Estivemos na Nova Zelândia em 2008 e, desde então, o país se tornou, para mim e minha família, um referencial absoluto de inigualáveis pai...



Estivemos na Nova Zelândia em 2008 e, desde então, o país se tornou, para mim e minha família, um referencial absoluto de inigualáveis paisagens naturais, civilidade e respeito ao meio ambiente.

Q uer saber de uma coisa curta e certa? É fazer amigos, pois são eles que enfeitam a vida, que nos tornam humanos. É por isso que a solidão ...


Quer saber de uma coisa curta e certa? É fazer amigos, pois são eles que enfeitam a vida, que nos tornam humanos. É por isso que a solidão é um martírio para muita gente. A solidão a que me refiro é a solidão egoísta. Sim, porque existe aquela que nos induz à reflexão, à conversa íntima, à leitura, à meditação, em que a gente faz avaliações.

Não esquecer que a vida é comunicação. E esta realidade quem nos ensina é a própria Natureza, sem esquecer a tecnologia. Tudo nela está em constante relacionamento. E que dizer do nosso corpo, com o sangue se comunicando com as células, o coração em constante pulsação, marcando os nossos passos, o oxigênio entrando e saindo no nosso corpo, a vida se expressando muito bem no movimento das ondas do mar. Afinal, quando a comunicação para, tudo morre. O egoísta é um morto vivo.

Quem ama não se sente só. Mesmo que não tenha ninguém ao seu lado. Depois há a arte, a literatura, os gestos de bondade. Viver sem conviver é morrer, porquanto a vida é constante comunicação, repito. Mas, lembremos que além da vivencia e da convivência, há a transcendência. Quando, então, a solidão desaparece. Afinal, ninguém está só quando está em paz com a sua consciência. Solidão exige silêncio, e na solidão a gente conversa com Deus.

Respirar é o ato mais importante de nossa existência. Se você se sente só, que tal uma caminhada à beira-mar, um passeio num bosque, uma visita a algum solitário, uma boa música, a leitura de um bom livro, um livro que nos ensine a viver, a conviver, a transcender?

Lembre-se que você é detentor de muitos bens. Você tem olhos sadios, você tem boa imagem, você pode ler, você pode caminhar, você pode respirar, você pode fazer muitas coisas que outras pessoas não podem fazer. Você ama.

Verdade, beleza e bondade, eis uma trindade que não é santíssima, mas que é tudo na nossa vida. A verdade que nos liberta dos erros, a beleza que enfeita vida e a bondade que nos conforta e nos eleva. Mas nunca se esqueça que a maior arte é a arte de fazer amigos, Sem eles a vida se transforma num deserto. Assim, prefira o jardim ao deserto

E is aí duas coisas importantes na nossa vida. Queiramos ou não, somos rotineiros e aventureiros. Desde quando acordamos domina a r...


Eis aí duas coisas importantes na nossa vida. Queiramos ou não, somos rotineiros e aventureiros. Desde quando acordamos domina a rotina. Em grande parte de nossa vida, viramos robôs. E eu me lembro agora de um velho funcionário do Palácio da Redenção, que mal entrava no seu gabinete de trabalho, atirava o chapéu direto para o cabide. Que pontaria! Um admirável automatismo.
E por falar em rotina, lembrar que todo o nosso corpo é uma usina que funciona automaticamente. Que beleza! Já pensou se precisássemos pensar em cada passada que damos? Viva o senhor instinto!
Pensando bem, quase tudo é rotina em nossa vida. Mas o bom mesmo é a aventura. É esta que nos dá experiência. Quer ver uma gostosa aventura? A leitura. Tenho pena dos que não lêem. O velho Montaigne, depois de enjoado da vida, resolveu trancar-se na sua torre, isolando-se do mundo para escrever os seus excelentes monólogos. Também tenho pena daqueles cujo trabalho é uma rotina. É por isso que muita gente, da sexta à tarde para a segunda, vai procurar uma aventura. A rotina mata...
E a aventura de uma viagem? Conhecer nova gente, novos costumes, novas paisagens. Que bom. A gente vem de mente renovada para enfrentar a rotina, que ficou nos esperando. E com a alma renovada até a rotina é tolerável. A viagem traz novas experiências, e, com novas experiências, mais sabedoria. O sociólogo Donald Pierson colocou nos desejos fundamentais do homem o de novas experiências.
E para quem não gosta de viagem, a leitura é uma ótima sugestão para as novas experiências. Houve um escritor que escreveu um livro que tinha por título “Viajando na minha biblioteca”. A leitura também mata a rotina, graças à aventura do espírito.
Aqui para nós, nada mais triste do que um casal rotineiro... Mas, ora bolas, vou fazer agora a coisa mais rotineira da vida: a barba. Eis um ato que me entedia. Uma verdadeira tortura. As mulheres têm a menstruação, mensal, mas, fazer a barba é pior porque é todo dia. Disseram-me que sangue de rato acaba com a barba. Será?
Que venha a barba nossa de cada dia, o escovar dos dentes, os mesmos cumprimentos, os mesmos telefonemas, pois a rotina não nos dá medo. O que nos faz medo é a aventura. Mas, diz o ditado, quem não arrisca não petisca.

P or que Jesus, ao invés de um luxuoso palácio, nasceu numa manjedoura? Eis aí uma indagação que incomoda. Uma manjedoura é um lugar muito h...



Por que Jesus, ao invés de um luxuoso palácio, nasceu numa manjedoura? Eis aí uma indagação que incomoda. Uma manjedoura é um lugar muito humilde, impróprio para um deus nascer, se bem que, fosse depois iluminada por uma estrela, fato que não se viu em nenhum palácio. Um escritor italiano disse que a manjedoura envergonhou a muita gente, que desejava que seu nascimento ocorresse num luxuoso palácio, porquanto só assim impressionaria o povo. O povo adora ostentações...
Mas Jesus preferiu nascer entre animais domésticos, em comunhão com a natureza. Teve como pai terreno um humilde carpinteiro. E passou a infância vendo seu pai serrando a madeira. E quem sabe lá se ajudou a José na confecção de uma cruz para algum criminoso, já que a crucificação era costume da época?
Proferiu seu primeiro sermão, em pleno campo, ao ar livre, com o povo se assentando no chão. Nada de luxo, nada de comodidade, nada de auto-falantes. Viveu e agiu sempre na mais pura simplicidade.
Curou cegos, paralíticos, leprosos, endemoniados, e nunca cobrou um centavo pelas curas que fez, nem por suas pregações. Dava de graça o que havia recebido de graça. Falou em todos os lugares, nunca discriminou ninguém. Compreendia a todos e a todos ensinava o perdão.
Não construiu nada para si, sequer um templo. E chegou ao cúmulo da humildade quando disse que os pássaros têm seus ninhos, as raposas seus covis, mas o filho do homem não tem uma pedra para recostar a cabeça.
Viveu grande parte de sua vida, aqui na Terra, no campo e à beira do Mar da Galiléia, e em Cafarnaum, que ele adorava. E preferiu a didática da Natureza à dos homens. No campo pregou, no campo multiplicou pães e peixes para matar a fome dos que o acompanhavam na marcha da pregação evangélica
Jesus foi todo humildade. E tão humilde foi, que entrou em Jerusalém, naquela manhã tranquila, acompanhado de seus discípulos, montado num burrico. Num burrico ou dentro de uma carruagem? Não. Entrou na cidade montado num jumento, que ele pediu emprestado.
Humildade foi o seu nome. Longe do luxo, da encenação, da ostentação.

E udes Barros é meu irmão por parte de mãe, e com ele convivi por muitos anos. Nasceu em Alagoa Nova, onde viveu algum tempo. Certa...



Eudes Barros é meu irmão por parte de mãe, e com ele convivi por muitos anos. Nasceu em Alagoa Nova, onde viveu algum tempo. Certa manhã, ele, ao ver um pingo de chuva na folha de uma árvore, gritou, entusiasmado, para sua mãe: “olhe uma lágrima do céu”. Esse desabafo lírico muito impressionou mamãe, que só fez dizer: “este menino é um poeta. ”
A profecia se realizou. Muito jovem ainda, ele escreveu seu primeiro livro de poemas, que intitulou “Fontes e paús”. E dedicou um dos seus versos à sua terra natal, a que ele chamou “sítio de mangueiras”.
De Alagoa Nova, ele veio morar na capital, onde passou grande parte de sua existência. O poeta lança seu segundo livro, ainda de poesias, sob o título de “Cânticos da Terra Jovem”, livro que teve grande repercussão, sobretudo pelo magnífico poema “Jesus brasileiro”. Nesse poema ele conclui que Jesus nasceu em nosso país crucificado numa cruz de estrelas. Informam que a repercussão do poema foi tanta, que chegou a ser declamado na BBC de Londres.
Eudes Barros não foi apenas poeta, mas historiador e jornalista, chegando a fundar um jornal intitulado “A Rua”, que funcionou por muito tempo na antiga rua Duque de Caxias. Jornalista vigoroso, polêmico, colaborou por muito tempo no tradicional matutino “A União”, sobretudo quando este jornal foi dirigido pelo genial Carlos D. Fernandes, a quem Eudes respeitava e admirava. Articulista, cronista, o nosso poeta também escreveu uma série de sueltos assinado por “Til”.
Cem por cento jornalista, ele chegou até a escrever nos jornalzinhos da Festa das Neves. Temperamento polêmico por natureza, dele podia se dizer: não tem papa na língua. E, certa vez, na administração do governador de Argemiro de Figueiredo, chegou a complicar o governo, dizendo na manchete de seu jornal que “a polícia estava tramando contra o governo”. Isto foi o bastante para ele ser agredido em pleno Ponto de Cem Réis por policiais. Mas Eudes soube se desembaraçar dos agressores, graças ao fôlego para uma boa carreira.
Era grandíssimo amigo do tribuno Botto de Menezes e de José Américo de Almeida. No plano federal, seu ídolo foi Carlos Lacerda. E ambos se correspondiam com regularidade.
De nossa capital, foi morar no Rio, onde colaborou por muito tempo, no Jornal do Brasil.
Poeta, jornalista e historiador. Como historiador escreveu “Dezessete”, seu primeiro romance histórico, que depois passou a se denominar “Eles sonharam com a liberdade”. O livro teve grande repercussão e teve como tema a Revolução de 1817. E como ensaísta, escreveu um primoroso estudo sobre Augusto dos Anjos.
Ele tinha um profundo amor à sua mãe, Pia de Luna Freire, que enviuvou muito moça, casando-se depois com o meu pai, José Augusto Romero.
Congratulo-me com o grande jornal A União, que vem prestando uma justa homenagem ao seu antigo colaborador. Um jornal para o qual Eudes sempre olhou com muita reverência.

Postagens mais visitadas