C om Paris molhada e fria, qual a melhor opção? Que tal assistir a um concerto nas Salas Pleyel, na Sala Gaveau, ou no Teatro Champs Elysées...

Com Paris molhada e fria, qual a melhor opção? Que tal assistir a um concerto nas Salas Pleyel, na Sala Gaveau, ou no Teatro Champs Elysées? Que tal um passeio pelo Louvre, pelo Orsay ou uma livraria?... Que tal um restaurante, que aqui na Cidade Luz é o que mais se vê. Gosto de ver as pessoas conversando, sorrindo e comendo nos restaurantes. Se não existisse a boca que seria do turismo? Conquanto sempre se falando baixinho, os idiomas se chocam nas animadas conversas, e às vezes, até se escuta um parabéns pra você, de um grupo comemorando um aniversário. Como somos amigos da velhice a ponto de cantar parabéns para quem completa mais um ano de existência!... As pessoas costumam dizer: “ele completou mais uma primavera”. Por que não um outono ou um inverno?

A verdade é que sem restaurantes não haverá turismo. Chegam até a dizer: “Bacalhau só em Lisboa”. Concordo em parte, pois foi, aqui em Paris, que também me deliciei com um gostosíssimo bacalhau, sem falar o delicioso que a nossa chefe de cozinha, aqui de Tambaú, sabe muito bem preparar.

Falei em livrarias, museus, salas de concerto e me esqueci da maior casa de espetáculos de Paris, que é a Ópera Garnier, que não se deve conhecer somente por fora. Que beleza de teto, que luxo, que grandiosidade artística em todos os detalhes! E eu com medo de tropeçar nos luxuosos tapetes, já que nossos olhos estavam passeando pelos belos tetos daquele luxuoso templo da arte.

Essas oportunidades de rever a Ópera, sempre devemos ao planejamento cultural do comandante de nosso grupo, meu filho Germano. E sabe qual foi o último cardápio? Tome nota: “O Anão”, de Zemlinsky; e “A criança e os sortilégios”, de Ravel, baseado num conto de Colette. E eu não conseguia tirar o olho do teto da platéia, pintado por Marc Chagall...

O teatro enorme, chamando a todo instante o nosso olhar de contemplação. Fui me demorando, me demorando e, de repente, não vi mais ninguém. Até os meus familiares já estavam lá fora, quando duas moças recepcionistas, muito bem uniformizadas, que estavam à porta, vieram me chamar, pois a Ópera ia fechar...

Q ual será a maior força do mundo? O amor, o sexo, o poder, o dinheiro? Ora, a maior força do mundo, a grande energia da vida, não poderia s...

Qual será a maior força do mundo? O amor, o sexo, o poder, o dinheiro? Ora, a maior força do mundo, a grande energia da vida, não poderia ser outra senão a fé. Uma palavra de apenas duas letras. E você não precisa de muita fé para conseguir as coisas. Basta um tiquinho dela. Não sou eu quem está afirmando isto. Quem disse essa paradoxal afirmação foi Jesus. Ei-la: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível”,

Mas não vamos interpretar ao pé da letra muita coisa que Jesus disse. Essa afirmação a respeito do grão de mostarda e da montanha é apenas uma figura alegórica ou simbólica. Ele quis dizer que o sentimento de fé, por pouco que seja, surte um grande efeito.

Lamentável é o desânimo, o ceticismo, a apatia, o medo, a indiferença. Sim, o medo, que é o avesso da fé. O medo é um sentimento negativo. O medo nunca criou nada, nunca descobriu nada, nunca produziu nada, nunca fez nada. Se os grandes descobridores e inventores tivessem medo, que seria do progresso? Se Santos Dumont tivesse medo, como entraria naquela geringonça que ele inventou? Se Jesus tivesse medo, não faria as curas que fez. E chegou a dizer que a cura resultou da fé do curado. Era preciso que houvesse um encontro da fé do Mestre com a fé do curado. Uma questão de sintonia.

Jesus submeteu os apóstolos a muitos testes de fé. E eles falharam. Certa vez, estava o Mestre numa embarcação, no mar da Galiléia, com os apóstolos. Ele estava descansando, e, de repente, uma tempestade: trovões, relâmpagos, ventania. Os apóstolos se assustaram, gritando horrorizados com o que estava acontecendo e acordaram Jesus: “Mestre, mestre!”. Jesus abriu os olhos, mandou que a tempestade cessasse. E voltando-se para eles, disse: Ah, homens de pouca fé!”...

Houve também aquele outro episódio, quando o Mestre resolveu dar um passeio sobre as ondas. Os apóstolos ficaram com inveja. Foi então quando Jesus convidou Pedro para imitá-lo. Pedro ainda deu alguns passos, mas teve medo, e ia se afundando, pedindo ajuda do Mestre. Este, sorrindo, apenas exclamou: “Ah, homem de pouca fé!”...

Onde não há fé, há medo. Pedro e os apóstolos não tiveram fé, nem neles, nem em Jesus. No entanto foi Pedro a quem Jesus comparou a uma pedra. A pedra que ele ergueria a sua igreja. A pedra da fé.

Mas todos nós temos fé na vida. Só os suicidas é que perderam essa fé. Ignoramos o futuro, não sabemos o que vai nos acontecer, no entanto, continuamos vivendo, confiando fazendo da vida um ato de fé.

A vida é, incontestavelmente, o nosso maior teste. Teste da fé que Deus nos deu. Viver é enfrentar o desconhecido sem medo. E o que é a vida senão uma aventura, um salto no escuro? Vivemos sem pensar na morte, sem pensar no que vai nos acontecer.

E vamos encerrar a crônica com estas palavras de Jesus: “Pedi, e vos será dado, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á. Haverá melhor receita de fé do que esta?

J esus, como é sabido, teve como berço uma manjedoura. Nasceu entre animais, longe do luxo. Mas essa manjedoura, na noite em que ele nasceu,...

Jesus, como é sabido, teve como berço uma manjedoura. Nasceu entre animais, longe do luxo. Mas essa manjedoura, na noite em que ele nasceu, iluminou-se com a forte luz de uma estrela. Nenhum palácio gozou desse prestigio.

Um famoso escritor italiano, cujo nome se esconde agora na minha memória, disse que os cristãos ricos, que nasceram em luxuosos palácios, sem dúvida, sentem uma grande vergonha de seu deus ter escolhido lugar tão humilde para nascer. Se fosse num apartamento ou numa cobertura de luxo...

Outra coisa que os cristãos ricos lamentam: Jesus haver escolhido para mãe uma mulher simples, uma mulher do povo. A mesma coisa em relação ao pai, um humilde carpinteiro, que, decerto, fez muitos móveis e, sem dúvida, muitas cruzes. E eu fico na dúvida se entre estas cruzes, não estaria a que Jesus foi pregado, depois de uma longa caminhada sob os açoites da multidão que o acompanhou até o Gólgota, o “monte da caveira”. Dizem que ele caiu três vezes, pois a cruz era muito pesada, até que um cirineu o ajudou, a pedido da multidão desvairada. Seu rosto sangrava devido aos ferimentos da coroa de espinho que lhe enfiaram na cabeça. E deveria ter sofrido uma grande dor. O sangue escorria pelo rosto. Jesus não deu um gemido. Tudo suportou em silêncio. As mãos, suaves como pétalas, que tantas curas promoveram, iam sofrer dolorosas marteladas. Mãos que suavisaram tantas dores...

Pagava pelo crime de ser bom. O crime de dar vista aos cegos, movimentar paralíticos, limpar leprosos, aliviar obsediados, multiplicar pães para a multidão faminta, pregar o amor, a caridade, a justiça.

Morto de cansado, o suor escorrendo pelo rosto, eis que o pregam na cruz de madeira, com cravos enormes. A cruz que saiu de uma carpintaria. Teria sido da carpintaria do pai? Ah, cronista curioso...

E eis Jesus entre dois ladrões. Pediu água para matar a sede e lhe deram vinagre. Mesmo assim, exausto, quase morto, ainda teve ânimo de dizer para os seus algozes: “Pai: perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”. Que exemplo de compreensão, sabedoria e amor ao próximo...

E m mãos o mais recente livro do amigo e colega da Academia de Letras, Sérgio de Castro Pinto, intitulado “A flor do gol”, vindo à luz, just...

Em mãos o mais recente livro do amigo e colega da Academia de Letras, Sérgio de Castro Pinto, intitulado “A flor do gol”, vindo à luz, justamente, por ocasião da recente Copa do Mundo. Foi-se a Copa e ficou o livro para nos deliciar com seu criativo e inteligente texto.

E o poeta começa o livro se referindo aos saudosos dribles de Garrincha, que tanto irritaram os adversários do gramado, graças aos “parêntese das pernas tortas”, como descreve Sérgio.

Mas o autor não fica atrás com seus dribles de linguagem e vai ouvir os animais, o que me faz lembrar do seu antológico “Zoo imaginário”, um livro que li e depois fui comprová-lo na visita que fiz ao Taronga, o famoso Zoológico de Sidney, na Austrália.

E eis aqui o nosso poeta olhando o miúdo e incansável caminhar das formigas, carregando folhas mortas. Ora, como Sérgio sabe ver o que muita gente olha e não vê. Bem dizia o mestre Machado de Assis que a vantagem dos míopes é que vêem, onde as grandes vistas não alcançam.

O poeta também vira cronista, no poema Urbano, ao acompanhar a caminhada de um vira-latas pela calçada da cidade que ele conhece na palma das patas.

No poema Exílio, a sensibilidade de Sérgio chega ao auge. Poucos, muito poucos mesmo, ao verem um móvel de madeira numa sala, fazem as reflexões sobre a árvore donde veio aquela madeira. “A árvore que foi (no exílio da sala)”. É o caso de dizer: na linguagem de Sérgio, a filosofia, muitas vezes, se alia à poesia.

Afinal ver bem é ver em profundidade. É ver o que o olhar comum das pessoas não vê, o que passa despercebido pela maioria.

Ora, fazer poesia num campo de futebol, ver o gol como uma folha seca, só mesmo um Sérgio, com sua sensibilidade, sua imaginação fértil, sua inteligência refinada, sua acuidade lírica.

E para concluir, destaquemos que “A flor do gol” tem embasados pronunciamentos dos mestres João Batista de Brito e Hildeberto Barbosa Filho, o que valoriza ainda mais o livro.

E xiste uma sinonímia entre amor e caridade? Se existe, para que estar usando os dois sentimentos como se fossem sinônimos? A Doutrina Espír...

Existe uma sinonímia entre amor e caridade? Se existe, para que estar usando os dois sentimentos como se fossem sinônimos? A Doutrina Espírita é a única religião que erigiu como seu postulado básico o slogan “Fora da caridade não há salvação”. Não disse: “Fora do amor não há salvação”. Por que? É que há uma diferença entre as duas virtudes. O amor é amplo, enquanto a caridade é restritiva. A caridade tem como objeto o ser humano. É amor, sim, mas fraterno. Você ama a Natureza, você ama a Deus, você ama os animais, mas você não faz caridade a Deus, nem ao seu cróton.

Portanto, nada de estar misturando as coisas. Tanto o amor, que é gênero e a caridade, que é espécie, merecem o nosso respeito, a nossa reverência. Jesus disse: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. O outro é o próximo. E ele ilustrou muito bem a caridade quando narrou a parábola do bom samaritano, em que este cuidou de um homem ferido na estrada. Uma eloquente prova de amor ao próximo. Se esse mesmo homem tivesse acudido um cachorro ferido, seu ato seria classificado apenas como amor. A caridade, repitamos, é amor ao semelhante.

Ninguém exaltou tanto a caridade como Paulo de Tarso na Epístola aos Corintos. Ele não fez referência ao amor e, sim, à caridade. Ouçamo-la “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos e não tivesse caridade seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência e ainda que tivesse toda a fé de maneira tal que transportasse os montes, mas não tivesse caridade, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria”.

Por que Paulo não fez referência ao amor, esse sentimento que tem o ser humano como objeto? Não resta dúvida, é porque caridade tem sentido restrito e o amor é genérico. Não vão os espíritas modificar o “slogan” para “fora do amor não há salvação”. A caridade é amor restrito ao ser humano.

E para finalizar, vejamos, em “O Livro dos Espíritos”, a enumeração das leis morais: a última é Lei de Justiça, Amor e Caridade. Está aí evidente a diferença entre o amor e a caridade.

Reiteremos que ninguém ensinou tão bem o que era caridade como Jesus, com suas curas maravilhosas ao limpar leprosos, levantar paralíticos, dar visão aos cegos, estancar a hemorragia de uma mulher que sofria do mal há muito tempo, aliviar os obsidiados, dar voz aos mudos. Fez tudo isso sem cobrar nada. O que ele desejava é que todos amassem os outros como ele nos amou. E o Mestre ensinava e exemplificava. Ensino sem exemplo é cheque sem fundo. Por fim, advertiu que “se conheceriam os seus discípulos por muito se amarem”.

Amor e caridade, eis o grande binômio, cada um com a sua especificidade. Agora repitamos a pergunta: caridade é amor? Sim, mas que tem como objeto o ser humano, por conseguinte o amor fraternal.

Que seja respeitado o belo dístico da Doutrina Espírita: “Fora da caridade não há salvação”. Salvação que poderá ser substituída por evolução, até chegar à perfeição, como Jesua recomendou: “Sede perfeito como perfeito é o vosso Pai. Haverá maior prêmio do que este?

E is aí a trindade máxima. Impossível imaginar o mundo sem essas três realidades. E vem a indagação: que seria da vida sem a Natureza, sem o...

Eis aí a trindade máxima. Impossível imaginar o mundo sem essas três realidades. E vem a indagação: que seria da vida sem a Natureza, sem o Homem e sem Deus? E há quem não acredite em Deus, que tudo foi criado não por uma causa, mas pelo acaso. Você quer uma definição da Divindade, curta e certa? Por sinal é a primeira questão de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec. Não vejo definição melhor. E olhe que Deus não era nem para ser definido. Mas veja a questão que abre aquela obra. Lembrar que O Livro dos Espíritos é constituído de perguntas e respostas.

A pergunta é “O que é Deus?” Curioso. Por não é “Quem é Deus?” Ora, cronista, é por que “quem” implica numa pessoa. E Deus não é antropomorfo, isto é, não tem forma humana. Mas vamos logo à definição. Ei-la: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”. Aí está a Natureza, uma grande criação da Divindade. E vem Spinosa, o grande filósofo holandês, e disse que Deus é a Natureza. E quase o mataram por essa definição da divindade. Ainda bem que não foi atirado à fogueira, pois o mundo hoje é outro. Mas, antes... É só abrir a História.

Deus criou tudo. Criou o Universo, com suas estrelas, criou a Natureza, criou o Homem, criou até o mosquito da dengue, criou o mofo donde saiu a penicilina. E dizem que Ele criou até Satanás, um espírito rebelde, que mora no Inferno, onde nunca permanece, porquanto só vive atanazando os outros.

Certa vez, Napoleão, que acreditava em Deus, ia, com suas tropas caminhando pelo deserto, numa noite muito estrelada, quando, extasiado, perguntou a um famoso astrônomo, que integrava sua comitiva e que era cético em relação à existência divina: “Mestre, você acredita em Deus?” Imediatamente respondeu o sábio: “Ainda não estudei essa hipótese”. Aí Napoleão veio com a pergunta: e quem criou estas estrelas? O acaso? O sábio deu o silêncio como resposta.

É a tal coisa, Deus é a sua própria obra. O acaso não cria nada. Aludi à Natureza, ao ser humano e a Deus, justamente os temas que mais inspiraram o genial Beethoven. O Homem está na Quinta Sinfonia, uma espécie de biografia do gênio, a Natureza na Pastoral e na sonata Aurora, e Deus na Nona Sinfonia, a sinfonia da alegria, da transcendência.

Nesse negócio de pai, eu sou PHD. Tenho dois filhos maravilhosos,cada um com o seu modo de ser. Um moreno o outro louro. Um nascido em Camp...

Nesse negócio de pai, eu sou PHD. Tenho dois filhos maravilhosos,cada um com o seu modo de ser. Um moreno o outro louro. Um nascido em Campina Grande, outro aqui em João Pessoa.

Dois temperamentos díspares. O primogênito, hoje Pós-doutor em Física e o segundo, caçula, que desde pequeno anda sonhando com as alturas. É arquiteto, cronista, articulista e parceiro da RCTV. Eu não sei como é que ele estica o tempo para tantos compromissos.

O físico me deu dois netos: o Carlos Augusto Romero Neto, vulgo Tuquinha, e a Raíssa. Sou pai e avô! Como pai nunca bati nos filhos, a não ser uma palmadinha no caçula, que, um dia, cismou de não querer ir para a escola. Como são homens de bem, julgo-me um homem de bem. Nem o caçula, nem o primogênito tiveram vícios, embora o pai fosse um fumante inveterado, que só não morreu de câncer pulmonar porque largou o vício em tempo.

Ambos eram loucos pela mãe, que morrera de meningite e que não está mais, neste mundo. E o importante é que ambos se dão muito bem com a madrasta, minha esposa Alaurinda, chamada“boadrasta”.

Sou talvez o pai mais feliz do mundo. E agora estou me lembrando de Jesus, que só vivia falando no Pai, nosso Deus. Não fez referência ao pai terreno, o pai marceneiro, José, casado com Maria, mas como amava o Pai, que está nos céus!

Ser pai! Que grande responsabilidade! Pai de consciência tranquila, pois é à consciência a quem devo prestar contas. Não há travesseiro melhor do que uma consciência limpa.

Dois filhos, dois netos, uma nora muito meiga, chamada Aninha. E é isto que dignifica a vida. O neto, Tuquinha, que vai completar 18 anos, é um amor de rapaz. E a irmã, Raíssa, de 14 anos, me telefonou, outro dia, dizendo que acabava de ler um livro de RubemAlves, falecido recentemente.

Dia dos Pais! Pensando bem, todo dia é dos pais. A eles Deus entregou o comando da família. Infeliz daquele que não faz da paternidade uma missão...

E, antes de fechar a crônica, me vem a lembrança do meu pai, que foi um paizão com quem muito aprendi. Quando ele morreu, à beira do túmulo, eu disse algumas palavras de saudação que terminou com um “até logo, papai”. Isto em homenagem ao espírita que ele foi.

E stive pensando... Que seria do mundo sem as bolas? Olho com os meus olhos, que são bolas. Olho a noite estrelada e o que vejo? Os astros, ...

Estive pensando... Que seria do mundo sem as bolas? Olho com os meus olhos, que são bolas. Olho a noite estrelada e o que vejo? Os astros, ou melhor, os mundos em forma de bolas, a começar pela nossa Terra, nossa Lua, nosso Sol. E viva o redondo!

Se as bolas fossem extintas, que seriam de muitos esportes, a começar pelo futebol, que todos os dias nos dá lição de moral. A bola estaria representada pelo dinheiro. Todo mundo buscando a chamada pelota. Mas, não devemos querer juntar muito dinheiro. O dinheiro precisa sair, circular, promover a riqueza, No futebol, assim como no basquete, nenhum jogador fica com a bola. Ele tem de passar para o outro. Só o juiz, quando o jogo acaba é que pode segurar e sair com a bola.

Bolas, bolas, este cronista parece que não está bem da bola, isto é, do juízo. No nosso corpo, além do chamado globo ocular, temos os seios, que são redondos. Os seios femininos, digo, porquanto os masculinos são apenas uma amostra. Não servem para nada. São decorativos. Quando alguém desejar conhecer uma coisa inútil, cite o peito do homem.

Dizem que o arquiteto Niemeyer, que meu filho arquiteto não me deixe mentir, inspirou-se no redondo, nas curvas, ao invés das linhas retas. A curva é que dá graça. E viva a curva feminina.

Contesto o ditado: “Deus escreve certo por linhas tortas”. A ortografia divina nunca foi torta.

Se não houvesse o redondo o que seria do Universo? Até as galáxias são em forma de espiral. Impossível imaginar um mundo apenas de linhas retas, com exceção da linha do horizonte, que na verdade, é fictícia. As frutas, quase todas, em geral, são redondas.

Voltando ao futebol, ele também dá uma magnífica lição de solidariedade, de altruísmo. O jogador nunca prende a bola para si. Passa logo para o outro. Nem o goleiro a prende. Passa logo para o companheiro.

Costuma-se dizer: fulano não é bom da bola. Portanto, viva a bola. E eu já estou receando que o leitor diga que o cronista não anda bem da bola.

Pensando bem, mil vezes a bola do que a bala, tão em voga hoje em dia...

N ão gosto de barulho. Quando ouço o barulho, meu desejo é sair correndo e pedindo socorro, como se estivesse sendo perseguido por um monstr...

Não gosto de barulho. Quando ouço o barulho, meu desejo é sair correndo e pedindo socorro, como se estivesse sendo perseguido por um monstro. E o barulho é um monstro. Foi Satanás, se é que existe, e, se existe, foi criado por alguém, quem inventou o barulho.

E onde não existe barulho? No fundo do mar, na Natureza, nos mosteiros, no nosso corpo, este maravilhoso templo de carne e osso que Deus nos deu. O sangue corre numa mudez admirável, os pulmões respiram sem incomodar ninguém, o coração idem, a digestão se processa também em silêncio, o mesmo diríamos do cérebro.

E a Natureza? Haverá maior silêncio do que as flores se abrindo, das árvores que o vento agita. Estou, aqui, no jardim, as borboletas beijam as flores e, sem dúvida, murmuram palavras de amor...

O mar, os rios, os lagos são lugares de muito silêncio. O homem é que adora barulho. Por que? Deve ser para esquecer os problemas de consciência, pois o silêncio faz você pensar, conversar consigo mesmo. Por incrível que pareça, há religiões que adoram o barulho, esquecidas de que Deus pede silêncio. Bem disse a missionária Tereza de Calcutá: “Não se pode encontrar Deus no barulho”...

Estive lendo este relato sobre Viena, a propósito de seu tradicional silêncio: “Quando Mozart compunha, no século XVIII, a cidade de Viena era tão silenciosa que um alarme de incêndio podia ser dado por um vigia gritando do alto da Catedral de São Estevão”. Evidente que hoje ainda é quase assim.

Continuando, também fui informado que as aranhas colocam nos fios da teia um liquido que amortece o barulho lá fora.
Um dos momentos de nossa vida mais importante é, sem favor, a hora da refeição, que deveria ser sem conversa alta, gargalhada e discussões... Lembrar que a refeição é um ato que tem muito de religioso.

Mas bom mesmo é o silêncio. É com ele que a gente conversa consigo mesmo. Acontece que muita gente vive correndo de si mesma, por isso adora barulho.

Passo a vista na biblioteca e todos os livros estão em silêncio. Que maravilha. Livraria é outro lugar de silêncio. Ninguém lê, nem estuda, nem reflete com zoada. E entre os livros que estou olhando, vejo um de Shakespeare, que é uma maravilha de título: “Muito barulho por nada”. Hoje, ele escreveria: ”Muito barulho por tudo”. Assim morasse em João Pessoa.

Aqui para nós: só gosta de zoada quem não tem nada na cabeça. Vale-se do barulho para esquecer sua vacuidade, seu vazio, seus recalques, suas frustrações. Fui a um restaurante, uma noite dessas, e sai de lá surdo, tal era o barulho. Fiquei impressionado. Saí, para nunca mais voltar lá.

E agora, com a campanha eleitora, é a hora de tapar os ouvidos com algodão e não votar em político barulhento. Vamos observar.
E este computador? Que silêncio no bater de suas teclas. Estou quase beijando-o. Que diferença da TV!

Mas vou encerrar a crônica. A tarde está muito silenciosa. Gostaria de ir até o mar e vê-lo brincando com as ondas. É aí que o mar se torna menino.

Meu medo é que estronde, aqui na avenida, um carro de propaganda eleitoral. Fui falar, pois não é que surgiu o que eu temia. Propaganda de um candidato não sei a quê...

S e me perguntassem, dessas cidades estrangeiras que andamos visitando, qual a que mais me encantou e ficou se repetindo na memória evocati...

Se me perguntassem, dessas cidades estrangeiras que andamos visitando, qual a que mais me encantou e ficou se repetindo na memória evocativa, eu não pensaria duas vezes. Diria logo, mesmo que Paris ficasse zangada: Viena, onde está a casa de Freud. Mais ainda: onde se encontra monumentos em homenagem a Mozart e Beethoven.

Lembrar que, desde que comecei a andar pela cidade, na primeira vez que a visitei, fiquei maravilhado com o seu silêncio, com o asseio de seu chão e com a visão daquelas belas garotas convidando-nos para um concerto à noite. Elas distribuíam convites. E que belo sorriso ostentavam!

Viena! Capital da música, cujas calçadas ainda guardam as pisadas de Beethoven, Haydn, Mozart e outros gênios da divina arte. Pena que não cheguei a ir aos Bosques de Viena, que tanto inspiraram Strauss...

E a Casa de Freud? Fui lá com o coração batendo de alegria. Subi a escada do velho casarão, a mesma escada que o gênio pisou. Lá fui muito bem recebido e deixei o exemplar de um livro meu. Freud, que descobriu nosso inconsciente, e dele fez ilações surpreendentes! Seu retrato estava lá, bem como o divã, em que ele conversava com os clientes. Ee foi extraordinário na coragem, mas se deixou dominar pelo fumo. Morreu com um câncer na boca, que, segundo se informa, exalava tanto mau cheiro que o próprio cachorro não suportava.

No entanto, para cuidar da saúde, praticava o cooper, à noite, não de short, mas vestido como se fosse para uma solenidade.
Voltemos a Viena, cujo nome é um poema. Viena limpa, Viena musical, Viena sem barulho, até mesmo nas eleições, cuja propaganda só é feita através de cartazes nos canteiros...

Viena! Um oásis de cidade... Cultura, silêncio, paz. Uma cidade panorâmica, que logo se abre toda aos olhos do turista. Gosto das cidades que não se fecham. Veja Paris, um exemplo de cidade panorâmica. O olhar entra logo na sua intimidade: o rio Sena, a Ille de la Cité, a Torre Eiffel...

Viena é assim. Vi o seu rio, o Danúbio Azul, que inspirou Strauss com uma bela página musical. O rio, porém, não tem nada de azul. E fiquemos por aqui, se não pego já um avião de novo...

Duncan Lou Who é mais um cãozinho sofredor neste mundo. Suas pernas traseiras precisaram ser amputadas logo que nasceu. Sem casa, sem dono...



Duncan Lou Who é mais um cãozinho sofredor neste mundo. Suas pernas traseiras precisaram ser amputadas logo que nasceu. Sem casa, sem dono, ele vive aos cuidados da Panda Paws Rescue, uma ONG baseada em Vancouver, Canadá, que tem por objetivo resgatar animais abandonados, maltratados e feridos.

L i a crônica do meu xará e amigo Carlos Pereira e tive ciúmes. Ele fazia uma declaração de amor à minha namorada, a Capital das Acácias, qu...

Li a crônica do meu xará e amigo Carlos Pereira e tive ciúmes. Ele fazia uma declaração de amor à minha namorada, a Capital das Acácias, que completou mais uma primavera, no próximo dia 5 de Agosto. A mais antiga capital do país. E lembrar que sou hoje um cidadão pessoense, graças a um projeto do meu amigo e mestre Fernando Milanez. É que nasci em Alagoa Nova, a terra do frio que, infelizmente, fabrica cachaça, que serve de cobertor para muita gente. Saí dela, ainda menino de 4 anos – que lindo! – e vim morar, na cidade das acácias, dos flamboyants, dos paus d'arcos, do sol de Tambaú, da Lagoa, onde antes navegavam lindos gansos.

Não Carlos, a cidade de João Pessoa também é minha. Sou seu apaixonado. E, aqui para nós, sabe quem melhor escreveu sobre essa nossa namorada? Foi Ascendino Leite, no livro “Minha Cidade”, o que também me provocou muito ciúme. Com que beleza ele fala de seus jardins, de seus bondes, de seus bairros, de suas colegiais, de seu Ponto de Cem Réis. E lembrar que um dos maiores de seus poetas – Peryllo D'Oliveira – cantou-a num poema que começa assim: “Ave Cidade, o silêncio é contigo!” Ah, meu Carlos Pereira, como as coisas mudaram... Nossa linda capital é hoje conhecida como a “Capital do Barulho”, triste classificação, divulgada até na Folha de São Paulo, uma vergonha!

Vim morar em João Pessoa e me encantei. Aqui estudei, aqui amei muitas namoradas, até que casei duas vezes. A primeira com Carmen, a segunda Alaurinda.

Cidade de João Pessoa, Capital das Acácias, cidade do sol que aqui chega primeiro. Cidade do Cabo Branco, da escultura do genial Niemeyer, da Estação Ciência, onde o genial Flávio Tavares, em belo painel, narra a história da cidade. Cidade que nasceu à beira do rio Sanhauá e foi tomar banho no mar de Tambaú.

Mas, meu querido Carlos, falando sério, não tive ciúme de sua declaração de amor à nossa cidade. O ciúme tem conotação animal, vem de cio.

Cidade de João Pessoa, hoje uma grande atração turística do nosso país. A calçadinha de Tambaú virou passarela de turistas.
Lembremos, saudosamente, do poeta: “Ave-cidade, cheia de graça, o silêncio é contigo”...

D izia Rabelais que o riso é próprio do homem. Reparando bem, o grande gênio francês tem razão em parte. Embora observemos que árvores sorri...


Dizia Rabelais que o riso é próprio do homem. Reparando bem, o grande gênio francês tem razão em parte. Embora observemos que árvores sorriem com suas flores, as estrelas com a sua luz. Dos animais, o cachorro é uma exceção. Não ri pela boca, mas com o rabo...

A Mona Lisa celebrou-se com o seu sorriso, por sinal muito sem graça, embora os críticos de arte o vejam como “enigmático”. Fui vê-la só duas vezes. Apesar de ir com certa frequência ao Louvre, não desejei mais ir à sala da Gioconda. E haja gente para ver aquele seu meio sorriso, a começar pelos asiáticos. Chego a pensar que a Mona já não agüenta mais tantos olhares dirigidos a ela. Acho que quando o Louvre fecha as suas portas, a Mona Lisa, ao invés de um sorriso, dá uma grande gargalhada mangando de todos.

Voltando ao sorriso, feliz de quem o conserva. E haverá sorriso mais belo do que o da mãe para o filho renascido? Tenho muita pena das pessoas carrancudas, das pessoas sérias demais. É preciso lembrar que o sorriso alegra o ambiente. O sorriso dá paz, dá saúde.

É verdade que, às vezes, o sorriso se transforma em gargalhada. Dir-se-ia que a gargalhada é uma espécie de disenteria verbal. Mas o bom mesmo é o sorriso suave. E sabe que, sorrindo, você se torna mais jovem? Sim, pois o sorriso espalha as rugas. Vá ao espelho e experimente.

Dizem que Jesus não sorria. Protesto. Jesus sorria através do meigo olhar. Aquele olhar que nos convidou a observar os lírios do campo. E quando o mestre disse vinde a mim as criancinhas, será que foi com o rosto sem sorriso? Duvido.

O sorriso é a mensagem dos otimistas, dos que estão em paz com a sua consciência, dos que só vêem o lado bom da vida, dos que estão em paz com a sua vida interior.

O mestre Ariano Suassuna, que era todo sorrisos, em uma de suas entrevistas, disse que “o otimista é um tolo. O pessimista, um chato e que bom mesmo é ser um realista esperançoso”. E disse isso sorrindo o seu sorriso mangador. O otimista, meu risonho Ariano, é que tem contribuído para o progresso. Otimistas foram os grandes descobridores, os grandes inventores, os grandes artistas, os grandes cientistas.

Ah, como é bom estar ao lado de um otimista! Minha mãe foi uma otimista e tanto, que atravessou um século de existência, sorrindo.

Portanto, não apague a luz de seu rosto. A luz do sorriso. Vá ao espelho sorrindo e ele lhe devolverá o riso com outro sorriso.

Se não estou enganado, os robôs não sorriem. E se sorriem é um sorriso muito mecânico. Mas o sorriso do homem é diferente. Afinal, a vida é um espetáculo e onde há espetáculo há riso, há alegria. Ariano transformou suas aulas em espetáculos fazendo todo mundo sorrir. E não há nada que agrade mais, levando-nos ao sorriso, do que a surpresa de uma descoberta. Fico, então, a imaginar o nosso Santos Dumont sorrindo ao ver seu avião contornando a Torre Eiffel, embora, depois, chorasse de tristeza quando soube que sua invenção estava a serviço da guerra...

M orre Ariano Suassuna, com aquele jeito de matuto erudito, o rosto sempre pedindo um sorriso. Um homem que nunca usou máscara. De uma simpl...

Morre Ariano Suassuna, com aquele jeito de matuto erudito, o rosto sempre pedindo um sorriso. Um homem que nunca usou máscara. De uma simplicidade admirável, como sempre estivesse mangando de tudo, a começar da vida.

Nasceu num palácio, o Palácio da Redenção, ali na Praça João Pessoa. Quando eu era da Casa Civil do Governador Pedro Gondim, pensei ainda em sugerir que se colocasse, ali, uma placa alusiva ao nascimento de Ariano.
Conheci seu irmão, Lucas Suassuna, que foi juiz, mas depois abandonou a carreira e foi advogar. Era um autêntico diplomata. Como o admirei!

Ariano foi professor de Estética de minha esposa Alaurinda, que sempre me dizia que suas aulas eram uma mistura de cultura e bom humor. Os alunos aprendiam sorrindo. Era na Escola de Artes, no Benfica, na UFPE.

A última vez que o vi – faz tempo – ele tinha ido ao Palácio tratar de um interesse, e demorou a ser atendido. Muita gente desejando falar com o governador. Era fim do governo, o que Ariano depois disse para mim: “Onde fui me meter, tratar de interesse pessoal, com um governador já saindo...”

Ariano Suassuna! Nordestino até os ossos. Nada de sotaque sulista. Ele fazia questão de falar como nordestino. Tão nordestino como um José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Câmara Cascudo, Gilberto Freire.

“O auto da Compadecida”. Que maravilha! E a sua simplicidade, a sua autenticidade, a dignidade de escritor? São justíssimas as homenagens póstumas que estão lhe prestando. Os jornais, no dia seguinte à sua morte, gritaram em suas manchetes. E houve uma delas que chegou a dizer: “Morreu o maior grilo do mundo”. Só não gostei de uma notícia dizendo que Ariano foi enterrado... Que materialismo estúpido.

Lembrar que Ariano é imortal de nossa Academia de Letras, e que o dinâmico presidente Damião Cavalcanti trate logo de erguer, nos jardins daquela Casa, um busto em homenagem ao genial escritor.

E como era bom vê-lo com o seu genial sorriso. Um sorriso de muita sabedoria, sabedoria de quem levou a vida com muito amor e humor. Um autêntico matuto erudito.

A vida é cheia de interrogações, reticências, dois pontos, interjeições, traços de união, e viva a aritmética da vida. Com a reticência, su...

A vida é cheia de interrogações, reticências, dois pontos, interjeições, traços de união, e viva a aritmética da vida. Com a reticência, suspendemos o discurso, finalizamo-lo com o ponto, mas o que mais mexe com a gente é a interrogação. É ela que nos conduz à sabedoria.

Foi interrogando as pessoas que Sócrates ensinou a sua filosofia. Ninguém aprende com uma pessoa calada. Pobre daquele que não indaga, que não perquire, que não busca o conhecimento. E, aqui, ergo um brinde às crianças por muito perguntarem. As crianças e os filósofos. A interrogação mexe com a gente. Desafia-nos. É ela que, muitas vezes, nos perturba, nos inquieta.

Viver é indagar. Diz um estúpido ditado popular que “quem tudo quer saber, mexerico quer fazer”. Discordo da chamada sabedoria popular, e acho que quem tudo quer saber denota inteligência e perspicácia. E, às vezes, quem indaga não exige resposta. Indaga só por indagar, instigar à reflexão. Foi o caso de Pilatos quando perguntou a Jesus o que era a verdade. A indagação exigiria uma grande resposta. E eu fico pensando: Jesus poderia ter dito o que disse, depois, aos discípulos: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Mas quem sou eu para aconselhar Jesus...

Prosseguindo na crônica, se me perguntassem qual a maior pergunta de todos os tempos? Eu responderia sem pestanejar: qual a finalidade da vida? Por que estamos aqui no mundo? Será que tudo termina num viver e morrer, e pronto? Suponhamos que você acordasse, altas horas da noite, sem saber que estava dentro de um navio. Qual seria sua primeira pergunta? Ora, ora, cronista... Indagaria: Onde eu estou e para onde vou depois dessa viagem?

O escritor Léon Denis, no livro extraordinário “O problema do ser, do destino e da dor”, conta que um professor universitário perdera uma filha, fato que lembrou o problema da imortalidade. Desesperado, foi ao encontro dos colegas pedindo-lhe uma palavra de consolação. Frieza total. Os colegas mudaram de assunto. Aí lamentou ele: “pedi um pão e me deram uma pedra”...
Narra, ainda, Léon Denis este dramático monólogo de outro professor universitário: “Estou na Terra. Ignoro, absolutamente, como aqui vim ter e o que será de mim quando daqui sair”.

A verdade é que poucos têm coragem de fazer tal monólogo. E fazem tudo para esquecer o problema da imortalidade. Vivem como se fossem eternos no corpo de carne. E haja diversão para esquecer a reflexão. Há tantas atrações, tantos divertimentos para esse alheamento...

Mas no túmulo de Allan Kardec, lá no Père Lachaise, de Paris, há uma inscrição que diz: “Nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei”. Haverá mensagem mais consoladora do que esta? Ou tudo fica no morrer e pronto?

Como disse no começo, necessitamos das interrogações. São elas que nos fazem pensar e o homem é um animal que pensa. Lembro agora do escritor francês Anatole France que dizia ter muita pena de seu gato, porque não pensava...

Um lugar onde você pode transitar sozinho, à noite, sem medo de ser abordado por um gatuno que gosta de vida fácil, de arma na mão, ameaça...



Um lugar onde você pode transitar sozinho, à noite, sem medo de ser abordado por um gatuno que gosta de vida fácil, de arma na mão, ameaçando tirar a sua preciosa vida.