Há momentos em que a história deixa de ser uma sequência de fatos e passa a operar como um espelho incômodo de quem busca revisitar a história e a literatura. Foi assim que me ocorreu revisitar o Decameron, de Giovanni Boccaccio, não como erudição, mas como quem busca um espelho antigo para entender o presente.
Postagens sucessivas nas redes sociais feitas por amigos fazem-me crer em que o Paraíba, de canto a canto, como esteve há poucos dias, foi espetáculo nunca antes visto por duas gerações de paraibanos. “Este rio não enchia assim há muito tempo. Vi adolescentes assustados com o volume d’água e a força da correnteza”, contou-me o primo para quem liguei em busca de novidades.
Ítalo Calvino, no livro Por que ler os clássicos, propõe esta definição: “Os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: ‘Estou relendo...’ e nunca ‘Estou lendo...’”. Partindo dessa premissa, ouso dizer que Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é um clássico da literatura brasileira. A primeira edição foi publicada em 1938, e foram muitas as edições que se seguiram. Tenho lido e relido este livro inúmeras vezes; disponho de várias edições, algumas publicadas ainda em fins do século XX. Não tenho a 1ª edição (1938).
O livro *O Mito do Estado*, publicado em 1946 pelo filósofo alemão Ernst Cassirer (1874–1945), constitui uma reflexão filosófico-política sobre a regressão da racionalidade nos Estados contemporâneos e na geopolítica. Escrita após a Segunda Guerra Mundial, a obra busca compreender como sociedades que se julgavam orientadas pelos ideais do
Ernst Cassirer, filósofo alemão entre os principais representantes do neokantismo ▪️ Fonte: @ullstein bild
Iluminismo — como a racionalidade, o anticlericalismo, os direitos individuais e a valorização da ciência — puderam sucumbir a formas extremas de irracionalismo político. Cassirer identifica, nesse processo, o ressurgimento do pensamento mítico como uma força ativa e tecnicamente mobilizada no interior das estruturas do Estado.
Se a literatura não existisse, o mundo seria um lugar radicalmente diferente. A literatura, em suas diversas formas, é um reflexo não apenas da experiência humana, mas também uma ferramenta fundamental para a comunicação, a reflexão e a construção de identidades.
Quem, por alguma obra desse tal de destino, viu quando criança Jânio Quadros ganhar uma eleição para presidente derrotando o Marechal Lott, soube que Yuri Gagarin, a bordo da nave Vostok 1, com velocidade de 27.000 km/hora dera uma volta elíptica em torno da Terra alcançando no apogeu da trajetória 327 km de nosso planeta e ainda ouviu no rádio a notícia de que Getúlio Vargas mandara um tiro no próprio coração depois de escrever a famosa
A noite estava escura.. Lágrimas do universo banhavam a terra.
Um pacto foi feito depois que o resultado do teste foi conhecido. A decisão, tomada após longo diálogo, ditou que a SEMENTE seria arrancada, destruída, interrompida, assassinada.
Irinêo Ceciliano Pereira da Costa — Irineu Jóffily (15/12/1843 – 08/02/1902) foi jornalista, redator, advogado, político, geógrafo, juiz e promotor de justiça. Fundou os jornais “Acadêmico Paraibano” (Recife/PE) e “Gazeta do Sertão” (Campina Grande/PB). Publicou as seguintes obras: “Notas sobre a Parahyba” (1892) e “Sinopses das Sesmarias da Capitania da Parahyba” (1893).
Que me desculpem as pessoas antipáticas, mas simpatia é fundamental. Se você reclama do que tem recebido, talvez seja hora de refletir sobre o que tem emitido. Tem gente que acha ruim se chove, se faz sol, se venta. Todo tempo é ruim, e a reclamação está clamando o quê? Não se trata de pregar a positividade tóxica, termo cunhado pelo filósofo Byung Chul-Han,
“Los viajes son como pequenas vidas”
Stanislaw Ignacy Witkiewicz
(escritor, fotógrafo e filósofo)
Quando viajo, sofro da síndrome pré-viagem. Tenho angústias e ansiedades e me pergunto: pra que fui inventar isso? Quando volto, sofro de banzo. Tenho saudades dos lugares e levo alguns dias feito um zumbi, aterrizando lentamente. Vá entender! Mas é sempre um sofrimento. Custa-me. E, no meio, a explosão de felicidade e realização.
A escritora Andrea Nunes pediu que eu apresentasse seu novo livro. A Academia Paraibana de Letras foi o lugar ideal para este marcante acontecimento, evento organizado pelo Pôr do Sol Literário. O lançamento do livro “Presunção de Inocência” é um acontecimento que torna a literatura da Paraíba ainda mais nacional.
Há um ditado segundo o qual cada um morre do que vive. Quem é destemido e aventureiro corre o risco de morrer em uma de suas aventuras. Os que vivem no limite (físico, emocional ou intelectual) consomem a “reserva de vida” em nome da intensidade. Têm a morte como um risco calculado ou um subproduto da paixão. Ernest Hemingway, por exemplo, viveu de forma viril e perigosa. Sua morte por suicídio, após o declínio da saúde, foi o desfecho escolhido por um homem que não suportava a ideia de uma vida cotidiana e banal. A ausência de aventuras o tornou desventurado.
Meu amigão sempre me perguntava "onde vamos hoje", sabado à noite. Eu sugeria algum lugar bacana e ele dizia: "pode ser". O local sempre foi o menos importante do encontro. Nosso objetivo era travar diálogos sobre tudo que viesse em mente, e conviver esse tempo que Deus nos deu em boa companhia.
Os arquétipos estão presentes na mitologia; eles representam um padrão que é reconhecido através da figura do herói. O arquétipo de Minerva representa padrões de força, determinação, justiça e integridade, dentre outros. Na mitologia romana, a figura da deusa Minerva utiliza a estratégia de usar o poder da mente em circunstâncias difíceis. Na Roma antiga, ela era a protetora dos artesãos, engenheiros e arquitetos, que encontravam nela um símbolo, uma aliada divina; era a representação da inteligência, força e justiça.
Uma conversa entre pai e filho sobre a vida, a morte e o que realmente importa
1. O Quarto do Silêncio
Há momentos em que a vida nos coloca diante de uma verdade que não pode ser adiada, nem negociada. Não se trata de uma verdade acadêmica, daquelas que se encontram em teses ou manuais de filosofia. É a verdade crua, que só o silêncio absoluto consegue revelar — aquela que habita nos quartos onde antes
Li com sobressalto e tristeza a notícia da interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em razão de estado avançado do mal de Alzheimer. Ele está com 94 anos e não tem mais condições de gerir sua vida cotidiana. A solução foi os filhos requererem a interdição judicial para que possam cuidar do pai e de seu legado, sob as regras da lei. Para a família, deve ter sido uma dolorosa decisão; para o Brasil, foi uma notícia impactante.