Em se tratando de tradição literária, o nosso país ainda é uma criança. Um tanto mais se encararmos o Quinhentismo, Arcadismo e Barroco como meros derivados da literatura feita em Portugal. Podemos dizer que as obras literárias ganharam caráter nacional com o Romantismo, através de suas manifestações nacionalistas? Ou com o Modernismo? E o que dizer do movimento antropofágico? Não era uma “alimentação” da cultura europeia? Quanto ao processo editorial do Brasil, pelo que sei, Monteiro Lobato foi o primeiro a fundar uma editora no nosso país, a Monteiro Lobato & Cia, depois chamada de
Hannah Arendt (1906-1975), filósofa alemã, em Eichmann em Jerusalém: Um Relato sobre a Banalidade do Mal, publicado em 1963, argumenta que o mal pode se manifestar não necessariamente por perversidade consciente, mas pela incapacidade de pensar criticamente e julgar moralmente os próprios atos dentro de estruturas burocráticas. Ao analisar o julgamento do criminoso nazista alemão Otto Adolf Eichmann (1906-1962), Arendt demonstra como sistemas administrativos podem
Adolf Eichmann, oficial nazista responsável pela logística das deportações de judeus para campos de extermínio durante o regime de Adolf Hitler ▪️ DP
normalizar a destruição humana quando o indivíduo despreza a reflexão ética e se limita a cumprir ordens. Em fenômenos de guerra, esse processo é potencializado pela desumanização do inimigo, mecanismo que transforma o outro em objeto a ser eliminado, legitimando a violência sob o poder da legalidade estatal.
A noite de terça-feira, dia 24 de fevereiro, quando aconteceu a sessão póstuma para lembrar Chico Pereira, ficará na lembrança da Academia Paraibana de Letras como um momento marcante.
"Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas.
E me encantei.
... que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica, nem com balanças, nem barômetros etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.”
(Manoel de Barros)
Certo dia, assistindo a um documentário sobre o poeta do Brasil Central, Manoel de Barros, fiquei enternecida com aquele homem tão simples, de versos singelos e únicos, a dizer que não sabia fazer nada na vida e que o que mais gostava era ficar à toa. Identificação instantânea! Por favor, não me julguem arrogante; estou só me comparando ao não saber fazer nada e ficar à toa… Infelizmente, não sei fazer versos, ainda…
Nasceu às doze horas de um dia temperado. Rigorosamente, nem quente nem frio. O signo era Balança. Veio sem berros, choramingando, e quando a mãe lhe deu o peito ele não exultou. Sentia-se que estava apenas satisfeito.
Tenho visitado a geriatria onde mamãe está passando uma temporada. A sala de visitas tem cheiro de álcool gel e saudade. As poltronas são de plástico lavável, cor de abóbora, um delas é laranja, que tenta ser alegre mas não engana ninguém. Ali, todo final de semana os filhos se revezam na cadeira ao lado de outros idosos acamados.
As árvores artificiais de Singapura, chamadas de Supertrees, fazem parte do complexo Gardens by the Bay. Funcionam como jardins verticais. Um projeto muito ousado, ecológico e de uma enorme beleza.
O mais recente romance de Tony Belloto, Vento em Setembro (Editora Companhia das Letras, 2025), começa narrando os preparativos da iniciação sexual de Alexandre, filho mais novo de um truculento e rico fazendeiro do interior paulista. O orgulhoso e confiante pai prepara uma orgia na casa da fazenda, uma festança para dezenas de convidados homens, abastecida fartamente pelas melhores bebidas e comidas, sem falar no pequeno exército de prostitutas arrebanhado dentre as melhores do interior
GD'Art
e da capital de São Paulo. Como cereja do erótico bolo, Laura, a mais bela de todas as meninas recrutadas e reservada para o noviço a ser iniciado nas artes de Eros. As coisas não correm conforme o planejado pelo fazendeiro, mas eu não vou contar, evidentemente.
Em Duna, de Frank Herbert, se o imperador Shaddam IV tivesse se aliado à Casa Atreides, teria neutralizado seu maior risco político e, ao mesmo tempo, fortalecido a estabilidade do Império. Leto Atreides era leal, popular e governava com legitimidade; tudo o que um líder deveria querer ao seu lado, e não contra si.
15 de novembro de 1967.
Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro.
Pombal, alto sertão da Paraíba.
Enquanto aguardava o efeito da injeção que levaria Ione ao parto — um tanto atrasado — em que nasceria Andréia, o médico, Dr. Atêncio Bezerra Wanderley — meu amigo, tio de minha mulher, o homem mais culto que conheci — e de quem fiz esse busto de bronze (abaixo), depois que se foi, disse-me:
Eu era rapazote quando ouvi falar nisso pela primeira vez. A roda formara-se na calçada de seu Antônio Leal da Fonseca, ele bem mais alto do que todos nós, a gravata solta ao vento e seus olhos esverdeados dando um brilho incomum às suas palavras.
“Erguendo-se do mar de areia dourada
Um farol de pedra, a fachada esculpida
Qaṣr Al-Farīd, de uma rocha sagrada
Único palácio, a solidão assumida (...)
Sentinela do tempo, em Al-‘Ula paira
Guardião de segredos que o vento sussurra
Contra o céu azul, sua sombra paira
Um poema de pedra, que a história murmura.”
“Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...”
Descendo das cianobactérias e das arqueas,
Sou arqué, origem de aqueus, vi-os
Arquearem o belo dorso em Tróia,
Tombarem, feito uma imensa sequoia...
A obra Zé, A Velha e Outras Histórias, de Aldo Lopes de Araújo, inscreve-se na tradição da narrativa regional brasileira, mas ultrapassa o mero regionalismo ao tocar dimensões universais da experiência humana. O livro constrói um mosaico de personagens simples — homens e mulheres anônimos — que, embora enraizados em um espaço geográfico específico, tornam-se arquétipos das tensões entre tempo, memória e sobrevivência.