A primeira vez que o vi foi na livraria do Xavier, lá na rua Maciel Pinheiro. Quem m'o mostrou, foi meu irmão Orlando, que vendo-o...

A primeira vez que o vi foi na livraria do Xavier, lá na rua Maciel Pinheiro. Quem m'o mostrou, foi meu irmão Orlando, que vendo-o, cochichou-me aos ouvidos, num entusiasmo de quem fez uma rara descoberta: “olhe ali o Dr. Flóscolo, uma das maiores cabeças da Paraíba”. Olhei, era um homem magro, calvo e silencioso, que estava, a escolher livros, alheio completamente ao ambiente. E o proprietário, decerto, nunca imaginou a presença em sua livraria de personagem tão importante.

C hapéus... Antigamente, era só o que se via, seja em homens ou mulheres. O homem desprovido dele era considerado um pobre marginal. O chapé...

Chapéus... Antigamente, era só o que se via, seja em homens ou mulheres. O homem desprovido dele era considerado um pobre marginal. O chapéu definia a personalidade. Eu me lembro que minha mãe falava muito numa tal “Joaninha chapeleira”, onde adquiria seus chapéus, lá na avenida Beaurepaire Rohan.
Não me lembro onde se compravam chapéus para homens... Só sei que meu pai, que sempre foi um homem elegante, usava chapéu de palhinha e de massa. O chapéu era usado tanto pelos ricos como pelos pobres. E era com os chapéus que os homens cumprimentavam as pessoas. Que chique. Tirando o chapéu... Tal costume acabou-se. Vejam como a moda muda. Ontem prevalecia a roupa de linho branco... E o alfaiate Caldas era quem melhor roupa fazia com aquele tecido. Hoje, o tecido para as calças, por incrível que pareça, é aquele Jeans que, quanto mais desbotado, desfiado e rasgado, mais chique parece. Até que ponto chegou o exagero da moda...
Mas eu falava em chapéus, que aqui na nossa cidade só são usados pelo conselheiro e imortal Luiz Nunes e pelo ex-prefeito Luciano Agra. Ora, ora, mas não é que em Paris é só o que se vê e se vende até nas calçadas. Chapéus elegantes, bem confeccionados. E eu terminei comprando um... Fui ao espelho e este me disse, na sua linguagem muda, que o chapéu se deu muito bem no formato do meu rosto. Melhor ainda: fiquei mais jovem. Fui até honrado com uma foto usando o meu chapéu parisiense na respeitada coluna cidadã de meu amigo e vizinho de página, Abelardo Jurema Filho. Não me lembro se seu pai, o ministro e imortal Abelardo Jurema, que era um gentleman e símbolo de elegância da cidade, usou chapéu, hein Abelardinho?

 Mas eu desejo ver chapéus em muita cabeça ilustre, além das de Luiz Nunes e de Luciano Agra. E, aqui para nós, o chapéu dá mais dignidade ao seu usuário. E as mulheres, como elas ficavam elegantes de chapéu!... Será que vão voltar a usá-los? Sei não, só sei que gostei do meu, que serve até para os cumprimentos. Já houve quem dissesse que ele ficou ótimo em mim. E eis-me, novamente no espelho. Ah, cronista vaidoso... Mas, aqui pra nós, quem não é vaidoso nesta vida? Que mal faz minha vaidadezinha inocente? Culpa de Nunes, de Agra, e de Paris...

M anhã de muito sol, aqui no jardim. E faz de conta que não estou num jardim, mas numa sala de concerto. Tudo ainda é expectativa. E existe ...

Manhã de muito sol, aqui no jardim. E faz de conta que não estou num jardim, mas numa sala de concerto. Tudo ainda é expectativa. E existe nada mais gostoso do que a espera de uma boa coisa? Há silencio, e onde há silencio, há paraíso. O inferno, como dizem, além de quente é barulhento. E eis que começa o espetáculo. As borboletas, por sinal, amarelas, começam saltitar sobre as flores. Depois aparece o beija-flor, que deve ter um bico muito perfumado. Ele não chega a beijar as flores, mas suga o mel que há nelas. Não se contenta com uma somente. É grande a fome de beijos. Beijar... Haverá coisa mais gostosa? Já imaginou se não houvesse beijo no mundo? O beijo é uma transfusão de amor.
Mas voltemos ao espetáculo, aqui do jardim, com o céu azul lá em cima e a brisa desejando também beijar estas flores.
De repente, eis que aparece no cenário uma feia lagartixa, que também deseja participar da cena. Ela fica parada num canto, aguardando que lhe venha à boca um colorida borboleta. E eu fico torcendo pelas borboletas. Tão lindas!... A lagartixa decerto tem uma inveja danada das borboletas, por que elas são coloridas e podem voar.
Mas, por que condenar as lagartixas? É e compreensível que todos aqueles que se arrastam no chão tenham inveja dos que se elevam nos ares. As lagartixas não voam, embora corram que nem uma bala.
O sol já está chegando muito forte, e já é tempo de sair do jardim. A lagartixa desistiu de abocanhar a borboleta, que ainda saltita delicadamente sobre as flores, como as mãos do pianista sobre o teclado do piano.
A lagartixa agora resolveu subir no pé de palmeira, para lá do alto ficar contemplando as borboletas, no seu belo bailado.

 Como foram terapêuticos para este cronista estes minutos aqui no jardim! A gente sai com a alma perfumada de poesia. E saber que há tanta gente que passa indiferente por um jardim... Ah, Jesus venha de novo convidar os homens prosaicos a contemplar os lírios do campo. E com eles aprender a lição da transcendência.

O poeta, jornalista e historiador Eudes Barros, em uma de suas crônicas, chamou-o de “Bernardo Shaw de Chapéu de Couro”. Sim, ele era um gr...


O poeta, jornalista e historiador Eudes Barros, em uma de suas crônicas, chamou-o de “Bernardo Shaw de Chapéu de Couro”. Sim, ele era um grande humorista. Levou a vida sorrindo das nossas incoerências. Um mestre arguto, mestre na ironia e de uma sinceridade impressionante.
Era assim o nosso Silvino Lopes, nome, hoje, de uma das avenidas de Tambaú. Quem teve a iniciativa de tão justa homenagem?...
Escrevo esta crônica bastante emocionado, porquanto me fiz seu amigo. Amigo que muito admirei e respeitei. E com quem muito aprendi. Não foi meu mestre apenas, mas meu ídolo. Ao tempo em que trabalhava como revisor deste jornal, Silvino era redator-chefe. Escrevia crônicas maravilhosas, diariamente. Mas antes de sair do Ponto de Cem Réis para o bate-papo com os amigos, ele, em passos lentos, ia subindo para o jornal, devagar, com a cabeça cheia de assuntos para a crônica diária.
Silvino Lopes era realmente meu ídolo, mais do que mestre. Não era simpático de rosto. Sorria nas crônicas. Mais do que isto: dava gargalhadas intimas quando escrevia. Nada de máquinas datilográficas e sim a caneta. Eu, novato na redação, admirador incondicional de suas crônicas ocupava o birô defronte do dele. Silvino, quando não estava escrevendo, estava conversando, e para isso não faltavam amigos e admiradores. Certa vez, notei que todo aquele pessoal caiu na gargalhada apontando para mim. O que teria dito Silvino a meu respeito? Depois veio a informação, o Mestre havia dito: “Lá está Carlos Romero com aquela cara de virgem de Murilo”. O mestre fazia menção ao renomado pintor espanhol.
E de seu permanente bom humor lembro também de que quando passou por aqui, em João Pessoa, o filme clássico “À noite sonhamos”, com Cornel Wilde, sobre a vida de Chopin e com muitas interpretações de suas músicas, Silvino ficou tão encantado que foi ver de novo, mais de uma vez. Ao perguntar-lhe por que ele tinha ido assistir ao filme novamente, ele respondeu: “Carlos, hoje foi que ele tocou bem!”...
De outra vez, ele me contou que um encarregado da faxina doméstica de seu apartamento estava a varrer a sala e levantou os olhos para um retrato na parede, perguntando: “Seu Silvino, quem é esse? ”. E ele: “Esse é Eça”. Como não fazia ideia de quem era Eça de Queiroz, o rapaz saiu ainda mais confuso... Essas e outras davam a medida do bom humor de Silvino Lopes.
O tempo foi passando, e a verdade é que Silvino se tornou meu mestre e amigo. Confidenciou-me muita coisa. Certa vez chegou a me confiar a conclusão de uma de suas crônicas. ”Termine aí” - disse se levantando do birô, pois tinha um compromisso. Suei de medo. Mas exultei com a confiança do mestre.
Escreveu dois livros de crônicas: “Sombras que tiveram nomes” e “Memórias de um sargento de malícias”. ” Livros que tive a agradável surpresa de encontrá-los no Sebo Cultural, do meu amigo Heriberto Coelho.
Não esquecer que o grande cronista foi também um grande teatrólogo. Escreveu as peças “Ladra”, encenada no Teatro Santa Roza, e que me fez chorar; e “Homem bom”, que não tinha nada de bom. Pura ironia do grande humorista.

A qui para nós, eu nunca vi em minha longa vida, uma amizade tão profunda, tão reverencial, da parte do neto. Mas qual o neto que tem a feli...

Aqui para nós, eu nunca vi em minha longa vida, uma amizade tão profunda, tão reverencial, da parte do neto. Mas qual o neto que tem a felicidade de ter um avô como aquele? Um mestre por excelência, integro até demais, incapaz de um deslize, que, como Secretário do Interior de nosso Estado, me impressionou pelo zelo com a coisa pública. E eu fui seu assessor. Assessor e aluno ao mesmo tempo. Ele, vez por outra, me chamava para ouvir um de seus eruditos arrazoados. Tinha grande confiança em mim, e isto fazia aumentar ainda mais minha responsabilidade.
E sabe de uma coisa? Foi ele quem arrumou o meu primeiro emprego, depois de formado. Nomeou-me Juiz Substituto de Santa Rita. E para quem estava necessitado de prática forense, aquela nomeação foi um maná do céu.
Mas já é tempo de revelar o mestre e amigo, não esquecendo o talentoso neto: Osias Gomes e Cleanto Gomes Pereira, hoje advogado de nota e cronista.
Osias muito me impressionou, não só pela cultura, como pela ética. Profundamente religioso, conhecia a Bíblia palavra por palavra. Escreveu uma excelente biografia, sob o pseudônimo Baruque. Fez parte de nossa Academia de Letras, aumentando ainda mais o conceito daquela magna instituição.
Osias Gomes foi um exemplo de conduta e cultura. Escrevia com uma invejável presteza, enchendo laudas e mais laudas de papel.
Mas cometeria uma injustiça se esquecesse de mencionar, aqui, o belo trabalho biográfico, de autoria do neto Cleanto, e que me chegou às mãos como uma dádiva. Um trabalho que vale por uma enciclopédia sobre o ilustre e querido avô. Presente do neto privilegiado. Trata-se de “Permanência de Osias Gomes”, que nenhum paraibano pode deixar de ler.
Osias era todo dinamismo, nunca estava parado. Perspicaz, às vezes irônico. Lembro de um fato que dá a medida de seu humor. Fomos a Pilar, numa homenagem a José Lins do Rego. Uma comitiva ilustre, a maioria de membros de nossa Academia. No alpendre da casa, onde nos hospedamos, podia faltar tudo, menos amendoim, já torradinho sobre uma larga mesa. Porém, ninguém quis prová-lo. Mas, Osias, observador, cochichou-me aos ouvidos, sorrindo: “o padre foi a exceção”. Sim, um sacerdote, que não me lembro quem, fazia parte da comitiva, e comeu muito amendoim.

 Assim era Osias, culto, cheio de idéias, sincero e com grande apetite para a vida.

F ui, por recomendação do nosso médico de família, Marco Aurélio Barros, tomar meu bom banho de sol, e o local escolhido foi a praia de Mana...

Fui, por recomendação do nosso médico de família, Marco Aurélio Barros, tomar meu bom banho de sol, e o local escolhido foi a praia de Manaíra, um dos locais mais bonitos do mundo, com o mar querendo derrubar a parede que o impede de um maior avanço de suas ondas. E eu fiquei todo aberto ao sol. Uma beleza. Disse-me o nosso médico que o sol, até às dez horas, é medicamento excelente para os ossos e metabolismo de vitaminas. E viva o nosso esqueleto, pois sem ele seriamos um amontoado de carnes sem nenhuma consistência. E o pior é que não temos esqueleto de reserva. Jamais iremos a um shopping comprar uma armadura óssea nova...
O sol, lá do alto, sorria o seu sorriso de luz. Sorriso medicamentoso. Não sei se o Dr. Marco Aurélio tem tempo para fazer o que fiz. Claro que não. Mas valeu a pena ficar ouvindo o mar, vendo o sol e ouvindo o vento. Não durou uma hora e me levantei, já pensando que, à noitinha, vinha outra recomendação. Não do Dr. Marco Aurélio, mas do Ronald Farias, o homem que andou mexendo nos meus ossos, e que terminou me fazendo andar, coisa que não estava conseguindo. Lembrar que foi em Jerusalém, há mais de dois anos, que começou minha estenose lombar, obrigando-me a andar de cadeira de rodas, até mesmo em Londres ao som do Big-Ben.
E sabe um exercício receitado pelo Dr. Ronald? Hidroginástica. Que gostosura entrar numa piscina morna e se sentir leve com uma pena. Fui entrando na piscina, onde já estavam outros companheiros, inclusive meu filho-arquiteto Germano, pensando em Arquimedes, o homem que descobriu a hidrostática, isto é que na água perdemos peso.
E assim, eis-me com os meus companheiros, sob as ordens da jovem professora Catarina Guimarães, fazendo uma porção de exercícios, e até umas partidas de voleibol. Tudo disso dentro d'água.

 E viva os cuidados com o nosso corpo. Nada de estragá-lo com má alimentação, cigarro, álcool e ociosidade. Não esqueçamos que o nosso corpo nos foi confiado por Deus. Daí nossa grande responsabilidade para com ele. Saímos da água como se estivéssemos com o corpo e a alma limpos. Graças às recomendações médicas.

Esqueça Pindamonhangaba, Itaquaquecetuba, Birigui e outros locais com denominações excêntricas. Pelo Brasil afora existem cidades e vilare...



Esqueça Pindamonhangaba, Itaquaquecetuba, Birigui e outros locais com denominações excêntricas. Pelo Brasil afora existem cidades e vilarejos batizados com nomes bem mais diferentes e curiosos. Veja esses:

V amos fazer desta crônica uma conversa. Aliás, toda crônica é uma boa conversa fiada. Fiada ou confiada, pouco importa. Assim, vamos à crôn...

Vamos fazer desta crônica uma conversa. Aliás, toda crônica é uma boa conversa fiada. Fiada ou confiada, pouco importa.
Assim, vamos à crônica, ou melhor, à conversa. Conversa íntima. E sabe qual o seu tema? As coisas detestáveis da vida. Será que o leitor concordará comigo? Vamos lá.
Comecemos por esta coisa odiável, que se chama barulho excessivo. Nossa capital, há muito, que é líder em poluição sonora. E não se vêem campanhas educativas do poder público para esclarecer sobre os seus malefícios e sobre o desrespeito ao sossego alheio.
Vamos adiante. Que tal uma visita inesperada, que chega sem avisar? Como é constrangedora! Mais outra: certos telefonemas, oferecendo seguros de vida, cartões de crédiot, e sempre com aquele antipático e artificial sotaque sulista...
E que dizer do trânsito engarrafado? Quanto a mim, costumo sempre botar uma boa música, no som do carro, abrir um livro. Ou senão fazer uma reflexão filosófica.
Outra coisinha detestável é ver uma cara de mau humor, uma carranca, pois existem pessoas que olham a vida como se estivesse cheirando mal... Coitadas.
E que dizer de gente que buzina sem necessidade na rua, às vezes de forma insistente e prolongada? É de a gente tapar os ouvidos. A mesma coisa diremos no que diz respeito à linguagem vulgar, pornofônica de certas músicas populares. Além do linguajar, um péssimo hábito de que, lamentavelmente, a juventude de hoje está contaminada. Outrora, se não me engano, havia uma polícia de costume para coibir tais abusos.
Vejamos, agora, outra coisa chata, chata não, detestável: os fogos de São João. Dessa comemoração ao santo, só se salva mesmo é a comida. Cangica, milho assado, milho cozinhado, , pamonha.
Sim, já ia me esquecendo de outra coisa abominável: as bombas de São João. Fogos, só os de artifício, que silenciosamente iluminam as nossas noites.
E que dizer do mau humor? Ah, é preciso muito bom humor para suportar um sujeito mal humorado.
E antes que se acabe a crônica, ou melhor, essa conversa fiada, que tal mencionar as salas de espera dos consultórios médicos, sobretudo com aquela TV ligada para entreter as pessoas?

 Fiquemos por aqui, e pensemos nas coisas boas da vida.

Muitas vezes precisamos fazer um pequeno ajuste em uma fotografia e não dispomos de nenhum editor de imagem. No trabalho, por exemplo, temo...


Muitas vezes precisamos fazer um pequeno ajuste em uma fotografia e não dispomos de nenhum editor de imagem. No trabalho, por exemplo, temos aquela foto especial que necessita de um simples retoque, um pequeno corte, uma clareada, mas o velho PC corporativo não tem nem mesmo o pré-histórico Paint para essa tarefa básica.

A s batinas de antigamente eram pretas. A Igreja evoluiu e elas desapareceram. O sacerdote, então, passou a usar roupa como os demais homens...

As batinas de antigamente eram pretas. A Igreja evoluiu e elas desapareceram. O sacerdote, então, passou a usar roupa como os demais homens. Mas, falemos dos padres da batina preta que cruzaram o caminho de minha existência. Foram tantos! E muitos deles me ensinaram muita coisa. É o caso de dizer, não é o hábito que faz o monge.

E eu não sei por onde começo. Ah, já sei, vou começar pelo padre Abath, que foi meu vizinho, quando eu vim morar na Rua Nova. Ele ainda era seminarista. Bonito, educado, as meninas do colégio faziam tudo para namorar com ele. O seminarista, porém, só tinha um amor. O amor a Deus. Foi fidelíssimo ao seu sacerdócio. Depois, tornou-se padre, e por algum tempo ocupou o microfone da Rádio Tabajara com suas inspiradas mensagens.

Como disse, ele morava na Rua Nova, vizinha à nossa. Uma residência de espíritas ao lado de uma residência de católicos. Meu pai era presidente da Federação Espírita Paraibana. Meu pai desencarnou, e pouco tempo depois, padre Abath, encontrando-se comigo, disse em voz alta, do outro lado da calçada: “Seu pai foi um santo” Ah, como isto me consolou e como aquele sacerdote cresceu na minha admiração... Padre Abath, jamais o esquecerei.

Mas vamos a outras batinas pretas. E quem me chega agora à imaginação é o padre Zé Coutinho, estendendo-me a mão e dizendo ’Um dinheirinho para os meus pobres, prezado”. Não, nunca houve na Paraíba um missionário como aquele, um verdadeiro amigo dos pobres, cujo Instituto ensinava muita coisas, a começar pelos cursos de datilografia. Padre Zé Coutinho vestia uma batina meio rota, terminou sua missão aqui na Terra numa cadeira de rodas e munido de uma vareta com que cutucava as pessoas pedindo dinheiro para o seu Instituto.

Curioso, ele, toda vez que se encontrava com o meu pai, a primeira pergunta era: “Como vai teu Espiritismo, Zé Augusto? “Sim, ambos tinham sido colegas no Seminário Diocesano, desta Capital.

Minha gente, padre Zé Coutinho foi um santo, um verdadeiro discípulo de Jesus. Uma batina que só fez amar ao próximo, não apenas com os atos, mas com a palavra, usando o microfone de seu programa na Rádio Tabajara, todos os dias.

Mas vamos a outras batinas. No antigo Liceu Paraibano, tive professores padres, desde o Monsenhor Pedro Anísio que ensinava português; o Monsenhor Odilon Coutinho, professor de matemática; disciplina que não consegui aprender, e o padre Matias, que ensinava Geografia, mas que, um dia, achou de examinar as unhas dos alunos para saber quem as tinha sujas...

E o Padre Matias, político, inteligentíssimo, e, sobretudo, homem de letras? Foi um dos fundadores de nossa Academia. E vou encerrar a crônica com o padre Hildon Bandeira, que tinha horror ao Espiritismo, a ponto de escrever uma série de artigos, no jornal católico A Imprensa, sob o título geral “Guerra ao Espiritismo”. Mas quem enfrentou o padre foi Horácio de Almeida, advogado, homem culto e que adorava polêmica. O padre não resistiu aos argumentos de Horácio, e terminou saindo da polêmica por ordem do arcebispo Dom Adauto.

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