Na história da música, especialmente do Rock'n'Roll, algumas capas de discos, elaboradas com grande criatividade, acabaram se torn...



Na história da música, especialmente do Rock'n'Roll, algumas capas de discos, elaboradas com grande criatividade, acabaram se tornando mais conhecidas do que as próprias canções, sendo copiadas e parodiadas exaustivamente, até mesmo por outros artistas.

G ermano, meu filho e mestre, escreveu, outro dia, em sua coluna no Correio da Paraíba, uma crônica sobre a Nova Zelândia exaltando as belez...


Germano, meu filho e mestre, escreveu, outro dia, em sua coluna no Correio da Paraíba, uma crônica sobre a Nova Zelândia exaltando as belezas daquele país, com destaque para suas enormes montanhas, espetáculo que tanto o maravilhou, na nossa segunda viagem àquela ilha, isolada de tudo, entre o Oceano Pacífico e o Mar da Tasmânia.
E como os meus, os olhos dele se juntaram na mesma emoção. Aqui para nós, é um espetáculo único no mundo. São quilômetros e mais quilômetros entre florestas primitivas e montanhas, com a estrada se curvando pelo meio. Montanhas imensas, gigantescas agarradas umas às outras, como se estivessem brincando de ciranda. Nunca um silêncio falou tão alto. Era a voz de Deus, o autor daquela maravilha da Natureza. E assim íamos entre as matas e as montanhas. Curioso, não vimos pássaros voando sobre aquelas montanhas, mas, segundo Germano, que se adentrou pela floresta, ouviu-os cantar lindamente. Mas, o bonito mesmo eram as cascatas que desciam daquelas alturas, silenciosas e belas, como se fossem lágrimas. Será que as montanhas choram?...
Lembrei-me, ligeiramente, de Atenas e do Havaí, cujas montanhas também são belas, juntamente com as ilhas.
Mas, como já disse, essas montanhas da Nova Zelândia são um espetáculo único no nosso planeta. Elas pareciam que estavam resguardando as cidades de qualquer ataque, de qualquer invasão.
Em baixo, vez por outra, um rio ou riacho correndo, alimentado pelas cascatas. E nada havia além do silêncio, a única música que se ouvia naquele ermo.
Germano dirigindo o carro, por sinal pela mão esquerda, coisa de inglês. Seus olhos de arquiteto chegavam às lágrimas. A verdade é que aquelas montanhas falavam. Pareciam querer proteger a Natureza contra a invasão do homem.
E a contemplação de uma montanha vale por uma prece, assim como contemplar o mar. Mas o mar – desculpe-me a Nova Zelândia – só o de Tambaú ou de Manaíra, que estão a exigir mais cuidado do Poder Público, sobretudo pelo lixo e contaminação de suas águas.
Nossas praias são um local ótimo para a meditação. E nada de patins e patinetes no passeio público, ameaçando a integridade física das pessoas.
Impossível esquecer as montanhas da Nova Zelândia, só vendo para crer.

Não me surpreendeu a morte dele, como também não me surpreende a morte dos outros. É da lei que assim seja. Ninguém escapa à sua dura inexor...



Não me surpreendeu a morte dele, como também não me surpreende a morte dos outros. É da lei que assim seja. Ninguém escapa à sua dura inexorabilidade. Agora a reflexão a fazer é esta: o que fez ele da vida e na vida? Há quem diga que ele foi para o céu, outros para o inferno, e, por fim o purgatório. Depois há aqueles que acreditam que tudo vira pó, nada mais resta. E surge a pergunta, que adianta a vida seja digna ou não, se não há nada, nem ninguém para nos julgar?
Estas reflexões me chegaram com a notícia do falecimento do meu amigo Dorgival Terceiro Neto. Um homem que sempre me deixou uma excelente impressão e também uma lição. Terceiro Neto foi um homem sereno e sério, que fez de sua vida uma obra de arte.
De poucos sorrisos, a constante nele era a seriedade, o sentimento de responsabilidade. Inimigo implacável da corrupção, sobretudo na política, a qual exerceu com muita dignidade. Seja como governador, seja como prefeito, ele sempre deu um exemplo admirável de honestidade.
O bem humorado filósofo grego Diógenes, discípulo de Sócrates que fez da pobreza extrema uma virtude, chegando a “morar” num barril, segundo a História, vivia pelas ruas de Atenas, com uma lanterna na mão dizendo-se “em busca de um homem honesto”, e isto em plena luz solar. E não o encontrou. Tenho certeza de que se o nosso Dorgival Terceiro Neto estivesse por lá, o filósofo não teria perdido o seu tempo.
Certa vez, faz alguns anos, encontrei-o casualmente em São Paulo, um pouco irritado com a deficiência auditiva. Tinha vindo do consultório médico. Abraçou-me, fez referências elogiosas às minhas crônicas, e saiu. Nunca esquecerei aquele cordial abraço e seu sereno meio-sorriso. O encontro comoveu-me.
Terceiro Neto saiu da vida pública em paz com a sua consciência, E, sem dúvida, é essa paz que lhe dará o verdadeiro paraíso.
Escritor, membro da nossa Academia de Letras, o nosso Dorgival foi um telúrico por excelência. Amava a sua terra como ninguém.
Nunca me esqueci da imagem daquele jovem casal de noivos transitando pelas ruas da cidade. Ele e Marlene... Estavam em plena lua de mel. Terceiro sempre foi um cavalheiro, homem de boas maneiras, que impunha respeito. Um homem em quem poderíamos confiar cegamente.

Os anos 70 são conhecidos como a era da pacificação, do flower power , do psicodelismo e das discotecas alucinantes. Nesse período de libe...



Os anos 70 são conhecidos como a era da pacificação, do flower power, do psicodelismo e das discotecas alucinantes. Nesse período de liberação política e cultural, as gírias proliferaram e muitas delas foram incorporadas à linguagem cotidiana, sendo faladas até nos dias atuais. Outras, contudo, caíram no desuso e dificilmente são reconhecidas pelas gerações mais novas. Você, por exemplo, conhece ou lembra de algum desses 10 vocábulos?

N ão, não foi da minha boca que saiu o E ureka , mas na dele. Dir-se-ia que estava “possuído” de um bom espírito. Foi assim. Estava...


Não, não foi da minha boca que saiu o Eureka, mas na dele. Dir-se-ia que estava “possuído” de um bom espírito.
Foi assim. Estava eu sentado num banco do calçadão da praia Manaíra, de costas para o mar, fazendo minhas meditaçõezinhas crepusculares, quando ele chegou, lançando-me logo uma censura: “Você, de costas para este mar lindo?! Um mar que não existe em Paris, uma de suas cidades favoritas, nem em muitos outros países por onde você costuma andar?...”
Ele era todo entusiasmo, aquele mesmo entusiasmo de Arquimedes quando descobriu a lei da hidrostática.
Levantei-me imediatamente do banco, abracei-o e lhe dei toda razão pelo meu alheamento. O mar lindo e tranquilo às minhas costas, e eu completamente indiferente, já pensou?
Mas Carlos é assim. Que Carlos? O cronista, ex-secretário de estado da Educação, e atual Superintendente do Departamento de Estradas e Rodagem da Paraíba, Carlos Pereira! Um homem que vive num constante estado de inspiração, sem jamais deixar de olhar para as belezas da vida. E quem vive neste estado é uma pessoa feliz.
Outro sentimento que é uma constante nele, o sentimento telúrico. Ele adora esta nossa capital, o nosso mar, o nosso Cabo Branco, os nossos flamboyants, nossas acácias, nossos pau d'arcos, que o sulista chama de “ipês”, a nossa Lagoa - nosso espelho aquático -, o mar de Manaíra. Lembrar que o cronista Carlos Pereira é um saudosista admirável. Vez por outra está transformando o passado em presente. Não me sai da cabeça o seu grito eufórico chamando a minha atenção para o mar a quem eu dera as costas. “Cronista, este mar é uma maravilha!” Pedi-lhe perdão e virei-me para aquele belo panorama, muito diferente do rio Sena de Paris. Valeu a reprimenda.
E fiquei imaginando. Se Jesus passasse por nossas praias, diria “olhai o mar de Manaíra”, e esqueceria por um momento os lírios do campo.
E também fiquei pensando: feliz é o homem que sabe sentir, observar e está sempre pronto para contemplar as belezas da vida.

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