N ão é Natal, mas recebo um belo presente de um cordial amigo. O presente veio pelo correio. É um livro, um livro escrito com muito amor. Di...


Não é Natal, mas recebo um belo presente de um cordial amigo. O presente veio pelo correio. É um livro, um livro escrito com muito amor. Dir-se-ia um livro telúrico. Sim, o autor é um eterno apaixonado pela sua terra. E a terra não é outra, senão, a Paraíba, que ele não troca por nenhuma outra. E sabe por que? Porque ela ostenta os crepúsculos mais belos do mundo. Se duvida, suba até os lajedos de Pai Mateus, lá em Cabaceiras, ou às serras de Teixeira e Santa Luzia.

E eu confesso que já fiz essa subida ao Lajedo, quando a nossa Orquestra Sinfônica realizou um concerto, naquelas alturas. Foi um momento de muita contemplação e reflexão. Ah, como nossa terra é bela!...

Pois é essa terra que o escritor e parlamentar Evaldo Gonçalves tanto exalta no segundo volume de seu livro "Da Jaramataia ao Planalto", que veio muito bonito de capa, onde se vêem até as pegadas dos dinossauros de Sousa.

Evaldo não é apenas um homem telúrico, mas um fidalgo, que traz sempre um sorriso nos lábios. Um homem que não guarda ressentimentos. Que está sempre esquecendo o lado mesquinho da vida, em que tantos se comprazem.

Esse seu livro não é somente para leitura, mas também para consultas. Uma leitura enciclopédica. E como não poderia deixar de acontecer, ele está sempre se referindo ao seu ídolo: Ernani Sátiro, outro modelo de homem digno.

Um autêntico telúrico. Dir-se-ia que ele traz o mapa da Paraíba na cabeça e no coração, Evaldo Gonçalves, o imortal de nossa Academia. Seu novo livro está mais enriquecido com duas orelhas: textos de Gonzaga Rodrigues e do próprio autor, exaltando sua bonita filha Verônica.

Foi bom que esta crônica saísse hoje, dia 5 de agosto, data de aniversário de nossa capital, que completa 428 anos. Capital que tanto amo. E quem ama, compreende, e quem compreende esquece defeitos que, porventura tenha. E, aqui, Evaldo, temos o crepúsculo mais belo do mundo, lá para as bandas do rio Sanhauá, onde nasceu a nossa capital

S im, leitor, eu me orgulho de ter assistido ao nascimento do Correio das Artes, suplemento de repercussão nacional. Seu lançamento na manhã...






Sim, leitor, eu me orgulho de ter assistido ao nascimento do Correio das Artes, suplemento de repercussão nacional. Seu lançamento na manhã de domingo, de 17 de março de 1947, pelo jornal A União, fez inveja a muita gente lá de fora, sobretudo da imprensa pernambucana, onde o poeta Mauro Mota mantinha uma página sobre Letras.
Mas, a quem devemos realmente o lançamento do Correio das Artes? Devemos a um grupo, liderado por Simeão Leal, homem de muito prestígio no Ministério da Educação e que, ao lado do poeta pernambucano Edson Regis, a quem confiou a feitura do suplemento, com uma dedicação extraordinária, realizaram o grande feito. Nessa época quem dirigia este jornal A União era Sílvio Porto, sendo governador do Estado Osvaldo Trigueiro, um homem que muito nos impressionava pela postura. Um verdadeiro diplomata, que fez questão de oferecer um almoço no Palácio da Redenção em homenagem ao Correio das Artes.
Foi um momento de muita confraternização. O governador parabenizava a todos, um a um, não só pela moderna feição do suplemento, mas pelo alto nível das colaborações.
Muitos escritores do sul, assim como poetas e pintores, fizeram questão de colaborar com o Correio das Artes, aberto a todas vocações. Hermano José, nosso artista plástico, ilustrou várias páginas do suplemento com os seus belos desenhos. O romancista paraibano José Lins do Rego fez questão de trazer sua prestigiosa colaboração.
Sob o titulo “Antologia dos Poetas Paraibanos” o Correio abrigava as colaborações de muitos poetas de valor. Até um inédito do nosso Augusto dos Anjos foi divulgado. O musicista João da Veiga Cabral mantinha uma coluna sobre música erudita, que veio valorizar ainda mais o suplemento. Outro grande colaborador foi o poeta e livreiro, autor de livros, Eduardo Martins, com os seus “haicais”.
Coube-me a direção da página “Na Espadana Branca”, título sugerido pelo poeta Edson Régis. Neste espaço eu fazia o noticiário de livros. O primeiro número do Correio trouxe um conto meu, intitulado “Noturno”, seguindo de outros. Acontece que minha primeira esposa, Carmen, mostrou-se meio enciumada com os personagens do sexo feminino, que eu narrava nos meus contos,e ela queria saber “em quem eu estava me inspirando?”. Isso foi o bastante para eu tentar outros gêneros e a crônica me pareceu o melhor, com o qual venho me dando bem.
Mas, voltando ao “Correio das Artes”, que recentemente foi repaginado, deixando de ser suplemento para ser uma revista, por sinal muito bem feita, o seu surgimento teve repercussão nacional. E estou aqui com uma coleção encadernada do Correio das Artes, que guardo com uma preciosidade.
É preciso lembar que o último número dessa coleção traz uma entrevista que fiz com o então deputado, escritor João Lélis, ex-diretor deste matutino. E, por uma questão de justiça, na história de Correio das Artes, não devemos esquecer o governador Oswaldo Trigueiro, o Dr. Simeão Leal, nem o poeta Edson Régis.

Em breve visita a Paris, alguns dias atrás, presenciamos o triste preparativo para o fechamento da Virgin Megastore, outrora um dos princip...


Em breve visita a Paris, alguns dias atrás, presenciamos o triste preparativo para o fechamento da Virgin Megastore, outrora um dos principais pontos de comercialização de CDs, DVDs e livros, na imponente avenida Champs Elysèes.

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Eles não eram peagadês. Mas, como sabiam! Tinham cultura e compostura. Impunham muito respeito, não só pelo saber, mas pele ética. Estou me referindo a um período áureo de nosso ensino secundário que me deixou agradáveis lembranças. Começo com Carlos Coelho, professor de História do Brasil, disciplina que conhecia a fundo. Duvido que algum aluno dormisse em suas aulas. Que humor na narração dos fatos! No que alude á nossa independência, sorrindo, ele dizia que segundo informavam, o nosso Dom Pedro I, depois do grito “Independência ou morte!”, que inspirou um quadro do artista Pedro Américo, sentiu uma forte dor de barriga e teve de se aliviar no matagal perto. O professor Mauro Coelho dizia isso, sorrindo. Ele sustentava o sorriso com um lenço.
Suas preleções didáticas e eruditas, repassadas de humor , nos fascinavam. E quando tocava a sineta, saíamos da sala de aula meio tristes. Não há coisa melhor do que um bom professor.
Vamos a outro mestre, Dr. Otacílio de Albuquerque, que ensinava matemática. Excelente mestre dos números. Difícil disciplina que ele sabia torná-la accessível, por incrível que pareça. E ele falava pausadamente.
Mas depois veio o Monsenhor Odilon Coutinho, cuja didática não me agradou. E vamos ao nosso professor de Francês, Celestin Mausac, com suas versões e tradições. Aprendi pouco com o mestre. E o inglês, quem nos ensinou? Não foi outro senão o professor Álvaro de Carvalho, ex-presidente do nosso Estado, substituindo João Pessoa e que faz parte da galeria dos patronos de Academia Paraibana de Letras. Álvaro de Carvalho era professor de inglês e de otimismo. Sempre revelava aos alunos a sua origem humilde. Seu pai foi barbeiro. Procurou sempre estimular os alunos e conscientizá-los da importância do tempo. Criminoso era o que matava o tempo, dizia ele. Mas o que mais me encantava em Álvaro de Carvalho era sua postura. Uma postura de dignidade. E ei-lo de carteira e carteira, perguntando aos alunos: ”What ‘s this? Era um homem íntegro, de muita dignidade. Impunha um enorme respeito. Impecável no vestir.
Outro professor de História, foi o Aníbal Moura. Sempre bem humorado, vez por outra saía da lição para criticar algo. Ele não quis acreditar que o poeta Carlos Drummond fosse o autor do poema que falava de uma pedra no meio do caminho. Aliás, o famoso crítico Agripino Grieco disse que só lamentava que não houvesse alguém para atirar aquela pedra no autor. Lembrar que o bom-humor faz parte de uma boa didática. Daí o professor sair, de vez em quando, do tema da lição.
O professor Aníbal estava sempre com uma pastilha Valda na boca para aliviar a garganta.
Que tal encerrar aqui a crônica? Sim, mas antes falemos ligeiramente do grande professor Luiz Gonzaga Burity, pai do nosso Tarcisio, que foi governador. Sereno, sério e, sobretudo, culto, o professor Burity pai fez a gente gostar de Latim. Como sabia ilustrar a disciplina que ensinava... E vamos encerrar a crônica e as aulas.

P or conta de minha alimentação basicamente integral, cuja exceção só ocorre quando saio pelo mundo afora, desta vez, atendi ao convite dos ...

Por conta de minha alimentação basicamente integral, cuja exceção só ocorre quando saio pelo mundo afora, desta vez, atendi ao convite dos amigos, e fui participar do almoço de confraternização que Fátima Bezerra Cavalcanti ofereceu aos amigos da Academia Paraibana de Letras, num restaurante aqui de Tambaú, pela sua recente e expressiva eleição como imortal daquela veneranda instituição. Resolvi substituir o prato de arroz integral por um suculento prato de camarão, que ainda está motivando minha salivação.
O restaurante estava cheio de imortais admiradores da desembargadora e escritora Maria de Fátima, cujo sorriso conseguiu amenizar o rigor da toga que veste, lá no Tribunal de Justiça.
E eu fiquei pensando com os meus botões, como é divino o sentimento de confraternização, que tanto nos distancia dos animais. Mas o que mais me encantou foi ver um José Nêumanne vindo lá do sul do país para votar e solidarizar-se com a colega eleita. O mesmo digo do nosso querido Eilzo Matos, saindo do seu sertão para votar e se confraternizar com a candidata eleita.
A alegria dominava e contagiava todos. Vi sorrisos e felicidade nos rostos do primo e magistrado Alexandre de Luna Freire, numa animada mesa, a que não faltaram Ramalho Leite, ex-superintendente deste matutino e candidato a uma vaga na Academia, o nosso Gonzaga Rodrigues, meu conterrâneo, rindo dos seus oitenta anos. Estavam também o nosso Flávio Tavares, eufórico, ainda em plena lua de mel com a imortalidade acadêmica, o sereno e discreto Humberto Melo, o poeta sempre bem humorado, Astênio Fernandes, sem esquecer o nosso Juarez Farias, o Flávio Sátiro, que está editando uma bela revista de cultura, Maria das Graças Santiago, Mercedes Cavalcanti, a nossa Pepita, em animada conversa com o historiador Wellington Aguiar, que não cabia em si de contente. Vez por outra soltando boas gargalhadas.
Mas o grande maestro daquela orquestra de solidariedade humana era, e só podia ser, o dinâmico presidente da Academia, o nosso Damião, que está fazendo bons melhoramentos na Casa de Coriolano de Medeiros, inclusive colocando corrimãos na entrada da Academia, cuidando, assim, da segurança dos imortais idosos.
E que dizer do meu amigo, primo e alagoanovense Wills Leal, cheio de vivacidade intelectual. Não dá para falar de todos. Na minha mesa estava a nova imortal, Wills Leal e o desembargador Marcos Cavalcanti, que já está de livro novo para lançar.
O ex-governador José Maranhão, contente com a imortalidade da esposa, estava também presente, em animada conversa, certamente falando de política, que é a sua “cachaça”.
E o gostoso mesmo foi o prato de camarão que me fez esquecer o arroz integral e as verduras por algum tempo.
Eleição e confraternização ao vivo. Festa de amigos. E como faz bem à saúde a solidariedade humana! Saí do restaurante não de barriga cheia mas com o coração pulsando de alegria.
E melhor ainda foi a carona que meu primo Alexandre Luna Freire deu a mim e ao Eilzo Matos, que me falou da seca do sertão, dos açudes secando. A água se tornando difícil, menos a água das lágrimas do sertanejo, que, embora, antes de tudo um forte, como disse Euclides da Cunha, já não aguenta tanta penúria e tanto descaso.

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