Graças à pousada uterina, durante nove meses pegamos carona na alimentação materna, sugando-lhe as energias, sem pagar nada. Depois somos...

O sabor da vida

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Graças à pousada uterina, durante nove meses pegamos carona na alimentação materna, sugando-lhe as energias, sem pagar nada. Depois somos forçados a deixar a silenciosa e aconchegante estalagem e lançados fora, com muita fome. Aí a gente chora. Chora com aquele ar entrando pelos nossos delicados pulmões. É como se a vida nos dissesse: acabou-se o que era doce.

Viver é comer, é alimentar-se... Aí vem a pergunta: como é que você está digerindo a vida? Com o apetite do entusiasmo?... Ou com inapetência?

É preciso que saibamos comer bem a vida, saboreando-a. Infelizmente há aqueles que não sabem degustar a vida. Que não mastigam a vida. Engolem-na. Os homens apressados são assim: não sabem usufruir o alimento vital. Daí as patologias, a depressão, o mau-humor, a raiva, a impaciência, a depressão.

A vida é alimentação. Não nos nutrimos apenas de oxigênio, nem de pão, nem de carne, nem de feijão, mas também de pensamentos, de vibrações, de sentimentos, de emoções, de palavras. Esses alimentos são sutis e invisíveis, e o seu valor passa despercebido para muitos.

Quando você conversa com uma pessoa, você está se alimentando de seus pensamentos, que tanto podem ser saborosos, sadios, como venenosos. Muito cuidado!!!

E que dizer das náuseas da vida? Há tanta gente por aí enjoada da existência, que dá dó. São os pessimistas, os desanimados, os tristes, os maledicentes, os saturados, que não encontram mais motivação nem interesse em nada. Mas o pior são aqueles que vomitam a vida, cometendo suicídio.

Nada de fastio diante da vida. Nada de enjoo, nada de azia, nada de jejum, nada de gula... Saiba saboreá-la, alimentando-se de boas ideias, de bons sentimentos. Senão vêm a indigestão, a dor, as disfunções, as cólicas das angústias. Tempere a existência com o tempero do amor, sem extremismos. A vida bem saboreada é outra coisa.
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