5.5.13
V ou concluir, hoje, minhas impressões sobre a Nova Zelândia, aquela ilha paradisíaca que dorme, isolada, no oceano Pacifico. Como já mencio...
Ah, como sofri...!
Vou concluir, hoje, minhas impressões sobre a Nova Zelândia, aquela ilha paradisíaca que dorme, isolada, no oceano Pacifico. Como já mencionei, estivemos lá duas vezes, e espero que descansemos um pouco, porquanto a viagem é longa.
Mas qual a razão do título? Prossiga na crônica, curioso. Não esqueça que nesta viagem àquela ilha o calendário assinalava a Semana Santa, quando recordamos os sofrimentos de Jesus.
Continuemos com a viagem. Digo, agora, passeio. Passeio de carro, com meu filho Germano na direção pela mão esquerda. E lá fomos estrada afora, entre altíssimas e silenciosas montanhas, muitas delas com suas cascatas, que desciam numa lentidão de lágrimas. Montanhas nunca vistas com tanta abundância. E nos informaram que muitas delas, no passado, se irritavam e viravam vulcões. Mas no nosso passeio, elas dormiam seu sono místico.
Eram montanhas de um lado, florestas do outro, e, por cima, um céu limpo de nuvens. Quanto silêncio, meu Deus! Dava para ouvir as batidas do coração. Quilômetros e mais quilômetros, e, de repente, a Pastoral de Beethoven pelo rádio, em homenagem àquele momento de paz. Ah, se o mestre de Bonn, tivesse conhecido a Nova Zelândia! Quanta inspiração encontraria para as suas sinfonias e sonatas!
Horas e horas caminhando no paraíso. E eis que regressamos com o coração vibrando de contentamento, os olhos ricos de imagens paradisíacas. De repente, alguém lembra: quando é que vamos a Kare Kare, uma praia distante e isolada, que já foi cenário do famoso filme “O Piano”. E lá fomos atrás de mais um paraíso.
Mas, aqui é que começa meu sofrimento. A mata intrincada, quase virgem, muitas pedras no chão e muitas árvores se abraçando, querendo impedir nossa caminhada. Seriam ciúmes? Não sei. Só sei que tive de entrar num riacho cheio de pedrinhas furando os meus pés. Fui amparado pelo braço do meu amigo Davi, que, ao invés, de pena, dava boas risadas.
Por fim, a praia. Uma praia mais para surfistas do que para banhistas. Uma praia mística, boa para a reflexão, para uma conversa com Deus. Ah, as pedrinhas do riacho! Como sofri...! Mas, pior foram aqueles pregos enormes furando os pés de Jesus.
E foi com os meus, ardendo que nem fogo, que sai pisando naquele mundo frio e silencioso. Aí respirei fortemente, e botei aquela paisagem dentro de mim.
A praia de Kare Kare continua na minha cabeça. Que refúgio! Não me esqueço daqueles jovens bonitos e cheios de vida, dentro de uma barraca, preparando o material para o surf. Muitos deles já estavam deslizando nas ondas fazendo inveja ao cronista, que tiritava de frio. Sim, lembrar que eu estava numa ilha solta no Pacífico, um pedacinho de nada de terra. Esta viagem, aqui na Nova Zelândia não foi só uma viagem, nem um passeio. Foi uma grande aventura!
4.5.13
N ada mais triste do que um olhar de despedida. A presença, aos poucos, vai se tornando ausência. Mas o que é a vida senão uma sucessão de a...
Lua de Mel de enamorados
Nada mais triste do que um olhar de despedida. A presença, aos poucos, vai se tornando ausência. Mas o que é a vida senão uma sucessão de ausências?...
E aconteceu o inesperado. De repente, nos deu aquela vontade de um passeio à beira-mar. Nossos olhares se demoraram na linha do horizonte que limitava o mar. Silêncio absoluto. E eis que ela, numa euforia de namorada, gritou: “Vamos curtir este momento”. Sim, a paisagem estava para o amor, para a alegria interior, para um poema. E nossos olhos, acostumados a muitos horizontes, daqui e de além-mar, se maravilhavam com o que víamos. Sim, estávamos naquela enseada de nossa Tambaú, onde o Cabo Branco continua tentando subir o planalto, desejando ver de perto o sol que, ali, nasce primeiro.
E aconteceu o inesperado. De repente, nos deu aquela vontade de um passeio à beira-mar. Nossos olhares se demoraram na linha do horizonte que limitava o mar. Silêncio absoluto. E eis que ela, numa euforia de namorada, gritou: “Vamos curtir este momento”. Sim, a paisagem estava para o amor, para a alegria interior, para um poema. E nossos olhos, acostumados a muitos horizontes, daqui e de além-mar, se maravilhavam com o que víamos. Sim, estávamos naquela enseada de nossa Tambaú, onde o Cabo Branco continua tentando subir o planalto, desejando ver de perto o sol que, ali, nasce primeiro.
“Vamos!” - gritava ela, eufórica -, “vamos enquanto não chega a noite”. E ela tinha razão, tudo na vida é fugidio. E na sua euforia, disse: parecemos dois namorados. Por que namorados? Ora, porque num bom casamento, os conjugues nunca deixarão de ser namorados. Sim, éramos, naquele momento dois seres que se amavam e, ao mesmo tempo, namoravam a paisagem, com o mar parado como se estivesse dormindo.
Sim, o mar, às vezes, dorme e sonha. Quase ninguém na praia. Mas os nossos olhos pediam mais paisagem. E que tal entrarmos no carro e subirmos o planalto? Foi o que fizemos. Fomos até a Estação Ciências, completamente sem ninguém. Mas, lá do Planalto é que a visão da praia lá embaixo faz a gente sair correndo e gritando: “Venham, minha gente, ver a praia de Tambaú dormindo.”
Como disse, havia pouca gente na praia. Pouca gente para ver essa lua de mel do casal, embriagado de sonhos e de muito amor. E temos certeza que o mar gostou de nos ver. Ele também ama. E quem ama, beija. O mar beija a areia com suas ondas, que se transformam em espumas.
Não, nosso passeio não foi um passeio de namorados, e, sim, de enamorados da paisagem, que se oferecia aos nossos olhos como uma mensagem cheia de muita paz e de muito amor.
Só sei que ela sorria o seu sorriso bonito. E sabem que quando a mulher é amada se torna mais bonita? E, já ia me esquecendo, aquele adágio de Beethoven embelezou ainda mais a nossa lua de mel. Lua de mel de enamorados. E viva o amor!
4.5.13
4.5.13
E , de repente, me veio aquele súbito desejo de fazer uma oração. Não como aquela do “Pai Nosso”, com a qual o Meigo Nazareno ensin...
Oração de um cronista
E, de repente, me veio aquele súbito desejo de fazer uma oração. Não como aquela do “Pai Nosso”, com a qual o Meigo Nazareno ensinou o mundo a orar, e muito menos como a de São Francisco de Assis, um hino à solidariedade e ao perdão. Mas, uma oração que começaria assim:
Senhor, dá-me força, para um dia, domar o orgulho e outros vícios que ainda há em mim. Que eu seja como o sol, que ignora a escuridão, que só faz iluminar nossos caminhos. Que eu seja a pedra do caminho, humilde, mas que sustenta o edifício. Que eu seja como aquela ponte, vencendo os obstáculos do caminho ou aquele túnel permitindo nossa passagem entre montanhas. Que eu seja a água, cuja persistência vence a pedra dura. Que eu seja caminho, jamais obstáculo. Que eu seja como as flores, sempre sorrindo para a vida. Que eu seja como o vento, sempre trazendo alegria e suavidade para as pessoas tristes. Que eu seja como as nuvens a deslizarem serenas, lá do alto, esquecendo as sombras cá de baixo.
Senhor, como gostaria de ser como a chuva, molhando com suas lágrimas toda a terra, sem particularismo, sem preferências, sem discriminação.
Que eu seja como o mar, cujas espumas lavam nossos pés, para depois morrerem, que a vida é um eterno vai e vem, de saudades e de esperanças.
Que eu seja como a grama macia, que não dá flores, mas na sua humildade serve de tapete para os homens.
Que eu seja uma montanha, que lá do alto, sorri o seu sorriso de transcendência. Que eu seja o outro para saber como é que ele nos vê. Que eu olhe sempre para o espelho para saber como vai o meu rosto, a minha imagem. Se é um rosto de tristeza ou de alegria, de cara fechada ou de semblante aberto. Que eu esqueça as rugas do corpo que envelhece, porquanto o espírito é sempre jovem para os que amam tua Verdade, aquela que nos consola e nos liberta.
Que eu esteja sempre atento no caminhar, vigilante no discernimento, atento aos obstáculos e jamais olhando os outros sem aquele olhar de compreensão. Que eu esteja sempre vigilante para não cair em tentação como nos ensinaste. Que eu tenha sempre a humildade necessária para ser um crítico de mim mesmo.
4.5.13
4.5.13
V ez por outra, estou cutucando a memória. É gostoso e terapêutico trazer à nossa presença pessoas que nos deixaram forte impressão, belos e...
Eles eram príncipes
Vez por outra, estou cutucando a memória. É gostoso e terapêutico trazer à nossa presença pessoas que nos deixaram forte impressão, belos exemplos, exemplos de ética, de bondade, de dignidade. Ah, como é salutar recordá-las. É a tal coisa, o homem morre, mas o seu exemplo de compostura e elegância continua.
Estou me lembrando de muita gente boa que transitou pelo meu caminho. E como aprendi com eles! Estou me lembrando agora do primeiro que chega à memória para minha alegria. É como se estivesse vendo-o. Sempre eufórico, sempre de abraços abertos, sempre sorrindo, mais do que isto: Sempre dando boas gargalhadas. Era médico, e ocupou cargos importantes. Impossível não gostar dele, de não ser atraído pela sua constante euforia de quem está em paz com sua consciência. Era médico. Mais do que médico, ere homem de letras. Doido pela nossa Academia. Nunca uma pessoa se identificou tanto com uma instituição. E foi ele quem me convidou para a Casa de Coriolano de Medeiros. “Quero você lá”. E terminei entrando naquele templo de letras, sem eleição e concorrência. Mas quem era ele, cronista? Era Oscar de Castro. Impossível não gostar dele, repito. O primeiro de minha lista. Um homem de bem. Nunca o vi zangado. Já estou ouvindo sua gargalhada a me ver, diante deste computador, que não existia no seu tempo.
Oscar de Castro, médico e escritor, que fez da nossa Academia de Letras a sua segunda casa.
Mas deixemos Oscar e vamos a outro príncipe, a outro homem de ética e que me impressionou, profundamente, pela sua maneira de ser. Também pertenceu à nossa Academia de Letras. Escreveu livros admiráveis, cuja temática foi nossa terra. Historiador autêntico. Escrevia com muita leveza. Mas, o que mais importa nessas rememorações é o homem, sua ‘maneira de relacionar com os outros, sua ética.
Mas deixemos Oscar e vamos a outro príncipe, a outro homem de ética e que me impressionou, profundamente, pela sua maneira de ser. Também pertenceu à nossa Academia de Letras. Escreveu livros admiráveis, cuja temática foi nossa terra. Historiador autêntico. Escrevia com muita leveza. Mas, o que mais importa nessas rememorações é o homem, sua ‘maneira de relacionar com os outros, sua ética.
Estou me lembrando de Celso Mariz. Sabia se vestir bem (sempre usava linho branco). A cabeça branca e uma maneira distinta de se relacionar com as pessoas. Costumava sempre dizer “all right?” quando se encontrava com a gente Era um verdadeiro gentleman. Sabia entrar, sabia sair. Incapaz de uma vulgaridade. Falar de alguém? Jamais. Daí o respeito que impunha.
Extraordinário autodidata, Celso Mariz foi outro admirável príncipe, que transitou pela nossa província. Quando repórter deste jornal, fui incumbido pelo diretor, deste jornal, já tarde da noite, a buscar Celso e trazê-lo, porquanto havia dúvida sobre um fato histórico da Paraíba. Recebida a ordem, saí como uma bala. E veio uma duvida, onde estaria o nosso príncipe? Estaria jogando lá no clube Cabo Branco? Dito e certo. E quando soube da nossa incumbência, levantou-se da cadeira e veio conosco para o jornal. Mas antes indagou: “Tu tens verba?“ Ele se referia a um carro para levá-lo. Já era tarde. Carro que era chamado de “aluguer”, pois ainda não havia o táxi.
Não me esqueço daquela tarde, em que ele fora dar um passeio para contemplar o crepúsculo do rio Sanhauá, Um dos espetáculos mais belos da nossa cidade. Celso, depois da visita, apenas disse: “Na nossa idade, é bom, vez outra, lançar um olhar de despedida para as coisas”...
4.5.13
3.5.13
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5 dicas simples para aprender um idioma estrangeiro
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3.5.13
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