda.

Nossa geração foi alfabetizada. As novas gerações são audiobetizadas e videobetizadas. Então, é natural que nossos códigos e signos ...

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Nossa geração foi alfabetizada. As novas gerações são audiobetizadas e videobetizadas. Então, é natural que nossos códigos e signos sejam diferentes, o que dificulta o famoso “diálogo de gerações”. Há quem diga que entre jovens e velhos só há uma coisa em comum: o ar que respiram. Portanto, nesses tempos de Internet, redes sociais etc., o “Caderno de Confidências” pode soar estranho, esquisito, inacreditável até.

No dia da cidade para onde viemos e com a qual nos transfundimos, ambos no vigor da idade, agora, nesse 5 de agosto de 2023, sai Neiva,...

No dia da cidade para onde viemos e com a qual nos transfundimos, ambos no vigor da idade, agora, nesse 5 de agosto de 2023, sai Neiva, José Neiva Freire, de vida completada para o descanso eterno; e saio eu, passando do tempo, a vagar do meu tugúrio por ruas de pouca fala, frontais caídos iguais ao meu, e janelas sem amizades, bons-dias nem saudares. Tempo virá de muita casa e pouca fala.

Em um certo domingo das boas lembranças, tradicionalmente o segundo do mês de Agosto, dedicado em homenagem aos pais, perguntei a ele: ...

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Em um certo domingo das boas lembranças, tradicionalmente o segundo do mês de Agosto, dedicado em homenagem aos pais, perguntei a ele: "O que o senhor quer ganhar de presente no Dia dos Pais?" E veio a resposta: "Ah, meu filho, você já é o maior presente que Deus me deu. Mas, tenho uma ideia. Se você quer mesmo me fazer uma homenagem, vá a uma loja de presentes, compre um papel bem grande, bem colorido e bonito, peça à moça para embrulhar você por inteiro e mandar me entregar de novo".

Em maio de 1932, quando foi publicado o “Catalogo historico e descriptivo dos sellos postaes do imperio do Brasil” , o respeitado e tem...

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Em maio de 1932, quando foi publicado o “Catalogo historico e descriptivo dos sellos postaes do imperio do Brasil”, o respeitado e temido crítico literário Agrippino Grieco fez, em artigo publicado em O Jornal, do Rio de Janeiro, e no Diário de São Paulo, o seguinte comentário sobre o autor da obra:

No segundo domingo do mês agosto celebramos o Dia dos Pais. Fiz muitos almoços para o meu querido pai, e para os pais dos meus dois fi...

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No segundo domingo do mês agosto celebramos o Dia dos Pais. Fiz muitos almoços para o meu querido pai, e para os pais dos meus dois filhos. Eram momentos de compartilhar alegrias do domingo com a família. Mas também sempre tive um olho bem aberto para pensar sobre a paternidade e os pais ao meu redor. Não gostava muito do que via. Sempre me inquietei com a exaustão e sobrecarga da minha mãe. Amava/amo meu pai, mas estava sempre atenta às minhas questões sobre a sua ausência, o seu silêncio, e o seu lugar de liberdade e distância do dia a dia de uma casa com quatro filhas. Era assim em todas as famílias.

Já se acostumara à sua vivenda entrançada em finos arames. Naquele exíguo cubículo por onde o mundo exterior entrava e...

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Já se acostumara à sua vivenda entrançada em finos arames. Naquele exíguo cubículo por onde o mundo exterior entrava em bloquinhos vazados, a ave canora, princesa dentre todas, debicava o que lhe colocavam como alimento, e, durante o dia deixava que seu canto divino revoasse as redondezas. Os vizinhos gostavam do melífluo cantar do rouxinol.

Epigrama I De como os poetastros, camelôs de sua própria arte, com pompa e circunstância, outorgam para si o título de poetas ...

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Epigrama I
De como os poetastros, camelôs de sua própria arte, com pompa e circunstância, outorgam para si o título de poetas

O que diabo é ser poeta? me pergunto todo dia... Qualquer um assim se elege ou o elege a poesia? Pelos versos que eu leio, quase sempre com senões, cada vez mais admiro o poeta que é Camões!

Sempre que trato de precatórios lembro da anedota do português que caminhava por uma calçada e viu lá longe uma...

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Sempre que trato de precatórios lembro da anedota do português que caminhava por uma calçada e viu lá longe uma casca de banana. Ao invés de desviar o caminho, continuou em direção à queda inevitável, limitando-se a repetir: “- Ai meu Jesus Cristo, vou me estabacar!”.

      No mundo da lua Sei que tenho a chave me distraio e a perco fico que nem louca atrás dela Sempre parece que estou ...

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No mundo da lua Sei que tenho a chave me distraio e a perco fico que nem louca atrás dela Sempre parece que estou perdendo algo Se estou aqui Perco o que está lá Creio que encontrei a hora de perder a hora

Quando vamos envelhecendo é o tempo em que brotam determinadas idiossincrasias. uma delas é ficar lamentando a perda dos amigos. Amig...

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Quando vamos envelhecendo é o tempo em que brotam determinadas idiossincrasias. uma delas é ficar lamentando a perda dos amigos. Amigos que a poeira do tempo tirou de nosso raio de visão, ou aqueles, que como dizia o velho Machado, estão estudando a geologia dos campos santos.

Nuvens pesadas pairavam sobre a vida e a sorte do Brasil em 1975, um ano depois de haver o general Ernesto Geisel assumido a Presidênci...

tragedia lagoa 1975
Nuvens pesadas pairavam sobre a vida e a sorte do Brasil em 1975, um ano depois de haver o general Ernesto Geisel assumido a Presidência da República com o anunciado desejo da transição do regime ditatorial para a democracia.

A abertura política “lenta, gradual e segura”, assim prescrita, iniciava-se num momento de profunda insatisfação popular. Findava-se a temporada do milagre econômico, a crise do petróleo abalava o mundo e ao Brasil faltavam os recursos para

Quantas vezes nos pegamos analisando uma pessoa simplesmente pela sua aparência? Quantas vezes já julgamos o livro pela capa, sem seque...

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Quantas vezes nos pegamos analisando uma pessoa simplesmente pela sua aparência? Quantas vezes já julgamos o livro pela capa, sem sequer abrir as páginas e explorar o seu conteúdo? Porém, é importante que nos lembremos de que o conteúdo pode ser tanto bom quanto ruim, e que somente ao conhecermos alguém verdadeiramente poderemos avaliar se vale a pena ou não investir nosso tempo e interesse nessa pessoa.

Enterrou seu filho, sua mãe e seu marido, entrou em casa e trancou a vida do lado de fora. Colocou o insulfilm mais escuro do mercado ...

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Enterrou seu filho, sua mãe e seu marido, entrou em casa e trancou a vida do lado de fora. Colocou o insulfilm mais escuro do mercado em suas janelas e fechou-as. O barulho das ondas, anunciando o incansável ciclo das marés, não penetrava aquele esquife, elas não podiam rivalizar com sua sede de passado. Na árvore genealógica de metal colocou as fotos de seus homens.